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13 de jan. de 2012

Quando é que o crente de berço é salvo?




Por Maurício Zágari


Eu fui convertido muito tarde na minha vida, já com 24 anos. O curioso é que estudei numa escola de padres dos 10 aos 17 anos e lá tínhamos aula de religião semanalmente. Ou seja, com 18 anos eu conhecia as histórias da Biblia de trás pra frente. Repare no verbo que eu usei: conhecia. Depois, com 18 para 19 anos comecei a frequentar uma igreja de uma certa denominação evangélica tradicional. Gostava dos cultos, achava o pessoal legal e até tocava baixo no grupo de louvor. Mas não vivia em novidade de vida. Não compreendia o Evangelho. Repare no verbo que eu usei: compreendia. Às vezes me pegava me digladiando com o pastor por questões como “por que Jesus cria um pessoa se já sabe que antes de criá-lá que ela vai ao inferno?” ou “por que Jesus teve de sofrer e morrer pra nos salvar, não bastava um decreto divino?”. Eu era intelectualmente interessado pelo Evangelho. A Bíblia pra mim era uma questão cerebral. Com o início da minha vida profissional afastei-me daquela igreja e passei a me dedicar muito à profissão. Até que, enfim, com 24 anos, numa denominaçao pentecostal, fui alcançado pela graça de Deus, após um longo processo de dor (que não cabe relatar aqui agora) e ali eu passei a viver o Evangelho. Repare no verbo que usei: viver.


Então, hoje eu vejo por experiência própria que existe uma grande diferença entre aqueles que frequentam uma igreja: há os que conhecem, os que compreendem e os que vivem Cristo.


Isso me remete aos cristãos de berço. Aqueles que nasceram em lar evangélico. Frequentam a igreja desde sempre, sabem as bistórias da Biblia porque foram à escolinha bíblica infantil, aceitam o sacrifício salvifico de Jesus mas… em que momento de fato são salvos? Porque eu olho em volta e vejo “cristãos”, muitos deles até filhos, netos e parentes de pastores, que não demonstram em suas vidas fruto do Espirito. Não têm paciência. Domínio próprio é algo de que só ouviram falar vagamente Nao promovem a paz, amam uma discussãozinha e uma contenda. E por aí vai.


Além disso, não mostram postura cristã. Nao pacificam, mas botam sempre lenha na fogueira. São insubmissos, rebeldes, respondões, não respeitam seus cônjuges, não oram, não leem a Bíblia, têm zero de devocionalidade, são iracundos… Enfim, podem até não roubar ou matar (o que um bom ateu também não faz) mas não demonstram o comportamento mínimo esperado de um cristão. Não investem tempo orando pelos filhos. Brigam intempestivamente por qualquer coisa. Falam mal dos outros pelas costas. São fofoqueiros. Dificilmente resolvem uma diferença com argumentos e diálogo, mas sim com birras, brigas e bate-bocas. Mas todo domingo, por puro hábito, batem seu cartãozinho de ponto no culto da igreja porque, afinal, foi o que lhes ensinaram que é o certo a fazer. E acham que Deus está feliz da vida com eles – afinal, são de berço evangélico e batizados. Conhecem e compreendem. “Uhu, Jesus me ama”. Mas não vivem esse Jesus.


Como eu passei por essas três fases e conheço bem cada uma e o comportamento de quem se encaixa em cada uma, cometeria a ousadia de dizer que os tais não são salvos. Porque é como diz Tiago 2.18, “Mas alguém dirá: “Você tem fé; eu tenho obras”. Mostre-me a sua fé sem obras, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas obras.” E mais: “Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios creem – e tremem!” (Tg 2.19) Os demônios creem! E tremem! Mas isso é o mínimo. Porque, vamos combinar, fazer uma profissão de fé e se batizar é acoisa mais fácil que tem. Frequentar cultos… basta sentar num banco e às vezes ficar de pé. Agora… viver conforme Cristo determinou no dia a dia, na sua casa, no seu trabalho, com sua família e com os colegas de profissão, no supermercado e no shopping são outros quinhentos bem diferentes. Como o crente de berço reage quando alguém o ofnde? Ou quando pede algo ao chefe no trabalho e recebe um “não”? Ou quando o professor o trata com injustiça na sala de aula?


Abrir mão da sua natureza respondona, egoísta, insubmissa às autoridades, materialista, mimada e tomar a cruz para seguir Cristo, isso sim é o que eu quero ver. Aliás, eu não, Deus.


