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3 de fev. de 2011

Agostinho (354-430) – Ninguém vem ao Pai a não ser por mim

"Ninguém vai ao Pai sem passar por mim"

"Eu sou o caminho, a verdade e a vida." Cristo parece dizer-nos: "Por onde queres passar? Eu sou o caminho. Onde queres chegar? Eu sou a verdade. Onde queres ficar? Eu sou a vida." Caminhemos pois em plena segurança por este caminho; e, fora do caminho, cuidado com as armadilhas, porque, dentro do caminho, o inimigo não ousa atacar - o caminho é Cristo - mas fora do caminho ele monta os seus ardis...




O nosso caminho é Cristo na sua humildade; o Cristo verdade e vida é Cristo na sua grandeza, na sua divindade. Se seguires o caminho da humildade, chegarás ao Altíssimo; se, na tua fraqueza, não desprezares a humildade, permanecerás cheio de força no Altíssimo. Porque é que Cristo tomou o caminho da humildade? Foi por causa da tua fraqueza que estava ali como obstáculo intransponível; foi para te libertar dela que tão grande médico veio a ti. Não podias ir até ele; ele veio até ti. Veio ensinar-te a humildade, esse caminho de regresso, porque era o orgulho que nos impedia de retornar à vida que ele mesmo nos tinha feito perder...    


Então, Jesus, tornando-se nosso caminho, grita-nos: "Entrai pela porta estreita!" (Mt 7,13). O homem esforça-se por entrar mas o inchaço do orgulho impede-nos de tal. Aceitemos o remédio da humildade, bebamos esse medicamento amargo mas salutar... O homem inchado de orgulho pergunta: "Como poderei entrar?" Cristo responde: "Eu sou o caminho, entra por mim. Eu sou a porta (Jo 10,7), porquê procurar noutro sítio?" Para que não te percas, ele fez-se tudo por ti e diz-te: "Sê humilde, sê manso" (Mt 11,29).

1 de dez. de 2010

Tome posse de sua plena salvação! - M. Lloyd-Jones



Começamos a dar-nos conta disto — que agora somos filhos de Deus. Temos agora esta nova dignidade, este novo nível, este novo status, esta gloriosa posição em que agora nos achamos. Volte àquela oração sacerdotal feita pelo Sumo Sacerdote por excelência (João 17) e note como diz nosso Senhor que devemos glorificá-lo neste mundo exatamente como Ele glorificou o Pai. Você tinha percebido isso? A vida cristã é assim; essa é a razão pela qual se hã de levar vida cristã — dar-me conta de que pertenço a Deus e que me compete glorificá-lo. . . Que posição esplêndida! E o Espírito está em mim e me capacita a fazê-lo. Ele transforma a minha atitude e eu perco o espírito de escravidão e o de covardia. . .

Compreendo que o Espírito Santo habita em mim. . . O Espírito Santo em nós faz-nos lembrar nosso destino. «Se filhos, então herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo» ... O cristão tem absoluta certeza do seu destino. . . Não é questão de. . . lutar para fazer alguma coisa; é questão de ficar preparado para o lugar para onde você vai indo. A maneira de ficar livre do espírito de escravidão e de covardia é saber que, se você é filho de Deus, está destinado ao céu e à glória, e que de todas as coisas que você vê dentro e fora de si mesmo, nenhuma pode impedir o cumprimento desse plano. . «Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé». Fé em que?

Fé em meu destino final. . . Nada é tão eficaz para promover a santidade como a percepção de que somos herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, de que nosso destino é seguro e certo, de que nada o pode impedir. . . É assim que se vive a vida cristã! Não a transforme numa lei, mas dê-se conta de que você recebeu o Espírito Santo. Depois, viva à altura desse tema, na prática. . . Você pertence a Cristo, você é irmão dEle. . . Não se preocupe com os seus sentimentos. A verdade relativa a você é gloriosa. Se você está em Cristo, eleve-se ao nível correspondente, «acima do pecado, do medo e da preocupação». Tome posse de sua plena salvação, e triunfe e prevaleça.

