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1 de set. de 2011

O Fruto do Orgulho Espiritual – John MacArthur




Não é nenhuma surpresa que Lucas 4.28 registre que os judeus presentes na sinagoga, "ouvindo estas coisas, se encheram de ira". Nada é pior do que orgulho espiritual, pois é uma barreira que as pessoas egoisticamente erguem e que os separa de sua própria salvação. O Senhor afirmou: "Eu vim para salvar e esta é a verdade. Mas apenas posso salvar os pobres, os prisioneiros, os cegos e os oprimidos. Não importa que seja uma viúva gentia ou um leproso sírio. Importa apenas que a pessoa perceba sua bancarrota e sua indigência e que venha a mim como aquele odiado coletor de impostos que batia em seu peito cheio de culpa e implorava: 'O Deus, sê propício a mim, pecador!' (Lc 18.13), ou o homem que disse: 'Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé!' (Mc 9.24). Essa pessoa pode não saber tudo o que existe para saber, e sua fé pode não ser plena, mas se ela apenas for em sua desesperança e disser: 'Eu não tenho escolha. Eu sei quem sou e sei o que o senhor pode fazer por mim', então ela saberá que eu sou o Messias".

Não podemos conhecer a Jesus como Messias até que nos submetamos a ele. Eu não pude conhecê-lo como meu Salvador enquanto não entreguei minha vida a ele. Então eu soube. Desfilar um número infinito de milagres na minha frente não teria provado nada. Os milagres não vêm ao caso. Nunca saberemos se Jesus pode salvar nossa alma do inferno, dar-nos vida nova, recriar nossa alma, colocar ali o seu Espírito Santo, perdoar nossos pecados e levar-nos para o céu até que tenhamos entregado nossa vida inteiramente a ele. Isso é auto-renúncia, tomar a cruz e segui-lo obedientemente.

Todos os ouvintes de Jesus podiam concluir qual era o ponto vital dessa história: eles valiam menos que os gentios. Estavam furiosos com Jesus porque ele insistira em que, a não ser que eles se considerassem em nada melhor do que um terrorista sírio e leproso, em nada melhor que uma viúva gentia pagã, em nada melhor que os proscritos, eles não receberiam salvação. E isso era absolutamente intolerável para aqueles assíduos frequentadores da sinagoga du¬rante a vida inteira — judeus sérios e devotos. Era impensável porque estavam absolutamente comprometidos com sua autojustificação, fruto da crença de que poderiam obter sua salvação pelos seus próprios méritos e religião. Como poderiam eles ser humildes quando conseguiam sua entrada no céu pelo fato de serem judeus, leais à moralidade tradicional e à lei religiosa?

Assim, como está escrito em Lucas 4.29, eles "se levantaram". De repente o tumulto explodiu na sinagoga lotada. Agarraram Jesus com a violência e o ódio cego de uma turba de linchadores e saíram da cidade vociferando até a beirada de um precipício. Estavam prontos para lançar Jesus lá de cima e vê-lo arrebentar-se contra as pedras lá embaixo. Deuteronômio 13 dava aos judeus a licença para matar um falso profeta. Estavam tão entrincheirados em seu orgulho hipócrita, tão pouco dispostos a reconhecer seu pecado que, quando Jesus finalmente os visitou, eles tentaram matá-lo. Depois de esperar durante tanto tempo pelo seu Messias e Rei prometido, eles preferiam destruí-lo a permitir que ele ameaçasse sua autojustificação.

Sempre termina assim, embora não de modo tão violento. Há apenas uma razão pela qual as pessoas que conhecem a verdade do evangelho não se sintam dispostas a arrepender-se e crer. É porque não querem considerar-se como pobres, prisioneiras, cegas e oprimidas. Não há nenhuma relação com o estilo de música que sua igreja oferece, com as dramatizações que são montadas ou com a qualidade de um espetáculo de feixes de laser. Mas tem tudo a ver com a morte espiritual e a cegueira do orgulho. Deus não oferece nada àqueles que estão satisfeitos com sua própria condição, a não ser julgamento. Se você não acha que está a caminho do inferno, não pensa que necessita de perdão, você não valoriza o evangelho da graça.

