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22 de ago. de 2011

Deixem o resultado com o Espírito Santo - C. H. Spurgeon


Nenhum homem dentre nós realmente acha que poderia regenerar uma alma. Não somos tão tolos a ponto de reivindicar poder para mudar um coração de pedra. Talvez não ousemos presumir algo tão grandioso, contudo, podemos achar que, pela nossa experiência, podemos ajudar as pessoas a passar por suas dificuldades espirituais. Será que podemos? Podemos ter esperança que nosso entusiasmo mova a igreja viva diante de nós e empurre o mundo morto para trás de nós. Isso pode acontecer? Quem sabe, imaginamos que se pudéssemos apenas conseguir um avivamento, poderíamos facilmente assegurar um grande acréscimo à igreja? Vale à pena conseguir um avivamento? Os verdadeiros avivamentos não são presenteados?

         Podemos nos persuadir que tambores e trompetes e gritos farão muito. No entanto, meus irmãos, "o SENHOR não estava no vento" (1Rs 19.11). Resultados que valem à pena vêm daquele silencioso, mas onipotente Obreiro, cujo nome é o Espírito de Deus: nele, e somente nele, precisamos confiar para a conversão de uma única criança da escola dominical e para todo avivamento genuíno. Devemos olhar para ele para conservar nosso povo junto e edificá-los em um templo santo. O Espírito poderia dizer, assim como disse nosso Senhor: "Sem mim vocês não podem fazer coisa alguma" (Jo 15.5).

         O que é a igreja de Deus sem o Espírito Santo? O que seria o Hermom sem o orvalho ou o Egito sem o Nilo? Veja a terra de Canaã, quando a maldição de Elias caiu sobre ela, por três anos não sentiu orvalho nem chuva: assim seria o cristianismo sem o Espírito. O que os vales seriam sem seus córregos, ou as cidades sem seus poços, o que os campos de milho seriam sem o sol, ou a safra de vinho sem o verão--assim seriam nossas igrejas sem o Espírito. Como não podemos pensar no dia sem luz, na vida sem respiração, no céu sem Deus, também não podemos pensar no culto cristão sem o Espírito Santo.

         Nada pode substituí-lo: os pastos são um deserto, os campos frutíferos são áridos, o Sarom definha e o Carmelo é consumido pelo fogo. Bendito Espírito do Senhor, perdoa-nos por tê-lo desprezado, por tê-lo esquecido, por nosso orgulho auto-suficiente, por resistir a sua influência e apagar seu fogo! Daqui em diante opere em nós de acordo com sua excelência. Faça nosso coração ternamente impressionável, depois nos faça como cera para o sinete e estampe em nós a imagem do Filho de Deus. Com tal oração e confissão de fé, deixe-nos perseguir nosso objetivo no poder do bom Espírito de quem falamos.

         O que o Espírito Santo faz? Amado, que boa ação ele não faz? Ele desperta, convence, ilumina, limpa, guia, preserva, consola, confirma, aperfeiçoa e usa. Quanto pode ser dito de cada uma dessas ações! É ele quem opera em nós para o querer e o fazer. Ele que operou todas as coisas é Deus. Glória seja dada ao Espírito Santo por tudo que realizou em naturezas tão pobres e imperfeitas como a nossa! Nada podemos fazer à parte da seiva de vida que flui para nós de Jesus, a Videira. Aquilo que é de nós mesmos só serve para nos causar vergonha e confusão. Não damos um passo em direção ao céu sem o Espírito Santo. Não guiamos outros para o caminho do céu sem o Espírito Santo. Não temos nenhum pensamento aceitável, nem palavra, nem ato sem o Espírito Santo. Mesmo o levantar dos olhos e da esperança ou a oração exclamatória que exprime o desejo do coração deve ser obra dele. Todas as coisas boas, do começo ao fim, vêm dele e por meio dele. Não há risco de exagero aqui. Contudo, será que traduzimos essa convicção em nossa conduta atual?