Spiritual Depression, p. 173-5.

17 de ago. de 2010

Qual é sua reação a cruz? – Lloyd-Jones


Você ouve o clamor do Filho em agonia: "Deus meu! Deus meu! Por que me desamparaste?" (Mateus 27.46). Literalmente, Jesus morreu com o coração quebrantado. João nos relata que quando os soldados perfuraram o seu lado com uma lança "logo saiu sangue e água" (João 19.34). O coração de Jesus havia se rompido e o sangue havia se coagulado, e havia soro e coágulo sanguíneo, porque o coração, literalmente, se rompeu com a agonia da ira de Deus sobre ele, e pela separação da face de seu Pai. Este é o amor de Deus. Meu amigo, este é o amor de Deus por você, um pecador. Ele não olha passivamente e diz: "Eu o perdôo apesar do que fez ao meu Filho". Não! Ele mesmo castigou o Filho. Ele fez ao Filho o que eu e você jamais poderíamos ter feito. Deus derramou sua ira eterna sobre Jesus, e escondeu sua face dele, seu Unigénito e Amado. E Deus assim agiu para que nós não recebêssemos a punição e fôssemos para o inferno, passando lá toda a eternidade em miséria, tormento e infelicidade. Tal é o amor de Deus, e esta é a maravilha e a glória da cruz. Deus punindo o seu próprio Filho para que não precisasse punir a você e a mim.

Isto também foi feito a fim de que a mensagem da cruz pudesse ser pregada desta forma: "Crê no Senhor Jesus, e serás salvo..." (Atos 16.31). Creia que Jesus morreu a sua morte, suportou a sua punição, sofreu em seu lugar, que a punição que lhe traz a paz estava sobre ele. Creia e, imediatamente, será perdoado. Esta é a glória da cruz. A sabedoria de Deus legando o caminho, o amor divino executando o plano, apesar do que isso significava para ele, e seu Filho, voluntária e prontamente, submetendo-se a este plano, a fim de que você e eu pudéssemos ser perdoados, tornando-nos filhos de Deus. Oh:

Ao contemplar a maravilhosa cruz Na qual o Príncipe da glória morreu, - levado à morte por seu próprio Pai -Meu mais rico ganho eu reputo por perda, E desprezo por todo o orgulho meu.

- e por toda a minha autojustiça. "Ao contemplar a maravilhosa cruz" é que vejo estas coisas: O Deus eterno, em toda a glória de seu coração de Pai, entregando o seu próprio Filho para morrer em meu lugar.

Na verdade, vejo lá na cruz a harmonia de todos os atributos divinos. Vejo santidade e amor, contemplo "misericórdia e verdade se unindo. Justiça e paz fundindo-se". Vejo todos os eternos atributos do Deus eterno, todos eles mostrados ao mesmo tempo. Não há contradição entre a retidão, a justiça, o amor, a misericórdia e a compaixão. Todos lá estão, na plenitude da Divindade. Só há uma coisa a dizer quando contemplo coisas assim: "Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo". E lá na cruz que eu vejo a Deus como ele é, e como o meu Pai. Vejo o seu glorioso caráter justificado em todos os mínimos detalhes. Portanto, eu confio a ele a minha alma, descanso na palavra do Deus eterno e imutável.

