24 de dez. de 2013

Natal e Calvinismo



Por Jonathan Master


O que poderia ser mais evangelical e abrangente que o Natal? É uma época quando todos aqueles que celebram o Natal concordam sobre o significado da festividade, e mesmo muitos não cristãos fingem acreditar – ou pelo menos afirmar que algo bom aconteceu na noite em que Cristo nasceu. O Natal dificilmente parece ser a época apropriada para discutir as doutrinas da graça. Afinal de contas, somos levados a crer que o Natal é gloriosamente abrangente e o Calvinismo é desafortunadamente restrito.

Então por que inserir tais severas doutrinas na abrangente e bela alegria que compartilhamos no Natal? Bem, em primeiro lugar, essas doutrinas não são severas de forma alguma, ou restritas. Elas são atraentes e gloriosas, e o entendimento delas leva imediatamente ao tipo de alegria abundante que associamos ao Natal.

Mas há mais do que isso. A razão pela qual devemos associar o Natal e o Calvinismo é que o próprio Jesus o faz. Em João 6, Jesus dá uma razão muito clara para a encarnação. E a encarnação é o que celebramos quando celebramos o Natal corretamente. Ele diz isso: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou” (João 6.38). Essa afirmação abrangente de Jesus toma uma forma mais definida nos versos que se seguem: “E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia. De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (6.39-40). Mais à frente nessa mesma discussão, Jesus fala mais sobre a vontade do Pai, a qual ele veio à terra para cumprir: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer;” (6.44). E, novamente, “O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita” (6.63). Por fim, ao responder algumas questões dos discípulos sobre aqueles que não creem, Jesus diz “Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido” (6.65).

Como a razão apontada por Jesus para a encarnação é fazer a vontade do Pai, vale a pena olhar para esses ensinamentos de uma forma sistemática. Primeiro, aprendemos que ninguém pode vir a Jesus, a não ser que o Pai o atraia ou lhe permita isso (João 6.44, 65). Isso é assim porque somente o Espírito Santo vivifica, e o homem em seu estado natural não é capaz de encontrar vida; na carne, seres humanos não possuem qualquer coisa aproveitável para alcançar a salvação (João 6.63). Aprendemos que o Filho veio para salvar aqueles que foram entregues a ele (João 6.39). Nos é dito que aqueles que foram atraídos, entregues e trazidos à vida pelo Pai de fato vêm: ninguém pode resistir à Sua graça transformadora (João 6.37). E então, talvez o mais notável, aprendemos que Cristo garante que todos os que vêm a ele em fé, aqueles que lhe foram dados pelo Pai e transformados pelo Espírito, certamente serão ressuscitados no último dia (João 6.40).

Em outras palavras, quando Jesus reflete sobre sua vinda à terra, ele explica nos termos da vontade do Pai na salvação, uma vontade que é demonstrada em no contexto da depravação total do homem, a eleição incondicional de Deus, a obra definitiva de Cristo na salvação, a graça irresistível de Deus em atrair e entregar os homens a Cristo, e a promessa gloriosa de que Cristo um dia irá ressuscitar aqueles que olham para ele em fé genuína. É disso que falamos quando falamos sobre Calvinismo. E, como vimos, também é o que Jesus ensina quando fala sobre o Natal.

***
Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui

Via: [Bereianos]

Natal atrás das grades

Em dezembro de 2011, sete cristãos foram presos pela polícia por organizarem uma celebração de Natal no vilarejo onde viviam. De acordo com o líder da cidade, o evento foi considerado "contrário aos costumes locais". Para a sua libertação, as autoridades demandaram o pagamento de uma fiança
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"Na noite em que fomos presos, a polícia jogou uma grande pedra sobre o telhado da casa onde nós estávamos reunidos", relatou o fazendeiro Akamu. "Os guardas nos ameaçaram dizendo que tínhamos de pagar um alto valor em dinheiro e entregar uma vaca. Eles ainda disseram que seríamos expulsos do vilarejo".

"Eles nos algemaram e acorrentaram nossos pés", afirmou Inoke, a única mulher do grupo. "Nós fomos obrigados a ficar todos juntos em uma pequena sala durante vinte dias. Era como um galinheiro, com cerca de 3 metros quadrados."

"A polícia queria que eu reconhecesse que aquilo que os outros fizeram era errado", disse Keoki, um criador de cabras e o mais velho do grupo. "Eu disse a eles que nós não fizemos nada de errado. Eles me ameaçaram de morte, mas eu apenas os ignorei".

"As pessoas que fizeram isso comigo achavam que eles estavam me enfraquecendo”, acrescentou ele, “mas, na Bíblia, Deus protegeu Pedro quando ele estava na prisão. Por isso, não me preocupei. Eu estava feliz por poder compartilhar o sofrimento de Jesus Cristo".

Kanoa, um ex-assaltante, de 37 anos de idade, relatou que sempre soube que os servos de Deus enfrentariam muitos problemas na vida. "Às vezes é difícil servir ao Senhor. Mas, quando tribulações acontecem comigo, eu dou glórias a Deus".

