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25 de nov. de 2011

Dois Cálices - Venenos diferentes - John Stott

A agonia no Getsêmani


[Jesus] começou a ficar aflito e angustiado. E lhes disse:
"A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal".
MARCOS 14.33-34

A agonia de Jesus no jardim do Getsêmani é um exemplo vívido do paradoxo de sua pessoa. Por um lado, observamos sua sede por companhia e pelo apoio dos amigos em oração, bem como pelo reconhecimento de que a sua vontade poderia ser distinta da de seu Pai ("todavia não se faça a minha vontade, mas a tua" [Lc 22.42, ARA]). Por outro, mesmo em meio à dor, ele dirigiu-se a Deus na intimidade única da expressão "Abba, Pai" (Mc 14.36).

Mas qual era a sua angústia? As palavras gregas merecem ser mais vividamente traduzidas do que o foram na NVI. A ARC diz: "Começou a ter pavor, e a angustiar-se. E disse-lhes: A minha alma está profundamente triste até a morte" (v. 33-34). E apenas Lucas acrescenta, com seu interesse de médico, que "o seu suor era como gotas de sangue que caíam no chão" (Lc 22.44). Jesus se referiu à provação que se aproximava como um "cálice" diante do qual tremia de pavor. Seria esse cálice simplesmente a morte?

Sócrates morreu em uma cela de prisão com uma disposição de ânimo totalmente diferente. Ele bebeu seu cálice de cicuta, escreveu Platão, "sem tremer... alegre e silenciosamente". Teria Sócrates sido mais corajoso que Jesus? Não, todas as evidências são contrárias a essa possibilidade. A coragem física e moral de Jesus não vacilou por um só momento. Nesse caso, os cálices de Sócrates e de Jesus deviam conter diferentes venenos. O cálice que Jesus desejou ardentemente evitar não foi nem a dor física da crucificação nem a angústia mental da deserção por parte de seus amigos, mas o horror espiritual de carregar sobre si os pecados do mundo. No Antigo Testamento, o cálice era um símbolo da ira de Deus. Por exemplo, Isaías descreveu Jerusalém depois de sua destruição como tendo bebido "da mão do Senhor o cálice da ira dele" (Is 51.17).

Da agonia no jardim, Jesus se levantou com a determinação resoluta de ir para a cruz. Embora João não registre o episódio do Getsêmani, ele menciona uma fala de Jesus que os outros evangelistas não narram: "Acaso não haverei de beber o cálice que o Pai me deu?" (Jo 18.11).


Fonte: [Josemar Bessa]

17 de nov. de 2010

A Ira de Deus é Eterna como Ele – Jonathan Edwards


Já seria algo terrível sobre o furor e a cólera do Deus Todo-poderoso por um momento. Mas vocês terão de sofrê-la por toda a eternidade. Essa intensa e horrenda miséria não terá fim. Ao olhar para o futuro, vocês verão à frente uma interminável eternidade, de duração infinita, que irá devorar vossos pensamentos e assombrar vossas almas. E vocês irão se desesperar, com certeza, por não conseguirem nenhum livramento, termo, alívio ou descanso para tanta dor. Saberão também, que terão de sofrer até à última gota por longos séculos, por milhões e milhões de anos, lutando e pelejando contra essa vingança inclemente e todo-poderosa. Então, depois de passar por tudo isso, quando tantos séculos vos tiverem consumido, saberão que tudo não passa apenas de uma gota d'água quando comparado ao que ainda resta. Portanto, vosso castigo será, com certeza, infinito. Oh!, quem poderia exprimir o estado de uma alma em tais circunstâncias? Tudo o que pudermos dizer sobre o assunto, vai nos dar, apenas, uma débil e frágil visão da realidade. Ela é inexprimível, inconcebível, pois "Quem conhece o poder da ira de Deus?"

