16/03/2012

A Sabedoria do Pai mostrada na Redenção - Jonathan Edwards (1703-1758).


Consideremos a MANEIRA COMO essa Pessoa IRIA NOS Substituir. Após escolher a pessoa para ser o nosso Redentor, o passo seguinte da sabedoria divina seria escolher a maneira pela qual essa pessoa realizaria a obra da redenção.

Se Deus tivesse revelado quem realizaria essa obra e não tivesse revelado nada além disso, nenhuma outra criatura poderia imaginar a maneira pela qual essa pessoa realizaria essa obra. E se Deus tivesse dito a elas que o Seu Filho Unigênito seria o Redentor, e que somente Ele era pessoa adequada e suficientemente competente para essa tarefa, mas tivesse pedido às Suas criaturas que planejassem a maneira como essa Pessoa, adequada e competente, deveria proceder, poderíamos imaginar que toda a sabedoria humana criada seria considerada um esforço inútil para fazer tal suposição.

A primeira coisa que deveria ser feita seria transformar esse Filho de Deus em nosso Representante e Fiador, de modo que Ele fosse um substituto no lugar do pecador. Mas qual das inteligências criadas poderia conceber algo como: o Filho de Deus, eterno e infinitamente amado, sendo o substituto no lugar dos pecadores? O Filho de Deus no lugar de um pecador, de um rebelde, de um objeto da ira de Deus?

Quem poderia pensar numa pessoa que possui glória infinita representando vermes pecadores, os quais se tornaram infinitamente provocadores e abomináveis por causa de seu pecado? Pois se o Filho de Deus fosse o substituto do pecador, conseqüentemente, o pecado do pecador deveria ser lançado sobre Ele.

Ele precisaria levar a culpa do pecador sobre Si. Teria de submeter-Se à mesma Lei à qual o homem estava sujeito, tanto no que se refere aos mandamentos, quanto no se refere às punições. Quem poderia pensar em semelhante coisa com relação ao Filho de Deus? Mas podemos ir além disso.

"Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais" - Efésios 3.10
Fonte: [Josemar Bessa]

14/03/2012

A Sabedoria do Pai ao escolher o Filho - Jonathan Edwards (1703-1758)



Considere a escolha da pessoa DO nosso Redentor. Quando Deus designou a redenção da humanidade, Sua grande sabedoria revelou-se no fato de que Ele mesmo determinou que o Seu Único Filho fosse a pessoa que executaria essa tarefa. Ele era o redentor escolhido pelo próprio Deus e, por essa razão, é chamado nas Escrituras de "O Escolhido de Deus" (Is 42.1). A sabedoria na escolha dessa Pessoa se manifesta no fato dEle ser, em todos os aspectos, a pessoa mais apropriada para executar essa tarefa. Era necessário que a pessoa do redentor fosse uma pessoa divina. Ninguém, senão um ser divino era competente o suficiente para essa grande obra. Ela era totalmente inadequada para qualquer outra criatura. Era imprescindível que o redentor dos pecadores fosse infinitamente santo em si mesmo. Ninguém poderia remover a infinita maldade do pecado, senão alguém que fosse infinitamente separado do pecado e contra o pecado. E em relação a esse aspecto, Cristo é a pessoa mais adequada para ser o redentor.

Para que a pessoa fosse competente o suficiente para realizar essa tarefa, era imprescindível que ela fosse uma pessoa infinitamente digna e excelente e pudesse ser merecedora de infinitas bênçãos. E em relação a esse aspecto, o Filho de Deus é pessoa mais adequada. Era necessário que essa pessoa fosse alguém com sabedoria e poder infinitos, pois essa era uma obra tão difícil que exigia alguém com esses atributos. E em relação a esse aspecto, Cristo é a pessoa mais adequada para ser o redentor.

Era imprescindível que essa pessoa fosse muito amada por Deus Pai para que Ele concedesse um valor infinito ao acordo feito entre os dois, devido a Sua estima por essa pessoa, de modo que o amor do Pai por essa pessoa pudesse equilibrar a ofensa e a provocação causada pelos nossos pecados. E em relação a esse aspecto, Cristo é a pessoa mais adequada para ser o redentor. Somos aceitos pelo Pai, "no Amado" (Ef 1.6).

Era imprescindível que essa pessoa fosse alguém com autoridade absoluta para agir por si mesmo; alguém que não fosse um sevo ou um súdito, pois alguém que não pudesse agir por sua própria autoridade não teria valor algum. Aquele que fosse um servo e não pudesse fazer nada além do que aquilo que era obrigado a fazer não seria digno para essa tarefa. E aquele que não possuía coisa alguma que não fosse absolutamente sua não poderia pagar o preço da redenção de outro. E em relação a esse aspecto, Cristo é a pessoa mais adequada para ser o redentor. Ninguém, senão um ser divino poderia ser adequado para ser esse redentor. Essa pessoa deveria ser alguém que possuísse misericórdia e graça infinitas, pois nenhuma outra pessoa, senão alguém como Ele, poderia realizar uma obra tão difícil em prol de uma criatura tão indigna quanto o homem. E em relação a esse aspecto, Cristo é a pessoa mais adequada para ser o redentor.