"Eu não posso abandonar Jesus"
Para esses cristãos, a perseguição não é algo novo. "Sofrimento é parte do seguir a Cristo", afirmou Keoki. "Jesus foi condenado, apesar de não ter feito nada de errado para o governo".

"Quando eu me tornei cristão, a polícia e o chefe do vilarejo vieram à minha casa e tomaram meu telefone celular", relembra Inoke. "Eles também expulsaram minha família da cidade".

"Nós decidimos nos mudar para outra cidade, mas lá sofremos pressão novamente", continuou Inoke. "Porém, pela graça de Deus, ao invés de abandonar a fé, tornei-me mais interessada em Jesus. Quanto mais perseguida eu era, mais eu tinha vontade de servir ao Senhor". 

"Uma vez, um amigo ofereceu-me uma posição no governo", acrescentou Kanoa. "Ele disse que gostaria de me contratar porque eu era esperto, mas eu teria de abandonar a minha fé".

"Muitas pessoas que vem até a minha oficina mecânica tentam me convencer a retornar para o budismo, a fim de não ter de enfrentar mais perseguições na vida", afirmou Kanoa. "Mas eu respondo que eu encontrei a verdade em Jesus. A verdade está na Bíblia; tudo nela é verdadeiro. Jesus Cristo é a verdade, pois ele me modificou. Eu não posso abandoná-lo agora".

Lições do cativeiro
Bane, um pastor de 46 anos, compartilhou que durante a maior parte da sua detenção ele ficou relembrando versículos bíblicos. "Eu só pensava na Palavra de Deus", disse. "Eu pensava em Eclesiastes 3.1,2, que diz que há um tempo determinado para tudo debaixo do céu. Eu percebi que a prisão não poderia me impedir de louvar ao Senhor".

Inoke e Akamu foram ensinados por Deus a permanecer firmes em sua fé. "Eu aprendi a não ter medo de falar", afirmou Inoke. "Antes, eu tinha medo do que eu iria dizer às autoridades."

"O Senhor me ensinou a permanecer com a verdade, não importa o que aconteça", disse Akamu. "Eu me tornei mais corajoso em defender Jesus. Há sim perseguições em nosso distrito, mas os cristãos podem suportá-las se eles se ajudarem mutuamente".

Mele, um fazendeiro de 58 anos, também relembrou os sentimentos de solidão e medo iniciais, mas o valor da comunhão foi revelado para ele dentro das paredes do "galinheiro". "Quando eu fui preso, senti-me muito triste no primeiro momento", afirmou ele. "Eu estava acostumado a pensar que o sofrimento era uma punição do Senhor. Mas, ao ver os outros prisioneiros junto comigo, senti-me encorajado. Eu li a Palavra de Deus e encontrei forças. Eu aprendi que posso ser luz para os outros, onde quer que eu esteja, seja no vilarejo ou na prisão".

Makan, um ex monge budista, lembrou-se de uma passagem que leu no livro de Tiago. "A Bíblia diz que devo alegrar-me ao passar por aflições em nome do Senhor", afirmou. "Mesmo na prisão, Deus está presente".

Fé inabalável
Ao invés de abalar sua fé, o aprisionamento dos cristãos reforçou o seu entusiasmo em seguir a Cristo. "Minha experiência na prisão serviu como testemunho para os outros", compartilhou Inoke. "O chefe do vilarejo disse que estava impressionado em ver como nós sete cuidamos uns dos outros mesmo diante daquela situação. Aquilo me encorajou a permanecer na fé apesar do que estava acontecendo".

"Muitas pessoas me perguntaram como eu não tinha abandonado a fé ainda", acrescentou Makan. "Meu encarceramento abriu portas para que eu pudesse falar da minha fé para outras pessoas".

"Eu ainda o sigo porque ele vale a pena", disse Akamu. "Jesus Cristo é a verdade e eu continuarei a contar para as pessoas sobre ele. Além disso, o que temeremos, agora que temos a certeza do céu?"

Pedidos de oração• Louve ao Senhor por ele ter mantido Akamu, Inoke, Keoki, Makan, Bane, Kanoa e Mele debaixo de suas asas durante o período na prisão. Agradeça ao Senhor pela decisão que eles tomaram em permanecer fiéis a Jesus, apesar da pressão de seus amigos e familiares e renda graças a ele pela sua libertação. 
• Ore para que a Igreja Perseguida no Laos não perca as esperanças. Peça ao Senhor para confortá-los e fortalecê-los em sua dificuldade.
*Todos os nomes foram modificados por motivo de segurança dos cristãos.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoCecília Padilha

14 de ago. de 2013

A Glória de Deus no Julgamento – R. C. Sproul

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Nos assustamos quando lemos sobre os julgamentos de Deus na Escritura. Pensamos, “pobre Uzá, ele só tentou ajudar, a fim de que a arca não caísse”. Mas será que entendemos a glória de Deus em seu julgamento? É sobre isso que R. C. Sproul fala neste vídeo.

