28 de jun. de 2010

O Poder de Obedecer Vem de Deus – João Calvino

Por certo que, se a Escritura não ensinasse outra coisa senão ser a lei a regra da vida, a que devamos conformar nossos esforços, eu também, sem delonga, de bom grado anuiria à sua opinião. Quando, porém, ela nos expõe, diligente e perspicuamente, o múltiplo uso da lei, à luz dessa exposição convém antes considerar o que a lei pode no homem.


No diz respeito à presente questão, assim que nos prescreveu que se deva fazer, ela ensina que o poder de obedecer procede da bondade de Deus, e por isso nosconvida às preces, mediante as quais imploremos que nos seja dado esse poder. Se apenas o preceito nos fosse proposto, sem nenhuma promessa, teríamos que provar nossas forças, se porventura seriam suficientes para responder ao preceito. Quando, porém, ao mesmo tempo, se lhes associam promessas, as quais proclamam que não só necessitamos do auxílio da graça divina, mas ainda de todo poder, as mesmas comprovam mais que suficientemente que somos de todo inaptos, para não dizer incapazes, para observar a lei. Por isso, que não mais se insista nesta adequação de nossas forças aos preceitos da lei, como se à tacanha medida de nossa fraqueza  tivesse o Senhor acomodado a regra de justiça que na lei haveria de dar. 

Antes, consideremos, à luz das promessas, até que ponto chega nossa incapacidade, pois em tudo temos demasiada necessidade da graça de Deus.Mas, dizem eles, a quem se fará verossímil que o Senhor tenha promulgado a lei a troncos e a pedra? Respondo que ninguém está empenhado em persuadir disto. Ora, os ímpios não são rochedos ou lenhos quando ensinados pela lei que suas concupiscências antagonizam a Deus, por seu próprio testemunho se fazem réus; ou os piedosos, quando advertidos de sua incapacidade, se refugiam na graça. A que
são pertinentes estas solenes afirmações de Agostinho: “Deus ordena que não podemos, para que saibamos o que devamos dele suplicar.” “Grande é a utilidade dos preceitos, se tanto se conceda ao livre-arbítrio que mais profusamente honrada seja a graça de Deus.”118 “A fé impetra que a lei ordena – de fato, a lei ordena por isso, para que a fé impetre que fora ordenado mediante a lei; na verdade, Deus de nós requer a própria fé, e não acha oque requer, a menos que tenha dado que acha.” Ainda: “Deus dá o que ordena e então ordena que quer.” 


Fonte: [O Calvinista]

...A Estes Predestinou - Calvino


Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou (Rm 8. 29). Paulo mostra, portanto, pela própria ordem da eleição, que todas as aflições dos crentes são simplesmente os meios pelos quais são identificados com Cristo. Ele previamente declarara a necessidade disto. As aflições, portanto, não devem ser um motivo para nos sentirmos entristecidos, amargurados ou sobrecarregados, a menos que também reprovemos a eleição do Senhor, pela qual fomos predestinados para a vida, e vivamos relutantes em levar em nosso ser a imagem do Filho de Deus, por meio da qual somos preparados para a glória celestial. 

O conhecimento antecipado de Deus, mencionado aqui pelo apóstolo, não significa mera presciência, como alguns neófitos tolamente imaginam, mas significa, sim, a adoção, pela qual o Senhor sempre distingue seus filhos dos réprobos. Neste sentido, Pedro diz que os crentes foram eleitos para a santificação do Espírito segundo a presciência divina [1 Pe 1.2]. Aqueles, pois, a quem me refiro aqui, tolamente concluem que Deus não elegeu a ninguém senão àqueles a quem previu seriam dignos de sua graça. Pedro não incensa os crentes como se fossem todos eles eleitos segundo seus méritos pessoais, senão que, ao remetê-los ao eterno conselho de Deus, declara que estão todos inteiramente privados de qualquer dignidade.

Nesta passagem, Paulo também reitera, em outras palavras, as afirmações que já havia feito concernentes ao propósito divino. Segue-se disto que este conhecimento depende do beneplácito divino, visto que, ao adotar aqueles a quem ele quis, Deus não teve qualquer conhecimento antecipado das coisas fora de si mesmo, senão que destacou aqueles a quem propôs eleger.

