Mostrando postagens com marcador Amor de Cristo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amor de Cristo. Mostrar todas as postagens

10 de jun. de 2011

Amor e Aflição – C. H. Spurgeon


Eis o homem! João 19.5

Nosso Senhor Jesus Cristo se tornou a completa alegria e consolação de seu povo, quando submergiu nas profundezas do sofrimento. Vejam o homem no jardim do Getsêmani. Contemplem o coração dEle, tão repleto de amor, que Ele mesmo não podia retê-lo, e tão repleto de aflição, que Ele tinha de encontrar uma forma de desabafo. Vejam o suor sangrento, enquanto ele cai no chão. Contemplem o homem, enquanto os soldados pregam os cravos nas mãos e nos pés dEle.

Olhem, pecadores arrependidos, e vejam a triste imagem do Salvador em sofrimento. As gotas de sangue permanecem na coroa de espinhos e adornam o diadema do Rei com jóias de valor incalculável. Vejam o homem, quando todos os seus ossos estão desarticulados e Ele está se derramando, como água, e sendo trazido à morte. Deus O abandonou, e o inferno O cercou.

Contemplem e verifiquem: jamais houve alguma aflição semelhante à dEle? Aproximem-se e admirem o espetáculo — singular, sem igual, uma maravilha para os homens e para os anjos. Fixem os olhos nEle, pois, se não existe consolação no Cristo crucificado, não existe nenhum regozijo na terra ou no céu. Se o preço de resgate do sangue de Cristo não oferece qualquer esperança, não pode haver qualquer gozo em seu coração. Quando nos assentamos aos pés da cruz, ficamos menos perturbados com nossas dúvidas e temores.

Quando vemos os sofrimentos do Senhor Jesus, nos sentimos envergonhados de mencionar os nossos próprios sofrimentos. Precisamos tão-somente fixar nossos olhos em suas feridas, para que as nossas sejam curadas. Se vivermos em retidão, isso acontecerá por meio da contemplação da morte de Cristo. Se formos elevados à dignidade, isso ocorrerá por considerarmos a humilhação e as aflições de Cristo. 


Fonte: [C. H. Spurgeon]

17 de jul. de 2010

A Cruz de Cristo - J.C. Ryle (1816-1900)


O que você pensa acerca da cruz de Cristo? Talvez você considere esta questão como algo de somenos importância; não obstante, dela depende intensamente o bem-estar eterno de sua alma.

Há mil e oitocentos anos atrás, houve um homem que disse gloriar-se na cruz de Cristo. Foi alguém que revirou o mundo de cabeça para baixo pelas doutrinas que pregava. De todos os homens que já viveram neste mundo, foi ele quem mais contribuiu para o estabelecimento do Cristianismo. E mesmo assim, foi este homem quem disse aos Gálatas:

“Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”, Epístola de Paulo Aos Gálatas 6.14

Leitor, a “cruz de Cristo” deve ser um assunto verdadeiramente importante para que um apóstolo inspirado fale de tal forma sobre ela. Deixe-me tentar demonstrá-lo o verdadeiro significado desta expressão. Uma vez reconhecendo o que significa a cruz de Cristo, com a ajuda de Deus você se tornará capaz de perceber a importância dela para a sua alma.

A palavra cruz, na Bíblia, algumas vezes faz referência à cruz de madeira na qual o Senhor Jesus foi cravado e posto para morrer, no Calvário. Isto é precisamente o que São Paulo tinha em sua mente quando falou aos Filipenses que Cristo “foi obediente até a morte, e morte de cruz” (Fp 2.8). Contudo, esta não era a cruz na qual São Paulo se gloriava. Ele esquivar-se-ia com horror da idéia de gloriar-se em um mero pedaço de madeira. Eu não tenho quaisquer dúvidas de que ele denunciaria a adoração católica romana do crucifixo como profana, blasfema e idolátrica.