Segundo o próprio entendimento deles, esses judeus da sinagoga de Nazaré eram os respeitáveis. Eles eram os piedosos, os escolhidos, os verdadeiros adoradores, os leais à Lei, os cerimonialistas, os participantes da aliança. Os gentios eram os miseráveis idólatras, os indigentes proscritos. Os judeus nunca poderiam considerar-se como espiritualmente viúvos ou leprosos. Religiosos como eram, os vizinhos, amigos e parentes de Jesus odiaram tanto o que ele disse que tentaram matá-lo. Odiaram a mensagem de modo tão violento porque se recusavam ser humilhados. Não podemos pregar salvação, conduzir alguém à salvação nem tampouco sermos nós mesmos salvos a não ser que ' estejamos dispostos a ser humilhados e a reconhecer nossa condição pecaminosa. Novamente é uma questão de auto-renúncia, não é?

Eles tentaram matá-lo, mas não tinham poder para tanto, porque não era o método de Deus e não era sua hora. Lucas 4.30 descreve um momento sobrenatural, calmo: "Jesus, porém, passando por entre eles, retirou-se". Não sabemos como aconteceu. Mas, de alguma maneira miraculosa, ele simplesmente desapareceu. Eis o milagre que eles exigiram, mas o milagre o retirou do meio deles, simbolizando o julgamento que trouxeram sobre si mesmos por sua incredulidade cheia de ódio. Que tristeza. O que poderia ter sido - perdão e plenitude de alegria para sempre - eles recusaram.

E você? Você quer saber se Jesus é realmente aquele que ele disse ser? Em primeiro lugar, é necessário confrontar-se com seu diagnóstico sobre sua condição espiritual. Confesse sua absoluta pecaminosidade. Negue-se a si mesmo, e entregue sua vida a ele. Esse é o único caminho mediante o qual você poderá saber. Você se considera um entre os pobres, prisioneiros, cegos e oprimidos? Se sua resposta é não, você pode testemunhar todos os milagres debaixo do sol, reais ou falsos, pode ver todo o desfile de testemunhos, e nada o convencerá. Há apenas um caminho para saber que Jesus pode salvar sua alma do inferno, mudar sua vida e levá-lo para o céu com todos os pecados perdoados. Esse único caminho é ser suficientemente honesto e estar desesperado para admitir o seu pecado. Esse é o único tipo de pessoa que Jesus pode salvar. Tome sua vida pobre e iníqua, entregue-a nas mãos dele e veja o que ele pode fazer com ela. Isso é o que você deve fazer, e esse é o convite que temos para proclamar.


Fonte: [Josemar Bessa]

15 de jul. de 2011

2 de jul. de 2011

Abandonado por Deus


Fonte: [Youtube]
Via: [Ortodoxia]

9 de mai. de 2011

Continuaremos no pecado? – John MacArthur


A graça de Deus não quer dizer que a santidade seja opcional. Sempre há pessoas que abusam da graça de Deus ao assumir que ela dá espaço para o pecado. Parafraseando essa filosofia, Paulo escreve: "Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado para que seja a graça mais abundante?" (Rm 6.1) Se a graça superabundou onde o pecado abundou (Rm 5.20, 21) então nosso pecado somente magnífica a graça de Deus? Deveríamos continuar no pecado a fim de que graça de Deus seja magnificada?

"De modo nenhum!" Paulo respondeu com uma frase tão enfática que a versão King James traduziu da seguinte maneira: "Deus me livre!" A noção de que alguém usaria tal argumento para se desculpar era completamente ofensiva a Paulo. "Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? (Rm 6.3).

Paulo escreveu em outro lugar: "Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim" (Gl 2.20).

Mas em que sentido morremos para o pecado? Todos os cristãos honestos vão testemunhar que ainda somos tentados, ainda caímos e ainda sentimos culpa pelo pecado o tempo todo. O que Paulo quer dizer quando disse aos cristãos que "morremos para o pecado"?