Muitos e muitos e muitos crentes de berço estarão entre os que no grande e temível dia dirão: “Senhor, Senhor”. E aqui me permitam fazer uma paráfrase apócrifa da Biblia. Os tais chegarão e dirão: “Senhor, nasci de pais cristãos, fui apresentado como bebê na igreja, frequentei os cultos e as escolinhas, fui aos retiros, trabalhei até em departamentos, casei virgem, chorei com as mãos levantadas na hora do louvor e de vez em quando até fazia uma oração”. E, mais uma vez, me atrevo à ousadia de parafrasear apocrifamente o texto das Escrituras e imagino que Jesus responderia: “Você me conhecia e compreendia, mas não me viveu. Pois a cada vez que te chamei para conversar em oração você preferiu ver televisão. Cada vez que você tinha de se submeter às decisões do seu superior hierárquico no trabalho, em casa ou na igreja você o tratou com respostas agressivas e rebeldia. Cada vez que te chamei para ouvir a minha voz você ignorou minha Palavra e preferiu ir ao shopping do que ler as Escrituras. Cada vez que te toquei para ouvir alguém em sofrimento você concluiu que alguma outra pessoa podia fazer isso no seu lugar. Cada vez que você ou um dos teus ficou doente sempre o médico era lembrado antes da oração. Cada vez que te chamei para ler livros que falam sobre mim você deu uma desculpa para não ler e assim aprender mais sobre o padrão de comportamento que Eu queria que você seguisse. Cada vez que te chamei para uma vida de devocionalidade diária você se entregou a uma rotina de atividades materialistas e tinha sempre uma desculpa. Cada vez que te chamei para tirar momentos de reflexão e meditação sobre minhas Escrituras e como aquilo afetava seu comportamento em família, no trabalho ou mesmo em sociedade você preferiu ir ao salão fazer unha, malhar na academia ou simplesmente ficar sem fazer nada”. Ao fim do que o Senhor diria: “Logo, apartai-vos de mim, pois nunca vos conheci”.


A coisa é séria. Se você percebe que na sua igreja há crentes de berço cuja forma de proceder faz o termo “crente” te fazer perguntar “mas crente em quê?” e não são salvos, evangelize-os! Pregue o Evangelho para eles. E repare que não estou dizendo nem “discipule-os”, mas “evangelize-os”. Pois o discipulado vem após a conversão e se esforçar por discipular quem não passou pelo novo nascimento é pura perda de tempo. Pois não se discipula ossos secos. Primeiro a carne tem de cobri-los e por fim o discipulado será feito.


Não adianta tentarmos nos enganar. Há muitos frequentadores de igrejas desde a época em que usavam fraldas, a quem chamamos “irmãos em Cristo”, que não são nossos irmãos em Cristo. Não passaram da morte para a vida. Não estão dispostos a tomar sua Cruz para seguir Cristo. Querem uma vida de moleza. E também moleza espiritual. “Sou crente mesmo, batizado, vou aos cultos, então tá tudo certo”. E mal sabem que no final vão para o inferno.


Duras palavras? E desde quando Jesus disse que a coisa seria fácil?


Diante disso, o que fazer? Orar, meus irmãos. Orar pelos perdidos: aqueles que estão perdidos fora mas também dentro das igrejas. Orar pela conversão dos crentes de berço que conhecem e compreendem mas não vivem. Orar pela salvação da pessoa que está ao teu lado no banco da igreja. Você não sabe. Mas ela pode estar cantando todos os louvores de cor e caminhando a passos largos para o abismo, simplesmente porque vive ela, mas Cristo não vive nela.


E que Deus tenha misericórdia de cada um de nós.


Paz a todos vocês que estão em Cristo.


Fonte: Apenas Via: [Ministério Batista Beréia]

5 de mai. de 2011

O encontro com Nicodemos – John Stott


Em resposta, Jesus declarou: "Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver
o Reino de Deus, se não nascer de novo" - João 3.3

Nicodemos é um extraordinário exemplo de alguém que busca sinceramente pela verdade. Ah, se tivéssemos mais Nicodemos no mundo hoje — homens e mulheres preparados para deixar de lado a apatia, o preconceito, o medo e buscar a verdade com espírito honesto e humilde! "Busquem, e encontrarão", prometeu Jesus (Mt 7.7).