Que horrendo é o estado daqueles que diariamente, a cada hora, se encontram em perigo de sofrer tamanha ira e infinita miséria! Mas esse é o caso sinistro de toda alma que ainda não nasceu de novo, por mais moral, austera, sóbria e religiosa que seja. Queira Deus vocês pensassem em todas essas coisas, sejam jovens ou velhos. Há razões de sobra para acreditar que muitos daqueles que ouviram o evangelho certamente estarão expostos a esse tormento por toda a eternidade. Não sabemos quem são eles, nem o que pensam. Pode ser que estejam tranqüilos agora, escutando esta mensagem sem se perturbarem muito, e que estejam até se gabando de que, no caso deles, conseguirão escapar. Se soubéssemos que dentre os nossos conhecidos existe uma pessoa, uma só, sujeita a sofrer tal tormento como seria doloroso para nós encarar o assunto. Se conhecêssemos essa pessoa, sempre que a víssemos uma tal visão seria terrível para nós. Iríamos todos levantar grande choro, e prantear por sua causa. Mas, infelizmente, em vez de uma pessoa só, é provável que muitos se lembrem destas exortações somente no inferno! E inúmeras pessoas podem estar no inferno em breve tempo, antes mesmo do ano terminar. E aqueles que estão agora com saúde, tranqüilos e seguros, podem chegar lá antes do amanhecer. Todos os que dentre vocês continuarem até o fim em estado natural pecaminoso, e que conseguirem ficar fora do inferno por mais tempo, estarão lá também em breve. Sua condenação não tardará; virá de súbito, e provavelmente para muitos de vocês, de maneira repentina. Vocês têm toda razão em se admirarem de não estar ainda no inferno. É ocaso, por exemplo, de alguns conhecidos seus, que não mereciam o inferno mais do que vocês e que antes aparentavam ter possibilidade de estarem vivos agora tanto quanto vocês. Para o caso deles já não há esperança. Estão clamando lá em extrema penúria e perfeito desespero. Mas aqui estão vocês, na terra dos vivos, cercados pelos meios de graça, tendo a grande oportunidade de obter a salvação. O que não dariam aquelas pobres almas condenadas, desesperadas, pela oportunidade de viver mais um só dia, como que vocês desfrutam neste momento!

E agora vocês têm uma excelente ocasião. Hoje é o dia em que Cristo abre as portas da misericórdia de par em par, e se coloca de pé clamando e chamando em alta voz aos pobres pecadores. Este é o dia em que muitos estão se reunindo a ele, se apressando em chegar ao reino de Deus. Inúmeros estão vindo diariamente do norte, sul, leste e oeste. Muitos que estavam até bem pouco tempo nas mesmas condições miseráveis que vocês estão felizes agora, com os corações cheios de amor por Aquele que os amou primeiro, e os lavou de seus pecados com seu próprio sangue, regozijando-se na esperança de ver a glória de Deus. Como é terrível ser deixado para trás num dia assim! Ver os outros se banqueteando, enquanto vocês estão penando e se definhando! Ver os outros se regozijando e cantando com alegria no coração, enquanto vocês só têm motivos para prantear por causa do sofrimento de seus corações, e de lamentar por causa das aflições e vossas almas! Como podem vocês descansar por um momento sequer em tal estado de alma? Será que vossas almas não são tão preciosas como as almas daqueles que, dia a dia, estão se juntando ao rebanho de Cristo?

Não existem, porventura, muitos que, apesar de estarem há longo tempo neste mundo, até hoje não nasceram de novo, e por isso são estranhos à comunidade de Israel, e nada têm feito durante a vida, a não ser acumular ira sobre ira para o dia do castigo? Oh! senhores, o caso de vocês é, sem dúvida, extremamente perigoso. A dureza de vossos corações e a vossa culpa são imensas. Acaso vocês não vêem como geralmente pessoas de vossa idade são deixadas para trás na dispensação da misericórdia de Deus? Vocês precisam refletir e despertar de vosso sono, pois jamais poderão suportar a fúria e a ira do Deus infinito. E vocês que são rapazes e moças, irão negligenciar este tempo precioso que desfrutam agora, quando tantos outros jovens de vossa idade estão renunciando às futilidades da juventude e acorrendo céleres a Cristo? Vocês têm neste momento uma oportunidade, mas se a desprezarem, sucederá o mesmo que agora está acontecendo com todos aqueles que gastaram em pecado os dias mais preciosos de sua mocidade, chegando a uma terrível situação de cegueira e insensibilidade. E vocês crianças, que não se converteram ainda, não sabem que estão indo para o inferno onde sofrerão a horrenda ira daquele Deus que agora está encolerizado contra vocês dia e noite? Será que vocês ficarão felizes em ser filhos do diabo, quando tantas outras já se converteram e se tornaram filhos santos e alegres do Rei dos reis?

Queira Deus todos aqueles que ainda estão fora de Cristo, pendentes sobre o abismo do inferno, quer sejam senhoras e senhores idosos, ou pessoas de meia idade, quer jovens ou crianças, que possam dar ouvidos agora aos chamados da Palavra e da providência de Deus. Este ano aceitável do Senhor que é um dia de grandes misericórdias para alguns, sem dúvida será um dia de extremo castigo para outros. Quando negligenciam suas almas os corações dos homens se endurece, e a sua culpa aumenta rapidamente. Podem estar certos, porém, que agora será como foi nos dias de João Batista. O machado está posto à raiz das árvores; e toda árvore que não produz fruto, deve ser cortada e lançada no fogo.