Ele está falando sobre nossa união com Cristo. Todos os crentes são unidos a Cristo pela fé:
Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição (Rm 6. 3-5).

A frase "batizado em Cristo Jesus... batizado na sua morte" não tem nada que ver com o batismo nas águas. Paulo está usando a expressão baptizo do mesmo modo que ele a empregou em 1 Coríntios 10.2, quando falou dos israelitas como sendo "batizados em Moisés". Nesse sentido batizado em significa identificado com, ligado a. Em Gaiatas 3.27, Paulo diz: "Porque todos quanto fostes batizados em Cristo, de Cristo vos revestistes". Novamen¬te ele está falando da união com Cristo: "Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele" (1 Co 6.17).

Nossa união com Cristo é a premissa da qual a justificação, a santificação e todos os outros aspectos da obra de salvação de Deus dependem. Se primeiro entendêssemos o que significa estar unido com Cristo, compreen¬deríamos a nossa salvação. Sobre essa doutrina, Martyn Lloyd-Jones escreveu:

Realmente estamos em união com Cristo e para ele. Você não pode ler o Novo Testamento, até mesmo superficialmente, sem notar   esta constante repetição —  "em Cristo" — "em Cristo Jesus". O apóstolo continua repetindo esta frase, e ela é uma das afirmações mais significativas e mais gloriosas no campo e no âmbito da verdade. Isso significa que fomos unidos ao Senhor Jesus Cristo; tornamo-nos parte dele. Estamos nele. Pertencemos a ele. Somos membros do seu corpo.

E o ensino é que Deus nos considera assim, e isso, naturalmente, significa que agora, nessa relação, nós participamos e compartilhamos de tudo o que é verdade a respeito do próprio Senhor Jesus Cristo.

"Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo" (ICo 15.22). "Em Adão" descreve o estado da pessoa não-regenerada, ainda sob a escravidão do pecado, morta, incapaz de agradar a Deus de qualquer modo. Mas "em Cristo" descreve exatamente o estado oposto, a posição do verdadeiro crente em Cristo. Somos livres da tirania do pecado, capazes de amar e obedecer a Deus de coração, participantes de todas as bem-aventuranças do próprio Cristo, objeto do amoroso favor divino, destinado a uma eternidade gloriosa. "Agora, pois, já nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus" (Rm 8.1).

Nossa união com Cristo resulta em algumas mudanças muito dramáticas. Em primeiro lugar, somos justificados. A justificação tem seu lugar no tribunal de Deus. É um veredito divino de "não culpado". O termo justificação não significa a mudança atual no caráter do pecador; ele descreve a mudança na sua posição diante de Deus.

Mas porque estamos unidos com Cristo, mudanças acontecem também na nossa própria natureza. Regeneração, conversão e santificação são as palavras que descrevem essa mudança. Nascemos de novo — somos regenerados — foi nos dado um novo espírito, um novo coração e um novo amor a Deus (Ez 36.26; Uo4.19,20). Tornamo-nos participantes da natureza divina (2Pe 1.3, 4). Somos ressuscitados para andar em novidade de vida (Rm 6.4). E o velho homem pecaminoso é executado: "Sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; porquanto quem morreu está justificado do pecado" (Rm 6.6, 7).

15 de abr. de 2011

O escândalo do pecado – John MacArthur


O pecado domina o coração humano, e se fosse pela sua vontade, condenaria cada alma. Se não compreendermos nossa própria perversidade ou não enxergarmos nosso pecado como Deus o vê, não poderemos entendê-lo ou fazer uso do remédio contra ele. Aqueles que tentam justificá-lo, negligenciam ajustificação de Deus. Até compreendermos quão totalmente repugnante nosso pecado é, nunca poderemos conhecer a Deus.