O verbo traduzido por ‘predestinar', aponta para as circunstâncias desta passagem em pauta. O apóstolo quer dizer simplesmente que Deus determinara que todos quantos adotasse levariam a imagem de Cristo. Não diz simplesmente que deveriam ser conformados a Cristo, e, sim, à imagem de Cristo, com o fim de ensinar-nos que em Cristo há um vivo e nítido exemplo que é posto diante dos filhos de Deus para que imitem. A súmula da passagem consiste em que a graciosa adoção, na qual nossa salvação consiste, é inseparável deste outro decreto, a saber: que ele nos designou para que levemos a cruz. Ninguém pode ser herdeiro do reino celestial sem que antes seja conformado ao Filho Unigênito de Deus.

A fim de que ele seja [ou, fosse] o primogênito entre muitos irmãos. O infinitivo grego, eivai, pode ser traduzido de outra forma, porém preferi esta. Ao chamar Cristo de o primogênito, Paulo quis simplesmente expressar que, se Cristo possui a preeminência entre todos os filhos de Deus, então, com razão, ele nos foi dado como exemplo, de modo que não devemos recusar nada de tudo quanto agradou-lhe suportar. Portanto, o Pai celestial, a fim de mostrar, por todos os meios, a autoridade e a excelência que conferiu a seu Filho, ele deseja que todos aqueles a quem adota como herdeiros de seu reino vivam de conformidade com o seu exemplo.

Embora a condição dos santos difira na aparência (assim como há diferença entre os membros do corpo humano), todavia há certa conexão entre cada indivíduo e sua cabeça. Como, pois, o primogênito leva o nome da família, assim Cristo é colocado numa posição de preeminência, não só para que sua honra seja enaltecida entre os crentes, mas também para que ele inclua todos os crentes em seu seio sob o selo comum de fraternidade.

Fonte: [O Calvinista]

27 de jun. de 2010

25 de jun. de 2010

23 de jun. de 2010

Paul Washer - Conheça Cristo, Conheça o Evangelho





Por Paul Washer. © HeartCry Missionary Society Inc. Website: heartcrymissionary.com
Original: Know Christ, Know the Gospel - Paul Washer. Website: illbehonest.com
Tradução e Legenda: voltemosaoevangelho.com

Deus é o autor da Salvação – C. H. Spurgeon


- Não queremos ensinar doutrina só porque é popular. Queremos apenas ensinar o que entendemos ser o significado verdadeiro do texto: "Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos" (II Tim. 1:9).

Muitos de vocês podem não gostar da doutrina que pregamos. Talvez possam até se zangar. Não podemos pregar para agradar nossos ouvintes. A aprovação de Deus será suficiente para nós embora pessoas possam nos contradizer. Que toda mente honesta esteja desejosa de receber a verdade da inspirada Palavra de Deus.

O apóstolo expõe sua doutrina nas palavras do nosso texto. Paulo declara que Deus é o autor da salvação: "Quem nós salvou, e chamou". Ele claramente confirma o ensinamento de Jonas de que "... do Senhor vem a salvação" (Jon. 2:9). Salvação pelo homem não se encontra no nosso texto.

O fato de que a salvação é inteiramente do Senhor é muito claro neste texto.

O apóstolo refere-se a todas as pessoas da Trindade. O Pai nos salvou. Deus Pai planejou o caminho da salvação. O pensamento que Cristo deveria sofrer como cabeça federal de Seu povo veio do coração do Pai. Esta mesma verdade é ensinada em outras passagens das Escrituras — I João 5:11, Ef. 1:3-6 e João 16:27.

Além disso, a dádiva de Cristo, o único Filho de Deus, veio do coração compassivo de Deus. Veja João 3:16. Deus, o Pai, escolheu pessoas que seriam redimidas. Elas são "chamadas por Seu decreto" (Rom. 8:28). Portanto, o plano de salvação veio da sabedoria e graça de Deus, o Pai.

O apóstolo não esquece da obra de Cristo, o Filho. Somos salvos através do Filho de Deus. Porventura não é Seu nome Jesus, que significa Salvador? O Filho de Deus nasceu no mundo como homem. Ele viveu uma vida perfeita. Demonstrou na Sua vida a retidão, com a qual o Seu povo se reveste. Por causa da morte cruel de Cristo na cruz o pecador pode ser limpo de seu pecado. O povo de Deus é aceito por meio da vida perfeita e da morte expiatória de Cristo Jesus. Diante do trono eterno o povo de Deus irá cantar: "...Àquele que nos ama, e em Seu sangue nos lavou dos nossos pecados... a Ele glória e poder para todo o sempre. Amém" (Apoc. 1:5-6).

