28 de fev de 2013

Criando filhos em uma cultura pornificada

por Zach NielsenPostado por Pedro Vilela em 28 de fevereiro de 2013 em Textos, Traduções
Zach Nielsen e família
Zach Nielsen e família
Um artigo recente no The Telegraph destaca os sintomas trágicos de uma doença que está afetando nossa cultura em todo o mundo. O artigo foca principalmente nos adolescentes e na disfunção que se tornou normativa em seus estilos de vida como resultado do consumo de pornografia.
À luz disso, como os pais podem criar filhos numa cultura “pornificada”? Aqui estão oito sugestões para esse problema cada vez maior.

1. Busquem dar aos nossos filhos uma visão grandiosa do Deus que é gloriosamente prazeroso.

Não podemos simplesmente dizer aos nossos filhos que parem de ter certos comportamentos; devemos também ensiná-los a se deleitar no que Deus fez. Tenho buscado uma disciplina de destacar tudo que há de bom na criação de Deus. Há algumas semanas, foi uma benção ver meus dois filhos mais velhos passarem horas catando as framboesas que crescem no enorme quintal dos seus avós. Eles precisam ser lembrados da bondade de Deus em nos dar essas maravilhosas bençãos criadas, como framboesas. Se não formos cuidadosos, podemos virar gnósticos funcionais (carne e matéria são ruins; somente o que é “espiritual” tem valor) na nossa comunicação sobre ética sexual com nossos filhos. Um versículo útil para eles memorizarem é 1 Timóteo 4.4: “Porque toda a criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças”.
Em resumo, quero que meus filhos saibam que perversão sexual é o auge da idolatria (Rm 1), assim como que a  integridade sexual é o auge da beleza. Isso exige que falemos sobre isso, provavelmente mais do que estamos confortáveis ou que experimentamos quando éramos crianças. Mas esse é um mundo novo, e um mundo novo exige nova comunicação para treinar nossas crianças.

2. Ensine-os o evangelho. Nossos filhos são legalistas naturais.

Eles tem que nos ver como exemplos do verdadeiro evangelho através de  arrependimento e perdão ativos. Eles precisam saber que a aceitação deles perante Deus não é baseada em seu desempenho, mas no de Cristo. Eles precisam saber que a posição deles como um membro da família não depende da obediência deles, embora a posição deles implica sim em um certo tipo de vida.
Por exemplo, quando estamos disciplinando nossos filhos geralmente dizemos: “Pelo fato de você ser um membro dessa família e porque eu te amo muito, você não vai fazer isso”. Considere a diferença de dizer: “Se você quer que eu te ame e se você quer continuar vivendo nessa casa, é melhor você parar de fazer isso”. Os indicativos da nossa fé devem preceder e informar os imperativos. Não inverta a ordem.

3. Ensine-os que limites trazem liberdade e que a obediência é uma benção.

Quando era uma criança, pensava que se eu estragasse tudo, Deus ia me bater com um vara grande. Ninguém nunca me ensinou isso, mas era o que eu sentia. Obediência não era motivada por amor, mas pela punição. Isso não me levou muito longe.
Quando meus filhos tiverem uma idade apropriada, pretendo ensinar que o pecado sexual nunca vai prover a liberdade que desejamos. Eles podem optar por colher as consequências danosas da desobediência, mas vou alertá-los através da Bíblia e da experiência que eles não querem começar esse caminho. Obediência leva a bênção.

4. Fale com eles mais cedo do que tarde sobre sexo e pornografia na internet.

Quando tinha 8 anos, lembro de ir ao lado da garagem do nosso vizinho. Como toda criança curiosa, gostava de bisbilhotar um pouco. Logo descobri que ele tinha caixas cheias de revistas pornográficas. Algumas vezes, um amigo e eu esgueirávamos por lá, pegávamos umas, e sentávamos nos arbustos para para ver as mulheres peladas. Na época, esse esforço arriscado enchia meu estômago com borboletas de medo de ser pego pelos meus pais ou pelo vizinho. Mas tudo o que você precisa hoje é uma porta fechada e uma conexão à internet. A mais vil perversão imaginável está somente a dois cliques de distância.
Precisamos comunicar, em termos gerais, o que está disponível e porque é tão destrutivo. Alguns iriam alegar que essa discussão vai apenas incitar sua curiosidade, mas qual é a alternativa? Prefiro que eles sejam advertidos por mim para que eu possa oferecer razões e meios para lutar do que tê-los inocentemente tropeçando em pornografia algum dia na internet.

5. Comece a treinar seus filhos sobre como interagir com o sexo oposto.

Nós já começamos a “ter encontros” com nossos filhos. Sentimos que é fundamental para eles, em uma idade precoce, começarem a experimentar como é ser bem tratado por alguém do sexo oposto. Especialmente para as meninas, uma falta de atenção masculina saudável por parte do pai geralmente vai estimulá-las a buscar isso; porém, de maneiras não saudáveis, com rapazes mais do que felizes em fornecer atenção. Meus filhos precisam aprender que mulheres não são objetos a serem consumidos, mas são imagem e semelhança de Deus, criadas para serem amadas.