O pecado é abominável a Deus. Ele o odeia (cf. Dt 12.31). "Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar..." (He 1.13). O pecado é contrário à sua própria natureza (Is 6.3; 1Jo 1.5). A pena máxima — a morte — é exigida para cada infração contra a lei de Deus (Ez 18.4, 20; Rm 6.23). Até a menor transgressão é digna da mesma pena severa: "Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um ponto, se torna culpado de todos" (Tg 2.10).

O pecado suja a alma. Ele rebaixa a dignidade da pessoa. Obscurece o entendimento. Torna-nos piores que animais, pois os animais não podem pecar. Polui, corrompe, suja. Todo pecado é vulgar, repulsivo e revoltante aos olhos de Deus. A Bíblia o chama de imundícia (Pv 30.12; Ez 24.13; Tg 1.21). O pecado é comparado ao vômito, e os pecadores são os cães que voltam ao seu próprio vômito (Pv 26.11; 2Pe 2.22). O pecado é chamado de lamaçal, e os pecadores são os porcos que rolam nele (SI 69.2; 2Pe 2.22). O pecado é semelhante ao cadáver em putrefação, e os pecadores são os túmulos que contêm o malcheiro e a sujeira (Mt 23.27). O pecado transformou a humanidade em uma raça poluída e imunda.

As terríveis consequências do pecado incluem o inferno, sobre o qual Jesus disse: "E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo inferno" (Mt 5.30). As Escrituras descrevem o inferno como um lu¬gar terrível e medonho onde pecadores são "atormentados com fogo e enxo¬fre..." e "A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome" (Ap 14.10,11). Essas verdades se tornam mais alarmantes ainda quando percebemos que são parte da Palavra inspirada de um Deus de infinita misericórdia e graça.

Deus quer que entendamos a excessiva pecaminosidade do pecado (Rm 7.13). Não ousemos encará-lo com leviandade ou rejeitar nossa própria culpa frivolamente. Quando encaramos o pecado como ele é, é nosso dever odiá-lo. As Escrituras vão até mais fundo que isso: "Ali, vos lembrareis dos vossos caminhos e de todos os vossos feitos com que vos contaminastes e tereis nojo de vós mesmos, por todas as vossas iniquidades que tendes cometido" (Ez 20.43, ênfase acrescentada). Em outras palavras, quando verdadeiramente vemos o que o pecado é, longe de obter auto-estima, nós nos desprezaremos.

Fonte: [Ortopraxia]

11 de abr. de 2011

Como funciona a santificação? – John MacArthur


A palavra santificar nas Escrituras vem de palavras gregas e hebraicas que significam "separar". Ser santificado é ser separado do pecado. Na conversão, todos os crentes são libertos da escravidão do pecado, libertos do cativeiro do pecado — separados para Deus, ou santificados. No entanto, nesse momento, o processo de separação do pecado apenas teve seu início. ( Conforme crescemos em Cristo, nos tornamos mais separados do pecado e mais consagrados a Deus. Assim, a santificação que ocorre na conversão apenas inicia um processo, que dura toda a vida, pelo qual somos separados mais e mais do pecado e moldados em conformidade com Cristo — separados do pecado e separados para Deus.

Cristãos no processo de amadurecimento nunca transformam-se em pessoas que se autojustificam, presunçosas ou satisfeitas com seu progresso. Não buscam a auto-estima, mas em vez disso procuram trabalhar com seu pecado. E quanto mais nos tornamos semelhantes a Cristo, mais sensíveis ficamos aos vestígios corruptos da carne. Quando amadurecemos na santidade, nosso pecado se torna mais doloroso e mais óbvio a nós mesmos. Quanto mais rejeitamos nosso pecado, mais percebemos as tendências pecaminosas que ainda precisam ser abandonadas. Este é o paradoxo da santificação: quanto mais santos nos tornamos, mais frustrados ficamos pelos restos resistentes do nosso pecado. O apóstolo Paulo descreve nitidamente sua própria angústia sobre esta realidade em Romanos 7. 21-24:

Então, ao querer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra iei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?