A cruz, em outras vezes, é atinente às aflições e provações que os crentes atravessam pela causa da religião que professam, quando seguem a Cristo fielmente. Este é o sentido no qual nosso Senhor usa a palavra, quando diz: “Aquele que não toma a sua cruz, e segue-me, não é digno de mim” (Mt 10.38). Este também é o sentido no qual Paulo usa a palavra quando escreve aos Gálatas. Ele conhecia bem esta cruz. Deveras, ele a carregava pacientemente; no entanto, também não é sobre isto que ele está falando aqui.

Mas a palavra cruz também se refere, em alguns outros lugares da Escritura, à doutrina de que Cristo morreu pelos pecadores sobre a cruz, - a expiação que Ele fez pelos pecadores, por Seus sofrimentos em favor deles sobre a cruz – o completo e perfeito sacrifício pelo pecado que Jesus ofereceu quando deu Seu próprio corpo para ser crucificado. Em suma, este termo, “a cruz”, aponta para Cristo crucificado, o único Salvador. Este é o significado no qual Paulo usa a expressão, quando fala aos coríntios: “A pregação da cruz é loucura para os que perecem” (1 Co 1.18). E este também é o significado do que ele escreveu aos Gálatas: “Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”. Ele está dizendo simplesmente isto: “Eu não me glorio em nada mais, exceto em Cristo crucificado, como a salvação de minha alma”.

Leitor, Jesus Cristo crucificado era a alegria e o deleite, o conforto e a paz, a esperança e a confiança, a fundação e o lugar de descanso, a arca e o refúgio, o alimento e o remédio da alma de Paulo. Ele não considerava que teria de executar algo por si mesmo ou padecer por si mesmo. Ele não era mediado por sua própria bondade e nem por sua própria retidão. Ele amava pensar naquilo que Cristo havia feito, e naquilo que Cristo havia sofrido - a morte de Cristo, a justiça de Cristo, a expiação de Cristo, o sangue de Cristo, a obra finalizada de Cristo. Nisto, sim, ele se gloriava. Este era o sol de sua alma.

Este era o assunto que sobre o qual ele amava pregar. O apóstolo Paulo foi um homem que percorreu a terra proclamando aos pecadores que o Filho de Deus havia derramado o sangue de Seu próprio coração para salvar-lhes. Ele caminhou por todos os lugares neste mundo falando às pessoas que Jesus Cristo as amava, a ponto de morrer pelos seus pecados sobre a cruz. Observe como ele diz aos coríntios: “Eu vos entreguei o que primeiro recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados” (1 Co 15.3); “eu me determinei a não saber de qualquer coisa entre vós, a não ser Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Co 2.2). Ele – um blasfemo, fariseu perseguidor – havia sido lavado no sangue de Cristo; de tal modo a não poder deixar de sustentar sua paz sobre este sangue. Por isso ele nunca se cansava de falar da história da cruz.

Este foi o tema sobre o qual ele amava alongar-se quando escrevia aos crentes. É maravilhoso observar como suas epístolas geralmente são repletas dos sofrimentos e da morte de Cristo - como elas discorrem sobre "pensamentos que inspiram e palavras que ardem" sobre o amor e o poder das agonias de Cristo. Seu coração parece cheio deste assunto: ele discorre sobre isto constantemente e retoma o tema continuamente. É o fio de ouro que perpassa todo seu ensino doutrinário, e todas as exortações práticas. Ele parece pensar que mesmo para o cristão mais maduro nunca é demais ouvir sobre a cruz.

Foi sobre isto que ele viveu toda sua vida, desde o tempo de sua conversão. Ele diz aos gálatas: “A vida que agora eu vivo na carne, vivo-a pela fé no Filho de Deus, o qual me amou, e a si mesmo se deu por mim” (Gl 2.20). O que o faz tão forte para o labor? O que o faz tão disposto para a obra? O que o faz tão incansável em esforçar-se para salvar alguns? O que o faz tão perseverante e paciente? Eu vou dizê-lo, qual o segredo disto tudo. Ele sempre se alimentava pela fé do corpo de Cristo e do sangue de Cristo. Jesus Cristo foi a comida e a bebida de sua alma.