6. Cuidado com quem seus filhos passam tempo.

Visto que a exposição sexual é muito mais acessível hoje do que 25 anos atrás, somos muito mais atentos com quem nossos filhos passam tempo. Vai haver uma época (mais cedo do que eu gostaria de pensar) quando não vamos ser capazes de guardá-los com tanta força, mas, esperançosamente, os pontos anteriores estarão tão enraizados em suas vidas que eles estarão equipados para tomar decisões sábias.
Tome cuidado, porém, para não levar isso muito longe e transmitir um medo problemático de incrédulos. Quanto mais velhos nossos filhos se tornarem, mais teremos que deixá-los ir e orar para que nosso treinamento tenha criado raízes. Realmente, não há outra escolha. Devemos treinar nossos filhos, assim eles estarão protegidos o suficiente para estarem seguros em uma idade apropriada, porém informados o suficiente para tomar decisões sábias por conta própria. Simplesmente não esconda seus filhos atrás da fortaleza de sua supervisão até que tenham 18.
Isso exige grande sabedoria. Não há manual. Devemos ser pais de oração.

7. Cuidado com o computador e desligue a televisão.

Temos o Covenant Eyes (N. T.: site especializado em monitorar como a Internet é usada e assim enviar um relatório dos sites entrados para os pais, além de filtrar e bloquear certos sites) em todos os nossos computadores, via AppleOS. Nossos filhos podem apenas acessar sites que aprovamos. Certamente, isso vai mudar quando eles ficarem mais velhos, mas, esperançosamente, eles vão ter internalizado o evangelho e provado as bençãos da obediência.
Vitória sobre a pornografia é, no fim das contas, uma questão do coração, mas isso não significa que devemos abrir mão de estruturas preventivas. Você nunca deve dizer, “Quero saber se minha obediência é motivada por mais do que apenas seguir as regras certas, então vou mergulhar em situações imprudentes para ver se sou forte o suficiente para suportar o pecado!”. Isso é absurdo (1 Cor 10.12-13). Precisamos de corações corretos para não sermos legalistas, mas limites corretos podem nos ajudar a provar a bênção da obediência.
A TV vai mostrar aos seus filhos pornografia leve e funcional o tempo todo. Existem incontáveis coisas melhores para fazer com seus filhos do que assistir TV. Leia com eles, pratique esportes com eles, desfrute da criação com eles, conte a eles uma história, ou apenas os sirva em uma atividade à escolha deles. A frase-chave aqui é com eles. Se eles gastam mais tempo com a TV do que com você, todos vocês estão em apuros.

8. Busque cultivar uma relação com seus filhos de forma que eles sintam que podem se abrir com você sobre qualquer coisa.

Como um pai jovem, não estou totalmente certo sobre como fazer isso acontecer, mas sei que acontecerá se eu servir de modelo de franqueza. Tento atrair seus corações e mostrar que, se eles forem honestos comigo, eu serei justo, amoroso e compassivo. Se eles me veem como cauteloso e reservado, por que esperaria que eles fossem diferentes?
Por último, você já se arrependeu na frente dos seus filhos? Se eles nunca te viram se arrepender, o que te faz pensar que eles virão a você para pedir ajuda depois de ver pornografia na internet pela primeira vez? Servir de modelo de arrependimento para nossos filhos é provavelmente a maneira mais rápida de mostrar que acreditamos no evangelho e que somos um refúgio seguro em meio ao pecado deles.
Traduzido por Pedro Vilela | iPródigo.com | Original aqui
Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.
Via: [iPródigo]

23 de fev de 2013

[Reprise Fiel] Hernandes Dias Lopes – A Importância da Pregação Expositiva para Crescimento Saudável da Igreja





Confira o livro
Confira o livro

Hernandes Dias Lopes, baseado em Atos 6:4 e em 2 Timóteo 4:2, mostra que a principal tarefa do pastor, presbítero, reverendo, bispo é o ministério da oração e da Palavra. Focando no ministério da Palavra, Lopes afirma que a pregação é essencial para o crescimento saudável da Igreja e que a pregação deve expor, explicar e aplicar o texto bíblico.
  

Confira também o texto elaborado pelo blog Voltemos ao Evangelho.
Via: [Blog Fiel]