Romanos 7 apresenta muitos desafios difíceis aos intérpretes da Bíblia, mas certamente a questão mais difícil de todas é como é que Paulo pôde dizer essas coisas após ter escrito no capítulo 6: " Foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; porquanto quem morreu está justificado do pecado" (Rm 6.6,7).

Essas são verdades vitais para o cristão entender. Elas detêm a fórmula para um andar espiritual saudável e dão um discernimento prático de como deveríamos batalhar contra o pecado em nossa vida.A fim de entendê-las melhor devemos voltar a Romanos 6. De acordo com o Dr. Warfield, Romanos 6 "foi escrito com o único propósito de afirmar e demonstrar que justificação e santificação estão indissoluvelmente ligadas". Ou, na imaginação de Paulo, o morrer com Cristo (justificação) e o viver com Cristo (santificação) são ambos resultados necessários da verdadeira fé. Aqueles que acham que a graça trata a santidade como opcional estão tragicamente enganados. Aqueles que acham que experimentaram toda a santificação que precisavam estão igualmente iludidos. Aqueles que acham que a auto-estima é mais importante que a santidade estão cegos para verdade. Se conhecêssemos os princípios de Deus para trabalhar com o pecado, deveríamos compreender que isso é uma luta de vida e morte, até o final. Contentar-se com bons sentimentos a respeito de si mesmo é contentar-se com o pecado.

Fonte: [ Ortopraxia]

29 de mar. de 2011

O que é mortificação? – John MacArthur



Os cristãos têm uma obrigação — não para com a carne, mas em relação ao novo princípio de justiça personificado no Espírito Santo. Eles lutam, pelo poder do Espírito Santo, para mortificar o pecado na carne — "para mortificardes os feitos do corpo". Se você estiver fazendo isso, ele diz, "[viverás]" ( Rm 8.13).


É claro que Paulo não está sugerindo que alguém pode obter vida, mérito ou favor de Deus pelo processo da mortificação. Mas está dizendo que é uma característica de crentes verdadeiros o fato de mortificarem os feitos do corpo. Nada é mais natural para pessoas que são "guiadas pelo Espírito de Deus" (v.14) do que mortificar seu pecado. Uma das provas da nossa salvação é que fazemos isso. Espera-se isso dos crentes. É a expressão da nova natureza.

Em outras palavras, o crente verdadeiro não é como Saul, que queria mimar e preservar Agague, mas como Samuel que o despedaçou sem mercê e sem demora. Saul pode ter querido fazer de Agague um animal de estimação, mas Samuel sabia que isso era totalmente impossível. Da mesma maneira, nunca domesticaremos nossa carne. Não podemos afagar nosso pecado. Devemos tratá-lo com rapidez e de um modo severo. Foi o que disse Jesus:

Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno. E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno (Mt 5.29,30).



É óbvio que Jesus não estava falando no sentido literal, embora muitos tenham entendido mal essa passagem. Ninguém menos que o próprio grande teólogo Orígenes castrou-se, num esforço mal orientado de cumprir esse mandamento literalmente. Jesus não estava proclamando a automutilação, mas sim a mortificação dos feitos do corpo. Mortificação, nas palavras do puritano John Owen significa que a carne, "com [suas] faculdades e proprie¬dades, [sua] sabedoria, astúcia, sutileza, força, deve, segundo o apóstolo, ser morta, afligida, mortificada — isto é, ter seu poder, vida, vigor e força para produzir seus efeitos, afastados pelo Espírito".

Romanos 8.12, 13, versos que Paulo usa para introduzir a idéia de mortificação do pecado, sinalizam para um grande ponto de alteração na linha de pensamento que percorre esse capítulo. Martyn Lloyd-Jones disse:

É aqui, pela primeira vez, nesse capítulo, que entramos no campo da aplicação prática. Tudo o que vimos até agora foi uma descrição geral do cristão — seu caráter, sua posição. Mas agora o apóstolo realmente explicita a doutrina da santificação. Aqui nos é dito exatamente como, na prática, o cristão se torna santificado. Ou, dizendo isso de uma outra maneira, aqui nos é dito em detalhes e na prática como o cristão deve travar a batalha contra o pecado.