Jesus deve ter impressionado Nicodemos ao dizer-lhe que deveria nascer de novo. O que ele quis dizer? Obviamente ele não estava se referindo a um segundo nascimento físico ou a um ato de auto-reforma. Nem pode ter se referido ao batismo cristão, uma vez que ele só seria instituído depois da ressurreição. Por certo o batismo é o sinal ou sacramento do novo nascimento, mas não devemos confundir o sinal externo com a coisa interna que ele representa. O batismo é uma dramatização pública visível do novo nascimento, que é uma obra invisível e secreta de Deus, por meio da qual ele nos dá uma nova vida, um novo começo.

Além disso, (Jesus disse) devemos nascer de novo. Sem o novo nascimento, não podemos nem ver o reino de Deus nem entrar nele. Nicodemos era religioso, um homem de princípios, educado, respeitável e cortês. Ele até acreditava na origem divina de Jesus. Mas tudo isso não era suficiente. Ele ainda precisava nascer de novo.

Então, como esse novo nascimento acontece? De determinado ponto de vista, ele é inteiramente obra de Deus. Ninguém jamais deu à luz a si mesmo. Assim, o novo nascimento é um nascimento "do alto", um nascimento "do Espírito Santo". De nossa parte, no entanto, temos de nos arrepender e crer. Nicodemos não poderia evitar o batismo de arrependimento de João. Foi isso, com certeza, que Jesus quis dizer com ser "nascido da água". Ele deveria então crer, colocando sua confiança em Jesus, o Messias, que era o Salvador de que necessitava.

Fonte: [John Stott]

27 de jan. de 2011

Livres dos desejos do pecado



Por D. M. Lloyd-Jones

(Desejar justiça) significa desejo de ser livre do pecado, porque o pecado nos separa de Deus. Positivamente, pois, significa desejo de ser reto para com Deus. . . Toda a dificul¬dade do mundo de hoje se deve ao fato de que o homem não é reto para com Deus, pois é porque ele não é reto para com Deus que anda por caminhos errados em tudo mais. . . Aquele que tem fome e sede de justiça percebe que o pecado e a rebelião o separaram da face de Deus e anela retornar àquele antigo relacionamento. . .

Mas também significa, necessariamente, o desejo de ficar livre do poder do pecado. . . O homem a quem estamos considerando. . . chegou a perceber que o mundo em que ele vive é controlado pelo pecado e por Satanás. . . Ele entende que «o deus deste mundo» o vem cegando. . . Quer libertar-se desse poder que o arrasta para baixo, a despeito dos esforços dele (ver Romanos 7). Quer ficar livre do poder, da tirania e da servidão do pecado. . .

Mas a coisa vai mais longe ainda. Significa o desejo de ficar livre do próprio desejo do pecado, pois vemos que aquele que verdadeiramente se examina a si próprio, à luz das Escrituras, não só descobre que está na escravidão do pecado; ainda mais horrível é o fato de que ele gosta do pecado, ele o deseja. Mesmo depois de ter entendido que é errado, ele o quer. Mas agora, o homem que tem fome e sede de justiça é aquele que quer desfazer-se daquele desejo do pecado, não somente exterior, mas também interiormente. . . O pecado é algo que polui a própria essência do nosso ser e da nossa natureza. Quem é cristão quer ficar livre disso tudo. . . Ter fome e sede de justiça é desejar libertar-se do ego, em todas as suas horríveis manifestações, em todas as suas formas. . . aquele que tem fome e sede de justiça. . . quer emancipar-se da preocupação egocêntrica, em todas as suas formas e medidas.

Studies in the Sermon on the Mount, p. 77.-9-

1 de nov. de 2010

O Novo Nascimento - R.C. Sproul



Durante o início do ministério de nosso Senhor, um fariseu, chamado Nicodemos, veio ao seu encontro e envolveu-O numa conversa.


Após o reconhecimento de Nicodemos no sentido de que Jesus era um verdadeiro mestre e que viera da parte de Deus, o Senhor Jesus começou a falar sobre a necessidade do novo nascimento. Ele disse a Nicodemos: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3).


Existem aqui duas palavras gregas que podem transmitir um duplo significado, quando traduzidas para nosso idioma. Estas duas palavras comumente são traduzidas “nascer de novo”, mas poderiam ser traduzidas “gerado” e “de cima”. Portanto, a afirmação poderia ser traduzida deste modo: “A menos que alguém seja gerado [isto é, receba vida] de cima, não pode ver o reino de Deus”.


Temos de possuir vida nova. Esta nova vida tem de vir de cima, ou seja, de Deus. Ele precisa gerar esta vida em nós. Sem o novo nascimento, não podemos ver o reino de Deus. O Senhor Jesus gravou na mente de Nicodemos a verdade de que, se Deus não agir para salvarnos, não poderemos ser salvos.