Esta é a sua reação com respeito à cruz, meu amigo? Já viu estas coisas na cruz - o Filho, com o Pai e o Espírito Santo sustentando o Filho? Jesus se ofereceu por meio do Espírito eterno ao Pai em nosso favor. E a sua reação a isto que decide se você é um cristão ou não. Não me venha falar de suas boas obras, pois não me importa. Não venha me dizer que é membro de igreja, pois não estou nem um pouco interessado. Você está se gloriando na cruz? Ela é tudo para você? É a sua vida? Você está pronto a morrer em vez de negar esta mensagem gloriosa? Isto é ser um cristão e, se não nos gloriarmos na cruz, não a vimos, nem a compreendemos. E, se não a temos visto, na verdade não cremos nela. E, se não cremos na cruz, ainda estamos em nossos pecados e deveríamos ter igual morte. Iremos a julgamento e seremos condenados ao inferno. O seu destino eterno depende apenas disso. Você já compreendeu que Deus providenciou na cruz o único caminho pelo qual você pode ser perdoado e se tornar um filho de Deus, herdando as glórias da eternidade? Possa Deus ter misericórdia de todos nós e, pelo seu Espírito, abrir nossos olhos para vermos a glória da cruz.

A Soberana Liberdade de Deus - James Montgomery Boice


Nestes dias de múltiplos "direitos" humanos, a maioria das pessoas considera erroneamente que Deus nos deve algo — a salvação ou pelo menos uma oportunidade de salvação. Mas na argumentação de Packer sobre a graça, à qual nos referimos no início deste capítulo, o autor aponta corretamente que Deus não nos deve coisa alguma. Ele mostra um surpreendente favor a muitos — isto é o que graça significa — mas ele não tem de fazê-lo. Se ele fosse obrigado a ser gracioso, a graça não seria mais graça e a salvação seria baseada nos méritos humanos ao invés de ser sola gratia.

Quando dizemos que Deus não é obrigado a ser gracioso estamos falando a respeito de graça soberana e quando falamos a respeito de graça soberana não há melhor passagem bíblica para estudar do que Efésios 1. A maior parte dos cristãos está ciente do ensino de Paulo sobre a graça em Efésios 2. Na verdade, muitos memorizaram Efésios 2.8,9, que descreve a graça. O que a maioria não percebe é que o significado de graça naqueles versículos já havia sido definido através do que foi dito a respeito de graça no capítulo 1. O capítulo 1 é, do começo ao fim, sobre a soberana graça de Deus.

Qual é a diferença entre Efésios 1 e 2? Ambos usam a palavra graça três vezes. Mas o capítulo 1 olha para o assunto sob o ponto de vista de Deus, mostrando que nós somos salvos por causa do que Deus quis, enquanto que o capítulo 2 olha para o assunto pela nossa perspectiva, mostrando como estes decretos anteriores de Deus impactam o crente individual. A coisa mais importante é que Paulo começa com Deus. E ainda mais, começando com Deus, ele destaca o papel de cada pessoa da Trindade em seu trabalho.

1. O papel de Deus o Pai: eleição, "assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado" (Ef 1.4-6). Estes versos são uma das mais fortes expressões da graça soberana na Escritura, pois ensinam que as bênçãos da salvação vêm para algumas pessoas porque Deus deter-minou desde antes da criação do mundo dar estas bênçãos àquelas pessoas — e somente por esta razão.

Muitas pessoas hoje não gostam desta doutrina porque pensam que não é justa. Alguns a negam francamente. Alguns a admitem mas negam seus efeitos dizendo que a escolha é baseada no pré-conhecimento de Deus — como se houvesse qualquer coisa boa em nós para Deus prever, à parte dele ter previamente determinado colocar isto em nós. Alguns ignoram a doutrina. Mas é difícil ignorar a eleição, pois ela tem seus alicerces do começo ao fim da Bíblia e em muitas passagens decisivas. Sem a prévia eleição divina dos pecadores para a salvação, a graça é esvaziada de seu significado.

2. O papel de Deus o Filho: redenção. A eleição não é a única coisa que Deus fez como expressão de sua graça na salvação. Seguindo o padrão trinitariano deste capítulo, vamos para a doutrina da redenção. O que Deus fez por meio de Jesus Cristo foi redimir seu povo eleito ou escolhido, o que também flui de graça imerecida ou total-mente soberana. "No qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência" (Ef 1.7,8).