Era imprescindível que essa pessoa possuísse verdade e fidelidade perfeitas e imutáveis. Caso contrário, não seria uma pessoa adequada, de quem poderíamos depender para realizar tamanha tarefa. E em relação a esse aspecto, Cristo é a pessoa mais adequada para ser o redentor.

A sabedoria de Deus em escolher Seu Filho Eterno se manifesta não somente no fato dEle ser a pessoa mais adequada, mas também no fato dEle ser a única Pessoa adequada dentre todas, quer criadas ou não. Nenhum ser criado – quer fosse homem, quer fosse anjo – era adequado para realizar essa tarefa... Isso revela a sabedoria divina em saber que Cristo era a pessoa adequada. Nenhum outro, senão Aquele que possui a sabedoria divina poderia conhecer esse fato. Nenhum outro, senão Aquele que possui a sabedoria divina poderia pensar em Cristo para ser o redentor dos pecadores. Pois, visto que Cristo também é Deus, Ele é uma das Pessoas contra Quem o homem pecou e que foi ofendida pelo pecado de rebelião do homem. Quem, senão o Deus infinitamente sábio poderia pensar em Cristo para ser o redentor de pecadores que haviam pecado contra Ele, os quais eram Seus inimigos e mereciam o mal infinito de Suas mãos? Quem poderia pensar nEle como Aquele que colocaria o Seu coração no homem e teria amor e compaixão infinitos por ele, exibindo sabedoria, poder e merecimento infinitos pela redenção do homem? 


"Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais"Efésios 3.10

Fonte:  [Josemar Bessa]

26/02/2012

Como pode Ló ser considerado justo?

por Chris Bruno
Chris Bruno
Chris Bruno
Tenho que confessar que 2 Pedro 2.7 sempre me deixa perplexo. Quando você lê Gênesis 19 e a descrição do julgamento de Deus sobre Sodoma e Gomorra, não há muito que te leve a pensar que “Ló, homem justo” “se afligia com procedimento libertino dos que não tinham princípios morais”, conforme relata Pedro.
Em Gênesis 19, Ló está vivendo em Sodoma com, aparentemente, nenhuma dificuldade para dormir a noite. Como muitos comentaristas afirmam, ele estava sentado no portão da cidade (Gn 19.1), o que indica que indica que ele tinha alguma influencia na cidade. Embora não haja nada de errado em ter certa influência em uma cidade repleta de pecadores (de fato, deveríamos almejar mais isso hoje em dia), nada no texto indica que Ló estava trabalhando para transformar a cidade para o Reino de Deus.
Além disso, enquanto ele insistia em mostrar hospitalidade aos estrangeiros que estavam visitando, ele também oferece suas filhas virgens, no lugar das demandas lascivas dos seus vizinhos em dormir com estrangeiros. Além disso, as filhas de Ló o embebedaram para que ele fosse pai dos seus netos na ultima parte do capítulo. Não acho que podemos varrer isso facilmente para debaixo do tapete. Então, pelo menos em Gênesis 19, as evidências certamente vão de encontro à imagem de Ló como justo. Então, como Pedro pode chamá-lo de “Ló, homem justo”?
Eu acho que a chave desse enigma é encontrada em Gênesis 19.29: “Quando Deus arrasou as cidades da planície, lembrou-se de Abraão e tirou Ló do meio da catástrofe que destruiu as cidades onde Ló vivia.”
Quando ligamos os pontos, descobrimos que Ló era justo por causa do Evangelho. Em Gênesis 15.6, nós vemos que Abraão acreditava em Deus e isso lhe foi imputado como justiça. Com isso dizemos que Abraão foi justificado pela fé e, como podemos ver em Gênesis 12-17, a aliança abraâmica é um testemunho da justificação pela fé. Paulo parece sobre isso em Romanos 4 e Gálatas 3.
Então, quando Gênesis 19.29 diz “Deus se lembrou de Abraão”, eu acho que podemos ter uma pista de como Ló era de fato justo. Eu não acho que podemos dizer que quando Deus se lembrou de Abraão, a justiça através da fé de Abraão foi imputada a Ló. Antes, a lembrança de Deus a Abraão se refere a, pelo menos, duas coisas: primeiro, Abraão era de fato justo pela fé, e encontrou favor diante de Deus. Por causa disso, o resgate de Ló foi, de certa forma, em benefício de Abraão. Foi, claramente, uma resposta às orações de Abraão em Gênesis 18.22-23.
