22 de abr de 2011

[Morte por Amor] Por que Deus criou o Universo? Para a Sexta-Feira Santa.



A cruz de Cristo é a coisa mais revolucionária que já apareceu entre os homens.
 (A. W. Tozer)

John Piper – Dois Paradoxos na Morte de Cristo

No painel do Gospel Coalition perguntaram-me como minha pregação se tornou mais cristocêntrica ao longo dos anos. Aqui está o resumo da minha resposta.
Minha devoção à verdade que Deus glorifica-se em tudo o que Ele faz tem sido cada vez mais refinado em uma direção centrada em Cristo. Fui conduzido nesta direção por um conjunto de idéias.

1. O ápice de Deus exibindo a Sua glória é a exibição de Sua graça.
“E nos predestinou … segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça” (Efésios 1:5-6). Graça é o ponto final na revelação da glória de Deus.
Isto é visto na maneira como a ira serve para fazer a Deus mais glorioso para os vasos de misericórdia. “E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, … para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia” (Romanos 9:22-23).
2. Deus planejou glorificar Sua graça antes da criação.
“Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo … para louvor e glória da sua graça” (Efésios 1:4-6).
3. Deus planejou glorificar Sua graça através do Filho de Deus, Jesus Cristo.
“E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo … para louvor e glória da sua graça” (Efésios 1:4-6).
“Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” (2 Timóteo 1:9).
4. Desde a eternidade, Deus planejou que glorificar Sua graça teria seu ápice na crucificação de Cristo pelos pecadores.
Antes que houvesse qualquer pecado humano para morrer, Deus planejou que Seu Filho seria morto pelos pecadores. Sabemos disso por causa do nome dado antes da criação ao livro da vida. “[Todos vão adorar a besta], cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo ” (Apocalipse 13:8).
5. Deus glorificando Sua graça na crucificação de seu Filho pelos pecadores era a finalidade para a criação do universo.
“Tudo foi criado por ele e para ele” (Colossenses 1:16). Por toda a eternidade, vamos cantar “o cântico do Cordeiro” (Ap 15:3). Diremos: “Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto” (Apocalipse 5:9).
6. Portanto, Deus planejou desde a eternidade que a revelação de sua glória seria a razão fundamental para a criação do universo.
Esta glória seria exibida supremamente na graça de Deus. Esta graça seria supremamente glorificada em Jesus. E o ápice desta glorificação em Jesus seria atingida quando Ele fosse morto para salvar um povo que iria passar a eternidade exaltando a grandeza dessa graça.

Em outras palavras, o universo foi criado para a glorificação da graça de Deus no Calvário, ecoando por toda a eternidade na alegre exaltação de Cristo pelos redimidos.

Por John Piper © Desiring God. Website: desiringGod.org
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que adicione as informações supracitadas, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

19 de abr de 2011

O Amor de Deus – John Piper


Meditação sobre Romanos 5.8

Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.

Observe neste versículo que o verbo "provar" está no tempo presente e "morrer", no tempo passado. "Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores." O tempo presente implica que esse provar é um ato contínuo: acontece no presente de hoje e acontecerá no presente de amanhã, que chamamos de futuro.

O tempo passado, "ter... morrido", implica que a morte de Cristo aconteceu de uma vez por todas e não será repetida. "Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus" (1 Pe 3.18).

Por que o apóstolo Paulo usou o tempo presente ("Deus prova")? Eu esperava que Paulo dissesse: "Deus provou o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores". A morte de Cristo não foi uma demonstração do amor de Deus? Essa demonstração não aconteceu no passado? Então, por que Paulo disse: "Deus prova", em vez de: "Deus provou"?

Penso que a chave deste mistério é dada em alguns versículos anteriores. Paulo acabara de falar que "a tribulação produz perseve¬rança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde" (vv. 3-5). Em outras palavras, o alvo de tudo aquilo pelo que Deus nos faz passar é a esperança. Deus quer que sintamos esperança inabalável em todas as tribulações.

Como podemos fazer isso? Por definição, as tribulações são contrárias à esperança. Se as tribulações proporcionassem esperança, em si mesmas, não seriam tribulações. Qual o segredo por trás de crescermos realmente em esperança ao passarmos por tribulações?

A resposta de Paulo se encontra na linha seguinte: "Porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado" (v. 5). O amor de Deus foi derramado em nosso coração. O tempo deste verbo significa que o amor de Deus foi derramado em nosso coração no passado (em nossa conversão) e ainda está presente e ativo.