Transcrição

Sabe, eu odeio a doutrina do inferno de muitas maneiras. Eu não consigo suportar o pensamento de ninguém estando no inferno, nem mesmo Hitler. Porque eu sou muito “hitleresco”. Pecadores monstruosos com quem eu consigo me identificar. O Santo de Israel é o estrangeiro. Foi por isso que nosso tempo foi abreviado, quando Deus imergiu o mundo num dilúvio, instituiu o banimento em Jericó, engoliu Corá e seus co-rebeldes, fulminou Uzá quando ele toca a Arca da Aliança, consomiu os filhos de Arão por brincarem com a adoração, e imediatamente deixa seu julgamento cair sobre Ananias e Safira. E nós olhamos para essas pessoas que são como nós e dizemos: “Pobre Ananias! Pobre Safira! Pobre Uzá! Pobres Nadabe e Abiú!” Porque se a Santidade de Deus é comprometida, se ela é profanada, isso não mexe conosco. Mas Deus disse através de Moisés para Arão: “Você se lembra do que o Senhor disse? Eu serei considerado Santo por qualquer um que se aproxima de mim, e eu serei honrado entre toda a congregação.” E se isso significa que meus amigos e minha família devem ser sacrificados pela justiça de Deus, pela manifestação de sua santidade, pela glória de sua justiça, embora eu não possa suportar pensar nisso agora, esta Palavra me diz que virá o dia em que eu estarei tão preocupado com a glória de Deus e a glória de Jesus, que serei capaz de me alegrar em seu julgamento. Ainda não chegamos lá, amigos. Mas este é o nosso destino.


Por R. C. Sproul. Extraído do site ligonier.org. © Ligonier Ministries. Original: R.C. Sproul on God’s Glory in Judgment [VIDEO CLIP]
Tradução: Alan Cristie. Revisão: Vinícius Musselman Pimentel – Ministério Fiel © Todos os direitos reservados. Website: www.MinisterioFiel.com.br / www.VoltemosAoEvangelho.com. Original: A Glória de Deus no Julgamento – R. C. Sproul
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.


Via: [Voltemos ao Evangelho]

Antes e Depois da Queda – Jonas Madureira (CFL)

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Neste vídeo, Jonas Madureira nos dá uma breve explicação sobre o que é a queda e nos mostra qual a diferença entre o antes e o depois da queda.
Vídeo gravado no Curso Fiel de Liderança – Teologia Sistemática. Tema: Queda. Gravado em 22/06/2013 © 2013 Ministério Fiel. Website: www.ministeriofiel.com.br. Original: Antes e Depois da Queda – Jonas Madureira (CFL)
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Revista_Teo_SisEm Abril, publicamos no site da Fiel os sete artigos da Revista Fé para Hoje do mês de Março. Leia os artigos gratuitamente:
Se você quiser, você pode possuir uma cópia física da revista e apoiar financeiramente o ministério. Você pode também  fazer uma assinatura anual oubienal.

Via: [Voltemos ao Evangelho]

23 de jul. de 2013

Conflito do Peregrino Com a Preguiça – John Piper

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“O poema que estou prestes a ler é chamado ‘O Conflito do Peregrino com a Preguiça’. Ele reúne três coisas que estou encarando e amando. Uma é a poesia, outra é o trabalho e outra é essa transição na minha vida que algumas pessoas chamaram de ‘aposentadoria’, já que estou me afastando de Bethlehem. Então me propus a questionar como me senti sobre parar. Eu estou parando? Continuarei a trabalhar? Qual é a visão correta de trabalho? Por que amo tanto poesia? E tudo isso resultou em um poema no qual encontro a Preguiça, como um inimigo na estrada. E a maneira como se desenrola é que eu luto, é assim que minha mente funciona, eu luto, conforme tento escrever esse poema, com ‘Quem sou eu?’, ‘Sou um workaholic, como algumas pessoas disseram? Não sou?’, ‘Qual é a teologia correta do trabalho e a teologia do descanso?’ e ‘O que significa vir a um cruzamento como esse em sua vida?’, e se você se questiona a respeito de trabalho, se você ama poesia, se você já passou por transições na sua vida e sentiu como se tivesse encontrado inimigos no caminho, talvez seja útil para você. Aqui está ‘O Conflito do Peregrino com a Preguiça’.” [John Piper]

Por John Piper © 2013 Desiring God Foundation. Website em português: www.satisfacaoemdeus.org. Original: Conflito do Peregrino com a Preguiça
TraduçãoTiago Basile.
Via: [Voltemos ao Evangelho]

18 de jul. de 2013

Debate Calvinismo vs Arminianismo, no programa Vejam Só: a pergunta sem resposta!



No último dia 16/07/2013 (terça-feira), o programa Vejam Só promoveu um debate sobre Calvinismo vs Arminianismo, tento como premissa o tema "O homem natural é totalmente depravado, ou restou algo da 'Imago Dei'?"

Os debatedores foram, representando o Calvinismo: Rev. Davi Charles Gomes, Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pastor da Igreja Presbiteriana Paulistana em SP; representando o Arminianismo: Bispo José Ildo, Presidente Nacional da Igreja Metodista Livre.