E leitor, você pode estar convicto de que Paulo estava correto. Confiar nela, isto é, na cruz de Cristo, - a morte de Cristo sobre a cruz para fazer a expiação pelos pecadores – é a verdade central ao longo de toda a Bíblia. Esta é a verdade que encontramos logo ao abrirmos no livro do Gênesis. A semente da mulher que esmagaria a cabeça da serpente - isto não é outra coisa senão uma profecia de Cristo crucificado. Deveras, esta é a verdade que brilha, por trás do véu, em toda a lei de Moisés e na história dos judeus. Os sacrifícios diários, o cordeiro pascal, o contínuo derramamento de sangue no tabernáculo e no templo - tudo isto são sombras do Cristo crucificado. E esta é a verdade que também vemos ser honrada na visão do céu, antes do fechamento do livro das Revelações: “Então, vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tendo sido morto”(Ap 5.6). De fato, mesmo em meio à glória celestial nós encontramos uma visão de Cristo crucificado. Tire a cruz de Cristo, e a Bíblia será um livro obscuro. Ela seria como os hieróglifos egípcios, sem a chave que interpreta o seu significado – curiosa e maravilhosa, mas sem qualquer serventia real.

Leitor, observe bem o que eu lhe digo. Você pode conhecer uma boa porção da Bíblia. Pode conhecer os contornos das histórias nela contidas, e até a data dos eventos que a Bíblia descreve, assim como alguém pode conhecer a história da Inglaterra. Você pode conhecer os nomes dos homens e mulheres nela mencionados, assim como um homem conhece César, Alexandre o Grande, ou Napoleão. Você pode conhecer vários preceitos da Bíblia, e os admirar, assim como um homem admira Platão, Aristóteles, ou Sêneca. Mas se você ainda não descobriu que Cristo crucificado é o fundamento de cada livro, você tem lido a Bíblia até agora de modo muito pouco proveitoso. Sua religião é um céu sem um sol, um arco sem um fecho, um compasso sem uma agulha, um relógio sem molas ou valores, um candeeiro sem óleo. Ela não o confortará. Ela não livrará a sua alma do inferno.

Leitor, observe mais uma vez o que eu lhe digo. Você pode conhecer bastante acerca de Cristo, tendo alguma espécie de conhecimento intelectual. Você pode conhecer bem quem Ele foi, e onde Ele nasceu, e o que Ele fez. Você pode conhecer Seus milagres, Suas falas, Suas profecias, e Suas ordenanças. Você pode saber como Ele viveu, como Ele sofreu, e como Ele morreu. Contudo, pode-se conhecer o poder da cruz de Cristo experimentando-o; deveras - a menos que você saiba e reconheça que aquele sangue derramado sobre a cruz lavou seus próprios pecados particulares, e a menos que você esteja disposto a confessar que sua salvação depende inteiramente da obra que Cristo realizou sobre a cruz -, se não for esse o seu caso, Cristo não lhe será em nada proveitoso. Sim, o mero conhecimento do nome de Cristo jamais o salvará. Você deve conhecer a Sua cruz e o Seu sangue, ou então acabará morrendo em seus próprios pecados.

Leitor, enquanto você viver, tome cuidado com uma religião na qual não se ouve muito da cruz. Você vive em tempos nos quais a cautela, lamentavelmente, é necessária. Cuidado, eu repito, com uma religião sem a cruz.