Paulo não promete uma libertação imediata do assédio do pecado. Não descreve uma crise momentânea de santificação, quando o crente imediatamente se tornaria perfeito. Ele não diz aos romanos para deixarem as coisas na mão de Deus enquanto eles não fazem nada. Não sugere que uma "decisão em momento crítico" resolverá a questão de uma vez para sempre. Ao contrário, ele fala de uma luta contínua com o pecado, que devemos, de forma persistente e perpétua, "mortificar os feitos do corpo".

Essa linguagem é frequentemente mal-entendida. Paulo não está chamando as pessoas a uma vida de autoflagelação. Ele não está dizendo que os cristãos deveriam ser subjugados pela fome, literalmente torturarem o corpo, ou privarem-se das necessidades básicas da vida. Não está lhes dizendo para se mutilarem, abraçarem uma vida monástica ou qualquer coisa do tipo. A mortificação de que Paulo fala não tem nada que ver com uma autopunição exterior. E um processo espiritual realizado pelo "Espírito". Paulo está descrevendo uma forma de vida para sufocar o pecado, aniquilá-lo de nossa vida, sugar suas forças, extirpá-lo e impedir sua influência. Isso é o que significa mortificar o pecado.

26 de jul. de 2010

Graça no sofrimento – John MacArthur


Se examinarmos a vida de Estêvão do ponto de vista do seu lugar estratégico no plano de Deus, verificaremos que sua importância não foi menor que a de Moisés. Estêvão desempenhou um papel decisivo durante um importante período de transição para a Igreja na terra. Foi sua morte que levou os crentes em Jerusalém a se espalharem como testemunhas para as outras partes do mundo (At 8.1). Mas o ministério de Estêvão em Atos 6-7, anterior ao seu martírio, também foi crucial. Devido ao fato de haver pregado aos judeus de fala grega em Jerusalém, tornou-se ele a ponte de ligação da Igreja Primitiva - de Pedro, o apóstolo dos judeus, a Paulo, o apóstolo dos gentios. Estêvão, na verdade, foi o elo de transição entre a evangelização de Jerusalém e a evangelização do mundo.

Estêvão não foi apenas um poderoso evangelista - foi também um dos mais eloqüentes defensores da fé cristã que já serviu a Igreja em todos os tempos. É assim que Lucas descreve o ministério de Estêvão:
E Estêvão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. E levantaram-se alguns que eram da sinagoga chamada dos libertinos, e dos cireneus e dos alexandrinos; e dos que eram da Cilicia e da Asia, e disputavam com Estêvão. E não podiam resistir à sabedoria, e ao espírito com que falava (At 6.8-10).

Aqueles judeus de fala grega estavam transtornados com Estêvão, porque de forma tão convincente e inflexível, ele apresentava a Jesus e a Nova Aliança como o substituto do sistema religioso da Antiga Aliança dos judeus. A oposição dos judeus rapidamente atingiu o nível da fúria cega, que somente poderia ser satisfeita com sangue - o sangue de Estêvão como o primeiro crente a morrer martirizado (At 7.57-60).

O relativamente curto ministério de Estêvão é, por si só, uma inspiração para os crentes dos dias de hoje. Todavia, sua excelência como exemplo é demonstrada principalmente através de sua morte. Muito podemos aprender de seu caráter ao examinarmos a maneira como ele reagiu quando confrontado pela perseguição e morte violenta. Altruísta e corajosamente Estêvão fez a coisa certa, proclamando a verdade, a despeito das conseqüências.

Graça no sofrimento

Ao descrever a escolha dos primeiros diáconos, Atos 6.5 qualifica Estêvão como "homem cheio de fé e do Espírito Santo". Implícito no termo "fé" está a idéia de graça ou favor de Deus. De fato, Atos 6.8 desenvolve mais esta frase, e diz que Estêvão estava "cheio de graça e de poder".3 Os que têm fé e o Espírito Santo - ou seja, todos os crentes - também contam com uma completa medida de graça e poder. Estêvão certamente estava cheio de toda a graça necessária para enfrentar qualquer tipo de situação (vide 2 Co 12.9; Tg 4.6; 1 Pe 2.20; 3.14; 4.14).