21 de fev de 2013

Cristo e Cultura: Uma Releitura

por Trevin WaxPostado por iPródigo em 21 de fevereiro de 2013 em Resenhas
Trevin Wax
Trevin Wax
Por mais de cinquenta anos, a obra clássica de H. Richard Niebuhr Christ and Culture(Cristo e Cultura) tem influenciado o entendimento evangélico de como relacionar a fé cristã com as culturas em que vivemos. O novo livro de D. A. Carson, Cristo e Cultura: Uma Releitura tem um olhar crítico sobre o trabalho de Niebuhr. Ele resume o livro de Niebuhr, oferece uma crítica oportuna, e usa o livro como um trampolim para questões contemporâneas.
Livro de Carson é tanto um novo Cristo e Cultura quanto é uma crítica do trabalho de Niebuhr. Estudando as forças dominantes culturais do nosso tempo e dialogando com os debates sobre “cultura” e “pós-modernismo”, Carson atualiza, altera e indiscutivelmente substitui o trabalho de Neibuhr, pelo menos em termos de sua relevância contemporânea.
No capítulo 1, Carson estabelece os cinco paradigmas de Niebuhr para a compreensão da relação entre Cristo e a cultura: Cristo contra a cultura, Cristo da cultura e Cristo acima da cultura (um paradigma que inclui os dois últimos como subconjuntos: Cristo e cultura em um Paradoxo e Cristo: o transformador da cultura).
No capítulo 2, a proposta crítica de Carson a Niebuhr, principalmente mostrando como aqueles no paradigma Cristo da Cultura (os gnósticos, os liberais clássicos, etc.) em grande parte abandonaram o cristianismo completamente. Ele também critica o manuseio de Niebuhr das Escrituras, especificamente – a sua defesa do paradigma Cristo: o transformador de Cultura. Carson argumenta contra a mentalidade “um único tamanho veste a todos”, em vez disso, ele acredita que as Escrituras podem advogar alguns elementos em uma situação e outros elementos em outra. Mas Carson não crítica Niebuhr apenas. Ele estabelece os grandes momentos históricos que formam o coração da compreensão cristã do mundo, argumentando que estes não são negociáveis à teologia bíblica.
No capítulo 3, Carson define “cultura” e, em seguida, refina nossa compreensão do “pós-modernismo”. Ao final do capítulo, as luvas são retiradas. Discutindo epistemologia, Carson debate vigorosamente contra a epistemologia de James Smith que está surgindo agora na Igreja Emergente.¹
cristo e cultura_gOs capítulos 4 e 5 tratam de questões contemporâneas na sociedade de hoje. O que os cristãos podem fazer em relação à secularização? Por que é importante que nós não equiparemos nosso governo democrático com o Reino de Deus? Por que a liberdade é perigosa? Carson dedica um capítulo inteiro a questões de Igreja e Estado, conseguindo apreciar e ainda criticando fortemente nossos ideais ocidentais de liberdade e prosperidade, tudo a partir de uma perspectiva bíblica.
No capítulo final, Carson expõe alguns dos modelos específicos de pensamento em relação a Cristo e a cultura. Ele chama esses modelos de “opções” enquanto os avalia e alerta contra certos aspectos de cada um.
Cristo e Cultura: Uma Releitura é uma adição valiosa para a biblioteca de estudos profundos do pastor. Carson prestativamente resume e critica o trabalho de Niebuhr. Mas, mais do que isso, ele oferece conselhos sólidos sobre como navegar nas águas turvas de um Cristianismo culturalmente desbotado no Ocidente.
N.E.: O Voltemos ao Evangelho postou uma excelente palestra com Franklin Ferreira sobre esse mesmo assunto.Vale a pena conferir.
¹ Há uma resposta/resenha de Smith a D.A. Carson aqui
Traduzido e gentilmente cedido por Hélio Sales | iPródigo.com | original aqui
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Fonte: [iPródigo]