Há centenas de lugares de adoração nestes dias, nos quais se encontram quase todas as coisas, exceto a cruz. Há carvalhos gravados, e pedras esculpidas; há vidros coloridos, e pinturas esplêndidas; há serviços solenes, e uma constante série de ordenanças; mas a cruz real de Cristo não há. Jesus crucificado não é proclamado no púlpito. O Cordeiro de Deus não é exaltado, e a salvação mediante a fé n’Ele não é livremente proclamada. E, por conseguinte, todos estes lugares estão em erro. Leitor, acautele-se de tais lugares de adoração. Eles não são apostólicos. Eles não haveriam de satisfazer a São Paulo.

Há milhares de livros religiosos publicados hodiernamente, nos quais se acham quase todas as coisas, exceto a cruz. Eles são plenos de direcionamentos sobre os sacramentos, e louvores da Igreja; eles abundam em exortações para uma vida santa, e em regras para a consecução da perfeição; eles apresentam fartura de fontes e cruzes, tanto interna quanto externamente; mas a cruz real de Cristo é deixada de fora. O Salvador e Seu amor agonizante tampouco são mencionados, ou o são de um modo anti-escriturístico. E, por conseguinte, todos estes livros são piores do que imprestáveis. Eles são não apostólicos. Eles jamais satisfariam a São Paulo.

Leitor, São Paulo não se gloriava em nada mais, a não ser na cruz. Esforce-se para também ser assim. Coloque Jesus crucificado sempre diante dos olhos de sua alma. Não ouça qualquer ensino que interponha algo entre você e Ele. Não caia no antigo erro dos gálatas. Não pense que alguém nestes dias seja melhor guia do que os apóstolos. Não se envergonhe das antigas veredas, nas quais percorreram homens que foram inspirados pelo Espírito Santo. Não deixe que a conversa vazia de homens que proferem grandes palavras dilatadas sobre a catolicidade, e a igreja, e o ministério, perturbem a sua paz, e o façam despreender-se da cruz. As igrejas, os ministros e os sacramentos são todos importantes a seu próprio modo, mas eles não são Cristo crucificado. Não dê a glória de Cristo a nenhum outro. “Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor”.

Leitor, pus tais pensamentos diante de sua mente. O que você pensa agora sobre a cruz de Cristo? Eu não posso dizer; mas não posso desejar a você algo melhor do que isto – que você possa ser capaz de dizer com o apóstolo Paulo, antes de você morrer ou apresentar-se ao Senhor, “Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”. Amém.

29 de abr. de 2010

O Constrangedor Amor de Cristo - R. M. McCheyne (1813 - 1843)


                                                  
  "Porque o amor de Cristo nos constrange." — 2 Corintios 5:14

De todos os aspectos do caráter do apóstolo Paulo, a sua atividade incansável era a mais mar cante. Com base na sua história inicial, que nos conta acerca de seus esforços pessoais como assolador da Igreja Primitiva, quando ele era um injurioso blasfemador e perseguidor, fica muito claro que essa era a característica proeminente de sua mente natural. Mas quando agradou ao Senhor Jesus Cristo manifestar nele toda a Sua longanimidade e fazer dele um padrão para aqueles que de pois haveriam de crer n'Ele, é belo e muito instrutivo ver como as características naturais deste homem, atrevidamente mau, tornaram-se não somente santificadas, como também revigoradas e aumenta das. Verdadeiramente todo aquele que está em Cristo é uma nova criação, "as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo". "Em tudo somos atribulados, porém, não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos", Tal era a figura fiel de Paulo depois de convertido. Co nhecendo os terrores do Senhor e a temível situação de todos os que estavam ainda em seus pecados, o alvo de sua vida era persuadir os homens. Ele lutava para que, se possível, recomendasse a verdade para as suas consciências. "Porque, se enlouquecemos é para Deus; e, se conservamos o juízo, é para vós", (versículo 13).

