15 de jan. de 2013

Uma Admoestação a Jovens Evangélicos que Abraçam a Cultura


Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica (2Tm 4:10).
Como as coisas deste mundo nos tentam a abandonar a Cristo, a amar a nossa própria vida mais que a Cristo e ao evangelho (Mc 8:35). É um grande perigo. E que ninguém se orgulhe em sua carne, achando que está imune: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (1Co 10:12).
Neste vídeo, John Piper nos alerta sobre um amor pelo mundo que torna o ministério impossível -  um amor pelo mundo que ou leva ao abandono do ministério, ou torna o ministério tão secular que ele se torna inútil.

Transcrição

Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica (2Tm 4:10).
Eu admito que não sei se ele se arrependeu. Nada na Bíblia diz que ele se arrependeu ou não. Não há evidência disso, mas certamente todos nós, pelo menos os mais velhos, conhecemos ministros que abandonaram seus parceiros e desistiram do ministério, abandonaram a fé, e até onde sabemos, nunca mais voltaram. Nós conhecemos pessoas assim.
Penso que Paulo queira que Timóteo sentisse não apenas uma preparação para tal pesar no ministério – “Isso acontece, Timóteo. Estou dizendo que aconteceu comigo para que você esteja pronto quando isso acontecer com você.” –, penso que ele também queria que Timóteo ouvisse a causa, para que ele pudesse evitá-la e, então, nunca fizesse o mesmo. Em outras palavras, nunca ser abandonado e nunca abandonar por ter visto a causa aqui.
“Demas, tendo amado o presente século, me abandonou.”
Há um amor pelo mundo que torna o ministério impossível. Existe um amor pelo mundo que ou leva ao abandono do ministério, ou torna o ministério tão secular que ele se torna inútil. Isso acontece tão frequentemente.
Então, se um ministro começa a se tornar mundano, ele tem duas escolhas: Deixar o ministério ou tornar o ministério mundano. Então ele consegue sobreviver. Demas não conseguiu. Por quê? Paulo! Isso não aconteceria na equipe de Paulo.
Então eis aqui uma admoestação a jovens e também velhos, mas especialmente jovens cristãos evangélicos que abraçam a cultura: Vocês precisam meditar sobre Demas por muito tempo. Tendo amado o presente século, ele considerou o ministério com Paulo impossível. E ele o abandonou.
Existe um amor pelo mundo, um amor pelo presente século, esses produtos da cultura que ignoram a Deus, que negam a Deus, que depreciam a Deus, que distorcem a Cristo, que se exclui mutualmente com um profundo amor por Jesus. Existe um amor por este mundo que é irreconciliável com o ministério para o mundo. O ministério de expor o mundo, de testemunhar ao mundo, de resgatar pessoas do mundo. Nada disso vai acontecer bem se você o amar demasiadamente. Eles vão pensar que você é apenas um deles.
Então, jovem Timóteo e jovem Bethlehem, lembre-se: mais pessoas abandonam a Cristo, e mais pessoas abandonam a igreja, e mais pessoas abandonam o ministério por causa do amor pelo mundo do que por qualquer outra coisa.
Por John Piper © 2012 Desiring God Foundation. Usado com permissão. Website em português:www.satisfacaoemdeus.org. Original: A Caution to Young, Culture-Embracing Evangelicals. Trecho da pregação: He Stood by Me and Strengthened Me for the Sake of the Gospel
Tradução: Vinícius Musselman Pimentel – Editora Fiel © Todos os direitos reservados










11 de jan. de 2013

Lágrimas dos santos pelos perdidos e perseguidos


Lágrimas pelos perdidos

E lhes fez a seguinte advertência: A seara é grande, mas os trabalhadores são
poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua
seara. (Lc 10:2)
Acho que algumas vezes nos esquecemos; e precisamos ser lembrados que o Reino de Deus não fica restrito ao seu quarto! Ou ao seu computador, irmão que é super crente no Facebook, mas não sai para evangelizar. Em diferentes graus, todos nós precisamos acordar para a realidade do mundo: neste exato momento há pessoas que nunca foram evangelizadas e que não adoram ao Rei Jesus e há cristãos sendo perseguidos e mortos. Agora! Há pessoas passando fome… mas talvez seja melhor você atualizar o seu notebook, que já tem 1 ano de uso, não? (se você acha que só estou apontando dedos, tem três voltados para mim).
O vídeo abaixo possui um trecho de uma pregação de John Piper e uma bela música do Leeland sobre missões (Tears of the Saints  – Lágrima dos Santos).