Destacamos uma pergunta importante, feita pelo Rev. Davi ao final do debate (45 min.), que deixou o debatedor arminiano sem respostas:

"Se a graça preveniente ou uma graça irresistível é uma precondição para que qualquer ser humano receba o evangelho, e se o problema que dificulta e que motiva a necessidade de preservar o espaço de autonomia para uma decisão humana é a vontade de proteger Deus de ser injusto, ou de ser acusado de ser injusto ou de não ser amoroso.
E um Deus que pega e deixa uma pessoa incapaz de fazer a escolha certa, escolher para si mesmo aquilo que é pior de tudo, é menos injusto?
Se eu permitir que alguém faça a escolha de suicidar-se, e não tentar impedir, se preciso for até restringindo essa pessoa, tirando dela a liberdade, amarrando-a, eu vou estar sendo injusto também. Resolve o problema, ou da justiça, ou do amor de Deus? Seria amoroso um Deus que deixa um ser humano incapaz de tomar uma decisão dessas e escolher o inferno, escolher resistir a graça?"

Logo após, o Rev. Davi responde a pergunta feita em sua tréplica.

A produção do programa ainda não disponibilizou o vídeo do debate, assim que estiver disponível, vamos postá-lo para todos assistirem. Por enquanto, você pode ouvir o debate completo através do áudio abaixo, gravado por um dos debatedores:

Fonte do áudio: Bispo Ildo
Divulgação: Bereianos 

Fonte: [Bereianos]
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16 de jul. de 2013

Deus tem um livro de oração. Você o usa?

por Josh Blount
Postado por Josie Lima em 16 de julho de 2013 em Textos, Traduções
Josh Blount
Josh Blount
Orar é difícil. Não por causa de alguma coisa em Deus – como o puritano Matthew Henry observou, Deus está mais ansioso em ouvir nossas orações do que nós em fazê-las. Não, orar é difícil por nossa causa. A carne pecadora e a fraqueza humana batalham contra nossa capacidade de perseverar na oração. Os editores sabem disso. Procure por “oração” na Amazon.com e você vai encontrar livros suficientes para construir uma pequena mansão inteira com pilhas de livros de bolso no estilo “7 Passos para…”. Muitos deles são livros úteis (embora alguns deles não o sejam!). Mas não seria bom ter o livro definitivo sobre oração, um que incluísse tanto formas de orar quanto as palavras a orar, um que poderia ser usado em qualquer época da vida?
Na verdade, isso soa como os Salmos.
Os Salmos são o livro de oração e louvor da Bíblia. Quando lemos um salmo, estamos escutando uma conversa inspirada entre Deus e o seu povo. A conversa ocorre por vezes em momentos de puro deleite e outras vezes em temporadas de desespero esmagador. Às vezes é uma conversa privada: “Tem misericórdia de mim, SENHOR, porque sou fraco!” (Salmo 6.2). Em outros momentos, ouvimos as vozes de uma multidão feliz de adoradores: “Vinde, cantemos ao SENHOR; jubilemos a rocha da nossa salvação” (Salmo 95.1). Em certo sentido, os Salmos são a resposta mais abrangente de Deus para o pedido “Ensina-nos a orar”.
Até pouco tempo atrás eu não usava salmos regularmente na minha vida de oração. Nos últimos meses tenho incorporado os salmos ao meu dia a dia, e tem sido uma grande bênção para mim. Vou descrever a minha prática atual e algumas coisas que aprendi, mas com esta ressalva em primeiro lugar: eu não sou você! Eu fui vítima muitas vezes de seguir servilmente a mais recente sugestão devocional que li em algum blog como se alguém tivesse o melhor produto no mercado da oração. Não faça isso. As probabilidades são que, em poucos meses, a prática que descrevo agora terá mudado de alguma forma. Portanto, escolha o que pode ser útil, adapte para sua própria situação e descarte o resto. Bom, com isso fora do caminho, aqui está o que eu estou fazendo.
Há dois momentos no meu dia onde oro por meio de um salmo. O primeiro é após a minha leitura regular da Bíblia. Eu uso um plano de leitura da Bíblia e queria cumpri-lo, então eu adicionei a leitura de 10 a 12 versículos dos Salmos por vez. Às vezes eu leio mais, às vezes eu leio menos. Mas uma porção de um salmo é sempre parte da minha manhã. O outro momento é depois que termino cada dia de trabalho. Eu memorizei alguns dos salmos mais curtos e os oro ao Senhor enquanto volto dirigindo para casa. Enquanto tenho feito isso, aprendi algumas coisas que podem ser úteis, aqui vão elas.
  • Escolha salmos que refletem sua situação. A variedade de experiências de vida refletida em Salmos é incrível. Tire proveito disso. Se seu coração está alegre, ore um salmo que reflita sua alegria. Se você está lutando, dê voz a sua batalha com as palavras de um dos lamentos de Davi, como o Salmo 6 ou o Salmo 42. Os Salmos não falam em um tom monótono, uma única voz para todos. Nem nossas orações deveriam.
  • Personalize-os enquanto você ora a Deus. Você sabia que é bom reescrever as Escrituras? Não, eu não estou falando sobre sincronizar o Apocalipse com o calendário maia. Estou falando da aplicação personalizada. Isto é o que a Bíblia nos convida a fazer. Quando Davi ora “Bem-aventurados os retos em seus caminhos, que andam na lei do SENHOR” (Sl 119.1), podemos orar: “Senhor, ajuda-me a andar irrepreensivelmente hoje quando sou tentado. Dá-me a bem-aventurança dos que guardam os teus mandamentos”. O primeiro verso do Salmo 46: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” pode se tornar “Deus, tu és o meu refúgio, neste problema. Tu és minha força neste momento”. É assim que os Salmos são combustível para nossa vida de fé. Eles foram feitos para habitar onde você habita. Personalize-os.
  • Considere memorizar alguns salmos especiais. Você pode memorizar um capítulo inteiro da Bíblia. Comece com o Salmo 117, são apenas três versos! Há uma série de salmos que contém menos de dez versos. Escolha um que seja significativo para você e memorize-o. Escreva-o repetidamente. Coloque-o em um cartão e leve-o no bolso durante o dia. O trabalho de memorização exige que você medite nas Escrituras, e é apenas um passo de daí para uma conversa com Deus sobre isso.
Orar é difícil, mas os Salmos são uma das provisões de Deus para fortalecer nossa vida de oração. Vamos aprender a usar o livro de orações de Deus!
Traduzido por Josie Lima | iPródigo.com | Original aqui
Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.
Fonte: [iPródigo]