Mas isso ainda não explica 2 Pedro 2.7. De fato, Pedro vai dizer que Ló era atormentado “pois, vivendo entre eles, todos os dias aquele justo se atormentava em sua alma justa por causa das maldades que via e ouvia” (2 Pedro 2.8). Então, com base em 2 Pedro, nós devemos concluir que há mais do que um simples favor de Deus a Abraão em Gênesis 19. Eu creio que quando Deus se lembra de Abraão, ele não estava apenas se lembrando de Abraão individualmente. Assim, a segunda maneira pela qual Deus se lembra de Abraão, foi pela aliança que tinha com Abraão e a promessa de que, como Paulo coloca, todas as pessoas de fé são filhos de Abraão (Gálatas 3.9).
Então como Ló era justo? Ló era justo da mesma forma que você e eu somos justos – crendo no Deus de Abraão. Deus de se lembra de Abraão (Gn. 19.29), cuja fé lhe foi imputada como justiça (Gn 15.6). A única resposta biblicamente consistente que responde a pergunta de como Ló era justo (2 Pe 2.7) é que ele, como Abraão, cria em Deus. Ló era justo não porque ele agiu perfeitamente no incidente com os estrangeiros em Gênesis 19 – longe disso. Mas sabemos por Pedro que ele foi perturbado pelo pecado que ele via ao seu redor dia após dia.
Sugiro que o que nós devemos fazer é ler a Bíblia canonicamente nessa situação. Nós podemos ver em Gênesis 19.29 que a fidelidade de Deus para com a sua aliança com Abraão foi um fator decisivo no resgate de Ló. Nós sabemos que, de acordo com Gênesis 15.6, Deus justifica, ou faz justo, aquele que crê nas suas promessas. Então, podemos inferir o estado de justiça de Ló em Gênesis. Como consequência disso, podemos supor que, assim como a obediência de Abraão no sacrifício de Isaque em Gênesis 22 foi resultado desse estado de justiça, a justiça de Ló deve conduzir à obediência. Gênesis nos deixa imaginando como isso poderia ter acontecido.
Mas 2 Pedro 2 confirma que Ló também era justo e como esse estado de justiça o afetou. Ele estava atormentado pelo pecado que via a sua volta em Sodoma. Contudo, essa não foi a causa de sua justiça, mas sim o resultado dela. Tanto a justiça dele quanto a nossa, como 2 Pedro 1.1 nos lembra, é final e totalmente baseada na justiça de nosso Deus e Salvador Jesus Cristo.
Isso significa que o único caminho para afirmar tanto os relatos de Gênesis 19 como o ensinamento de 2 Pedro 2 é ler os dois em harmonia. E quando nós lemos esses textos canonicamente e Cristologicamente, as peças se encaixam de uma forma que só podemos chegar a uma conclusão: Ló era simultaneamente justo e pecador.
E, mais frequentemente do que gostaria de admitir, eu ajo como Ló agiu. Eu também fico perturbado com o pecado que vejo à minha volta no mundo. Mas muito frequentemente, eu acabo respondendo ao pecado que vejo a minha volta da mesma forma como Ló fez – pecando. Meu palpite é que muitos cristãos também compartilham dessa mesma experiência.
Mas como Ló, eu também fui declarado justo. Não pelo que eu tenha feito, mas pelo que Cristo fez por mim. E no fim dos dias, serei proclamado como justo pela união com o Único verdadeiramente Justo. Nenhuma pessoa é declarada justa se estiver separada de Cristo, mas todos os que estiverem nele são declarados justos por meio dele. E foi por isso que Ló pôde ser declarado como justo mesmo em meio aos seus pecados. Então, 2 Pedro 2.7 é uma prova da audácia do evangelho – Pedro pôde chamar um homem com muitas falhas óbvias de “Ló, homem justo” por causa da promessa a Abraão. E se nós estamos em Cristo, então Deus também nos salvou porque Ele se lembra da sua promessa a Abraão.
Traduzido por Marianna Brandão | iPródigo.com | Original aqui
Fonte: [iPródigo]