Lágrimas pelos perseguidos

Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com
 fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando
 te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te
vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá:
Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus
pequeninos irmãos, a mim o fizestes. (Mt 25:37-40)
Abaixo, está a classificação dos países com maior perseguição contra cristãos. Quero fazer um convite, igual ao que fiz no Facebook: quero convidar você a orar por um país perseguido. Escolha um número de 1 a 50 e ore pelo país. Sim! Agora mesmo. Não deixe pra depois… você sabe que provavelmente não irá orar. Você não pode doar 3 minutos do seu tempo para orar por cristãos que podem estar sendo torturados neste momento? (Sim, eu estou tentando fazer você se sentir culpado e não, não tenho vergonha disso.)
perseguidos


Via: [Voltemos ao Evangelho]

24 de dez. de 2012

John Piper lê seu poema O Estalajadeiro


piper-estalajadeiro
No vídeo abaixo, John Piper lê seu poema “The Innkeeper” [O Estalajadeiro], onde ele imagina como seria se Jesus voltasse para a estalagem que nascera em Belém, cidade que sofreu um infaticídio por comportar o Messias. O poema é lindo e eu me emocionei (não que precise de muito para isso). Compartilhem e usem como ferramenta para iniciar uma conversa evangelística.

E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre
 as principais de Judá; porque de  ti  sairá  o Guia que há de
apascentar a meu povo, Israel. (Mt 2:6)  Vendo-se  iludido  pelos
magos, enfureceu-se  Herodes  grandemente  e  mandou  matar
 todos  os  meninos de Belém e de  todos  os  seus arredores,
de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão
 se informara dos magos. Então, se cumpriu o que fora dito por
 intermédio do profeta Jeremias:  Ouviu-se um clamor em Ramá,
 pranto, choro e grande lamento; era Raquel chorando por seus
filhos e inconsolável porque não mais existem.  (Mt 2:16-18)

Por John Piper © Desiring God Foundation, © Crossway. Todos os direitos reservados. Usado com permissão. Poema em inglês: The Innkeeper. Video Original: Hope for the Hurting This Christmas (Video).
Tradução: Lindsei Lansky. Legenda: Tiago Basile. Cedido gentilmente por Desiring God.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que adicione as informações supracitadas, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.


Via: [Voltemos ao Evangelho]

4 de dez. de 2012

A tão aguardada visitação (Boas Novas de Grande Alegria)


Terça, 4 de Dezembro
“Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo, e nos suscitou plena e poderosa salvação na casa de Davi, seu servo, como prometera, desde a antiguidade, por boca dos seus santos profetas, para nos libertar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam;”  - Lucas 1:68-71
Repare duas coisas notáveis a partir das palavras de Zacarias em Lucas 1.
Em primeiro lugar, Zacarias, nove meses antes, não conseguia crer que sua esposa teria um filho. Agora, cheio do Espírito Santo, ele está tão confiante da obra redentora de Deus na vinda do Messias que fala dela usando o pretérito perfeito. Pois, para a mente da fé, uma promessa de Deus é “dito e feito”. Zacarias aprendeu a confiar na Palavra de Deus e assim teve uma garantia notável: “Deus visitou e redimiu”
Em segundo lugar, a vinda de Jesus, o Messias, é uma visitação de Deus para o nosso mundo: “O Deus de Israel visitou e redimiu”. Durante séculos, o povo judeu definhava sob a certeza de que Deus havia se retirado: o espírito de profecia cessara, Israel caíra nas mãos de Roma. E todas as pessoas piedosas em Israel aguardavam a visitação de Deus. Lucas nos diz em 2:25 que o devoto Simeão “esperava a consolação de Israel”, e, em Lucas 2:38, que Ana, uma mulher de oração, “esperava a redenção de Jerusalém”.
Foram dias de grande expectativa. Agora, a tão aguardada visitação de Deus estava prestes a acontecer — de fato, Ele estava prestes a vir de uma forma que ninguém esperava.