Não importa se o mundo nos considera sábios ou loucos, a causa de Deus e das almas humanas é aquela na qual estamos pondo todas as nossas energias. Quem, então, não estaria disposto a perguntar acerca da motivação de todos esses labores sobrenaturais? Quem não desejaria ter escutado dos próprios lábios de Paulo o princípio poderoso que o impelia através de tantas labutas e perigos Que fórmula mágica apossou-se dessa mente poderosa, ou que influência astrológica imperceptível, com poder incessante, encorajou-o a avançar através de todos os desalentos, fazendo-o indiferente tanto ao riso sarcástico do mundo como ao temor do homem;igualmente indiferente ao sorriso do cético ateniense, da carranca do luxurioso coríntio e da fúria do judeu de mente fechada? Que diz o próprio apóstolo? Temos sua explicação do mistério nas palavras seguintes: "O amor de Cristo nos constrange".
  O CONSTRANGEDOR AMOR DE CRISTO

  Desde que a morte de Cristo é apontada por todos como o exemplo de Seu amor, torna-se óbvio pela explicação seguinte que aqui se trata do Seu amor para com o homem e não do nosso amor para com Ele. (Veja 2 Coríntios 5:15). Foi a visão da extraordinária compaixão do Salvador, movendo-o a morrer pelos Seus inimigos, a sofrer tremendamente por todos os pecados deles e provar a morte por todos os homens, que deu a Paulo o impulso em cada combate, que tornou qualquer sofrimento leve para ele e fez com que nenhum mandamento lhe fosse pesado. Ele correu com paciência a carreira que lhe estava proposta. Por que? Porque -olhando para Jesus ele viveu como um homem "crucificado para o mundo e o mundo crucificado para ele". De que forma? Olhando para a cruz de Cristo.

Como o sol natural exerce uma poderosa e incessante atração sobre os planetas que giram ao seu redor, assim também fez o Sol da justiça, que de fato nascera no apóstolo Paulo, com um brilho superior ao do sol meridiano, exercendo sobre sua mente uma contínua e toda-poderosa energia, constrangendo-o a viver dali para frente não mais para si mesmo, e sim para Aquele que morrera e ressurgira por ele. Outrossim, observe que isso não foi uma atração temporária ou intermitente que se exer ceu sobre seu coração e vida, mas uma contínua e permanente atração. Ele não diz que o amor deCristo uma vez o constrangeu ou que o constrangeria, nem que nos momentos de emoção, de oração ou de devoção especial o amor de Cristo costumava constrangê-lo. O apóstolo disse simplesmente que o amor de Cristo o constrange. Ê o sempre presente, sempre permanente, sempre ativador poder que forma o motivo principal de todo o seu trabalho; de tal forma que, retirado isso, suas energias se vão embora e Paulo se torna fraco como os outros homens.

Lendo essas palavras, porventura haveria um coração desejoso de possuir tal princípio-mestre? Não haveria alguém que tenha chegado àquele estágio mais interessante da experiência cristã, no qual esteja suspirando por um poder para tornar-se novo? Você já entrou pela porta estreita da fé. Você já viu que não há paz para o não justificado e por tanto tens te revestido de Cristo como tua justiça e já sentes algo do gozo e paz do crente. Você pode olhar para tua vida do passado, sem Deus no mundo, sem Cristo no mundo e sem o Espírito no mundo; pode ver a ti mesmo como um condenado rechaçado e então diz: "Mesmo que lavasse minhas mãos em água de neve, ainda assim minhas próprias roupas me aborreceriam".  É verdade que você pode fazer tudo isso com vergonha e auto-reprovação, porém, sem desânimo e desespero, pois teus olhostêm sido erguidos com fé para Aquele que foi feito pecado por nós e você está persuadido de que, como agradou a Deus lançar todas as tuas iniquidades na conta do Salvador, assim Ele deseja e tem sempre desejado, atribuir toda a justiça do Salvador a você. Sem desespero, disse eu? Mais ainda, com gozo e cântico; pois, se na realidade crês de todo o coração, então chegaste à bem-aventurança daquele a quem Deus imputa justiça sem obras; o qual Davi descreve, dizendo: "Bem-aventurado é aquele cuja transgressão é perdoada, cujo pecado é coberto. Bem-aventurado é o homem a quem o Senhor nãoimputa iniqüidade". (Salmo 32:1-2).