21/02/2012

Os cristãos perseguidos e o martírio

“Os homens são feitos mártires não devido à quantidade de seu sofrimento, mas à causa pela qual eles sofrem.” Santo Agostinho
Por Marcelo Peixoto, historiador da Portas Abertas Brasil 
Milhares de cristãos foram mortos ao longo da história da Igreja sob diversas acusações. Em várias ocasiões os cristãos da Igreja Primitiva foram acusados de “traidores”, “criminosos”, “antissociais”, “obstinados”, “inimigos de Roma” e “ateus”. Cipriano de Cartago (210-258) pertencia a uma nobre e dedicou-se à oratória e à advocacia. Após se converter ao cristianismo foi eleito bispo de Cartago. Foi perseguido por se negar a participar das festas pagãs e oferecer sacrifícios aos deuses romanos. Cipriano foi julgado e degolado sob o governo do Imperador Valeriano.
Mas não para por aí, há uma extensa lista de homens e mulheres que foram mortos por não ceder às pressões políticas, religiosas e sociais de sua época. Para muitos, o que essas pessoas estavam dispostas a fazer era uma loucura sem precedentes; segundo o imperador romano Marco Aurélio, “os cristãos eram tolos obstinados”. Mas para os cristãos esse ato ia além de ser crucificado, degolado ou devorado por feras nas arenas; esse era um ato de fé, de autonegação e de afirmação da soberania de Deus sobre suas vidas.
Os mártires da história da Igreja cristã tinham muito claro para si que não importava o quanto sofreriam em seus corpos desde que a causa que defendiam fosse conhecida. A morte em si não era o fator mais importante no martírio deles, mas as razões que os conduziram a isso. O crescimento significativo da Igreja nos seus primeiros séculos se deve, em grande parte, à coragem de seus mártires que, através do seu amor e devoção a Cristo, cativavam e constrangiam as multidões pagãs e seus governantes. O filósofo e teólogo Søren Kierkegaard disse algo interessante a respeito disso.
“...Naturalmente existe uma enorme diferença entre o tirano e o mártir, embora ambos tenham uma coisa em comum: o poder de constrangimento. O tirano, ele mesmo ambicioso por dominar, obriga as pessoas por meio de seu poder; o mártir, ele mesmo incondicionalmente obediente a Deus, incita os outros por meio de seu sofrimento. O tirano morre e seu governo acaba; o mártir morre e seu governo se inicia...”.
Muitos consideram esses crentes em Jesus “malucos” e “insanos”, mas o fato é que a atitude deles é algo consciente e que quebra os paradigmas estabelecidos pelo mundo. O “correto” seria revidarem a agressão física, mas “ser morto em vez de matar confunde o assassino” e coloca em destaque o perseguido e sua causa e não o perseguidor. A despeito das razões apresentadas pelos perseguidores (política, religiosa, econômica, etc.) para perseguir e matar os cristãos, é a inocência e espontaneidade dos perseguidos que os torna a figura principal no martírio.
Certa vez o irmão André disse que “os muçulmanos só se entregarão a Cristo, quando os cristãos estiverem dispostos a dar a vida pelo que acreditam”. Muitos dos cristãos perseguidos no passado e nos dias de hoje dão a vida pelo que acreditam não para serem lembrados como mártires, mas para testemunhar ao mundo com suas vidas o sacrifício maior de Jesus e para que outros se rendam a Ele.
A causa de Cristo continua sendo para nós cristãos maior do que os sofrimentos que qualquer sistema ou indivíduo possa nos impor. “Aguardo ansiosamente e espero que em nada serei envergonhado. Ao contrário, com toda a determinação de sempre, também agora Cristo será engrandecido em meu corpo, quer pela vida, quer pela morte; porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro”.Filipenses 1. 20-21
FONTE: Bonhoeffer, o mártir. Responsabilidade social e compromisso cristão moderno.

08/02/2012

O incrédulo poeta percebe a Verdade

por John Piper
John Piper
John Piper
Como todos os seres humanos são criados à imagem de Deus (Gênesis 1.27), as obras da lei de Deus estão gravadas em seu coração (Romanos 2.15), os céus declaram a glória de Deus para todos que possam ver (Salmo 19.1), Deus colocou a eternidade no coração do homem (Eclesiastes 3.11), pela providência de Deus, toda pessoa está tateando em busca dele (Atos 17.27) e em Deus, todos nós vivemos, nos movemos e existimos (Atos 17.28), não é uma grande surpresa quando as pessoas que não ainda não enxergaram a glória de Cristo percebem, mesmo que de relance, o que o mundo realmente é, e depois não sabem o que fazer com isso.
Stephen Dunn é um poeta ganhador do Prêmio Pulitzer e não é cristão. “Eu penso que Deus é uma metáfora. Deus é uma metáfora para as origens e os mistérios do mundo… Eu penso nas crenças como provisórias. Elas não são constituídas de qualquer coisa fixa”.  Em uma entrevista para a revista Books and Culture, Aaron Rench o questionou sobre seu livro The Insistence of Beauty [A Persistência da Beleza].
A respeito do seu livro The Insistence of Beauty, o que é essa noção de que a beleza tem uma qualidade insistente e atrativa em si? Porque a beleza é assim?
Dunn responde:
Eu penso apenas que a beleza é irresistível. Ela nos rende. Leva embora nossos argumentos. E se você expande a noção de beleza – que há beleza no tosco ou no feio – as coisas ficam complicadas. Mas eu penso que a beleza, que na minha mente está mais relacionada com o sublime, é algo que nós não conseguimos resistir.
Sim, e é assim que nós somos convertidos a Cristo. Os olhos de nossos corações foram iluminados para verem a beleza de Cristo, e nesse momento, ele se tornou irresistível. É assim que a beleza divina e espiritual funciona. Ela se autentica. Ela “leva embora nossos argumentos”. Ou melhor: ela substitui todos os nossos falsos argumentos com um grande e verdadeiro argumento que não pode ser resistido.
É disso que 2 Coríntios 4.4-6 fala.
“O deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.”(v4)
A “glória de Cristo” é a beleza de Cristo. É a radiante completude de sua pessoa – o impacto de toda a sua perfeição. A razão pela qual as pessoas não acreditam em Cristo é porque elas não vêem o que realmente está lá. É isso que significa ser “cego”. A beleza está lá para ser vista, mas somos cegos a ela.
Se nós a vemos, nós acreditamos. “A beleza é irresistível”. Se você resiste, você não viu Cristo tão belo quanto ele realmente é (1 João 3.6b). Então a maneira como somos convertidos é quando a cegueira é retirada. O verso 6 vai dizer “ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo”. Deus substitui a cegueira pela luz. A luz é especificamente a “glória de Deus na face de Cristo”.
E isso é tudo. Não há coerção após essa revelação. A luz é atrativa. Nós não a contemplamos e nos perguntamos se devemos acreditar ou não. E ainda estamos ponderando, nós não enxergamos ainda.
O poeta Stephen Dunn, tateando em busca de Deus, diz que a beleza “está relacionada ao sublime”. É “algo que nós não conseguimos resistir”. Sim, o sublime é encontrado em Jesus Cristo. E é a glória dele que é supremamente irresistível.
Que isso seja verdade em sua vida: reflita nele; seja permeado por ele; aponte para ele. Quando mais você o conhecer, e quanto mais você admirar a perfeição de sua beleza, mais você ira refleti-lo. Que haja cada vez mais milhares de reflexos da beleza de Jesus. E que seja dito sobre esses reflexos: “Ela nos rende. Leva embora nossos argumentos.”
Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo 
Fonte: [iPródrigo]