Fonte: [Blog Fiel]

O Deus Magnífico de Maria (Boas Novas de Grande Alegria)


Segunda, 3 de Dezembro

A minha alma engrandece ao Senhor,
e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador,
porque contemplou na humildade da sua serva.
Pois, desde agora, todas as gerações me considerarão bem-aventurada,
porque o Poderoso me fez grandes coisas.
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia vai de geração em geração
sobre os que o temem.
Agiu com o seu braço valorosamente;
dispersou os que, no coração, alimentavam pensamentos soberbos.
Derribou do seu trono os poderosos
e exaltou os humildes.
Encheu de bens os famintos
e despediu vazios os ricos.
Amparou a Israel, seu servo,
a fim de lembrar-se da sua misericórdia
a favor de Abraão e de sua descendência, para sempre,
como prometera aos nossos pais.
– Lucas 1:46-55
Maria vê claramente uma das coisas mais notável a respeito de Deus: Ele está prestes a mudar o curso de toda a história da humanidade. As três décadas mais importantes de todos os tempos estão prestes a começar.
E onde está Deus? Ocupando-se com duas mulheres humildes e desconhecidas – uma velha e estéril (Isabel), uma jovem e virgem (Maria). E Maria está tão comovida com esta visão de Deus, o amante dos humildes, que irrompe em canção – uma canção que chegou a ser conhecida como “Magnificat” (Lucas 1:46-55).
Maria e Isabel são heroínas maravilhosas no relato de Lucas. Ele ama a fé dessas mulheres. A coisa que mais parece lhe impressionar, e aquilo com que ele deseja impressionar Teófilo, seu nobre leitor, é a singeleza e alegre humildade de Isabel e Maria.
Isabel diz: “E de onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor?” (Lucas 1:43). E Maria diz: “porque contemplou na humildade da sua serva” (Lucas 1:48).
As únicas pessoas cujas almas podem realmente magnificar o Senhor são de pessoas como Isabel e Maria – pessoas que reconhecem sua condição humilde e estão maravilhadas pela condescendência de Deus magnífico.

Fonte: [Blog Fiel]

Preparem o Caminho (Boas Novas de Grande Alegria)


“E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. E irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos, converter os desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo preparado.” – Lucas 1:16-17
O que João Batista fez por Israel, o Advento pode fazer por nós. Não deixe que o Natal o pegue despreparado. Refiro-me ao despreparo espiritual. O gozo e o impacto dele serão muito maiores se você estiver pronto!
Que você esteja preparado…
Primeiro, medite sobre o fato de que precisamos de um Salvador. O Natal é uma acusação antes de se tornar um deleite. Ele não terá o efeito pretendido até que sintamos desesperadamente a necessidade de um Salvador. Deixe que estas curtas mediações de Advento ajudem a despertar em você uma sensação agridoce da necessidade do Salvador.
Segundo, realize um sóbrio autoexame. O Advento é para o Natal o que a Quaresma é para a Páscoa. “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno”. (Salmo 139:23-24) Que cada coração prepare para Ele morada… limpando a casa.
Terceiro, edifique uma antecipação, esperança e empolgação centradas em Deus em sua casa – especialmente para as crianças. Se você estiver animado sobre Cristo, eles também estarão. Se você só torna o Natal emocionante com coisas materiais, como é que as crianças terão uma sede por Deus? Dobre os esforços de sua imaginação para tornar visível para as crianças a maravilha da chegada do Rei.
Quarto, seja intenso nas Escrituras, e memorize as principais passagens! “Não é a minha palavra fogo, diz o SENHOR?” (Jeremias 23:29). Nesta época do Advento, reúna-se ao lado desse fogo. É quente. Está cintilando com cores da graça. É cura para mil feridas. É luz para as noites escuras.