Jesus ensinou a Nicodemos que nada menos do que nos tornarmos novas criaturas poderá nos salvar. Não podemos ver a Deus no estado em que nos encontramos. Tem de haver uma mudança radical, descrita na Bíblia como um novo nascimento.


DEUS AGE SOZINHO


Visto que somos pecadores diante de Deus, todos nós estamos mortos em ofensas e pecados. Nada menos do que a intervenção de Deus pode trazer-nos à vida espiritual. Visitar pecadores indignos e aplicar a Palavra da vida ao coração deles é uma obra especial do Espírito Santo.


Nicodemos pensou que um milagre estranho tinha de acontecer. De alguma maneira, um homem precisava retornar ao ventre materno e nascer pela segunda vez! Nosso Senhor reconheceu que temos de ser nascidos de uma mulher (descrevendo isso como ser nascido da “carne”); todavia, Ele insistiu que temos de ser nascidos do Espírito de Deus.


O que podemos fazer para conseguir esse novo nascimento da parte de Deus? A resposta é: “Nada”. Muitos livros já foram escritos por pessoas bem intencionadas que reivindicam instruir outras sobre como nascer de novo.


No entanto, se somos fiéis à Palavra de Deus, temos de reconhecer que não podemos ensinar a alguém como nascer de novo. Isso era o que os apóstolos de Cristo não faziam, quando evangelizavam. Eles nunca chegavam em uma cidade e anunciavam que o tema do sermão daquele dia seria “Como Nascer de Novo”. Pelo contrário, eles exortavam as pessoas a se converterem de seus pecados e crerem em Cristo.


TORNANDO DISPOSTO


Certamente, podemos ensinar às pessoas como vir a Cristo, para serem salvas. Elas têm de se arrepender de seus pecados e pôr sua confiança em Cristo, para salvá-las. Mas o arrependimento e a fé resultam do novo nascimento.


Em outras palavras, quando uma pessoa é nascida de novo, ela é capacitada, por meio da nova vida que lhe foi transmitida, a arrepender-se e crer em Cristo. Arrepender e crer é o que nós fazemos. O novo nascimento, porém, é algo que somente Deus pode fazer; e Ele precisa realizá-lo em primeiro lugar. A Confissão de Fé de Westminster, dos presbiterianos, e a Confissão de Fé de 1689, dos batistas, descrevem o novo nascimento como uma obra do Espírito Santo, “iluminando-lhes a mente de maneira espiritual e salvadora, para que compreendam as coisas de Deus, tirando-lhes o coração de pedra e dando-lhes um coração de carne; renovando-lhes a vontade e, pela sua onipotência, predispondo-os para o bem e trazendo-os irresistivelmente a Jesus Cristo. No entanto, eles vêm a Cristo espontânea e livremente, porque a graça de Deus lhes dispõe o coração para isso”.


O NOVO NASCIMENTO VEM EM PRIMEIRO LUGAR


O que vem em primeiro lugar, o arrependimento ou o novo nascimento? Em primeiro lugar, acontece a regeneração, ou seja, o novo nascimento, por intermédio do Espírito Santo. Depois vêm o arrependimento e a fé em Cristo como resultados da obra de Deus.


A Confissão de Fé da Convenção Batista do Sul (The Baptist Faith and Message) afirma-o nestas palavras: “A regeneração, ou seja, o novo nascimento, é uma obra da graça de Deus mediante a qual os crentes se tornam novas criaturas em Cristo Jesus. É uma mudança do coração, realizada pelo Espírito Santo através da convicção de pecado, à qual o pecador reage em arrependimento para com Deus e fé no Senhor Jesus Cristo. O arrependimento e a fé são experiências inseparáveis realizadas pela graça divina”.


Se você já nasceu de novo, você se arrependerá e crerá em Jesus. Deus nos outorgou a capacidade de nos arrependermos, quando não o fez a outras pessoas. Ele nos deu a fé em Cristo, quando outros não crêem. O Senhor Jesus disse a alguns de seus inimigos que eles não criam nEle, porque o Pai não os havia capacitado a fazer isso (Jo 6.60-65).


CONTROLAR O VENTO?


Alguém poderia argumentar: “Eu pensava que Deus nos concede a vida porque nos arrependemos. O arrependimento não é a condição para alguém ser nascido de novo?” Não, de conformidade com o ensino do Senhor Jesus. Ele disse a Nicodemos: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito” (Jo 3.8).