9 de fev de 2013

Tim Challies – Cinquenta Tons de Pornografia


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A pornografia tem sido tradicionalmente uma indústria que atende quase inteiramente aos homens. Sempre houve exceções, é claro, mas predominantemente eram homens que compravam revistas e vídeos numa era pré-digital e têm sido os homens que tornaram a pornografia uma indústria multibilionária na era da Internet. Se a indústria faz seu próprio caminho, está prestes a mudar.
Nós tendemos a crer que homens são especialmente inclinados à sedução da pornografia. Homens tendem a ser estimulados visualmente, homens tendem a se masturbar mais na adolescência — nós ouvimos as razões. Mas considere isto: E se a relação entre os homens e a pornografia está relacionada a um tipo muito específico de pornografia? E se as mulheres não foram atraídas para a pornografia, pelo menos em parte, porque a indústria simplesmente não tentou criar e comercializar pornografia que apela primariamente a elas? E se isso está prestes a mudar?
Mulheres, vocês precisam estar conscientes, pois os pornógrafos estão vindo atrás de vocês. Sim, vocês.
Há muito que pode ser dito a respeito da série de livros 50 Tons de Cinza; o que está além de contestação é que os livros — que estão atualmente em 65 milhões de cópias — chocaram o mundo da publicação revelando a existência de um mercado antes inexplorado. O segredo está revelado: há milhões de mulheres que lerão pornografia mesmo se elas tiverem pouco interesse em assistir a pornografia. Editores, tanto comuns quanto pornográficos, estão anotando. Estão estudando o fenômeno 50 tons para ver como eles podem duplicá-lo, ou pelo menos aproveitar-se de seu sucesso. Como qualquer indústria, eles têm pesquisas e grupos de concentração e estatísticas, e infinitas quantidades de dados que primeiro medem, e depois transformam o comportamento.
Um recente artigo na CNBC explica que a pornografia tradicional foi criada por homens, para homens. Esta pornografia tende a afastar qualquer coisa além do mais rudimentar enredo em favor da mais barulhenta exibição de fantasias extremas. É pura carnalidade e as mulheres tendem a não achar isso especialmente sedutor. De fato, muitas acham francamente repulsivo, especialmente se elas acham que seus maridos querem que elas reproduzam algumas daquelas coisas. Mas 50 tons e outros produtos recentes estão provando, para a surpresa de muitos, que as mulheres são, também, sexuais. Onde os pornógrafos pensavam que as mulheres simplesmente não estavam interessadas, agora veem que elas podem estar muito interessadas, mas isso exigirá um tipo diferente de produto. A indústria está se ramificando numa tentativa de tirar vantagem. Estão agora trabalhando duro para criar pornografia para mulheres.
Em contraste com a pornografia tão predominante hoje, essa nova pornografia tem uma estória, um enredo. O fundador e presidente de uma empresa diz: “Não vamos filmar posições hardcore ou os mais extremos elementos de filmes adultos. Isso é mais fazer amor do que [termo vulgar].” Ela se concentra em questões que possam repercutir entre as mulheres: apaixonar-se pela primeira vez, ou a fuga de um casamento que perdera seu brilho. É essencialmente comédia romântica, uma leve novela romântica, mas com o conteúdo sexual aumentado tanto em tempo quanto na explicitude. Afinal, o que é Cinquenta Tons de Cinza senão um romance com 60 ou 70 páginas de sexo gráfico e excêntrico? Uma roteirista e diretora desse tipo de filme foi citada na revista Slate dizendo: “Nós fizemos pesquisas demográficas suficientes para saber que uma grande porcentagem de mulheres que assistem nossos filmes não querem ver [atos sexuais vulgares e gráficos]. … Elas querem sexo conectado e muitas preliminares. Achamos que casais mais velhos gostam de assistir isso porque são da era antes da internet, e o que estamos oferecendo é muito mais manso e construído no momento ao invés de estar lá na sua cara.”
Os pornógrafos estão até criando mais filmes para casais. Isso é pornografia que pode unir as distâncias; um pouco manso demais para homens, e um pouco vigoroso demais para mulheres, mas é feito para ser experimentado juntos. É um meio de convidar os outros ao quarto do casal, mesmo que apenas virtualmente. Pode até mesmo servir como um portal, um meio de um homem apresentar a pornografia à sua esposa.
Em qualquer caso, quer a pornografia seja para homens, mulheres ou casais, o coração dela é o mesmo. Tudo se trata de fantasia, de imaginar-se em um contexto diferente com uma pessoa diferente fazendo coisas diferentes. É um homem imaginando uma mulher que se comporta como um homem, ou uma mulher imaginando um homem que se comporta como uma mulher.
Essa pornografia para mulheres já está disponível, e mais vem por aí. Muito mais. Essa indústria sabe o que atrai os homens e sabem exatamente como comercializar, exatamente onde colocar para fazê-los comprar. E agora estão vindo atrás das mulheres. Estão estudando as mulheres e aprendendo exatamente como comercializar e exatamente onde colocar para fazer com que você também compre. Se foram tão bem sucedidos com homens, deveríamos zombar e imaginar que eles não poderiam jamais ser bem sucedidos da mesma maneira com mulheres?
As mulheres podem imaginar-se olhando para esse tipo de pornografia entediadas, pensando que serão imunes a ela. Mas lembre-se, há muitos produtos que você usa hoje, muitos produtos que você não pude imaginar sua vida sem eles, que teriam gerado a mesma reação. Se dez anos atrás alguém tivesse descrito o Facebook para você, você teria rido alto. Muitas pessoas riram do iPhone e do automóvel também. Nós frequentemente não sabemos o que queremos ou precisamos até que essas mesmas coisas sejam comercializadas para nós. Elas são comercializadas habilidosamente e sutilmente em medida crescente.
Espero que a indústria seja menos bem sucedida em criar pornografia que atraia tão bem as mulheres e esteja tão facilmente disponível para elas. Espero que as mulheres sejam mais perspicazes que os homens quando se trata da sedução da pornografia e que elas estejam equipadas para resistir a ela com sucesso. Mas com toda a devastação que a pornografia trouxe aos homens, suas famílias, suas igrejas, por que Satanás não tentaria repetir seu golpe de mestre? Até agora, a sedução da pornografia tem sido primariamente sentida por homens mesmo enquanto muito da dor que ela causa tem sido descarregada sobre suas esposas. Amanhã podemos ter também muitos homens feridos, chorando pelo que eles descobriram e nunca teriam suspeitado a respeito das mulheres que amam.
Não há razão para temer, mas há toda razão para ficar atento. Há toda razão para ser humilde e duvidar de si mesmo. “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (1 Coríntios 10:12). Temos toda a razão para tornar isso um motivo de oração.

Por Tim Challies. © Tim Challies, 2002-2013. Todos os direitos reservados. Original: 50 Shades of Porn
Tradução: Voltemos Ao Evangelho. Original: Tim Challies – Cinquenta Tons de Pornografia
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.