Fonte: [Blog Fiel]

Introdução (Boas Novas de Grande Alegria)



O que Jesus quer neste Natal?
Nós podemos ver a resposta nas suas orações. O que Ele pedia a Deus? A sua oração mais longa está em João 17. O clímax dos Seus pedidos está no verso 24.
Entre todos os pecadores indignos do mundo, existem aqueles que Deus “deu para Jesus.” Esses são aqueles que o Pai trouxe para o Filho (Jo 6:44,65). Esses são cristãos – pessoas que “receberam” Jesus como o crucificado e ressurreto Salvador e Senhor e Tesouro de suas vidas (Jo 1:12; 3:17; 6:35; 10:11, 17-18; 20:28). Jesus disse que deseja que eles estejam consigo.

Às vezes, nós ouvimos as pessoas dizerem que Deus criou o homem porque Ele estava solitário. Eles dizem: “Deus nos criou para nós estivéssemos com Ele.” Jesus concorda com isso? Bem, de fato Ele diz que realmente queria que nós estivéssemos com Ele! Sim, mas por quê? Consideremos o resto do versículo. Por que Jesus queria que nós estivéssemos com Ele?
…para que vejam a minha glória que [Tu, Pai] me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo.
Essa seria uma maneira estranha de expressar sua solidão. “Eu os quero comigo para que possam ver a minha glória.” De fato, isso não expressa solidão dele. Isso expressa a sua preocupação quanto à satisfação do nosso anseio, e não de sua solidão. Jesus não é solitário. Ele e o Pai e o Espírito são profundamente satisfeitos na comunhão da Trindade. Nós, não ele, estamos famintos por algo. E o que Jesus deseja para o Natal é que experimentemos aquilo para que fomos realmente criados – contemplar e experimentar a sua glória.

Ó, que Deus penetre isso em nossas almas! Jesus nos fez (Jo 1:3) para vermos a sua glória.
Um pouco antes de ir para a cruz, ele pede seus desejos mais profundos ao Pai: “Pai, Eu desejo [Eu desejo!] que eles… estejam comigo, para que vejam a minha glória.”
Mas isso é apenas metade do que Jesus queria nesses versos finais e culminantes de sua oração. Acabei de dizer que fomos, de fato, feitos para contemplar e experimentar a sua glória. Não era isso que Ele queria – que não apenas pudéssemos ver a sua glória, mas também experimentá-la, nos satisfazer nela, nos deleitar nela, fazer dela o nosso tesouro, e amá-la? Considere o verso 26, o último verso:
Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja.
Esse é o final da oração. Qual é o propósito final de Jesus para nós? Não que simplesmente víssemos a Sua glória, mas que nós o amássemos com o mesmo amor que o Pai tem por Ele: “a fim de que o amor com que [Tu, Pai] me amaste esteja neles, e eu neles esteja.”

O anseio e propósito de Jesus é que vejamos sua glória e então sejamos capazes de amar o que vemos, com o mesmo amor que o Pai tem pelo Filho. E Ele não quer dizer que nós meramente imitamos o amor do Pai pelo Filho. Ele quer dizer que o próprio amor do Pai se torne o nosso amor pelo Filho – que amemos o Filho com o amor do Pai pelo Filho. Isso é o que o Espírito se torna e derrama em nossas vidas: Amor ao Filho pelo Pai através do Espírito.

O que Jesus mais quer para o Natal é que seus eleitos estejam reunidos e, então, consigam o que eles mais desejam – contemplar Sua glória e, então, experimentá-la com o mesmo saborear do Pai pelo Filho.

O que eu mais quero para o Natal nesse ano é juntar-me a você (e a muitos outros) em contemplar Cristo em toda sua plenitude e que juntos sejamos capazes de amar o que vemos, com um amor que vai muito além de nossa vacilante capacidade humana. Esse é o nosso objetivo nesses devocionais para o Advento. 

Queremos, juntos, contemplar e provar esse Jesus cujo primeiro “advento” (vinda) celebramos, e cujo segundo advento antecipamos.

Isso é o que Jesus pede por nós neste Natal: “Pai, mostre-lhes a minha glória e lhes dê o mesmo deleite em mim que Tu tens em mim.” Ó, que possamos ver a Cristo com os olhos de Deus e saborear a Cristo com o coração de Deus. Essa é a essência do céu. Esse é o presente que Cristo veio comprar para pecadores ao custo de Sua morte em nosso lugar.