07/02/2012

. . .ninguém sabe, exceto Seus amados – M. Lloyd-Jones (1899-1981)



Para (os incrédulos) Jesus Cristo foi apenas um homem que recebeu os primeiros cuidados de recém-nascido numa simples manjedoura, viveu, alimentou-se e bebeu como os demais seres humanos, e trabalhou como carpinteiro. Depois foi crucificado, na mais completa fraqueza. «Esses são os fatos», dizem eles, «e vão querer que eu creia que ele é o Filho de Deus? Impossível» . . .


Pensam apenas numa plana racional. . . E assim é o pensamento racional. Você lhes fala da doutrina do novo nascimento, e eles dizem: «É claro que coisas desse tipo não acontecem; não há milagres. . . uma vez que se fale em milagres, já se estará violando as leis da natureza». Como disse Matthew Arnold: «Milagres não podem acontecer; logo, não aconteceram milagres». É assim o pensa-mento racional.


. . .antes de alguém tornar-se cristão, tem que parar de pensar desse modo. Deve adotar novo tipo de pensamento; tem que começar a pensar espiritualmente. . . quando nos tornamos cristãos. . . descobrimos que passamos a pensar de maneira diferente. Ficamos noutro nível. . . os milagres já não são problemas, o novo nascimento já não é problema, a doutrina da expiação já não é problema.


Temos um novo entendimento, raciocinamos espiritualmente. Nosso Senhor foi visitado por Nicodemos, que. . . disse: «Senhor, tenho observado os teus milagres; por certo tu és um Mestre, vindo da parte de Deus, pois ninguém pode fazer as coisas que fazes se Deus não estiver com ele». E certamente estava querendo acrescentar: «Dize-me como o fazes. . .» Mas o Senhor olhou para ele e. . .o que disse a Nicodemos significa o seguinte: «Nicodemos, se achas que podes compreender isto antes que suceda contigo, cometes um erro e tanto. Jamais serás um cristão desse jeito. . . estás tentando compreender coisas espirituais com o teu entendimento natural. Mas não podes. Embora sejas mestre em Israel, terás de nascer de novo. . . é preciso que te dês conta de que a natureza deste novo tipo de raciocínio é espiritual».


Faith on Trial, p. 35,6.

31/01/2012

O limite da fraqueza


“Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos.” 1 Co 9:22. Lendo este texto fico me perguntando se Paulo pensou em algum limite para esta fraqueza quando o escreveu. Também me pergunto se atualmente a suposta fraqueza de alguns efetivamente tem o objetivo santo de ganhar os fracos.
Até que ponto a pregação do evangelho tem que se sujeitar a modismos e ondas pós-modernas de dominação do mundo e principalmente do consciente e inconsciente coletivo? Será que a cruz precisa de estratégias agressivas de marketing como os produtos tecnológicos ou as cadeias de varejo? Será que a TV e os programas de auditório, antes tão atacados pelos cristãos tradicionalistas, agora são a mais indicada forma de se pregar o evangelho de Cristo? Boas perguntas.
Não consigo acreditar que Paulo toparia lançar oferendas para Iemanjá a fim de alcançar os seus devotos. Também não consigo imaginar que Paulo toparia subir num palco e cantar “ai se eu te pego” a fim de abrir caminho para o coração do pessoal da “tribo” do sertanejo universitário. Não acredito em discipulado feito virtualmente, não foi assim que Jesus fez. Também não creio que o evangelho precise de subterfúgios de entretenimento coletivo para “vender” sua mensagem. Até porque ele não precisa ser vendido, é gratuito.
Talvez o limite da fraqueza citada por Paulo seja o da pessoalidade. Se fazer de fraco não significa ser fraco, ou seja, não é necessário ser viciado em nada para ter o mínimo de empatia com aqueles que são. Do contrário, seguindo esta lógica, seríamos forçados a pecar para demonstrar amor aos que pecam. Jesus não pecou e ninguém amou mais o pecador que ele.
Outro ponto é o motivo explicitado por Paulo para este tipo de atitude, ganhar os fracos. Se fazer de fraco só tinha este objetivo. Como sempre a resposta está no motivo e não na ação em si. Não tenho dúvidas quanto aos objetivos de Paulo, sua vida traduziu na íntegra tudo o que ele pregou. E hoje? O motivo ainda é o mesmo? Estamos fazendo papel de tolos e fracos buscando as mesmas glórias de Paulo? Tenho lá minhas dúvidas. E quando digo isso não penso em ninguém mais além de mim. Meu coração é enganoso e falho. Vivo a várias centenas de anos distante de Paulo e do primeiro derramar do Espírito Santo. Tenho receio de, no mínimo, me perder na fraqueza enquanto tento ganhar os fracos. Acho melhor mostrar a fortaleza da rocha na qual procuro me firmar a cada novo dia.
Na maior parte das vezes acho que estamos abrindo mão da nossa responsabilidade na expansão do reino. A maior propaganda do evangelho deveria ser nossas vidas. Pregações ambulantes. Corpos cravejados de cicatrizes que provam a eficácia do evangelho. Vidas redimidas e limpas através do sangue de um cordeiro inocente. Mas ao invés disso, na maior parte do tempo, temos terceirizado nosso chamado para ícones do mundo gospel na esperança que eles preguem, discipulem e conduzam vidas até a cruz.
É difícil não ser pessimista quanto a eficácia dessa estratégia para o reino de Cristo. Continuo acreditando não haver comunhão entre luz e trevas.
O limite da fraqueza citada por Paulo é Jesus. Enquanto Ele for o ÚNICO caminho apontado por você ok, mas caso Ele se torne UM DOS, então você deixou de se fazer de fraco e passou a ser um deles.