Via: [Voltemos ao Evangelho]

8 de fev de 2013

Cristianismo e Liberalismo: 90 anos depois

por Josaías Jr.Postado por Josaías Jr em 08 de fevereiro de 2013 em Resenhas
Josaías Jr.
Josaías Jr.
Liberais são aqueles caras que negam o sobrenatural e a inspiração da Bíblia, não? Eles não estão por perto, certo? Nós, conservadores e fundamentalistas, nada temos com eles, não é? Hoje a maioria está confinada a suas igrejas pequenas e seus escritórios empoeirados nos seminários. Correto?
Não é bem assim. Um dos possíveis títulos para esse post seria “você também é um liberal”. Mas, para evitar generalizações e injustiças, melhor ficar apenas na possibilidade. Você pode ser um liberal. E é por isso que a obra de Gresham Machen, Cristianismo e Liberalismo, que completa 90 anos em 2013, merece ser lançada, lida, relida, discutida e relançada. Mesmo que o movimento liberal não pareça ter a força de outrora, seus slogans e defensores ainda existem entre nós, conscientes ou não, coerentes ou não.
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Um pouco de história

É possível afirmar que o movimento liberal tem suas origens em diversos movimentos humanistas que surgem no século XVII. Cientificismo, naturalismo, iluminismo, empirismo, racionalismo, romantismo e por aí vai – todos dão sua colaboração na formação do que passamos a chamar de pensamento moderno, ou modernismo. Quem assistiu um pouco de história no ensino médio sabe que, aos poucos, uma cosmovisão fundamentada no sobrenatural e/ou na revelação (ainda que o catolicismo medieval tenha seu pezinho no homem, também) deu lugar a uma mentalidade que tinha o homem como medida de todas as coisas.
A partir daí, alguns pensadores e teólogos perceberam que a mensagem da igreja deveria mudar ou, pelo menos, ela deveria tentar adaptar-se a esses novos tempos. Outros, menos conscientes do sincretismo que defendiam e em que nasceram, simplesmente misturam a mensagem anti-revelação ao pensamento anti-intelectual  também popular e negam a necessidade de verdades proposicionais. (Nem sempre modernismo = racionalismo. O homem é o centro, e as emoções dele podem ser mais confiáveis que a razão, para alguns). Alguns, empolgados com a iluminação e evolução alcançadas pela humanidade, entendem que chegamos a uma nova era, em que o homem alcançará paz e harmonia não por doutrinas, mas pela ética, do qual Cristo é o maior representante. Em outro texto, tentei resumir desta forma:
Assim, a conclusão dos liberais era a seguinte: percebemos que o homem não é mau como os cristãos tradicionais afirmaram. Ele é bom, está um pouco desorientado, é verdade, mas é bom. E está evoluindo! Ele não precisa do sacrifício sangrento de um Messias para salvá-lo (uma ideia repugnante e bárbara!), pois Deus (não necessariamente aquele dogmatizado pelos cristãos antigos) não deseja sequer condená-lo. A humanidade precisa de orientação. E para isso a Bíblia e os ensinamentos de Jesus servem – para orientar-nos a uma vida melhor.
No início do século XX, com o liberalismo ganhando força na grandes denominações e seminários dos EUA, John Gresham Machen se destacou por suas convicções conservadoras dentro da igreja presbiteriana. Machen combateu o movimento moderno a ponto de fundar o Westminster Theological Seminary, na Filadélfia (deixando, assim, o outrora reformado Seminário de Princeton) e a Orthodox Presbyterian Church (abandonando a crescentemente liberal PCUSA). Entre tantos escritos famosos do autor, a pequena obra Cristianismo e Liberalismo ganha destaque por ser uma defesa firme da fé cristã e por expressar de maneira mais concisa e didática as diferenças entre duas mensagens completamente distintas.

Duas religiões

Gresham Machen
Gresham Machen
Machen não gasta muito tempo buscando explicar as origens do movimento. Seu foco é comparar o que os liberais propõem com aquilo que o Cristianismo bíblico e histórico pregou. Não há ponto de contato. Para ele, a divisão é óbvia: o liberalismo não é cristianismo. São duas religiões completamente diferentes, sem qualquer ligação. Enquanto o Catolicismo Romano é uma distorção do cristianismo e pode até (de modo geral) ser considerado um movimento cristão, este não é o caso com o movimento liberal.
As propostas são terrivelmente diferentes. Um é uma religião de redenção. O outro é uma religião de auto-aperfeiçoamento. Um é a religião de Deus. Outro é a religião do homem. “Liberalismo é totalmente imperativo, enquanto o Cristianismo começa com um indicativo; o Liberalismo apela ao arbítrio do homem, enquanto o Cristianismo, em primeiro lugar, anuncia o ato gracioso de Deus”. O Cristianismo apresenta uma história, uma narrativa, uma notícia sobre um Deus que salva pecadores por meio de seu Filho. O liberalismo cita princípios éticos, morais, e um Jesus desassociado de sua divindade, uma cruz que não expia pecados e um Deus que não tem justiça. Parece familiar? Se não, continue acompanhando.
Nos sete capítulos que compõem o livro, Machen destrincha a mensagem do liberalismo em sete temas: Doutrina, Deus e o homem, a Bíblia, Cristo, Salvação e Igreja. Não há como expor todas as diferenças que o autor apresenta num espaço limitado desse texto, apenas destacar alguns pontos que me chamaram mais a atenção. E daí vem aquela afirmação mencionada no início do artigo: Você também pode ser um liberal. E o livro de Machen lhe ajudará a livrar-se da falsa doutrina que se disfarça de verdade bíblica.