         Em vez de me estender sobre o que o Espírito de Deus faz, deixe-me recorrer a sua experiência e fazer uma ou duas perguntas. Você lembra de ocasiões em que o Espírito de Deus esteve graciosamente presente, em plenitude de poder, com você e seu povo? Bons tempos aqueles! Aquele Dia do Senhor foi um dia elevado. Aqueles cultos pareciam com a adoração de Jacó quando disse: "Sem dúvida o SENHOR está neste lugar!". Que sinalização mútua há entre o pregador no Espírito e o povo no Espírito! Seus olhos parecem nos falar tanto quanto nossas línguas falam a eles. Nesse momento, eles são um povo muito diferente do que em ocasiões comuns: há até beleza em seus rostos enquanto glorificamos ao Senhor Jesus, e eles se deleitam e sorvem nosso testemunho.        

29 de jul. de 2010

Um povo zeloso de boas obras – John Piper



[Cristo] a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras. Tito 2.14

No cerne do Cristianismo está a verdade de que somos perdoados e aceitos por Deus, não por termos feito boas obras, mas afim de que possamos fazê-las. A Bíblia diz: "[Deus] nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras" (2Tm 1.9). As boas obras não são o fundamento de nossa aceita¬ção, mas fruto dela. Cristo sofreu e morreu não porque nós apre¬sentamos a ele boas obras, mas para "purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras" (Tt 2,14).

É esse o significado de graça. Não podemos obter boa po¬sição diante de Deus por causa de nossas obras. Isso têm de ser presente gratuito. Só podemos recebê-la pela fé, como nosso maior tesouro. É por isso que a Bíblia diz: "... pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie" (Ef 2.8,9). Cristo sofreu e morreu para que as boas obras fossem o efeito, não a causa, de nossa aceitação.

Não é de surpreender que a próxima frase diga: "... somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras" (Ef 2.10).

Ou seja, somos salvos para as boas obras, não pelas boas obras. O alvo de Cristo não é apenas que tenhamos capacidade de realizá-las, mas paixão por fazê-las. Devido a isso a Bíblia emprega apalavra"zeloso". Cristo morreu para tomar-nos zelosos, apaixonados por boas obras. Cristo não morreu apenas para tornar possíveis as boas obras ou produzir uma busca de ânimo inconstante. Morreu para produzir em nós uma paixão pelas boas obras. A pureza cristã não é meramente evitar o mal, mas a busca do bem.

Existem razões pelas quais Jesus pagou o preço infinito a fim de produzir nossa paixão pelas boas obras. Ele deu a principal razão nas seguintes palavras: "Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus" (Mt 5.16). Deus é glorificado pelas boas obras dos cristãos. Para essa glória Cristo sofreu e morreu.

Quando o perdão e a aceitação de Deus nos libertam do temor, orgulho e avareza, somos repletos de zelo por amar o próximo da forma como fomos amados. Arriscamos nossas posses e nossa vida, pois estamos seguros em Cristo. Quando amamos assim ao próximo, nosso comportamento é contrário à autovalorização e autopreservação humanas. Dirigimos a atenção a nosso Tesouro e Segurança que transformou nossa vida, ou seja, a Deus.

E o que são essas "boas obras"? Sem limitar o seu escopo, a Bíblia destaca principalmente a ajuda a pessoas com necessida¬des urgentes, especialmente os que menos possuem e mais sofrem. Por exemplo, diz a Bíblia: "Quanto aos nossos, que aprendam também a distinguir-se nas boas obras a favor dos necessitados" (Tt 3.14).Cristo morreu para nos tomar essa espécie de gente - apaixonada por ajudar aos pobres e aos que perecem. E a melhor vida, não importa quanto nos custe neste mundo: Eles recebem ajuda, nós obtemos alegria, Deus recebe a glória.

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