Portanto, o argumento de Paulo é que a certeza outorgada pelo Espírito e o gozo do amor de Deus constituem o segredo para crescermos em esperança por meio da tribulação. Atribulação produz perseverança, experiência e esperança que não se envergonha porque, em cada etapa de nossa peregrinação, o Espírito Santo está nos assegurando do amor de Deus em e através de toda a tribulação.

Agora podemos observar por que Paulo usou o tempo presente no versículo 8 — "Deus prova o seu próprio amor para conosco". Esta é a própria obra do Espírito Santo mencionada no versículo 5: Deus Espírito Santo está derramando e espalhando em nosso coração o amor de Deus.

Deus demonstrou seu amor por nós dando seu próprio Filho para morrer, de uma vez por todas, no passado, em favor dos nossos pecados (v. 8). Mas Ele também sabe que este amor passado tem de ser experimentado como uma realidade do presente (hoje e amanhã), se queremos ter paciência, caráter e esperança. Por isso, Deus não somente demonstrou o seu amor no Calvário, mas também continua a demonstrá-lo agora por intermédio do Espírito Santo. Deus faz isso abrindo os olhos de nosso coração para que vejamos a glória da cruz e a garantia que ela dá de que nada nos pode separar do amor de Deus em Cristo Jesus (Rm 8.39).




15 de abr de 2011

O escândalo do pecado – John MacArthur


O pecado domina o coração humano, e se fosse pela sua vontade, condenaria cada alma. Se não compreendermos nossa própria perversidade ou não enxergarmos nosso pecado como Deus o vê, não poderemos entendê-lo ou fazer uso do remédio contra ele. Aqueles que tentam justificá-lo, negligenciam ajustificação de Deus. Até compreendermos quão totalmente repugnante nosso pecado é, nunca poderemos conhecer a Deus.

O pecado é abominável a Deus. Ele o odeia (cf. Dt 12.31). "Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar..." (He 1.13). O pecado é contrário à sua própria natureza (Is 6.3; 1Jo 1.5). A pena máxima — a morte — é exigida para cada infração contra a lei de Deus (Ez 18.4, 20; Rm 6.23). Até a menor transgressão é digna da mesma pena severa: "Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um ponto, se torna culpado de todos" (Tg 2.10).

O pecado suja a alma. Ele rebaixa a dignidade da pessoa. Obscurece o entendimento. Torna-nos piores que animais, pois os animais não podem pecar. Polui, corrompe, suja. Todo pecado é vulgar, repulsivo e revoltante aos olhos de Deus. A Bíblia o chama de imundícia (Pv 30.12; Ez 24.13; Tg 1.21). O pecado é comparado ao vômito, e os pecadores são os cães que voltam ao seu próprio vômito (Pv 26.11; 2Pe 2.22). O pecado é chamado de lamaçal, e os pecadores são os porcos que rolam nele (SI 69.2; 2Pe 2.22). O pecado é semelhante ao cadáver em putrefação, e os pecadores são os túmulos que contêm o malcheiro e a sujeira (Mt 23.27). O pecado transformou a humanidade em uma raça poluída e imunda.

As terríveis consequências do pecado incluem o inferno, sobre o qual Jesus disse: "E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo inferno" (Mt 5.30). As Escrituras descrevem o inferno como um lu¬gar terrível e medonho onde pecadores são "atormentados com fogo e enxo¬fre..." e "A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome" (Ap 14.10,11). Essas verdades se tornam mais alarmantes ainda quando percebemos que são parte da Palavra inspirada de um Deus de infinita misericórdia e graça.

Deus quer que entendamos a excessiva pecaminosidade do pecado (Rm 7.13). Não ousemos encará-lo com leviandade ou rejeitar nossa própria culpa frivolamente. Quando encaramos o pecado como ele é, é nosso dever odiá-lo. As Escrituras vão até mais fundo que isso: "Ali, vos lembrareis dos vossos caminhos e de todos os vossos feitos com que vos contaminastes e tereis nojo de vós mesmos, por todas as vossas iniquidades que tendes cometido" (Ez 20.43, ênfase acrescentada). Em outras palavras, quando verdadeiramente vemos o que o pecado é, longe de obter auto-estima, nós nos desprezaremos.

Fonte: [Ortopraxia]

11 de abr de 2011

Como funciona a santificação? – John MacArthur


A palavra santificar nas Escrituras vem de palavras gregas e hebraicas que significam "separar". Ser santificado é ser separado do pecado. Na conversão, todos os crentes são libertos da escravidão do pecado, libertos do cativeiro do pecado — separados para Deus, ou santificados. No entanto, nesse momento, o processo de separação do pecado apenas teve seu início. ( Conforme crescemos em Cristo, nos tornamos mais separados do pecado e mais consagrados a Deus. Assim, a santificação que ocorre na conversão apenas inicia um processo, que dura toda a vida, pelo qual somos separados mais e mais do pecado e moldados em conformidade com Cristo — separados do pecado e separados para Deus.