Você e eu podemos controlar o vento? Nós nos levantamos a cada dia e decidimos quão velozmente o vento soprará ou de que direção ele virá? Podemos impedir um tornado de causar destruição, enquanto ele passa por um povoado indefeso? É claro que não. O vento sopra onde lhe agrada.


Também não podemos controlar ou dirigir o Espírito Santo em sua obra de transmitir vida nova aos pecadores. Ele nos regenera, nos ressuscita para uma nova vida e nos faz “nascer de novo”. O vento do Espírito tem de soprar.


Essa é a razão por que oramos a fim de que o Espírito de Deus venha sobre nossos amigos e parentes que não conhecem a Jesus. Pedimos que Deus os salve. Sabemos que, se eles têm de vir a Cristo, deverão ser atraídos a Ele pela obra de Deus.


O Senhor Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida. Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão” (Jo 5.24-25).


A OBRA DO ESPÍRITO SANTO


Por natureza, estamos mortos em nossos pecados. Não podemos salvar a nós mesmos. Deus tem de agir para resgatar-nos. Ele fez isso, ao enviar seu Filho para morrer em lugar dos pecadores na cruz. No entanto, a obra expiatória de Cristo precisa ser aplicada a cada um de nós: esta é a obra do Espírito Santo.


O Pai, desde a eternidade, nos escolheu. O Filho morreu em favor de seu povo, no tempo e na História. O Espírito Santo nos traz o benefício da morte de Cristo, bem como nos traz em Si mesmo à ressurreição e à vida de Cristo.


Servindo-se do mesmo poder com que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, o Espírito Santo nos toca, quando ainda estamos espiritualmente desamparados, mortos diante de Deus. Repentinamente, ressurgimos de nosso sepulcro espiritual; cremos no evangelho, cremos em Cristo, dependendo completamente dEle para nos salvar.


Em nosso estado de morte espiritual, não amávamos a Deus. Agora, nós O amamos, porque Ele nos amou primeiro. Não amávamos nosso próximo. Agora amamos até aqueles que antes odiávamos. Todos estes são os resultados miraculosos do novo nascimento. O Senhor nos tocou com seu poder ressuscitador. Estamos verdadeiramente vivos pela primeira vez. Nascemos de novo!


Temos de deixar claro que o Espírito Santo, ao realizar esta obra divina, utiliza a Palavra de Deus. A pregação do evangelho é uma parte essencial na obra de regeneração realizada pelo Espírito Santo — “Pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente” (1 Pe 1.23).


LEVANTE-SE!


Precisa haver uma apresentação das verdades do evangelho, se um pecador tem de vir a Cristo para a salvação. Entretanto, a chamada externa, para o pecador receber a Cristo, como Senhor e Salvador, não pode salvar, se permanece sozinha. É necessário haver também uma obra interna do Espírito Santo.


Assim como a voz de Deus afirmou: “Haja luz”, assim também o Espírito Santo traz luz ao nosso mundo de trevas. Ele diz à nossa alma morta: “Levante-se!”


Isto é semelhante ao aparecimento do Senhor Jesus diante do túmulo de Lázaro, quando Ele clamou em voz alta para que o morto saísse do sepulcro. E, assim como Lázaro foi chamado dos mortos para a vida, por intermédio do poder de Deus, assim também somos ressuscitados pelo poder de Deus que opera em nós.


É evidente que, fisicamente, Lázaro morreu outra vez. Todavia, isto não acontece à vida espiritual daqueles que nasceram de novo. A vida eterna que começou com o novo nascimento nunca acabará.

R. C. Sproul
Traduzido por Editora Fiel

Fonte: [Vem Ver Textos]

22 de set. de 2010

Levanta-te dentre os Mortos - John Piper



Reflexões sobre o levantar-se dentre os mortos

Como Você obedece a ordem de nascer de novo?

Como você obedece ao mandamento de nascer de novo? Antes, faça outra pergunta: quando Jesus ordenou a Lázaro que ressuscitasse dos mortos, como ele obedeceu a essa ordem? João 11.43 diz: "[Jesus] clamou em alta voz: Lázaro, vem para fora!" Esta ordem foi dada a um homem morto. O versículo seguinte acres¬centa: "Saiu aquele que estivera morto, tendo os pés e as mãos ligados com ataduras".