O apóstolo nos lembra da obra do Espírito Santo, a terceira pessoa na Trindade. O Espírito Santo nos capacita a entender o evangelho. A mente humana por natureza não entende as coisas de Deus. O Espírito Santo influi na nossa vontade. Ele nos tira da nossa condição de rebeldia e ajuda-nos a obedecer à verdade. Acaso não é o Espírito Santo que nos renova? "... criados em Cristo Jesus para as boas obras..." (Ef. 2:10). Não é o Espírito Santo que nos ensina e nos conforta? O Pai planeja, o Filho redime, o Espírito Santo aplica esta redenção aos nossos corações e nós nascemos de novo. Portanto, o Pai, o Filho e o Espírito devem ser referidos como o Deus "que nos salvou".

Dizer que nós nos salvamos a nós mesmos é ridículo. Na Bíblia, somos chamados de "templo santo no Senhor" (Ef. 2.21). O templo não construiu-se a si mesmo. Cremos que Deus, o Pai, foi o arquiteto do templo. Ele planejou, Ele forneceu os materiais de construção e Ele terminará a obra. Não haveria necessidade alguma de um redentor se pudésse¬mos salvar a nós mesmos. Mas éramos escravos de Satanás e não tínhamos como por nós mesmos quebrar o poder do pecado que nos aprisionava. Poderia o rebanho de Deus, o qual Cristo tomou das garras do leão, ter se libertado a si mesmo? Não, não podemos acreditar que Cristo veio para fazer o que os pecadores podiam fazer por si mesmos. Podem os mortos por si mesmos se fazerem vivos? Quem pode dizer que Lázaro, morto no túmulo, veio à vida por ele mesmo? Ainda que Lázaro pudesse se ressuscitar dentre os mortos nem assim creríamos que os mortos em pecado pudessem se fazer vivos!

Pecadores salvos pela graça de Deus, tornam-se novas criaturas em Cristo. Como poderia a criação ter feito a si mesma? Se temos uma nova criação, deve ter existido um criador.

E, do ponto de vista espiritual, regeneração é obra inteiramente de Deus, o Espírito Santo. Ninguém ajuda o Espírito Santo na Sua obra de regeneração. A renovação da alma é operação dEle. Nós adoramos o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Reconhecemos que se somos salvos, é porque fomos salvos exclusivamente por Deus. A Deus seja toda a glória!

Quero dizer três coisas sobre a maneira pela qual Deus nos salvou.

(I) . Nossa salvação é completa. O apóstolo diz: "Que nos salvou". Crentes em Jesus Cristosão salvos no momento que colocam sua confiança em Cristo. Eles não esperam que sejam salvos. Deus salvou completamente Seu povo. Ele o escolheu para esta salvação. O preço total da salvação desses pecadores escolhidos por Deus foi pago quando Cristo morreu por eles na cruz. Cristo disse quando pendurado na cruz: "Está consumado" (João 19:30). Estávamos completamente perdidos por causa da desobediência de Adão. Fomos completamente salvos quando Cristo, o segundo Adão, terminou Sua obra redentora por nós.

(II). Meu segundo pensamento é que o texto diz: "Que nos salvou, e chamou". Será que Deus nos salvou antes de nos chamar? O texto diz que Ele assim o fez. Não sabemos que somos salvos até que o Espírito Santo opere em nossos corações, trazendo-nos a Cristo. Entretanto, no propósito de Deus e na redenção de Cristo, somos salvos antes de sermos chamados. O Senhor Jesus Cristo pagou as dívidas do Seu povo quando foi crucificado. Por conseguinte, vocês podem ver que fomos salvos antes de sermos chamados.