Portanto, todo aquele que está fora de Cristo, desperte e fuja da ira vindoura. A ira do Deus Todo-poderoso paira agora sobre todos os pecadores. Que cada um fuja de Sodoma: " Livra-te, salva a tua vida; não olhes para trás, nem pares em toda a campina; foge para o monte, para que não pereças ."

“E assim, conhecendo o temor do Senhor, persuadimos aos homens”. “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus”. (II Coríntios 5.11-20; 6.2). “Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar” . (Isaías 55.6-7). Amém.

23 de ago. de 2010

Herdeiros da Ira de Deus – Thomas Watson – (1620-1686)



a. Sob o poder de Satanás

A primeira desgraça é que, pela natureza, estamos "sob o poder de Satanás", que é chamado de "o príncipe da potestade do ar" (Ef 2.2). Antes da queda, o homem era um cidadão livre, agora é um escravo; antes, um rei em seu trono, agora, está em grilhões. A quem o homem está escravizado? Aquele que é seu inimigo. Isso tornava pior o cativeiro de Israel. "Sobre eles dominaram os que os odiavam" (SI 106.41). Pelo pecado somos escravizados a Satanás, inimigo da humanidade, que escreve todas as suas leis com sangue. Os pecadores, antes da conversão, estão sob as ordens de Satanás; como o asno está sob o comando do condutor, assim ele conduz todos que labutam pelo mal. Assim que Satanás tenta, eles obedecem. Como o navio está sob o comando do piloto, que o guia pelos caminhos que quiser, assim é o pecador sob o comando de Satanás: e este sempre conduz o navio para o inferno. O maligno dirige todos os poderes e todas as faculdades do pecador.

i.       Satanás dirige o entendimento. Ele cega os homens com ignorância e. depois, dirige-os. Como os filisteus arrancaram os olhos de Sansão e, assim, o amarraram, Satanás pode fazer o que quiser com um homem ignorante, uma vez que ele não enxerga o erro em seu caminho, o mal pode guiá-lo a qualquer pecado. Você pode guiar um cego para onde quiser, pois todo o pecado está fundamentado na ignorância.

ii.      Satanás dirige a vontade. Embora ele não possa obrigar, pode, pela tentação, atrair. "Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos" (Jo 8.44). Ele toma os corações, e estes, passam a lhe obedecer. "Queimaremos incenso à Rainha dos Céus" (Jr 44.17). Quando o mal instiga um pecador com a tentação, ele irá atropelar e quebrar todas as leis de Deus, de maneira a obedecer Satanás. Onde está, então, o livre-arbítrio, quando Satanás exerce tal poder sobre a vontade? "E quereis satisfazer-lhe os desejos." Não há uma só parte do corpo que não esteja a serviço do mal: a cabeça planeja o pecado, as mãos o executam, os pés correm para executar a tarefa do maligno. Cícero dizia: "A escravidão é odiosa para um espírito nobre". Satanás é o pior tirano. A crueldade de um canibal ou de Nero é nada para ele. Outros tiranos governaram sobre o corpo, ele governa sobre a consciência. Outros tiranos mostraram alguma misericórdia para com seus escravos: ainda que trabalhassem nas galés, eles lhes davam carne, davam-lhes horas de descanso. Satanás é um tirano impiedoso: não dá descanso. Quanto pesar Judas suportou. O diabo não lhe deu nenhum descanso até que traísse Cristo e, depois, encharcasse as mãos em seu próprio sangue.

APLICAÇÕES

Primeira aplicação: veja nossa desgraça causada pelo pecado original, escravizados a Satanás. Efésios 2.2 diz que Satanás atua absolutamente nos filhos da desobediência. Que triste praga é para um pecador estar a serviço do mal. Exatamente como um escravo, se os senhores mandam que cave nas minas, quebre pedras nas pedreiras ou puxe os remos, ele tem de obedecer, não ousa recusar. Se o diabo manda que um homem minta ou roube, ele não se recusa e, o que é pior, voluntariamente obedece a esse tirano. Outros escravos são forçados contra sua vontade: "os filhos de Israel gemiam sob a servidão" (Êx 2.23). Os pecadores, porém, estão dispostos a serem escravos, não escolhem a liberdade, mas beijam seus grilhões.