Fonte: [Blog Fiel]

1 de nov. de 2012

Tragédias, mais uma vez: Deus e Sandy


Furacão Sandy em Nova York
Toda vez que uma catástrofe ou tragédia de grande proporção atinge o mundo retorna à blogosfera a questão do mal e do sofrimento dos inocentes em um mundo governado por um Deus bom e Todo-Poderoso. É o caso do furacão Sandy, que nestes dias tem causado uma enorme destruição e a morte de dezenas de pessoas nos Estados Unidos e outros países. 

De longa data o mal que existe no mundo vem sendo usado como uma tentativa de se provar de que Deus não existe, ou se existe, não é bom. E se for bom, não é todo-poderoso - esta última hipótese defendida pelo teísmo aberto.

"Onde estava Deus quando estas tragédias aconteceram?" é a pergunta de pessoas revoltadas com o fato de que centenas de pessoas boas, desprevenidas, cidadãos de bem, foram apanhados numa tragédia e morreram de forma terrível, deixando para trás famílias, filhos, entes queridos.

Eu entendo a preocupação com o dilema moral que tragédias representam quando vistas a partir do conceito cristão histórico e tradicional de Deus. Se Deus é pessoal, soberano, todo-poderoso, onisciente, amoroso e bom, como então podemos explicar a ocorrência das tragédias, calamidades, doenças, sofrimentos, que atingem bons e maus ao mesmo tempo?

Creio que qualquer tentativa que um cristão que crê que a Bíblia é a Palavra de Deus faça para entender as tragédias, desastres, catástrofes e outros males que sobrevêm à humanidade, não pode deixar de levar em consideração dois componentes da revelação bíblica, que são:

  • A realidade da queda moral e espiritual do homem 
  • O caráter santo e justo de Deus.

Lemos em Gênesis 1—3 que Deus criou o homem, macho e fêmea, à sua imagem e semelhança, e que os colocou no jardim do Éden, com o mandamento para que não comessem do fruto proibido. O texto relata como eles desobedeceram a Deus, seduzidos pela astúcia e tentação de Satanás, e decaíram assim do estado de inocência, retidão e pureza em que haviam sido criados. As conseqüências, além da queda daquela retidão com que haviam sido criados, foram a separação de Deus, a perda da comunhão com ele, e a corrupção por inteiro de suas faculdades, como vontade, entendimento, emoções, consciência, arbítrio. Pior de tudo, ficaram sujeitos à morte, tanto espiritual, que consiste na separação de Deus, como a física e a eterna, esta última sendo a separação de Deus por toda a eternidade.

Este fato, que chamamos de “queda,” afetou não somente a Adão e Eva, mas trouxe estas conseqüências terríveis a toda a sua descendência, isto é, à humanidade que deles procede, pois eles eram o tronco e a cabeça da raça humana. Em outras palavras, a culpadeles foi imputada por Deus aos seus filhos, e a corrupção de sua natureza foi transmitida por geração ordinária a todos os seus descendentes.

Desde cedo na história da Igreja cristã esta doutrina, que tem sido chamada de “pecado original”, foi questionada por gente como Pelágio, que afirmava que o pecado de Adão e Eva afetou somente a eles mesmos, e que seus filhos nasciam isentos, neutros, sem pecado, e sem culpa e sem corrupção inata. Tal ideia foi habilmente rechaçada por homens como Agostinho, Lutero, Calvino e muitos outros, que demonstraram claramente que o ensino bíblico é o que chamamos de depravação total e transmitida, culpa imputada e corrupção herdada. As conseqüências práticas para nós hoje são terríveis. Por causa desta corrupção inata, com a qual já nascemos, somos totalmente indispostos para com as coisas de Deus; somos, por natureza, inimigos de Deus e, portanto, filhos da ira. É desta natureza corrompida que procedem os nossos pecados, as nossas transgressões, as desobediências, as revoltas contra Deus e sua Palavra.