A razão pela qual a redenção é particularmente associada a Jesus Cristo é que redenção é um termo comercial que significa "comprar no mercado para que o objeto ou pessoa comprada possa ser libertada" e Jesus fez esta compra e obra libertadora por nós através de sua morte em nosso lugar. Para levar a efeito a ilustração, somos descritos como escravos do pecado, incapazes de nos libertar a nós mesmos da escravidão do pecado e das garras do mundo. Na verdade, em vez de nos libertar, o mundo brinca alegremente com nossos corpos e almas. E oferece seu sedutor pagamento — fama, sexo, prazer, poder, riqueza. Por estas coisas milhões vendem suas almas eternas e perecem. Mas Jesus entra no mercado como nosso Redentor. Jesus oferece o preço de seu sangue. Deus diz: "Vendido para Jesus, pelo preço de seu sangue!" Não há lance mais alto que este. Assim nos tornamos sua posse para sempre.

O apóstolo Pedro escreveu: "sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo" (1 Pe 1.18,19). Charles Wesley expressou isto poeticamente:

Há muito meu aprisionado espírito jaz
Prisioneiro do pecado e da noite da natureza;
Teu olho difundiu um rápido raio;
Acordei, a masmorra brilhou com luz;
Minhas cadeias caíram, meu coração foi liberto;
Levantei, prossegui e te segui.


3. O papel de Deus Espírito Santo: chamada eficaz. A terceira expressão da graça soberana de Deus em nossa salvação enfatizada em Efésios 1 é a obra do Espírito Santo, que aplica ao indivíduo a salvção planejada por Deus Pai e alcançada por Deus Filho. "Nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo; em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória" (Ef 1.11-14).

Ao primeiro relance a palavra "herança" no verso 11 parece estar descrevendo a mesma coisa que as palavras de Paulo a respeito da escolha do Pai no verso 4, ou seja, eleição. Mas na verdade a idéia é diferente. No verso 4 a escolha predestinadora do Pai está antes de tudo. No verso 11, "herança" se refere ao que os teólogos denominam o chamado eficaz do Espírito Santo, o qual flui e é determinado pelo exercício da soberana vontade de Deus na eleição.

Provavelmente a maior ilustração da graça de Deus chamando um pecador morto para a vida seja a de Jesus ressuscitando Lázaro, registrado em João 11. Quando Jesus retornou a Betânia a pedido das irmãs do homem morto, foi dito a ele que Lázaro havia morrido há quatro dias e que ele já estava em decomposição: "Disse-lhe Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal, porque já é de quatro dias" (v.39). Que descrição gráfica do estado de nossa decadência moral e espiritual por causa do pecado! Morto, decompondo, com mal cheiro, sem esperança. Não havia nada que alguém pudesse fazer por Lázaro nesta condição de morte. Sua situação não era meramente séria ou severa; era impossível.

Mas não para Deus! "Para Deus tudo é possível" (Mt 19.26). Por-tanto, havendo orado, Jesus chamou: "Lázaro, vem para fora" (Jo 11.43), e o chamado de Jesus trouxe vida ao homem morto, assim como a voz de Deus trouxe do nada o inteiro universo à existência.

Isto é o que o Espírito Santo faz a pecadores moribundos hoje. O Espírito Santo trabalha por meio da pregação da Bíblia para chamar à fé aqueles que ele previamente escolheu para a salvação e por quem especificamente Jesus morreu. A parte destas três graciosas ações — o ato de Deus em eleger, a obra de Cristo em morrer, e a operação do Espírito Santo em chamar — não haveria salvação para nin¬guém. Mas devido a estas ações — por causa da graça soberana de Deus — mesmo o pior dos rebeldes blasfemos pode ser mudado de sua insensatez e pode encontrar Cristo.

Fonte: [Josemar Bessa]
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