(III). Deus nos chamou para uma vida santa. Aqueles pecadores pelos quais Cristo morreu são chamados pelo poder do Espírito Santo à santidade. Eles deixam seus pecados; tentam ser como Cristo. Antes de serem salvos amavam o pecado. A velha natureza deles amava tudo que era maligno. A sua nova natureza não pode pecar porque é nascida de Deus. Deus chama Seu povo à santidade. O povo de Deus não é santo porque quer que Deus o salve. Deus, através do Espírito Santo, opera a santidade nele. Portanto, o belo fruto espiritual que vemos num crente tanto é a obra de Deus quanto é o resultado da expiação pela qual Cristo o comprou. A salvação de um crente é unicamente pela graça. Deus é o autor dessa graça. Salvação tem que ser pela graça, pois não pode ser adquirida. A seqüência verdadeira é: Deus nos salvou antes de nos chamar. Esta ordem mostra que nossa santificação não é a causa, e sim o efeito, da nossa salvação.







/ On : 15:20/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.

Os 10 mais de Classificação de países por perseguição


Fonte: [Youtube]

22 de jun. de 2010

Semeadores e pregadores


E de muitas coisas lhes falou por parábolas e dizia: Eis que o semeador saiu a semear...           – Mt 13.3
A obra do pregador assemelha-se à do semeador. Assim como o semeador, o pregador tem de semear boa semente; tem de semear a pura Palavra de Deus e não as tradições da igreja nem as doutrinas dos homens. Sem isso o seu labor será inútil. O pregador pode andar de um lado para o outro, parecer que diz muito e que se esfalfa na correria semanal das obrigações do ministério; mas não haverá colheita de almas para o céu, não resultará em vidas, nem em conversão.

Assim como o semeador, o pregador tem de ser diligente; não deve economizar esforços; precisa usar de todos os meios possíveis para fazer prósperar sua labuta; é-lhe indispensável semear "junto a todas as águas" [Is 32.20] e "lavrar com esperança" [1Co 9.10]; precisa estar pronto "a tempo e fora de tempo" [2Tm 4.2]; não deve ser detido por dificuldades nem desânimos: "Quem observa o vento nunca semeará" [Ec 11.4]. Sem dúvida, o sucesso do pregador não depende só do seu labor e diligência, mas sem labor e diligência não se alcança o sucesso (Is 32.20; 2Tm 4.2; Ec 11.4).

Assim como o semeador, o pregador não tem poder para dar vida. Pode lançar a semente entregue ao seu cuidado, mas não pode ordenar que ela germine; pode apresentar a Palavra da Verdade às pessoas, mas não tem poder para obrigá-las a recebê-la e a fazê-las produzir frutos. Dar a vida é prerrogativa solene de Deus: "O espírito é o que vivifica". Somente Deus é "que dá o crescimento" (Jo 6.63; 1Co 3.7).

Deixemos que essas reflexões penetrem nosso coração. Não é fácil ser um verdadeiro ministro da Palavra de Deus. Ser um obreiro indolente e formal na igreja é fácil; ser um semeador fiel é terrivelmente difícil. Em nossas orações, devíamos interceder de maneira especial pelos pregadores.

Autor: J. C. Ryle (1816–1900)
Fonte: Day by day with J. C. Ryle, org. Eric Russell, Christian Focus Pub., p.179
Tradutor: Marcos Vasconcelos



Fonte: [Mens Reformata]

20 de jun. de 2010

Castigo e Levar a Cruz não são a mesma coisa - A. W. Tozer


Levar a Cruz para o cristão e o castigo, diferem numa porção de maneiras importantes. Geralmente se consideram iguais as duas idéias, e as palavras que as encarnam são empregadas uma pela outra. Há, porém, aguda distinção entre elas. Quando as confundimos, não estamos pensando com precisão; e quando não pensamos com precisão acerca da verdade, perdemos algum benefício que doutra forma poderíamos usufruir.

A cruz e a vara aparecem juntas nas Escrituras Sagradas, mas não são a mesma coisa. A vara é imposta sem o consentimento daquele que sofre. A cruz não pode ser imposta por outrem. Mesmo Cristo suportou a cruz por livre escolha. Da vida derramada por Ele na cruz, disse Jesus: "Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou" (Jo 10.18). Ele teve todas as oportunidades para escapar da cruz, mas firmou em Seu semblante a rija resolução de ir para Jerusalém e lá morrer. A única compulsão experimentada por Ele foi a compulsão do amor.