Segunda aplicação: trabalhemos para sair dessa condição deplorável na qual o pecado nos afunda, saindo debaixo do poder de Satanás. Se qualquer um de seus filhos fosse feito escravo, você daria grandes somas de dinheiro para resgatar sua liberdade. Quando, então, suas almas estão escravizadas, não devemos lutar para libertá-las? Promova o evangelho. O evangelho proclama alegria para os cativos. O pecado prende os homens, porém o evangelho os liberta. A pregação de Paulo era "para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus" (At 26.18). A estrela do evangelho guia a Cristo e, se tiverem Cristo, então serão livres, embora não da existência do pecado, mas da tirania de Satanás. "Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" (Jo 8.36). Vocês desejam ser reis para reinarem no céu e vão deixar que Satanás reine em vocês? Não pensem em ser reis quando morrerem e escravos enquanto viverem. A coroa de glória é dos vencedores, não dos cativos. Então, saia da jurisdição de Satanás, deixe que seus grilhões de pecado sejam eliminados pelo arrependimento.

b. Herdeiros da ira de Deus

"Éramos por natureza filhos da ira." A explanação que Tertuliano faz dessa passagem está errada, pois ele entende a expressão "filhos da ira" de maneira subjetiva, ou seja, sujeitos à ira e à cólera, transgressores freqüentes na irascível faculdade de um espírito irado. Por "filhos da ira", o apóstolo, passivamente, quer dizer herdeiros da ira, expostos à cólera de Deus. O Senhor, no passado, foi um amigo, porém, o pecado quebrou os laços de amizade. Agora, o sorriso de Deus se transformou numa carranca. Julgados no tribunal, fomos feitos filhos da ira. "Quem conhece o poder da tua ira?" (SI 90.11). "Como o bramido do leão, assim é a indignação do rei" (Pv 19.12). Como o coração de Hamã não deve ter tremido, quando o rei, enfurecido, levantou-se durante o banquete (Et 7.7).

A ira de Deus, todavia, é infinita, outras iras são somente fagulhas: em Deus, a ira não é passional, como em nós; é, antes, uma ação da santa vontade de Deus, pela qual ele execra o pecado e decreta a sua punição. Essa ira é muito triste e é ela que acirra a aflição desta vida, como quando vem a doença, atendendo à cólera de Deus, e a consciência entra em agonia. A mistura do fogo com a saraiva deixa a situação mais terrível (Ex 9.24). Portanto, a mistura da ira de Deus com a aflição produz algo torturante: é um cravo a mais no jugo. A ira de Deus, mesmo só ameaçadora (como o aguaceiro suspenso nas nuvens) fazia as orelhas de Eli tinirem; o que dizer, então, de quando a ira é efetuada? É terrível quando o rei avalia e censura um traidor, mas, é muito mais terrível quando ele o manda para o cavalete ou para ser moído na roda. "Quem conhece o poder da ira de Deus?"

Enquanto formos filhos da ira não podemos fazer nada com as promessas, elas são como a árvore da vida, produzindo muitos tipos de fruto, mas da qual não temos o direito de tirar nem uma só folha. "Filhos da ira" (Ef 2.3), "estranhos às alianças da promessa" (Ef 2.12). As promessas são como uma fonte selada. Enquanto estivermos no estado natural, não vemos nada a não ser a espada flamejante, como diz o apóstolo: "Pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador" (Hb 10.27). Enquanto formos filhos da ira, estamos todos "debaixo da maldição" (Gl 3.10). Como o pecador pode comer e beber estando em tal condição? É como Dâmocles, no banquete, que ao sentar para a refeição principal tinha uma espada sobre sua cabeça, pendurada somente por um fio, por isso não podia comer. Assim é a espada da ira e da maldição de Deus, suspensa a todo o tempo sobre o pecador. Lemos sobre um rolo voador, cheio de maldições (Zc 5.3). Um rolo com maldições vai contra cada pessoa que vive e morre em pecado. A maldição de Deus arruina tudo por onde passa. Há uma maldição sobre o nome do pecador, uma maldição sobre sua alma, uma maldição sobre seu estado e sobre sua posteridade, uma maldição sobre a lei. É muito triste se tudo o que o homem comer se transformar em veneno; assim, o pecador come e bebe a própria condenação à mesa de Deus. É assim antes da conversão. Como o amor de Deus transforma qualquer coisa amarga em doce, do mesmo modo a maldição de Deus transforma tudo o que for doce em amargo.

Observe nossa desgraça por causa da queda. "Herdeiros da ira." E esse um estado em que devemos descansar? Se um homem ficar sob a ira do rei não irá se esforçar para se reintegrar a seu favor? Fujamos da ira de Deus. E para onde podemos fugir, senão para Jesus Cristo? Não existe nada mais que nos proteja da ira de Deus. "Jesus, que nos livra da ira vindoura" (lTs 1.10).