Cristãos no processo de amadurecimento nunca transformam-se em pessoas que se autojustificam, presunçosas ou satisfeitas com seu progresso. Não buscam a auto-estima, mas em vez disso procuram trabalhar com seu pecado. E quanto mais nos tornamos semelhantes a Cristo, mais sensíveis ficamos aos vestígios corruptos da carne. Quando amadurecemos na santidade, nosso pecado se torna mais doloroso e mais óbvio a nós mesmos. Quanto mais rejeitamos nosso pecado, mais percebemos as tendências pecaminosas que ainda precisam ser abandonadas. Este é o paradoxo da santificação: quanto mais santos nos tornamos, mais frustrados ficamos pelos restos resistentes do nosso pecado. O apóstolo Paulo descreve nitidamente sua própria angústia sobre esta realidade em Romanos 7. 21-24:

Então, ao querer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra iei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?

Romanos 7 apresenta muitos desafios difíceis aos intérpretes da Bíblia, mas certamente a questão mais difícil de todas é como é que Paulo pôde dizer essas coisas após ter escrito no capítulo 6: " Foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; porquanto quem morreu está justificado do pecado" (Rm 6.6,7).

Essas são verdades vitais para o cristão entender. Elas detêm a fórmula para um andar espiritual saudável e dão um discernimento prático de como deveríamos batalhar contra o pecado em nossa vida.A fim de entendê-las melhor devemos voltar a Romanos 6. De acordo com o Dr. Warfield, Romanos 6 "foi escrito com o único propósito de afirmar e demonstrar que justificação e santificação estão indissoluvelmente ligadas". Ou, na imaginação de Paulo, o morrer com Cristo (justificação) e o viver com Cristo (santificação) são ambos resultados necessários da verdadeira fé. Aqueles que acham que a graça trata a santidade como opcional estão tragicamente enganados. Aqueles que acham que experimentaram toda a santificação que precisavam estão igualmente iludidos. Aqueles que acham que a auto-estima é mais importante que a santidade estão cegos para verdade. Se conhecêssemos os princípios de Deus para trabalhar com o pecado, deveríamos compreender que isso é uma luta de vida e morte, até o final. Contentar-se com bons sentimentos a respeito de si mesmo é contentar-se com o pecado.

Fonte: [ Ortopraxia]

A disciplina da vida cristã – M. Lloyd-Jones


É-nos da máxima importância apercebermo-nos de que existe o que se chama «disciplina da vida cristã». Não basta dizer. . . que, o que quer que nos suceda, temos apenas de «olhar para o Senhor», que tudo nos irá bem. . . Esse ensino é antibíblico. Se fosse só isso que tivéssemos que fazer, muitas porções das Escrituras seriam completamente desnecessárias . . .não haveria motivo para existirem as Epístolas; mas elas foram escritas. . . por homens inspirados pelo Espírito Santo . . .o que nos dizem. . . é que há uma disciplina essencial na vida cristã.

Um dos aspectos mais lamentáveis da vida de certos tipos de cristãos hoje em dia é que parecem ter perdido de vista esse aspecto da fé. Infelizmente, isso acontece sobretudo com relação aos que se empenham por maior fidelidade ao Evangelho. . . Em primeiro lugar e sobretudo, houve uma reação contra o ensino católico-romano. No sistema católico-romano dá-se muita importância a certa espécie de disciplina. Foram produzidos muitos livros e manuais sobre o assunto. De fato, alguns dos maiores mestres desse tipo de ensino são católicos-romanos como, por exemplo, Bernardo de Claraval, ou o bem conhecido Fénélon, cujas famosas Cartas para Homens e Cartas para Mulheres foram muito populares em certa época.

Pois bem, os protestantes reagiram contra isso, e em certa medida fizeram bem. . . Mas deduzir do mau uso da disciplina que não há nenhuma necessidade dela na vida cristã, é algo totalmente errado.

Na verdade, os períodos realmente grandiosos do protestantismo sempre se caracterizaram pelo reconhecimento da necessidade de tal disciplina. . . Por que homens como os dois irmãos Wesley e Whitefield foram chamados metodistas? Porque tinham vida metódica. Eram metodistas porque tinham método em suas reuniões. . . O próprio termo metodista. . . salienta o fato de que criam na disciplina, em como as pessoas devem disciplinar sua vida e como se deve tratar e lidar com cada personalidade, nas circunstâncias e situações com que nos defrontamos no mundo em que vivemos.

            Faith on Trial  p. 23,4.



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