O castigo é um ato de Deus; levar a cruz é uma ação do cristão. Quando Deus com amor baixa a vara nas costas dos Seus filhos, não pede permissão. Para o crente, o castigo não é voluntário, exceto no sentido de que está resolvido a fazer a vontade de Deus, ciente de que a vontade de Deus inclui castigo. "Porque o Senhor corrige a quem ama, e açoita o todo filho a quem recebe. É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como a filhos); pois, que filho há a quem o pai não corrige" (Hb 12.6,7).

A cruz nunca vem sem ser solicitada; a vara sempre vem assim. "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me" (Mar 8.34). Eis aí uma escolha clara e inteligente, que o indivíduo deve fazer com determinação e previdência. No reino de Deus ninguém jamais tropeçou na cruz.

Mas o que é a cruz para o cristão? Obviamente não é a peça de madeira que os romanos usavam para executar a sentença de morte em pessoas culpadas de crimes capitais. A cruz é o sofrimento que o cristão padece em conseqüência do fato de seguir a Cristo com perfeita obediência. Cristo escolheu a cruz ao escolher o caminho que levava a ela; e assim é com os Seus seguidores. No caminho da obediência ergue-se a cruz,e tomamos a cruz quando entramos nesse caminho.

Como a cruz se ergue no caminho da obediência, assim o castigo se acha no caminho da desobediência. Deus jamais castiga um filho perfeitamente obediente. Considere os nossos pais segundo a carne; eles nunca nos puniram por obediência, mas, sim, por desobediência.

Quando sentimos a dor causada pela vara, podemos estar seguros de que saímos temporariamente do caminho certo. Inversamente,a dor proveniente da cruz significa que permanecemos no caminho. Mas o amor do Pai não é nem mais nem menos, onde quer que estejamos. Deus nos castiga, não para que possa amar-nos, mas porque nos ama. Numa casa bem dirigida, um filho desobediente pode esperar castigo; na família de Deus, nenhum cristão negligente pode ter esperança de escapar dele.

Entretanto, como podemos dizer em determinada situação, se a nossa dor vem da cruz ou da vara? Dor é dor, venha donde vier. Jonas, fugindo da vontade de Deus, não sofreu pior tempestade que Paulo, que se achava no centro da vontade de Deus; o mesmo mar furioso ameaçou a vida de ambos. E Daniel na cova dos leões esteve em dificuldade tão grave como Jonas no ventre da baleia. Os cravos ferem tão fundo as mãos de Cristo a morrer pelos pecados do mundo, como as mãos dos dois ladrões que morrem por seus próprios pecados. Então, como podemos distinguir da vara a cruz?

Penso que a resposta é clara. Quando chega a tribulação, basta ver se é imposta ou escolhida. "Bem-aventurados sois", disse o Senhor, "quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós" (Mt 5.11). Note que Jesus especifica: "mentindo, disserem todo mal contra vós". Estas palavras mostram que o sofrimento deve sobrevir voluntariamente, deve estar dentro da nossa escolha maior, de Cristo e da justiça. Se a acusação que os homens gritam contra nós for verdadeira, não se lhe seguirá nenhuma bem-aventurança.

Iludimo-nos a nós mesmos quando fazemos dos justos castigos que recebemos uma cruz, e nos regozijamos por aquilo de que, ao contrário, deveríamos arrepender-nos. "Pois, que glória há, se, pecando e sendo esbofeteados por isso, e suportais com paciência? Se, entretanto, quando praticais o bem, sois igualmente afligidos e o suportais com paciência, isto é grato a Deus" (1Pe 2.20). A cruz está sempre no caminho da justiça. Somente sentimos a dor que vem da cruz quando sofremos por causa de Cristo e por nossa escolha voluntária.

Creio que há também outra espécie de sofrimento que não se enquadra em nenhuma das categorias acima consideradas. Não provém da vara nem da cruz, e não é imposto como um corretivo moral, nem é resultado da nossa vida de testemunho cristão. Ele vem no curso da natureza e surge dos muitos males herdados pela carne. Visita igualmente a todos, em maior ou menor grau, e não parece ter qualquer significado espiritual. Sua causa pode ser fogo, enchente, perda, ferimentos, acidentes, enfermidades, velhice, fadiga ou, em termos gerais, as conturbadas condições do mundo. Que fazer a respeito?