25/01/2012

O Reino de Cristo

D. A. Carson

Jesus falou sobre o reino como algo que já havia começado. O reino já está aqui, operando em secreto. Ele é como fermento posto em uma massa; está operando quietamente e tendo seus efeitos. Contudo, em outros momentos, Jesus falou do reino como algo que vem no final, quando haverá consumação e transformação tremenda. Portanto, o reino já está presente; mas, visto de outra maneira, ele ainda não veio. Todas essas noções do reino centralizam-se em Jesus, o rei.

Depois da Segunda Guerra Mundial, um teólogo suíço chamado Oscar Cullmann usou um dos momentos decisivos da guerra para explicar algumas destas noções. Ele chamou atenção para o que aconteceu no Dia D, 6 de junho de 1944. Nesse tempo, os aliados do Ocidente já tinham expulsado os inimigos do Norte da África e começavam a penetrar a bota da Itália. Os russos estavam vindo das estepes. Já tinham defendido Stalingrado e avançavam para e através da Polônia e outros países da Europa Oriental. No Dia D, os aliados ocidentais chegaram às praias da Normandia e, em três dias, descarregaram 1,1 milhões de homens e inúmeras toneladas de material bélico. Havia uma segunda fronte do Ocidente. Toda pessoa inteligente podia ver que a guerra estava acabada. Afinal de contas, a guerra já estava acabada em termos de energia, material bélico, número de soldados e destinos para os quais todas essas frentes e trajetórias convergiam. Isso significou que Hitler disse: “Opa! Fiz o cálculo errado!” e pediu paz? O que aconteceu depois foi a Batalha do Bulge, na qual ele quase conquistou a costa da França novamente, mas recuou por falta de combustível. Depois, houve a Batalha de Berlim, que foi uma das mais sangrentas de toda a guerra. Portanto, a guerra ainda não estava terminada. Um ano depois, a guerra terminou finalmente na Europa, depois de os combatentes haverem atravessado esse grande intervalo entre o Dia D e o Dia da Vitória na Europa.

Cullmann disse que a experiência cristã é como essa guerra. O rei prometido veio. Este é o nosso Dia D: a vinda de Jesus, sua cruz e sua ressurreição. Depois de ressuscitar dos mortos, Jesus declarou, conforme os últimos versículos do evangelho de Mateus: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt 28.18). Ele é o rei. Mas isso significa que o Diabo diz: “Opa! Fiz o cálculo errado! Acho que é melhor pedir paz”? Isso significa que os seres humanos dizem: “Bem, bem, você ressuscitou dos mortos. Você venceu. É melhor render-nos”? Não, o que isso significa é que você tem alguns dos mais violentos conflitos, porque Jesus ainda não derrotou todos os seus inimigos. Ele reina. Toda a soberania de Deus é mediada pelo rei Jesus. O reino já começou. Está aqui. Ou você está nesse reino, no sentido do novo nascimento, ou você está fora dele. Alternativamente, quando pensamos no reino total de Jesus (toda autoridade pertence a ele), você está nesse reino, quer goste quer não. A questão é se você se prostrará agora, alegremente, com arrependimento, fé e ações de graça, ou esperará até ao final para se prostrar em terror. O fim está chegando. O Dia da Vitoria cristã está chegando, e não há dúvida de quem será visto como Rei no último dia.

(Trecho do livro “O Deus Presente”, que será lançado pela Editora Fiel em fevereiro de 2012).

Fonte: [Blog Fiel]

Ore por paz para o Afeganistão

Ore pelo Afeganistão, o 2º país que mais persegue os cristãos no mundo, de acordo com a Classificação de Países por Perseguição de 2012

16/01/2012

Corações Cativos, Igreja Cativa


Por R. C. Sproul


Durante a Reforma Protestante, Martinho Lutero escreveu um pequeno livreto intitulado “O Cativeiro Babilônico Da Igreja”. Nele, Lutero comparou o regime opressor de Roma no século XVI ao suplício de Israel, enquanto era mantido cativo às margens dos rios da Babilônia.