Agora chegamos no ponto crucial e mais relevante para nosso assunto. Entendo que a Bíblia deixa claro que os nossos pecados, tanto o original quanto os pecados atuais que cometemos, por serem transgressões da lei de Deus, nos tornam culpados e portantosujeitos à ira justa de Deus, à sua justiça retributiva, pela qual ele trata o pecador de acordo com o que ele merece. Ou seja, a humanidade inteira, sem exceção – visto que não há um único justo, um único que seja inocente e sem pecado – está sujeita ao justo castigo de Deus, o que inclui – atenção! – a morte, as misérias espirituais, temporais (onde se enquadram as tragédias, as calamidades, os desastres, as doenças, o sofrimento) e as misérias espirituais (que a Bíblia chama de morte eterna, inferno, lago de fogo, etc.).

A Bíblia revela com muita clareza, e sem a menor preocupação de deixar Deus sujeito à crítica de ser cruel, déspota e injusto, que ele mesmo é quem determinou tragédias e calamidades sobre a raça humana, como parte das misérias temporais causadas pelo pecado original e as transgressões atuais. Isto, é claro, se você acredita realmente que a Bíblia é a Palavra de Deus, e não uma coleção de idéias, lendas, sagas, mitos e estórias politicamente motivadas e destinadas a justificar seus autores.

De acordo com a Bíblia:

  • Foi Deus quem condenou a raça humana à morte no jardim (Gn 2.17; 3.19; Hb 9.27). 
  • Foi ele quem determinou a catástrofe do dilúvio, que aniquilou a raça humana com exceção da família de Noé (Gn 6.17; Mt 24.39; 2Pe 2.5). 
  • Foi ele quem destruiu Sodoma, Gomorra e mais várias cidades da região, com fogo caído do céu (Gn 19.24-25). 
  • Foi ele quem levantou e enviou os caldeus contra a nação de Israel e demais nações ao redor do Mediterrâneo, os quais mataram mulheres, velhos, crianças e fizeram prisioneiros de guerra (Dt 28.49-52; Hab 1.6-11). 
  • Foi ele quem levantou e enviou contra Israel povos vizinhos para saquear, matar e fazer prisioneiros (2Re 24.2; 2Cr 36.17; Jr 1.15-16). 
  • Foi ele quem ameaçou Israel com doenças, pestes, fomes, carestia, seca, pragas caso se desviassem dos seus caminhos (Dt 28). 
  • Foi ele quem enviou as dez pragas contra o Egito, ferindo, matando e trazendo sofrimento a milhares de egípcios, inclusive matando os seus primogênitos (Ex 9.13-14). 
  • Foi o próprio Jesus quem revelou a João o envio de catástrofes futuras sobre a raça humana, como castigos de Deus, próximo da vinda do Senhor, conforme o livro de Apocalipse, tais como guerras, fomes, pestes, pragas, doenças (Apocalipse 6—9), entre outros. 
  • Foi o próprio Jesus quem profetizou a chegada de guerras, fomes, terremotos, epidemias (Lc 21.9-11) e a destruição de Jerusalém, que ele chamou de “dias de vingança” de Deus contra o povo que matou o seu Filho, nos quais até mesmo as grávidas haveriam de sofrer (Lc 21.20-26). 
  • E por fim, Deus já decretou a catástrofe final, a destruição do mundo presente por meio do fogo, no dia do juízo final (2Pe 3.7; 10-12).

Isto não significa, na Bíblia, que o sofrimento das pessoas é sempre causado por uma culpa individual e específica. Há casos, sim, em que as pessoas foram castigadas com sofrimentos temporais em virtude de pecados específicos que cometeram, como por exemplo o rei Uzias que foi ferido de lepra por causa de seu pecado (2Cr 26.19; cf. também o caso de Miriã, Nm 12.10). O rei Davi perdeu um filho por causa de seu adultério (2Sm 12.14). Mas, em muitos outros casos, as tragédias, catástrofes, doenças e sofrimentos não se devem a um pecado específico, mas fazem parte das misérias temporais que sobrevêm à toda a raça humana por conta do estado de pecado e culpa em geral em que todos nós nos encontramos. Deus traz estas misérias e castigos para despertar a raça humana, para provocar o arrependimento, para refrear o pecado do homem, para incutir-lhe temor de Deus, para desapegar o homem das coisas desta vida e levá-lo a refletir sobre as coisas vindouras. Veja, por exemplo, a reflexão atribuída a Moisés no Salmo 90, provavelmente escrito durante os 40 anos de peregrinação no deserto. Veja frases como estas:

Tu reduzes o homem ao pó e dizes: Tornai, filhos dos homens... Tu os arrastas na torrente, são como um sono, como a relva que floresce de madrugada; de madrugada, viceja e floresce; à tarde, murcha e seca. Pois somos consumidos pela tua ira e pelo teu furor, conturbados. Diante de ti puseste as nossas iniqüidades e, sob a luz do teu rosto, os nossos pecados ocultos. Pois todos os nossos dias se passam na tua ira; acabam-se os nossos anos como um breve pensamento...

Não devemos pensar que aquelas pessoas que ficam doentes, passam por tragédias, morrem em catástrofes eram mais pecadoras do que as demais ou que cometeram determinados pecados que lhes acarretou tal castigo. Foi o próprio Jesus quem ensinou isto quando lhe falaram do massacre dos galileus cometido por Pilatos e a tragédia da queda da torre de Siloé que matou dezoito (Lc 13.1-5). Ele ensinou a mesma coisa no caso do cego relatado em João 9.3-4. Os seus discípulos levantaram o problema do sofrimento do cego a partir de um conceito individualista de culpa, ponto que foi rejeitado por Jesus. A cegueira dele não se deveu a um pecado específico, quer dele, quer de seus pais. As pessoas nascem cegas, deformadas, morrem em tragédias e acidentes, perdem tudo que têm em catástrofes, não necessariamente porque são mais pecadoras do que as demais, mas porque somos todos pecadores, culpados, e sujeitos às misérias, castigos e males aqui neste mundo.

No caso do cego, Jesus disse que ele nascera assim “para que se manifestem nele as obras de Deus” (Jo 9.3). Sofrimento, calamidades, etc., não são somente um prelúdio do julgamento eterno de Deus; há também um tipo de sofrimento no qual Deus é glorificado por meio de Cristo em sua graça, e assim se torna, portanto, um exemplo e um prelúdio da salvação eterna. As tragédias servem para levar as pessoas a refletir sobre a temporalidade e fragilidade da vida, e para levá-las a refletir nas coisas espirituais e eternas. Muitos têm encontrado a Deus no caminho do sofrimento.

O que eu quero dizer é que, diante das tragédias e  acidentes devemos nos lembrar que eles ocorrem como parte das misérias e castigos temporais resultantes das nossas culpas, de nossos pecados, como raça pecadora que somos. Poderia ser eu que estava entre as vítimas do furacão Sandy. Ou, alguém muito melhor e mais reto diante de Deus. Ainda assim, Deus não teria cometido qualquer injustiça, ainda que todas as vítimas fossem os melhores homens e mulheres que já pisaram a face da terra. Pois mesmo estes são pecadores. Não existem inocentes diante de Deus, Bonfim. Pensemos nisto, antes de ficarmos indignados contra Deus diante do sofrimento humano.

Por último, preciso deixar claro duas coisas.

Primeira, que nada do que eu disse acima me impede de chorar com os que choram, e sofrer com os que sofrem. Somos membros da mesma raça, e quando um sofre, sofremos com ele.

Segunda, é preciso reconhecer que a revelação bíblica é suficiente, mas não exaustiva. Não temos todas as respostas para todas as perguntas que se levantam quando uma tragédia acontece. Não conhecemos a vida das vítimas e nem os propósitos maiores e finais de Deus com aquela tragédia. Só a eternidade o revelará. Temos que conviver com a falta destas respostas neste lado da eternidade.

Mas, é preferível isto a aceitar respostas que venham a negar o ensino claro da Bíblia sobre Deus, como por exemplo, especular que ele não é soberano e nem onisciente e onipotente. Posso não saber os motivos específicos, mas consola-me saber que Deus é justo, bom e verdadeiro, e que todas as suas obras são perfeitas e retas, e que nele não há engano.