Como Lázaro fez isso? Como um homem morto obedece a ordem de viver novamente? A resposta parece ser: a ordem leva consigo o poder de criar uma nova vida. Obedecer à ordem de nascer de novo significa fazer o que pessoas vivas fazem. Isto é extremamente importante. A ordem de Deus: "Levanta-te de entre os mortos!" leva consigo o poder de que necessitamos para obedecer-Lhe. Não obedecemos a esta ordem criando essa vida. Obedecemos a essa ordem fazendo o que pessoas vivas fazem — Lázaro saiu para fora. Ele ressuscitou. Caminhou até Jesus. A chamada de Deus cria vida. Respondemos no poder daquilo que a chamada criou.

Em Efésios 5.14, Paulo disse: "Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará". Como você obedece à ordem de acordar do seu sono? Se a casa estivesse cheia de monóxido de carbono, e alguém gritasse: "Acorde! Salve-se! Saia!", você não obedeceria esta ordem acordando a si próprio. A altissonante e poderosa ordem, por si mesma, o desperta. Você obedece por fazer aquilo que pessoas acordadas fazem diante do perigo. Você se levanta e sai da casa. A chamada cria o despertar. Você reage no poder do que a chamada criou.

Creio que isto explica por que a Bíblia diz coisas paradoxais a respeito do novo nascimento, ou seja, que temos nós mesmos de ob¬ter um novo coração, mas é Deus quem cria o novo coração. Por exemplo:

Deuteronômio 10.16: Circuncidai... o vosso coração. Deuteronômio 30.6: O SENHOR, teu Deus, circuncidará o teu coração.

Ezequiel 18.31: Criai em vós coração novo e espírito novo. Ezequiel 36.26: Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo.

João 3.7: Importa-vos nascer de novo.

1 Pedro 1.3: "Deus... nos regenerou [fez nascer de novo].

"Circuncidar o coração" significa fazer o que fazem as pessoas que têm o coração circuncidado. Seja cuidadoso para com Deus e abandone todo o mal. Separe a sua vida para Deus e seja diferente do mundo. Tudo isto é possível somente por causa da promessa: "O SENHOR, teu Deus, circuncidará o teu coração". Como diz Filipenses 2.12-13: "Desenvolvei a vossa salvação... porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade". "Desenvolvei a vossa salvação" corresponde a "circuncidai... o vosso coração". "Deus é quem efetua em vós" corresponde a "o SENHOR, teu Deus, circuncidará o teu coração". A conexão é que o nosso fazer depende de Deus fazê-lo primeiro. Ele inicia e capacita.

De modo semelhante, "criai em vós coração novo" significa que devemos agir em novidade de coração e dar passos de acordo com essa novidade. A promessa "dar-vos-ei coração novo" significa que Deus é o criador decisivo do novo coração. Deus nos dá o novo coração, e agimos de acordo com ele.

Igualmente, o modo de obedecermos à ordem de nascer de novo é, primeiramente, experimentar a dom divino da vida espiritual e fazer o que pessoas vivas fazem — invocar a Deus com fé, gratidão e amor. Quando a ordem de Deus nos alcança com o poder de criar e converter do Espírito Santo, essa ordem nos dá vida. A evidência de que a ordem divina nos alcançou criando vida é que reagimos com vida, fé, esperança e alegria. Se essa resposta está em nós, somos nascidos de Deus e temos obedecido à ordem.

Você já nasceu de novo? Tem um novo coração? Ressuscitou espiritualmente de entre os mortos? Esta é a obra de Deus em e por trás de sua resposta de fé. Portanto, responda com humilde confiança, reconhecendo no próprio ato o toque soberano de Deus.

31 de ago. de 2010

Um Sopro de Abominação – Joseph Alleine (1634 – 1668 )



Sem verdadeira conversão todas as suas práticas religiosas são nada mais que perdas, pois elas não cumprem os verdadeiros propósitos do evangelho, isto é, não podem agradar a Deus nem salvar sua alma (Romanos 8:8; I Coríntios 13:2-3). Mesmo que seus cultos sejam muito especiais, Deus não tem prazer neles (Isaías 1:14; Malaquias 1:10). Não é terrível a situação daquele homem, cujos sacrifícios são como homicídios e cujas orações como um sopro de abominação? (Isaías 66:3; Provérbios 28:9). Muitos, sob convicção, pensam que estão determinados a se corrigirem e que algumas orações e esmolas poderão consertar tudo; mas que tristeza, senhores, enquanto seus corações permanecerem sem santificação, nenhuma de suas obrigações será aceita.