8 de jul. de 2013

Poligamia e Casamento Gay

Recentemente minha atenção foi despertada para este assunto por um ativista gay que veio aqui no blog Tempora-Mores questionar minha afirmação de que o padrão bíblico é o casamento heterossexual e monogâmico. “Como assim?” questionou o sábio e entendido ativista (que se declarou ex-evangélico), “no Antigo Testamento temos a poligamia como modelo de casamento usado por homens como Abraão, Davi e Salomão, e o silêncio cúmplice de Deus sobre suas mulheres e concubinas”. E soltou sua conclusão, que da mesma forma que Deus no passado alterou o padrão de casamento, da monogamia para a poligamia, podia também em nossos dias alterar o casamento heterossexual para homoafetivo. Então, tá.

Como eu não havia antecipado este argumento no post sobre teologia gay, achei que deveria dar alguma atenção ao mesmo e escrever algo sobre poligamia. Aos fatos, então.
Encontramos no Antigo Testamento diversos exemplos de poligamia. Os mais conhecidos são estes: 
  • Lameque – duas esposas: Ada e Zilá (Gn 4.19).
  • Patriarca Abraão – três esposas: Sara, Agar, Quetura e várias concubinas (Gn 16.1-3; 25.1-6).
  • Esaú – três esposas: Judite, Basemate e Maalate (Gn 26.34-35 e 28.9).
  • Patriarca Jacó – duas esposas: Raquel e Lia, e duas concubinas: Bila e Zilpa (Gn 29.21-35).
  • Elcana – duas esposas: Ana e Penina (1Sm 1.1-2).
  • Juiz Gideão – muitas esposas e concubinas (Jz 8.30).
  • Rei Davi – oito esposas: Mical, Abigail, Ainoã, Maaca, Hagite, Abital, Eglá, Bate-seba e mais outras mulheres e concubinas (1Sm 25.40-43; 2Sm 3.2-5; 5.13; 2Cr 14.3).
  • Rei Salomão – a filha de Faraó, setecentas outras esposas e trezentas concubinas (1Rs 3.1; 11.1-3).
  • Rei Acabe – uma esposa: Jezabel e outras mulheres e concubinas (1Rs 16.31; 20.2-5).
  • Rei Abias – catorze mulheres (2Cr 13:21).
  • Rei Roboão – duas esposas: Maalate, Maaca, mais dezoito outras mulheres e sessenta concubinas (2Cr 11.21). 
  • Rei Joás – duas mulheres (2Cr 24.1-3).
  • Rei Joaquim – muitas mulheres (2Cr 24.15).
Estes fatos levantam várias perguntas, sendo a mais importante esta: Deus sancionou e aprovou estes casamentos poligâmicos? Se não, por que não há uma proibição clara da parte dele? Seu silêncio significa que o modelo de casamento pode variar com a cultura – monogâmico, heterossexual, poligâmico, homossexual – e que isto pouco importa para Deus? Em resposta ofereço os seguintes pontos como resultado do meu entendimento destes textos acima e de outros referentes à poligamia no Antigo e Novo Testamento.

1. Sem dúvida alguma, o padrão divino para o casamento sempre foi a monogamia heterossexual, isto é, um homem e uma mulher: “Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea... Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando- se os dois uma só carne” (Gn 2.18-25).

2. O desvio deste padrão ocorreu somente depois da queda de Adão e Eva (Gn 3), começando com Lameque, o assassino vingativo, filho de Caim (Gn 4). Depois dele, a poligamia foi praticada por diversos motivos. Entre os exemplos de poligamia no Antigo Testamento, encontramos alguns que eram políticos, ou seja, para selar tratados internacionais, como Salomão que se casou com a filha de Faraó (1Rs 3.1) e Acabe que casou com Jezabel, filha do rei dos sidônios (1Rs 16.31), além das mulheres que já tinham. Há outros casos em que o desejo de ter filhos e preservar a descendência parece ter motivado a aquisição de mais uma esposa ou concubina, no caso da esterilidade da primeira esposa, como foi o caso de Sarai ter trazido sua serva egípcia Agar para Abraão (Gn 16.1-4), costume praticado no Antigo Oriente. Provavelmente foi o mesmo caso de Elcana, casado com Ana (estéril) e depois com Penina (1Sm 1.1-2). Havia também o desejo de ter muitos filhos em caso de guerra (cf. Jz 8.30; 2Sm 3.2-5; 1Cr 7.4, 11.23, etc.). Nenhum destes casos, porém, justifica a poligamia, pois se trata de um desvio do padrão monogâmico. 