[Este post foi baseado num outro post da minha autoria aqui no blog intitulado Carta a Bonfim: Deus e as Tragédias]

Por ocasião dos 495 anos da Reforma Protestante



[Este artigo é de autoria do Solano Portela, que está em Manaus, sem internet - publico aqui a pedido dele]
Martinho Lutero
Muitas referências atuais à Reforma do Século 16 distorcem o que realmente ocorreu naquela ocasião. Os livros de história contemporâneos, por exemplo, introjetam anacronicamente uma linguagem marxista ultrapassada para descrever os acontecimentos da época. Para esses autores, o que houve foi uma luta econômica da burguesia contra os senhores feudais. O trabalho de Calvino é apresentado como sendo uma valorização sócio-econômica de alguns, que seriam definidos como "os predestinados". Para outros, a revolta de Lutero foi uma questão meramente pessoal, contra os líderes da época; ou, no máximo, uma cruzada contra a corrupção.

Não podemos compreender a Reforma assimilando esse revisionismo histórico. A ação de Lutero foi uma revolta contra uma estrutura errada e uma doutrina errada de uma igreja que distorcia a Salvação. Não foi um movimento sociológico, apesar de ter tido consequências sociológicas. Lutero não pretendia ensinar a salvação do homem pela reforma da sociedade, mas compreendia que a sociedade era reformada pelas ações do homem resgatado por Deus. Na realidade, a Reforma do Século XVI foi um grande reavivamento espiritual, operado por Deus, que começou com a experiência pessoal de conversão de Lutero.

Nunca é demais frisar que Lutero não formulou novas doutrinas, ou novas verdades, mas apenas redescobriu a Bíblia em sua pureza e singularidade. As 95 Teses, pregadas na porta da catedral de Wittenberg, em 31.10.1517, representam coragem, desprendimento e uma preocupação legítima com o estado decadente da igreja e com a procura dos verdadeiros ensinamentos da Palavra. É, portanto, um erro acharmos que a Reforma marca a aparição de várias doutrinas nunca dantes formuladas. A Palavra de Deus, cujas doutrinas estavam soterradas sob o entulho da tradição, é que foi resgatada.

Uma das características comuns das seitas é a apresentação de supostas verdades que nunca haviam sido compreendidas, até a aparição ou revelação destas a algum líder. Estas “verdades” passam a ser determinantes da interpretação das demais e ponto central dos ensinamentos empreendidos. A Reforma coloca-se em completa oposição a esta característica. Nenhum dos reformadores declarou ter “descoberto” qualquer verdade oculta, mas tão somente apresentou em toda singeleza os ensinamentos das Escrituras. Seus comentários e controvérsias versaram sempre sobre a clara exposição da Palavra de Deus, abstraindo dela os ensinamentos meramente humanos.


O grande escritor Martin Lloyd-Jones nos indica “que a maior lição que a Reforma Protestante tem a nos ensinar é justamente que o segredo do sucesso, na esfera da Igreja e das coisas do Espírito é olhar para trás” (Rememorando a Reforma, p. 8). Lutero e Calvino, diz ele no mesmo local, “foram descobrindo que estiveram redescobrindo o que Agostinho já tinha descoberto e que eles tinham esquecido”.

Assim, as mensagens proclamadas pela Reforma continuam sendo pertinentes aos nossos dias. Da mesma forma como a Palavra de Deus sempre é atual e representa a Sua vontade ao homem, em todas as ocasiões, a Reforma do Século 16, com a doutrina proclamada extraída e baseada nesta Palavra, transborda em atualidade à cena contemporânea da igreja evangélica, quando nela ocorrem tantas distorções e tantos ensinamentos meramente humanos. Celebremos os feitos de Deus na história e, neste 31 de outubro, vamos dar graças a ele por ter levantado homens valorosos que não tiveram receio de se colocar ao lado da Sua Palavra.

11 de out. de 2012

Mensagem Exclusiva de Paul Washer



Paul Washer gravou uma mensagem exclusiva para o pessoal do Voltemos ao Evangelho na 28ª Conferência Fiel, onde ele fala aos cristãos brasileiros sobre disciplinas espirituais como leitura e memorização bíblica e oração. Washer nos incentiva a lutar contra a apatia e preguiça espirituais para crescermos em santidade e conformidade com Jesus Cristo.

Fonte: [Youtube] Via: [Blog Fiel

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