  Esta é a paz do homem justificado. Mas esta paz é um estado de perfeita bem-aventurança? Não há mais nada a desejar? Eu apelo àqueles que sabem o que é ser justificado pela fé. Que é que ainda turva o semblante, que reprime a exultação do es­pírito? Por que nem sempre podemos participar na canção de ações de graças, "Bendiz o Senhor, ó minha alma e não te esqueças de nenhum de seus benefícios. É ele que perdoa todas as tuas iniquidades"? Se já recebemos o perdão dos nossos pecados, por que seria necessário argumentarmos como o salmista que clama: "Por que estás abatida ó minha alma e por que te perturbas em mim"? Meus amigos, entre vocês não existe um crente verdadeiro que tenha deixado de sentir este inquietante sentimento do qual estou falando. Pode haver alguns que o tenham sentido de maneira tão dolorosaque, como uma nuvem negra, tem obscurecído a doce luz da paz do evangelho e o brilho do rosto da pessoa reconciliada. O pensamento é este: "Sou um homem justificado, mas ai de mim! não sou um homem santificado, Posso olhar para minha vida pas sada sem desespero, mas como poderei olhar para frente, àquilo que está no futuro"?

Não há um panorama moral mais pitoresco em todo o universo do que o apresentado. por essa alma. Perdoadas todas as transgressões passadas, o olhar volta-se para o interior com uma clareza e imparcialidade desconhecidas anteriormente, e aí contempla suas afeições voltadas para o pecado as quais, como rios correntosos, já cavaram um canal profundo no coração. Também vê suas crises periódicas de paixão, outrora irresistível e sobrepujante como as marés do oceano junto com suas perversidades de temperamento e hábito, pervertidos e obstinados, como os ramos retorcidos de um carvalho impedido de crescer. Que cena temos aqui! que antecipação do futuro! que pressentimentos de uma luta em vão contra a tirania da concupiscência! contra a velha maneira de agir, de falar e de pensar! Não fosse a esperança da glória de Deus, que é um dos benefícios concedidos ao homem justificado, quem ficaria surpreso se esta visão de terror levasse o homem de volta, como um cachorro ao seu vômito, ou como a porca que foi lavada a mergulhar novamente no lamaçal?

É para o homem que está exatamente nessa situação, clamando dia e noite: como poderei me tornar novo? Que bem faz a mim o perdão dos pecados passados se não sou libertado do amor ao pecado? — é para esse homem que vamos agora, com todo o zelo e afeição indicar o exemplo de Paulo e o poderinterior que operou nele. "O amor de Cristo" (diz Paulo)   "nos constrange". Nós também somos homens que temos as mesmas paixões que vocês; aquela mesma visão que vocês vêem com desânimo dentro de si, foi revelada da mesma maneira para nós em todo o seu poder desencorajante. Contínua e re­petidamente a mesma visão horrível de nossos próprios corações se nos descortina. Mas temos um encorajamento que nunca falha. O amor do Salvador crucificado nos constrange. O Espírito é dado àqueles que crêem, e sendo Ele um agente todo-poderoso, tem um argumento que nos comove continuamente — o amor de Cristo.

Meu objetivo presente é mostrar como esse argumento, nas mãos do Espírito, realmente impulsiona o crente a viver para Deus; como a verdade simples do amor de Cristo para com o homem, de contínuo apresentado à mente pelo Espírito Santo, deveria habilitar qualquer homem a viver uma vida santa. Se existe algum homem entre vocês cuja grande interrogação é: "Como serei salvo do meu pecado ou de que maneira andarei como um filho de  Deus?" estou ansioso para atrair seu ouvido ecoração mais que a todos os outros. 


 R. M. Mccheyne (1813 – 1843)




Fonte:[Josemar Bessa]
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...