Eu tenho freqüentemente me perguntado como Lutero se posicionaria em nossa presente era e no estado em que a igreja se encontra nos dias de hoje. Eu suspeito que ele escreveria para nosso tempo seu livro, sob o título "O Cativeiro Pelagiano da Igreja". Eu tenho tal suspeita pelo fato de que o próprio Lutero tenha considerado precisamente este como o livro mais importante que já redigiu, sua magnum opus, “A Escravidão da Vontade” (De Servo Arbítrio).

Penso também que Lutero enxergaria a grande ameaça para a igreja de hoje devido ao Pelagianismo, em razão do que se desenrolou depois da Reforma. Historiadores tem dito que apesar de Lutero ter vencido a batalha contra Erasmus no século XVI, ele a perdeu no século XVII e foi afinal demolido no século XVIII, graças às conquistas obtidas pelo Pelagianismo e pelo Iluminismo. Ele veria a igreja de hoje enlaçada pelo Pelagianismo, tendo assim este inimigo da fé conseguido estabelecer uma fortaleza sobre nós.

O Pelagianismo em sua forma pura foi pela primeira vez articulado pelo homem cujo nome cunhou seu ensino, um monge bretão do século Quarto. Pelágio envolveu-se em um feroz debate com Santo Agostinho, um debate provocado pela reação do monge à oração de Agostinho: "Ordena aquilo que Tu desejas, e conceda aquilo que Tu ordenas". Pelágio insistia que uma obrigação moral necessariamente implicava em capacidade moral. Se Deus exigia dos homens que estes vivessem vidas perfeitas então estes homens deveriam ter a capacidade de viver tais vidas perfeitas. Isto levou Pelágio a sua completa negação do pecado original 1. Ele insistia que a queda de Adão tinha afetado somente o homem Adão; não haveria a realidade da natureza humana caída e herdada que afligiria a humanidade. Além disso, refutava a idéia da necessidade da graça como necessária para a salvação; afirmava que o homem seria capaz de ser salvo por suas obras sem a necessidade de assistência da graça. O pensamento de Pelágio foi: a graça pode facilitar a obediência, mas não seria uma condição necessária para tal.

Agostinho triunfou em sua luta contra Pelágio, cujas visões foram conseqüentemente condenadas pela igreja. Ao condenar o Pelagianismo como heresia, a igreja veementemente confirmou a doutrina do pecado original. Na visão de Agostinho, isto sedimentou e alicerçou a noção de que apesar do homem caído ainda possuir um vontade livre no sentido que ele retém a capacidade de escolher, sua vontade é decaída e escravizada pelo pecado a tal ponto, em tamanha magnitude e extensão, que o homem não possui liberdade moral. O homem não pode não pecar.

Depois do encerramento do conflito, visões modificadas de Pelagianismo voltaram a assombrar a igreja. Essas visões foram aglutinadas sob o nome de semi-Pelagianismo. O semi-Pelagianismo admitiu a Queda como real e uma real transferência do Pecado Original para a descendência de Adão. O homem está arruinado e caído, e precisa da graça a fim de que seja salvo. Contudo, esta visão insiste que nós não estamos tão decaídos a ponto de nos encontrarmos totalmente escravizados pelo pecado ou totalmente depravados em nossa natureza. Uma ilha de justiça permanece no homem decaído por meio da qual tal pessoa ainda possui poder moral para inclinar-se, por si mesmo, sem a intervenção da graça operativa, em direção às coisas de Deus.

Apesar da igreja antiga ter condenado o semi-Pelagianismo tão vigorosamente quanto condenou o próprio Pelagianismo, ele de fato nunca morreu. No século dezesseis os magistrados reformadores ficaram convencidos que Roma havia se degenerado do puro Agostinianismo e abraçado o semi-Pelagianismo. Não é um detalhe histórico insignificante mencionar que o próprio Lutero tenha sido um monge da Ordem Agostiniana. Lutero viu em sua luta contra Erasmus e Roma, um retorno ao conflito titânico entre Agostinho e Pelágio.

No século dezoito, o pensamento Reformado foi desafiado pelo surgimento do Arminianismo, uma nova forma de semi-Pelagianismo. O Arminianismo conseguiu capturar o pensamento de proeminentes homens, como por exemplo John Wesley. A cisão doutrinária entre Wesley e George Whitefield focava-se neste aspecto. Whitefield enfileirou-se então para o lado de Jonathan Edwards na defesa do Agostinianismo clássico durante o "Grande Avivamento" norte-americano.

O século XIX testemunhou o reavivamento do Pelagianismo puro através dos ensinamentos e da pregação de Charles Finney. Finney não dosou palavras acerca de seu Pelagianismo escancarado. Finney rejeitou a doutrina do Pecado Original (junto com a visão ortodoxa da Expiação e a doutrina da Justificação Somente pela Fé). Mas a tremenda bem-sucedida metodologia evangelística de Finney de tal forma marcou e envolveu seu nome, que ele se tornou um modelo reverenciado pelos modernos evangelistas e ainda hoje comumente é considerado um herói da Fé Evangélica, a despeito de sua completa rejeição à própria doutrina evangélica.