Quão meticuloso era Jeú! No entanto, tudo foi rejeitado porque o seu coração não era justo (II Reis 10 com Oséias 1:4). Quão irrepreensível era Paulo! Contudo, não sendo convertido, tudo não passava de perda (Filipenses 3:6-7). Os homens acham que fazem muito em dar atenção ao serviço de Deus, e até O consideram em débito com eles, entretanto, não estando santificados, suas práticas religiosas não podem ser aceitas.

Ó alma, não pense que quando seus pecados a perseguem, uma simples oraçãozinha e uma reformazinha de sua conduta poderão apaziguar a Deus. É necessário começar com o seu coração. Se ele não for renovado, você não pode agradar a Deus mais do que alguém que, tendo-o ofendido indizivelmente, viesse trazer-lhe a coisa mais asquerosa para acalmá-lo; ou, havendo caído no lodo, pensasse em reconciliar-se com você com seus abraços imundos.

Ê uma grande desgraça labutar no fogo. Os poetas não poderiam inventar um inferno pior para Sísifo, do que ficar labutando eternamente, a fim de levar para cima da montanha a pesada pedra que sempre rolava para baixo novamente, obrigando-o a recomeçar o seu trabalho. Para Deus o maior dos julgamentos temporais é que os que desobedecem edifiquem uma casa sem habitar nela, plantem e não colham, e o seu trabalho seja devorado pelos estrangeiros (Deuteronômio 28:20, 38-41). Não é uma grande desgraça perder todo nosso trabalho, semear e construir em vão? Mas é muito pior perder nossos esforços religiosos — orar, ouvir a Palavra de Deus e jejuar em vão! Trata-se de uma perda eterna e irreparável. Não se deixe enganar: se você continuar no seu estado pecaminoso, ainda que estenda as suas mãos, Deus vai esconder os olhos; mesmo que você faça muitas orações. Ele não ouvirá (Isaías 1:15). Se um homem incapaz começa a fazer o nosso trabalho e o estraga, mesmo que ele capriche, não o agradecemos por isso. Deus tem que ser adorado conforme Sua determinação. Se um servo faz o nosso trabalho totalmente contrário à nossa ordem, ele deverá receber açoites ao invés de louvores. A obra de Deus precisa ser feita de acordo com a vontade dEle, ou Ele não Se agradará; e isto não pode ser, a menos que seja feito com um coração santo.

Fonte: [Josemar Bessa]

6 de mai. de 2010

O Novo Nascimento e a Obrigação do Pregador - John Owen





John Owen (1616–1683)

A obra do Espírito de Deus na regeneração da alma dos homens deve ser analisada diligentemente pelos pregadores do evangelho e por todos a quem a Palavra é outorgada.

Quanto aos pregadores, eles têm uma razão peculiar para atentarem a este dever, pois são usados e empregados nesta obra pelo Espírito de Deus, que os utiliza como instrumentos para a realização deste novo nascimento e vida. O apóstolo Paulo se intitulou pai daqueles que foram convertidos a Deus ou regenerados por meio da Palavra de seu ministério: “Porque, ainda que tivésseis milhares de preceptores em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; pois eu, pelo evangelho, vos gerei em Cristo Jesus” (1 Co 4.15). Ele foi usado no ministério da Palavra para a regeneração daqueles crentes e, portanto, era seu pai espiritual; e somente ele o era, embora mais tarde o trabalho tenha sido levado adiante por outros.

E, se homens são, no evangelho, pais de convertidos a Deus por meio do ministério pessoal deles, não há qualquer vantagem para alguém ter assumido, um dia, esse título se não teve qualquer envolvimento nessa obra, nem no seu sucesso. Assim, falando sobre Onésimo, que foi convertido por ele na prisão, Paulo o chama de seu filho, a quem havia gerado entre algemas (Fm 10). E declarou que isso lhe havia sido prescrito como o principal objetivo de seu ministério, que incluía a comissão de pregar o evangelho (At 26.17-18). Cristo disse-lhe: “Eu te envio, para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus”; essas palavras descrevem a obra que estamos considerando. Essa também é a principal finalidade de nosso ministério.

Certamente, é dever dos ministros compreender, tanto quanto puderem, a obra com a qual estão ocupados, para que não trabalhem no escuro nem combatam de forma incerta, como homens que desferem golpes no ar. O que as Escrituras revelam sobre esta obra, a sua natureza e a maneira como se realiza, suas causas, efeitos, frutos, evidências — tudo isso eles devem analisar diligentemente. Ser espiritualmente habilitado nisso é a principal arma de qualquer um para a obra do ministério. Sem esta habilidade, ele nunca estará apto a manejar bem a Palavra nem a apresentar-se como obreiro que não tem de que se envergonhar. Contudo, é raro imaginarmos com que fúria e perversidade de espírito, com que expressões de zombaria toda esta obra é mal interpretada e exposta ao desprezo.