O tipo de graça de que estamos falando é a da bondade amorosa dirigida às pessoas. E, Estêvão, pela fé, definitivamente a possuía. Esta pode ser parte da razão de a igreja em Jerusalém tê-lo escolhido como um dos primeiros diáconos, com a responsabilidade inicial de ajudar as desprezadas viúvas no ministério quotidiano.

Estêvão demonstrou ter esta graça em relação às outras pessoas duma forma muitíssimo clara justamente no momento da morte. Em Atos 7.60, enquanto os judeus atiravam-lhes pedras, ele ajoelhou-se, olhou para o céu, e exclamou: "Senhor, não lhes imputes este pecado". Tal benevolência somente pode vir da parte do Senhor. Como poderia um ser humano proferir tais palavras àqueles que lhe estavam tirando a vida? Este tipo de reação, cheio de confiança e de graça, era o resultado de sua fé no sentido de que Deus estava, soberanamente, no controle de sua vida e morte. E por isso que Estêvão não se preocupou em se proteger. Ele morreu alegre e pacificamente na vontade de Deus. Tudo o que fez foi confiar no plano global de Deus para sua vida, sem lutar para se salvar (compare Gn 50.20; Jr 29.11).

Tranqüilidade no sofrimento

Próximo do início de sua perseguição fatal nas mãos dos judeus incrédulos, Estêvão demonstrou outra evidência clara e extraordinária de que o episódio não era corriqueiro. Atos 6.15 diz: "Então todos os que estavam assentados no conselho, fixando os olhos nele, viram o seu rosto como o rosto de um anjo". Sua expressão facial deve ter se constituído numa das mais incompreensíveis e maravilhosas repreensões jamais vista numa intimidação e perseguição tão perversas. Certamente os oponentes de Estêvão ficaram atônitos e confundidos diante de uma reação tão atípica. A mera reação, que muitos crentes poderiam haver demonstrado numa situação como esta, incluiria com certeza ansiedade, estresse e talvez raiva.

A extraordinária e piedosa reação de Estêvão a essa injustiça ("e, investindo com ele, o arrebataram", At 6.12) e as distorcidas e falsas acusações armadas contra ele (At 6.11), oferecem-nos o melhor exemplo de como devemos portar-nos em meio a mais difícil das circunstâncias. A expressão de serenidade e tranqüilidade na face de Estêvão dá-nos mais uma prova de que ele estava cheio do Espírito Santo, e tinha um íntimo relacionamento com Deus.

Não sabemos exatamente qual seria a aparência do rosto de Estêvão, mas creio que manifestava uma tranqüilidade e um gozo sobrenaturais, por encontrar-se ele impregnado da glória e da presença divinas. O apóstolo Pedro afiançou: "Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória de Deus" (1 Pe 4.14). Do rosto de Estêvão irradiava a glória divina, constituindo-se esta numa incrível reprimenda àqueles incrédulos que reivindicavam conhecer a Deus.

Outro homem que teve o rosto irradiado pela glória de Deus foi Moisés (Êx 33.7-11,17-23; 34.29-35). Para os inimigos de Estêvão, a ironia disso tudo era que assim como falsamente o haviam acusado de blasfemar contra Moisés, Deus imediatamente passou a refletir sua glória no rosto de Estêvão (At 6.11-15). Isto efetivamente colocou-o em termos de igualdade com Moisés (já fizemos alusão a isso neste capítulo) e revelou que Deus aprovava Estêvão como mensageiro da Nova Aliança. No tempo certo, Deus aprovara Moisés como o representante da Antiga Aliança, mas agora era a vez de Estêvão ser o representante de Cristo (vide 2 Co 3.7-11).

Fonte: [Josemar bessa]

16 de abr. de 2010

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