Gentileza gera gentileza. Doutrina gera divisão.

Tudo isso me lembra da moda atual de citar os conselhos que He-Man dava no final de cada episódio. Para aqueles que são jovens demais (ou velhos demais) para saber do que falo: após cada aventura, o personagem He-Man ensinava uma lição de moral a seus telespectadores mirins. O curioso é que muitas vezes a mensagem do musculoso personagem lembra os sermões pregados em igrejas.¹ Por quê? He-man era convertido? Não. A mensagem de aperfeiçoamento pessoal, de moralidade rasa e de lição de vida é o que resta como religião quando o homem abandona Deus, a Bíblia e a mensagem de salvação em Cristo.
Assim, diante da possibilidade sempre presente de cairmos em uma religião humanista (mesmo que não a chamemos de “liberalismo teológico”), uma série de perguntas pode ajudar a identificar essa tendência em sua vida ou em sua igreja.²
  1. A igreja deveria abandonar ao máximo tudo o que a liga ao passado – credos, práticas, doutrinas?
  2. Ou você ama a tradição e expressões teológicas históricas da igreja, ainda que as utilize com significados ligeiramente diferentes? Ex.: Deus é a experiência religiosa do homem.
  3. Você concorda com a frase “cristianismo é estilo de vida, não doutrina”?
  4. Doutrina não é importante e cada um pode crer no que quiser? Os fatos históricos ensinados no Evangelho são irrelevantes se comparados à ética de Cristo?
  5. Você acha que a religião simples de Jesus Cristo foi a) esquecida pela igreja; b) alterada por Paulo; ou c) distorcida pelos credos ecumênicos/reformadores/fundamentalistas?
  6. Essa religião simples foi redescoberta hoje e envolve livrar-se de instituições históricas e antigas?
  7. Sentir a presença de Deus é mais importante e tem mais peso que conhecê-lo por meio da Bíblia e as proposições que ela apresenta?
  8. Você crê que Deus é o pai universal de todos e que a humanidade é uma grande e única família?
  9. Você teme ou evita mencionar o pecado ao anunciar a mensagem bíblica?
  10. Um chamado à ação é mais eficaz e importante que um chamado ao arrependimento?
  11. Você critica aqueles que “amam a Bíblia acima de Deus” por defenderem a autoridade, suficiência e inspiração plena da Escritura?
  12. Você considera as palavras de Jesus ou o Novo Testamento como mais autoritativos que o Antigo Testamento? Em outras palavras, para você o AT é apenas um registro judaico dos atos de Deus ou das experiências religiosas do povo judeu?
Em caso de muitas respostas positivas, há o que se questionar. Essa não é uma lista exaustiva nem propõe uma caça às bruxas. O objetivo dela é lhe levar a observar o poder que um movimento supostamente morto ainda tem sobre a igreja de hoje. Vale a pena conseguir o pequeno livro de Machen e distribuir por aí.
Para finalizar, recentemente foi noticiada a existência de uma “igreja ateísta” na Inglaterra. As pessoas reúnem-se semanalmente para ouvir mensagens, cantar e divertir-se. O enfoque dessa comunidade é humanista, e as mensagens envolvem o crescimento pessoal e testemunhos de jornadas espirituais. As pessoas são ensinadas a ajudar mais, viver melhor e por aí vai. Poderíamos falar sobre a necessidade do ser humano em transformar tudo em religião, mesmo o ateísmo. Mas, parece-me que há outro ponto aqui: a igreja que se esquece de Deus entroniza o homem. Foi isso que aconteceu com a igreja liberal. É isso que acontece com igrejas antropocêntricas. Que as palavras finais de Machen nos lembrem qual deveria ser nossa mensagem e quem é o nosso foco.
“Sou mui grato pela obediência ativa de Cristo. Sem ela, não há esperança.”


¹ Alguns conselhos: Aprenda com o PassadoJamais DesistaTenha Força para Dizer Não
² Meu projeto inicial era fazer perguntas baseadas no livro todo. Mas a lista ficou tão grande que essas referem-se apenas aos 3 primeiros capítulos. Há muito o que questionarmos em nós mesmos.
Fonte: [iPródigo]

7 de fev de 2013

NAMORO: O que a Bíblia diz sobre isso? (Parte 1)