Dizem a respeito daqueles que exercem esta função que eles “prescrevem longas e entediantes conferências de conversão, para declararem precisos e sutis processos de regeneração, visando encher a cabeça das pessoas com inúmeros medos e escrúpulos supersticiosos sobre os devidos graus da contrição piedosa, e os sintomas de uma humilhação completa”.[1] Se algum erro quanto a essas coisas ou a prescrição de regras sobre a conversão a Deus e a regeneração pudesse ser atribuído a certas pessoas específicas que não são asseguradas pela Palavra da verdade; se tudo isso pudesse ser cobrado de pessoas em particular, não seria errado refletir sobre essas regras e refutá-las. Entretanto, a intenção dessas expressões é evidente, e a reprovação contida nelas é lançada na própria obra de Deus. E devo confessar que acredito na degeneração que se aparta da verdade e do poder do cristianismo, na ignorância das principais doutrinas do evangelho e no desprezo lançado, por meio destas e de expressões semelhantes, sobre a graça de nosso Senhor Jesus Cristo por aqueles que não somente se declaram ministros, e também declaram possuir um nível mais elevado que o dos outros, e que serão tristemente agourentos quanto a toda a situação da igreja reformada entre nós, se não forem reprimidos e corrigidos em tempo. Mas, no presente, o que afirmo sobre este assunto é:

1. O dever indispensável de todos os ministros do evangelho é inteirar-se totalmente com a natureza de seu trabalho, para que possam aquiescer à vontade de Deus e à graça do Espírito em sua realização na alma daqueles a quem ministram a Palavra. Também não podem cumprir seu trabalho e obrigação, de maneira correta, sem conhecimento apropriado dele. Se todos que os escutam nasceram mortos em delitos e pecados, se Deus os destinou para serem instrumentos de regeneração dessas pessoas, é uma loucura, da qual será necessário prestar contas um dia, negligenciar uma constante análise da natureza desta obra e dos meios pelos quais ela é realizada. A ignorância e a negligência quanto a esta necessidade, aliadas à carência de uma experiência do poder desta obra na alma deles é uma grande causa da falta de vida e do ministério não aproveitável entre nós.

2. Por semelhante modo, todos a quem a Palavra é pregada têm o dever de investigá-la. É para estes que o apóstolo fala: “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” (2 Co 13.5). A preocupação de todo cristão ou do que professa a religião cristã é provar e examinar em si mesmo a obra que o Espírito de Deus efetuou em seu coração. Ninguém o impedirá de fazer isso, exceto aqueles que desejam enganálos e levá-los à perdição.

(1) A doutrina da obra de pregação nos foi revelada e ensinada: “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Dt 29.29). Não falamos em investigar ou informar-nos, com curiosidade, sobre as coisas ocultas, ou secretas, ou as ações encobertas do Espírito Santo. Falamos apenas sobre um esforço correto para pesquisar e compreender o ensino concernente a esta obra, tendo em vista esta finalidade: que possamos entendê-la.

(2) É muito importante para todos os nossos deveres e confortos que tenhamos um entendimento apropriado da natureza da obra de pregação e de nosso próprio interesse nela. A análise de ambas essas coisas não pode ser negligenciada sem a maior insensatez; a isso podemos acrescentar:

(3) O perigo de que os homens sejam enganados quanto ao assunto da regeneração, ou seja, a base sobre a qual se firmam e dependem o seu estado e condição eternos. É certo que, no mundo, muitos se enganam neste assunto; evidentemente, vivem num destes erros perniciosos: a) que os homens vão para o céu ou que podem “entrar no reino de Deus” sem nascer de novo, o que é contrário ao que nosso Salvador disse (Jo 3.5). b) Outro erro é o pensamento de que os homens podem nascer de novo e continuarem vivendo no pecado, mas isso contradiz 1 João 3.9.

John Owen (1616–1683). Teólogo e pastor congregacional. Seus trabalhos escritos, que totalizam vinte e quatro volumes, estão entre os melhores recursos para estudos teológicos na língua inglesa. Nasceu em Oxfordshire, na vila de Stadham, Inglaterra.
1. ↑ Parker, Samuel. Defense and continuation of the ecclesiastical politie. A. Clark for J. Martyn, 1671. p. 306-307.



Fonte:[Vemver textos]
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