Bem, algumas grandes almas têm conseguido tornar até mesmo estas aflições moralmente neutras em bem. Orando e humilhando-se, rogaram à adversidade que se fizesse sua amiga, e transformaram o rude pesar num mestre capaz de instruí-las nas artes celestiais. Não podemos imitá-las????


Fonte: [Josemar Bessa]

19 de jun. de 2010

O Gozo de Saber que Deus é Deus - John Piper


Deus pode ser impressionado pelo homem?

O esforço humano nunca pode impressionar um Deus onipotente, e a grandeza dos homens jamais pode impressionar um Deus de grandeza infinita. Isto é má notícia para aqueles que competem com Deus, mas boa notícia para aqueles que querem viver pela fé.

O Salmo 147 é uma emocionante declaração de esperança para um povo que desfruta do gozo e certeza de que Deus é Deus. O salmista afirma: "Conta o número das estrelas, chamando-as todas pelo seu nome" (v. 4). Ora, isto é mais do que podemos apreender! "Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim: é sobremodo elevado, não o posso atingir" (SI 139.6).

A Terra, onde vivemos, é um pequeno planeta que gira em torno de uma estrela chamada Sol, que tem o volume um milhão e trezentas vezes maior do que o da Terra. Existem estrelas milhões de vezes mais luminosas do que o Sol. Existem aproximadamente cem bilhões de estrelas em nossa galáxia, a Via Láctea, que tem cem mil anos-luz de extensão. (Um ano-luz equivale a 299.792.458 km/s.) O Sol viaja a 249 km/s, e, por isso, seriam necessários, duzentos milhões de anos para que o sol cumprisse apenas uma órbita em volta da Via Láctea. Existem milhões de outras galáxias além da nossa.

Agora, ouça novamente: o Salmo 147 afirma que Deus conta o número de todas as estrelas. Não somente isso, afirma também que Ele as chama pelo nome que lhes deu, tal como se faz a animais de estimação. Você os olha, observa suas características e chama-os por algum nome que se enquadre nas diferenças. Quando cantamos o hino "Let Ali Things Now Living", de Katherine Davis, eu sorrio com grande satisfação quando chego às palavras:

Ele estabelece a sua lei:
 As estrelas, em seus cursos,
 O Sol, em sua órbita, 
Resplandecem obedientemente.

Sim, eu penso, "obedientemente" é a palavra correta! O sol tem um nome na mente de Deus. Ele chama o sol por seu nome, diz a ele o que fazer e ele obedece. E assim o fazem trilhões de estrelas. (Assim como todos os elétrons, em todas as moléculas dos elementos das estrelas e dos planetas, incluindo os elementos que se encontram nas guelras de um tubarão que vive embaixo das rochas, na costa da ilha de Rhode.)

Ora, o que impressionaria um Deus como este? Salmo 147.10-11 nos mostra com clareza:

Não faz caso da força do cavalo, nem se compraz 
nos músculos do guerreiro. Agrada-se o SENHOR dos 
que o temem e dos que esperam na sua misericórdia.

Imagine um levantador de peso, nas Olimpíadas, que se orgulha de haver levantado duzentos e vinte e cinco quilos. Ou imagine algum cientista se orgulhando de que descobriu como uma molécula é afetada por outra. Não precisamos ser gênios para saber que Deus não se deixa impressionar por essas coisas.

As boas-novas para aqueles que desfrutam do gozo de saber que Deus é Deus é que Ele tem prazer nessas pessoas. Deus se agrada daqueles que esperam no imensurável poder dEle. Não é uma coincidência literária o fato de que os versículos referentes a outro aspecto da grandeza de Deus (nos versículos 4 e 5), mostram-No cuidando do fraco (vv. 3 e 6):

3          sara os de coração quebrantado e lhes pensa as feridas.
4          Conta o número das estrelas, chamando-as todas pelo seu nome.
5          Grande é o Senhor nosso e mui poderoso; o seu entendimento não se pode medir.
6          O SENHOR ampara os humildes e dá com os ímpios em terra.

Oh! que prenda a nossa atenção a verdade de que Deus é Deus e trabalha onipotentemente em favor daqueles que esperam nEle (Is 64.4), bem como na sua misericórdia (SI 147.11) e O amam (Rm 8.28). Ele ama ser Deus para os fracos e desamparados, que O buscam para tudo o que necessitam.




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