Por Wilson Porte Jr.
Então, o que é o namoro? Uma vez que a Bíblia aparentemente não fala sobre isso, podemos praticá-lo como quisermos?
Pois é, nós não encontramos a palavra “namoro” na Bíblia. Todavia, a Palavra de Deus fala de compromissos pré-nupciais (noivado) e pós-nupciais (sexo/casamento).
Um bom exemplo que temos é o relacionamento entre José e Maria. Eles eram noivos e não se conheciam sexualmente (Mt 1.18 e Lc 1.27). Havia um compromisso sério entre eles, que, na época, eram provavelmente adolescentes. Casamentos aconteciam cedo há dois mil anos atrás. Diferentemente de nosso tempo.
O namoro é um traço de nossa cultura que não existia na época bíblica. Os cristãos dão ao namoro o mesmo peso do noivado, entendendo-o como uma preparação para o casamento. Para os cristãos, namoro não é curtição, mas preparação.
Cristãos não namoram para se conhecer. Cristãos namoram porque já se conhecem o suficiente para caminhar um tempo, rumo ao matrimônio. Eu costumo colocar o namoro na mesma categoria do noivado. A Bíblia não me dá a categoria “namoro”. Logo, eu a defino com aquilo que há de mais próximo dela, o noivado.
A Bíblia não reconhece um relacionamento entre cristãos que não estejam se preparando para o casamento. Há muitos que afirmam: “será que todos os casais cristãos namoram para casar?” Realmente, eu não sei. Mas, deveriam! Se não podem pensar em casar, não devem nem começar a namorar.
Em meu artigo da semana que vem, veremos o que a Bíblia diz sobre a pessoa com quem o cristão deve namorar. Será com qualquer um? Veremos. Até lá!
Fonte: [Blog Fiel]

Coisas que até um ateu pode ver


Um número razoável de cientistas e filósofos ateus ou agnósticos vem em anos recentes engrossando as fileiras daqueles que expressam dúvidas sérias sobre a capacidade da teoria da evolução darwinista para explicar a origem da vida e sua complexidade por meio da seleção natural e da natureza randômica ou aleatória das mutações genéticas necessárias para tal.

Poderíamos citar Anthony Flew, o mais notável intelectual ateísta da Europa e Estados Unidos que no início do século XXI anunciou sua desconversão do ateísmo darwinista e adesão ao teísmo, por causa das evidências de propósito inteligente na natureza. Mais recentemente o biólogo molecular James Shapiro, da Universidade de Chicago, ele mesmo também ateu, publicou o livro Evolution: A View from 21st Centuryonde desconstrói impiedosamente a evolução darwinista.
Thomas Nagel

E agora é a vez de Thomas Nagel, professor de filosofia e direito da Universidade de Nova York, membro da Academia Americana de Artes e Ciências, ganhador de vários prêmios com seus livros sobre filosofia, e um ateu declarado. Ele acaba de publicar o livro Mind & Cosmos (“Mente e Cosmos”) com o provocante subtítulo Why the materialist neo-darwinian conception of nature is almost certainly false (“Por que a concepção neo-darwinista materialista da natureza é quase que certamente falsa”), onde aponta as fragilidades do materialismo naturalista que serve de fundamento para as pretensões neo-darwinistas de construir uma teoria do todo (Não pretendo fazer uma resenha do livro. Para quem lê inglês, indico a excelente resenha feita por William Dembski e o comentário breve de Alvin Plantinga).

Estou mencionando estes intelectuais e cientistas ateus por que quando intelectuais e cientistas cristãos declaram sua desconfiança quanto à evolução darwinista são descartados por serem "religiosos". Então, tá. Mas, e quando os próprios ateus engrossam o coro dos dissidentes?

Neste post eu gostaria apenas de destacar algumas declarações de Nagel no livro que revelam a consciência clara que ele tem de que uma concepção puramente materialista da vida e de seu desenvolvimento, como a evolução darwinista, é incapaz de explicar a realidade como um todo. Embora ele mesmo rejeite no livro a possibilidade de que a realidade exista pelo poder criador de Deus, ele é capaz de enxergar que a vida é mais do que reações químicas baseadas nas leis físicas e descritas pela matemática. A solução que ele oferece – que a mente sempre existiu ao lado da matéria – não tem qualquer comprovação, como ele mesmo admite, mas certamente está mais perto da concepção teísta do que do ateísmo materialista do darwinismo.

Ele deixa claro que sua crítica procede de sua própria análise científica e que mesmo assim não será bem vinda nos círculos acadêmicos:

“O meu ceticismo [quanto ao evolucionismo darwinista] não é baseado numa crença religiosa ou numa alternativa definitiva. É somente a crença de que a evidência científica disponível, apesar do consenso da opinião científica, não exige racionalmente de nós que sujeitemos este ceticismo [a este consenso] neste assunto” (p. 7).

“Eu tenho consciência de que dúvidas desta natureza vão parecer um ultraje a muita gente, mas isto é porque quase todo mundo em nossa cultura secular tem sido intimidado a considerar o programa de pesquisa reducionista [do darwinismo] como sacrossanto, sob o argumento de que qualquer outra coisa não pode ser considerada como ciência” (p.7).

Ele profetiza o fim do naturalismo materialista, o fundamento do evolucionismo darwinista:

“Mesmo que o domínio [no campo da ciência] do naturalismo materialista está se aproximando do fim, precisamos ter alguma noção do que pode substitui-lo” (p. 15).

Para ele, quanto mais descobrimos acerca da complexidade da vida, menos plausível se torna a explicação naturalista materialista do darwinismo para sua origem e desenvolvimento:

“Durante muito tempo eu tenho achado difícil de acreditar na explicação materialista de como nós e os demais organismos viemos a existir, inclusive a versão padrão de como o processo evolutivo funciona. Quanto mais detalhes aprendemos acerca da base química da vida e como é intrincado o código genético, mais e mais inacreditável se torna a explicação histórica padrão [do darwinismo]” (p. 5).