3. Apesar do surgimento da poligamia cedo na história de Israel, a monogamia continuou a regra entre os israelitas e a poligamia, a exceção. Abraão mandou seu servo conseguir uma esposa para seu filho Isaque (Gn 24.37). Na genealogia dos descendentes de Judá, de entre dezenas de nomes, apenas um é citado como tendo tido duas mulheres, Asur (1Cr 4.5). No livro de Provérbios encontramos o encorajamento ao casamento monogâmico (Pv. 5.15-20; 12.4; 19.14). A ode feita à mulher virtuosa em Provérbios 31 pressupõe que ela é a única esposa do marido felizardo. Mesmo que Cantares tenha sido escrito por um polígamo, que foi Salomão, transparece claramente dele que o casamento é entre um homem e uma mulher, figura da relação de Deus com seu povo Israel. A poligamia, por razões econômicas, acontecia quase que exclusivamente entre os ricos, como os juízes e reis.

4. Os profetas tomam o casamento monogâmico para ilustrar a relação entre Deus e seu povo Israel (Jr 2.1-2; Os 3.1-5; Is 54.1-8; Jr 3.20). O profeta Malaquias denuncia a prática que havia em seus dias dos judeus se separarem de sua esposa para casarem com estrangeiras, mostrando assim que a poligamia não era o padrão estabelecido e muito menos o padrão comum e normal em Israel (Ml 2.13-16).

5. A lei de Moisés trazia diversas restrições e cuidados quanto à poligamia em Israel. A mulher israelita que fosse comprada para ser a segunda esposa teria os mesmos direitos que a primeira e seus filhos seriam igualmente herdeiros (Ex 21.7-11). O filho primogênito, ainda que da esposa aborrecida, teria o direito de herança acima do filho da esposa amada (Dt 21.15-17). Um homem casado não poderia casar com a irmã da sua esposa, o que provocaria a rivalidade entre ambas (Lv 18.18; cf. Gn 30.1). 

6. Vários destes exemplos de famílias poligâmicas registrados no Antigo Testamento são acompanhados dos problemas que o sistema inevitavelmente causava. Os judeus casados com mulheres pagãs eram levados a adorar os deuses delas e assim pecar contra Deus. Havia uma advertência na lei de Moisés aos futuros reis de Israel contra a poligamia neste sentido: “Tampouco para si multiplicará mulheres, para que o seu coração se não desvie” (Dt 17.17), conselho este que não foi seguido por Salomão, cujas muitas mulheres pagãs o levaram à idolatria em sua velhice (1Rs 11.1-8). Foi assim que Neemias interpretou o episódio de Salomão e suas muitas mulheres, quando proibiu os judeus depois do cativeiro de multiplicar esposas pagãs (Ne 13.25-27).

7. Além do risco da apostasia, a poligamia trazia profundos conflitos nas famílias poligâmicas. Havia ciúmes entre as mulheres, que disputavam entre si o amor do marido e competiam em número de filhos (Gn 16.4; 1Sm 1.5-8; Gn 30.1-26). Podemos ainda mencionar a angústia que as mulheres pagãs de Esaú trouxeram a seus pais (Gn 26.34-35). O marido acabava gostando mais de uma que da outra, favorecendo a amada e desprezando sua rival e seus filhos (Gn 29.30; 1Sm 1.5; 2Cr 11.21), o que levou a lei de Moisés, para amenizar esta situação, a estabelecer a lei dos filhos da aborrecida (Dt 21.15-17). Outro problema trazido pela poligamia dos reis de Israel era a briga entre os filhos das diversas mulheres quanto à sucessão, muito bem exemplificada na sucessão de Davi, veja 1Reis 1. 

8. No Novo Testamento na época de Jesus a monogamia era claramente o padrão entre os judeus. Quando alguns fariseus vieram experimentar Jesus com uma pergunta capciosa sobre o divórcio, o Senhor respondeu tendo o casamento monogâmico como pressuposto comum e aceito: “Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mt 19.3-19).

9. Nas igrejas cristãs entre os gentios, o padrão monogâmico estava já estabelecido, embora na sociedade grega a poligamia fosse conhecida e praticada. Escrevendo aos coríntios Paulo declara: “Quanto ao que me escrevestes, é bom que o homem não toque em mulher; mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido” (1Co 7.1-2). Aos Efésios, ele compara a relação entre o marido e a esposa à própria relação entre Cristo e sua Igreja: “Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja” (Ef 5.22-33).