Fonte: [Josemar Bessa]

17 de ago. de 2010

Qual é sua reação a cruz? – Lloyd-Jones


Você ouve o clamor do Filho em agonia: "Deus meu! Deus meu! Por que me desamparaste?" (Mateus 27.46). Literalmente, Jesus morreu com o coração quebrantado. João nos relata que quando os soldados perfuraram o seu lado com uma lança "logo saiu sangue e água" (João 19.34). O coração de Jesus havia se rompido e o sangue havia se coagulado, e havia soro e coágulo sanguíneo, porque o coração, literalmente, se rompeu com a agonia da ira de Deus sobre ele, e pela separação da face de seu Pai. Este é o amor de Deus. Meu amigo, este é o amor de Deus por você, um pecador. Ele não olha passivamente e diz: "Eu o perdôo apesar do que fez ao meu Filho". Não! Ele mesmo castigou o Filho. Ele fez ao Filho o que eu e você jamais poderíamos ter feito. Deus derramou sua ira eterna sobre Jesus, e escondeu sua face dele, seu Unigénito e Amado. E Deus assim agiu para que nós não recebêssemos a punição e fôssemos para o inferno, passando lá toda a eternidade em miséria, tormento e infelicidade. Tal é o amor de Deus, e esta é a maravilha e a glória da cruz. Deus punindo o seu próprio Filho para que não precisasse punir a você e a mim.

Isto também foi feito a fim de que a mensagem da cruz pudesse ser pregada desta forma: "Crê no Senhor Jesus, e serás salvo..." (Atos 16.31). Creia que Jesus morreu a sua morte, suportou a sua punição, sofreu em seu lugar, que a punição que lhe traz a paz estava sobre ele. Creia e, imediatamente, será perdoado. Esta é a glória da cruz. A sabedoria de Deus legando o caminho, o amor divino executando o plano, apesar do que isso significava para ele, e seu Filho, voluntária e prontamente, submetendo-se a este plano, a fim de que você e eu pudéssemos ser perdoados, tornando-nos filhos de Deus. Oh:

Ao contemplar a maravilhosa cruz Na qual o Príncipe da glória morreu, - levado à morte por seu próprio Pai -Meu mais rico ganho eu reputo por perda, E desprezo por todo o orgulho meu.

- e por toda a minha autojustiça. "Ao contemplar a maravilhosa cruz" é que vejo estas coisas: O Deus eterno, em toda a glória de seu coração de Pai, entregando o seu próprio Filho para morrer em meu lugar.

Na verdade, vejo lá na cruz a harmonia de todos os atributos divinos. Vejo santidade e amor, contemplo "misericórdia e verdade se unindo. Justiça e paz fundindo-se". Vejo todos os eternos atributos do Deus eterno, todos eles mostrados ao mesmo tempo. Não há contradição entre a retidão, a justiça, o amor, a misericórdia e a compaixão. Todos lá estão, na plenitude da Divindade. Só há uma coisa a dizer quando contemplo coisas assim: "Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo". E lá na cruz que eu vejo a Deus como ele é, e como o meu Pai. Vejo o seu glorioso caráter justificado em todos os mínimos detalhes. Portanto, eu confio a ele a minha alma, descanso na palavra do Deus eterno e imutável.

Esta é a sua reação com respeito à cruz, meu amigo? Já viu estas coisas na cruz - o Filho, com o Pai e o Espírito Santo sustentando o Filho? Jesus se ofereceu por meio do Espírito eterno ao Pai em nosso favor. E a sua reação a isto que decide se você é um cristão ou não. Não me venha falar de suas boas obras, pois não me importa. Não venha me dizer que é membro de igreja, pois não estou nem um pouco interessado. Você está se gloriando na cruz? Ela é tudo para você? É a sua vida? Você está pronto a morrer em vez de negar esta mensagem gloriosa? Isto é ser um cristão e, se não nos gloriarmos na cruz, não a vimos, nem a compreendemos. E, se não a temos visto, na verdade não cremos nela. E, se não cremos na cruz, ainda estamos em nossos pecados e deveríamos ter igual morte. Iremos a julgamento e seremos condenados ao inferno. O seu destino eterno depende apenas disso. Você já compreendeu que Deus providenciou na cruz o único caminho pelo qual você pode ser perdoado e se tornar um filho de Deus, herdando as glórias da eternidade? Possa Deus ter misericórdia de todos nós e, pelo seu Espírito, abrir nossos olhos para vermos a glória da cruz.

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