Apesar da Fé Evangélica americana não ter abraçado o Pelagianismo puro e direto de Finney (fato que coube aos Liberais o fazerem), tal pensamento infectou profundamente o meio evangélico por meio do pensamento e da teologia semi-Pelagiana,a tal ponto que o semi-Pelagianismo é percebido ostensivamente nos dias modernos de forma aguda e profunda, em diversas camadas do pensamento teológico evangélico. Apesar da maioria dos evangélicos não hesitarem em afirmar que o homem caiu, poucos abraçam a doutrina reformada da Total Depravação.

Trinta anos atrás eu estava ensinando Teologia em uma faculdade evangélica que era pesadamente influenciada pelo semi-Pelagianismo. Eu estava trabalhando sobre os 5 pontos do Calvinismo usando o acróstico TULIP com uma classe com cerca de 30 alunos. Após apresentar uma extensa e detalhada exposição da doutrina da Total Depravação, eu perguntei à classe quantos deles estavam convencidos acerca da doutrina. Todos os 30 levantaram as mãos.

Eu sorri e disse: “Veremos...”

Eu escrevi o número 30 no canto esquerdo do quadro-negro. Enquanto eu prosseguia com a doutrina da eleição incondicional, muitos dos estudantes então começaram a pular e reagir. Fui subtraindo do número original 30 os que iam manifestando sua insatisfação e desacordo. Quando atingi a doutrina da Expiação Limitada, o número tinha caído de trinta para três.

Então eu tentei mostrar aos estudantes que se eles realmente abraçassem a doutrina da Total Depravação, então as outras doutrinas descritas nos 5 Pontos deveriam simplesmente na verdade ser consideradas como notas de rodapé. Os alunos logo descobriram que de fato eles realmente não acreditavam na total depravação do homem, no final das contas. Eles acreditavam em depravação, mas não no sentido total. Eles ainda desejavam reter a convicção sobre uma ilha de justiça que não tinha sido afetada pela Queda por meio da qual pecadores poderiam ainda manter uma capacidade moral para se inclinarem por si próprios a Deus. Eles acreditavam, sim, que a fim de ser regenerados, eles precisavam primeiro exercer fé por meio do exercício de suas vontades. Eles não criam que a divina e sobrenatural ação do Espírito Santo seria uma pré-condição necessária para fé.

Os autores da introdução ao ensaio sobre “A Escravidão da Vontade” escreveram:

“Qualquer um que terminar este livro sem ter percebido que a teologia evangélica mantém-se em pé ou cai com a doutrina da Escravidão da Vontade, o leu inutilmente. A doutrina da justificação livre unicamente pela fé, que se tornou o olho do furacão de tamanha controvérsia surgida no período da Reforma Protestante, é considerada com freqüência como o coração da Teologia dos Reformadores, mas isto é dificilmente preciso. A verdade é que o pensamento de tais homens estava realmente concentrado sobre esta contenda...que a completa salvação do pecador tem lugar pela livre e soberana graça unicamente...é pois a nossa salvação completamente da parte de Deus, ou a final de contas depende de algo que depende de nós mesmos? Aqueles que afirmam a segunda opção (os Arminianos o fazem) portanto negam a declarada incapacidade do homem advinda do pecado, e também confirmam que uma forma de semi-Pelagianismo é verdadeiro, de alguma maneira. Não é de se admirar, portanto, que a primitiva teologia Reformada condenou o Arminianismo, como sendo em princípio um retorno a Roma... e uma traição à Reforma... o Arminianismo foi, verdadeiramente, aos olhos dos Reformadores, uma renúncia ao Cristianismo do Novo Testamento em favor do Judaísmo neotestamentário; pelo fato de alguém se garantir a si mesmo por fé, não ser afinal diferente em nada do princípio de se repousar nas suas própria obras, sendo anti-Cristão tanto um pensamento quanto o outro”.

Estas são palavras severas. Verdadeiramente para alguns são até palavras contenciosas. Mas de uma coisa eu estou certo: elas espelham e refletem com precisão os sentimentos de Agostinho e dos Reformadores. A questão da magnitude e extensão do Pecado Original está atrelado inseparavelmente à nossa compreensão da doutrina da Sola Fide. Os Reformadores compreenderam claramente que existe uma imprescindível ligação entre Sola Fide e Sola Gratia. Justificação unicamente pela fé significa pela graça unicamente.

Assim sendo, o semi-Pelagianismo em seu formato Erasmiano cria uma ruptura entre as duas e apaga o fator SOLA do temo Sola Gratia.

NOTAS:
1. Entenda-se pelo termo teológico PECADO ORIGINAL, não o próprio ato de desobediência que Adão e Eva cometeram no jardim, ao comerem do fruto da árvore sobre a qual o Senhor Deus os havia advertido, mas às conseqüências abrangentes deste ato sobre toda a sua posteridade.

Fonte: Josemar Bessa Via: [Ministério Batista Beréia]
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