10. Paulo claramente proíbe que os líderes das igrejas gentílicas fossem polígamos ou bígamos. Os bispos/presbíteros tinham de ser “esposos de uma só mulher” (1Tm 3.2; Tt 1.3-5) bem como os diáconos (1Tm 3.12).

Portanto, não há dúvida, em meu entender, que o padrão de Deus sempre foi o casamento monogâmico heterossexual, estabelecido na criação, e que a poligamia do Antigo Testamento foi um desvio deste padrão, em decorrência do pecado que entrou no mundo pela queda de Adão. Em Cristo, Deus restaura o casamento à sua forma original.

Contudo, pode parecer que Deus aprovou ou sancionou a poligamia, considerando que a lei de Moisés trazia regulamentações referentes a ela e que não há uma proibição direta de Deus contra a poligamia. Pode ser que nunca venhamos a entender completamente o silêncio de Deus neste assunto, mas uma coisa é certa: ele não significa que o assunto é indiferente para o Senhor e nem que “quem cala consente”.

1. As regulamentações da lei de Moisés sobre a poligamia não podem ser vistas como uma aprovação tácita da parte de Deus quanto ao casamento poligâmico, uma vez que este nunca foi o padrão por ele estabelecido. Trata-se da misericórdia de Deus protegendo as esposas e filhos de casamentos poligâmicos, uma amenização de uma distorção do casamento até a chegada do Messias. 

2. Deus nos revela sua vontade de maneira gradual e progressiva nas Escrituras. No Antigo Testamento ele se revelou em figuras, tipos, promessas. A sua revelação final e definitiva se encontra no Novo Testamento. Antes de Cristo ele suportou sacrifícios de animais, passou leis referentes a comidas, o sistema de escravidão e levirato, o apedrejamento de determinados pecados, a lei de talião (olho por olho),  o divórcio por qualquer motivo, etc. A poligamia deve ser vista neste contexto, como uma das coisas que Deus suportou na antiga dispensação e que foi definitivamente abolida em Cristo, à semelhança de várias outras. 

3. A encarnação e manifestação de Cristo ao mundo trouxe à luz a verdade outrora oculta, agora revelada pelos apóstolos e profetas, que Cristo é o cabeça de sua igreja, um povo único, composto de pessoas de todas as raças, tribos e nações, como o homem é o cabeça da mulher. E que a relação de amor-submissão entre marido e mulher é uma expressão da relação amor-submissão entre Cristo e sua igreja. Portanto, a partir do evento de Cristo, Deus não mais tolera nem suporta a poligamia entre seu povo, como suportou pacientemente no período anterior à sua vinda, pois sua vontade quanto a isto é em Cristo e sua igreja plenamente revelada. Em Cristo restaura-se o padrão original estabelecido por Deus no jardim.

4. Deus pode demonstrar a sua vontade sobre um assunto simplesmente registrando os males associados a ele, como é o caso da poligamia. Apostasia, ciúmes, invejas, disputas entre mulheres e filhos acompanham o histórico da poligamia entre os israelitas. A evidência cumulativa depõe contra a poligamia, mesmo que Deus não tenha se pronunciado expressamente contra ela. 

5. Aqui é preciso dizer que a revelação divina se encerrou com o cânon do Novo Testamento, onde o casamento monogâmico é claramente estabelecido como a vontade final de Deus para seu povo e a humanidade em geral. Portanto, não podemos aceitar que Deus, em nossos dias, esteja mudando o conceito de casamento para incluir o casamento homossexual, uma vez que o homossexualismo é claramente condenado em toda a Escritura canônica e a mesma se encontra definitivamente encerrada. Sola Scriptura!