“É altamente implausível, de cara, que a vida como a conhecemos seja o resultado da sequência de acidentes físicos junto com o mecanismo da seleção natural” (p. 6).

Não teria havido o tempo necessário para que a vida surgisse e se desenvolvesse debaixo da seleção natural e mutações aleatórias:

“Com relação à evolução, o processo de seleção natural não pode explicar a realidade sem um suprimento adequado de mutações viáveis, e eu acredito que ainda é uma questão aberta se isto poderia ter acontecido no tempo geológico como mero resultado de acidentes químicos, sem a operação de outros fatores determinando e restringindo as formas das variações genéticas” (p. 9).

Nagel surpreendentemente defende os proponentes mais conhecidos do design inteligente:

“Apesar de que escritores como Michael Behe e Stephen Meyer[1] sejam motivados parcialmente por suas convicções religiosas, os argumentos empíricos que eles oferecem contra a possibilidade da vida e sua história evolutiva serem explicados plenamente somente com base na física e na química são de grande interesse em si mesmos... Os problemas que estes iconoclastas levantam contra o consenso cientifico ortodoxo deveriam ser levados a sério. Eles não merecem a zombaria que têm recebido. É claramente injusta” (p.11).

Num parágrafo quase confessional, Nagel reconhece que lhe falta o sentimento do divino que ele percebe em muitos outros:

“Confesso um pressuposto meu que não tem fundamento, que não considero possível a alternativa do design inteligente como uma opção real – me falta aquelesensus divinitatis [senso do divino] que capacita – na verdade, impele – tantas pessoas a ver no mundo a expressão do propósito divina da mesma maneira que percebem num rosto sorridente a expressão do sentimento humano” (p.12).

Para Nagel, o evolucionismo darwinista, com sua visão materialista e naturalista da realidade, não consegue explicar o que transcende o mundo material, como a mente e tudo que a acompanha:

“Nós e outras criaturas com vida mental somos organismos, e nossa capacidade mental depende aparentemente de nossa constituição física. Portanto, aquilo que explicar a existência de organismos como nós deve explicar também a existência da mente. Mas, se o mental não é em si mesmo somente físico, não pode, então, ser plenamente explicado pela ciência física. E então, como vou argumentar mais adiante, é difícil evitar a conclusão que aqueles aspectos de nossa constituição física que trazem o mental consigo também não podem ser explicados pela ciência física. Se a biologia evolutiva é uma teoria física – como geralmente é considerada – então não pode explicar o aparecimento da consciência e de outros fenômenos que não podem ser reduzidos ao aspecto físico meramente” (p. 15).

“Uma alternativa genuína ao programa reducionista [do darwinismo] irá requerer uma explicação de como a mente e tudo o que a acompanha é inerente ao universo” (p.15).

“Os elementos fundamentais e as leis da física e da química têm sido assumidos para se explicar o comportamento do mundo inanimado. Algo mais é necessário para explicar como podem existir criaturas conscientes e pensantes, cujos corpos e cérebros são feitos destes elementos” (p.20).

Menciono por último a perspicaz observação de Nagel, que se a mente existe porque sobreviveu através da seleção natural, isto é, por ter se tornado na coisa mais esperta para sobreviver, como poderemos confiar nela? E aqui ele cita e concorda com Alvin Plantinga, um filósofo reformado renomado:

“O evolucionismo naturalista provê uma explicação de nossas capacidades [mentais] que mina a confiabilidade delas, e ao fazer isto, mina a si mesmo” (p. 27).

“Eu concordo com Alvin Plantinga que, ao contrário da benevolência divina, a aplicação da teoria da evolução à compreensão de nossas capacidades cognitivas acaba por minar nossa confiança nelas, embora não a destrua por completo. Mecanismos formadores de crenças e que têm uma vantagem seletiva no conflito diário pela sobrevivência não merecem a nossa confiança na construção de explicações teóricas do mundo como um todo... A teoria da evolução deixa a autoridade da razão numa posição muito mais fraca. Especialmente no que se refere à nossa capacidade moral e outras capacidades normativas – nas quais confiamos com frequência para corrigir nossos instintos. Eu concordo com Sharon Street [professora de filosofia na Universidade de Nova York] que uma auto-compreensão evolucionista quase que certamente haveria de requerer que desistíssemos do realismo moral, que é a convicção natural de que nossos juízos morais são verdadeiros ou falsos independentemente de nossas crenças” (p.28).

Não consegui ler Nagel sem lembrar do que a Bíblia diz:

"Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim" (Eclesiastes 3:11).

"De um só Deus fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós" (Atos 17:26-27).

Nagel tem o sensus divinitatis, sim, pois o mesmo é o reflexo da imagem de Deus em cada ser humano, ainda que decaídos como somos. Infelizmente o seu ateísmo o impede de ver aquilo que sua razão e consciência, tateando, já tocaram.




[1] Os dois são os mais conhecidos defensores da teoria do design inteligente. Ambos já vieram falar no Mackenzie sobre este assunto

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