O pecado socialmente aceitável


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Por Jason Todd
Muitos cristãos hoje gostam de dizer que todos os pecados são “iguais” aos olhos de Deus, que não há uma escala de pecados menores ou piores, que uma mentirinha ou um homicídios são ambos o suficiente para que Cristo precisasse morrer na cruz. Todos dizemos isso na teoria, mas na prática, sabemos que uma mentirinha branca não vai te tirar da liderança da igreja. E um homicídio provavelmente vai.
Na prática, há alguns pecados que são socialmente aceitáveis, mesmo na igreja. Há um pecado em particular que tem permeado nossa sociedade e nossas igrejas tão silenciosamente que nós raramente prestamos atenção, que é a busca constante por mais, por além do que é suficiente. Ou, usando uma palavra mais feia, o que nós chamamos de glutonaria.
Quando eu penso sobre glutonaria, eu penso em meu desejo de devorar uma dúzia de rosquinhas, ajudando a descer com um copo de achocolatado. Ou talvez minha tendência de alimentar meu estômago com salgadinhos quando já nem estou mais com fome. Muitos de nós podem olhar para o pecado da glutonaria e pensar “não é bem com isso que eu luto” ou “que mal há nisso?”. Afinal, a maioria das congregações possuem pessoas que comem demais, e elas não são consideradas “menos espirituais” ou “relapsas” por isso.
Mas a glutonaria não é meramente um vício por comida. E se olharmos em sua definição e contexto originais, a glutonaria se torna muito mais próxima das nossas vidas do que gostaríamos de admitir.
Em sua forma mais básica, glutonaria é o vício da alma no excesso. Ela ocorre quando o gosto domina sobre a fome, quando o querer domina sobre o precisar. E em nossa sociedade, onde “crescer na vida” é o mais comum dos ideais, muitas vezes é difícil distinguir uma conquista merecida de um excesso indulgente. Nesse sentido, mesmo os mais atléticos e musculosos entre nós podem ser glutões. Qualquer um de nós pode ser.
Todo desejo por excesso provém de uma falta de satisfação. Eu não estou satisfeito com a minha porção – seja a porção no meu prato, no leito matrimonial ou na minha conta bancária. Por não estar satisfeito com minha porção, eu busco uma porção maior. Mas porque cada porção é uma parte finita de um todo finito, estou constantemente buscando um excesso que nunca poderá satisfazer.
Essa é a história de Gênesis 3. Qual foi o pecado do Jardim do Éden, se não um desejo por excesso? Adão e Eva receberam um paraíso para os olhos e para o paladar, em total ausência de qualquer vergonha, mas o que fazia do jardim um paraíso não era nada disso. Ali era um paraíso porque Deus andava na viração do dia com eles. Apesar disso, a queda de Adão e Eva ocorreu porque eles consideraram que mesmo isso não era suficiente. Eles não estavam contentes com sua porção no paraíso, e então foram em busca – com consequências desastrosas – de mais.
E como eles, somos seres vorazes. Incorporamos desejos sem fundo sempre à procura da próxima coisa atrativa. Nossos apetites são tão fortes quanto a morte, nos diz Provérbios 27.20. Estamos sempre indo em busca da próxima coisa que poderá satisfazer e aplacar nossa sede infinda. Essa inclinação sem fim é o que move a glutonaria. É o que propulsiona nossas almas sempre em direção ao excesso.
E mesmo assim, o desejo por “mais” não é inerentemente mau, mas é quase sempre mal direcionado. O que nós precisamos é de um apetite incansável pelo divino. Precisamos de uma santa voracidade. Nossas carentes almas podem se voltar e serem capturadas por uma bondade encontrada na presença do Deus todo glorioso. Há apenas uma fonte infinita de satisfação que pode satisfazer nossos desejos sem fim.
Uma pequena prova de Sua graça suprema é o suficiente para atrair um apetite há muito prisioneiro de porções menores. Se água roubada é doce, graça abundante é ainda mais doce.
E há um efeito colateral estranho: quanto mais bebemos do amor sem fim do Deus infinito, mais nossos gostos serão transformados. A essência da graça vai permear cada vez mais fundo as almas incansáveis dos mais carentes.
Na busca por porções menores, nosso paladar foi anestesiado. Nos tornamos dormentes para nossa fome real, nos enchendo com efemeridades. Mas quando voltamos à fonte, nossos sentidos são renovados.
O Salmo 34.8 nos desafia a enxergar a diferença: “Provai e vede que o SENHOR é bom”. Eu entendo que Paulo entendeu esse verso quando disse ao povo de Listra que Deus dá fartura e alegria para que nossos corações se convertam de coisas vãs e se voltem para a satisfação suprema em quem Deus é (Atos 14.15.17).
Consequentemente, se Deus ordenou que sua bondade seja vista e provada (e, implicitamente, ouvida, cheirada e tocada), isso tem, pelo menos, duas implicações diretas. Primeiro, isso significa que cada prazer e satisfação finitos tem o objetivo de nos apontar para o prazer e a satisfação infinitos em Deus. Minha admiração por um pôr-do-Sol não precisa, assim, parar no horizonte, mas deve continuar e subir em adoração e gratidão. Em segundo lugar, isso significa que se nosso desejo por “mais” for mal-direcionado, então certamente ele pode ser redirecionado na direção certa.
O desejo pelo excesso é pecaminoso? Depende de se a alma está buscando um excesso finito ou um excesso infinito. Será que nós sequer pensamos vorazmente em Deus? Nos regozijamos nas chances de gastar alguns minutos a mais em oração, afastados do mundo apenas para provar mais uma vez do divino? Quando foi a última vez que ficamos compenetrados por muito tempo nas páginas de uma Bíblia aberta por não conseguirmos parar de admirar o sabor doce como o mel das verdades antigas? Se a Bíblia é a história do único bem infinito, por que gastamos tanto de nossas vidas em banquetes tão menores que ela?
Nós cristãos domamos nosso deleite em Deus de tal forma que sequer imaginamos como seria viver sempre em busca dEle. Se satisfazer em Deus é algo tão distante para a maioria de nós quanto um estômago vazio. Por que não focamos nossas almas na única bondade que pode lidar com nossos desejos? Por que corremos atrás dos efêmeros sabores do dinheiro, da comida e do sexo?
Como disse George MacDonald, “certas vezes eu acordo e, eis, já esqueci”. Dormir é como um botão de reinício e minha fome muitas vezes é mal direcionada. Penso ter fome do que é finito, mas minha necessidade real é Deus. Para nos lembrarmos disso, precisamos provar profunda, constante e diariamente a bondade de Deus. Então voltemo-nos e regozijemo-nos corretamente.

Deus se mostra fiel em tempos de guerra

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