22/04/2014

Testemunhos convincentes da ressurreição de Cristo



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A ressurreição de Cristo é uma das verdades mais importantes para o Cristianismo! Sem ela não há Cristianismo, evangelho ou esperança de salvação! É sua vitoria “sobre a morte” que separa Jesus Cristo de…
  1. Abraão – o líder do Judaísmo.
  2. Buda – o líder do Budismo.
  3. Maomé – o líder do Islamismo.
  4. Allan Kardec – um dos líderes do Espiritismo.
  5. E de todas as divindades do Hinduísmo.
Só o Senhor Jesus exibe uma sepultura vazia!
Através dos séculos os cristãos têm sido perseguidos, aprisionados, torturados e executados por causa desta verdade. Mas a igreja nunca abriu mão desta certeza!
Por isso todos os anos, por ocasião da Páscoa, o Diabo levanta um boato contra a divindade ou ressurreição! Exemplos?
-Em 1988 o diretor Martin Scorsese lançou o filme “A Ultima Tentação de Cristo”, que apresenta um messias indeciso e mal resolvido.
-Em 2003 o autor Dan Brown lança “O Código Da Vinci”, romance que questiona a divindade de Cristo.
-Em 2012 um arqueólogo declarou ter achado um ossuário com os restos mortais de Jesus Cristo. Depois de muitas reportagens, especulações, e danos á fé de alguns, o achado foi declarado falso!
-Em na véspera desta páscoa de 2014, alguns jornais sensacionalistas noticiaram sobre um papiro antigo que revelaria que Cristo teve uma esposa! Fui pesquisar sobre o assunto numa fonte mais séria e descobri que se tratava de mais um alarme falso. Veja na Folha de São Paulo de 11/04/14 artigo “De novo, ‘a mulher de Jesus’” pelo jornalista Reinaldo José Lopes.
Graças a Deus, o Cristianismo tem base histórica sólida! Em I Cor 15:1-11 temos testemunhos convincentes da ressurreição de Cristo!
Se você for acusado falsamente de um crime, processado, e levado diante de um tribunal de justiça, torça para ter a seu favor 2 ou 3 testemunhas oculares! Quero dizer, se alguém quiser julgar “a ressurreição”, se foi fato ou fraude, Paulo apresenta mais de 500 testemunhas oculares! Muitos que morreram por causa deste testemunho!
Antes de falar das testemunhas oculares Paulo apresenta o seguinte:

I. O testemunho da Igreja Primitiva (1-2)

1 Irmãos, quero lembrar-lhes o evangelho que lhes preguei, o qual vocês receberam e no qual estão firmes. 2 Por meio deste evangelho vocês são salvos…
Qual a mensagem do Evangelho? Que Cristo morreu pelos nossos pecados e ressuscitou (versos 3-4). Logo, nestes dois primeiros versos (acima) Paulo esta dizendo o seguinte: Os irmãos da igreja em Corinto, que viveram nos tempos de Cristo, não tinham nenhuma dúvida acerca da sua divindade, morte vicária e ressurreição! Permaneciam firmes! Pois eles tinham sido transformados pelo Cristo ressurreto! Eles tinham sido libertos da idolatria, adultério, avareza, vida de contravenção, alcoolismo e práticas homossexuais! (I Cor 6:9-10)

II. O testemunho das Escrituras (3-4)

3 Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, 4 foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras,
Além do testemunho vivo da igreja Paulo menciona o testemunho das Escrituras! Declarando que, tudo o que aconteceu com Jesus Cristo, aconteceu “segundo as Escrituras”! O Antigo Testamento profetizou sua encarnação, morte vicária e ressurreição. Por exemplo, leia o texto de Isaías 53.

III. O testemunho de testemunhas oculares! (5-8)

5 e apareceu a Pedro e depois aos Doze. 6 Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já tenham adormecido. 7 Depois apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos;
8 depois destes apareceu também a mim, como a um que nasceu fora de tempo.
A primeira testemunha ocular mencionada é Pedro. Pedro é uma ótima testemunha, pois no princípio ele não acreditava na ressurreição. Tanto é que ele negou a Cristo três vezes, e voltou para sua antiga profissão. A segunda testemunha são os doze! Atos 1:3 diz: “Depois do seu sofrimento, Jesus apresentou-se a eles e deu-lhes muitas provas indiscutíveis de que estava vivo. Apareceu-lhes por um período de quarenta dias falando-lhes acerca do Reino de Deus.”
A terceira testemunha é o grupo dos 500 irmãos! Aos quais Cristo se revelou de uma só vez – a maioria dos quais ainda estavam vivos. Lembre-se que Paulo escreveu esta defesa vinte e cinco anos após a ressurreição.
A quarta testemunha é Tiago. Provavelmente, este não é o Tiago apóstolo, mas um dos irmãos de Cristo, pois aqui, Paulo o destaca à parte dos doze. Este também é uma testemunha relevante, pois em João 7:5 diz que os irmãos de Jesus não criam na sua divindade. Mas após a ressurreição sabemos que este Tiago, se converteu! Tornou-se um dos líderes da Igreja em Jerusalém!
A quinta testemunha é o próprio Paulo! Por várias razões Paulo é uma ótima testemunha a favor da ressurreição. Cidadão romano, Judeu comprometido, inteligente e bem preparado academicamente falando; inimigo famoso e ferrenho do Senhor! Ele não cria em Jesus, nem na sua Divindade, muito menos na sua Ressurreição.Ele perseguia e encarcerava os cristãos!Porém, após um encontro sobrenatural com Cristo ressurreto tornou-se um adorador! Testemunha ocular! Disposto a viver e morrer por Jesus!
Conclusão: A fé cristã tem base histórica sólida! Jesus Cristo ressurgiu com poder e grande gloria! As profecias se cumpriram! A morte foi vencida! E sua divindade e poder foi autenticada historicamente! Por isso os apóstolos perderam o medo e a covardia! Por isso sua igreja se espalhou pelo mundo inteiro! E se você ainda vive escravizado ao pecado, distante da graça de Deus. O desafio de amor do próprio Deus para sua vida é…:
“Creia no Senhor Jesus e serás salvo!”
-Não importa o seu passado!
-Não importa o que você fez ou com quem você andou!
Apenas, creia no Senhor Jesus e serás salvo!
Só Ele tem autoridade e direito para dizer:
“Eu sou a ressurreição e a vida!
Quem crer em mim, ainda que morra viverá!
E quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente!”
Por: Sillas Campos. Ministério Fiel © 2014 Todos os direitos reservados. Website:www.MinisterioFiel.com.br / www.VoltemosAoEvangelho.com.  OriginalTestemunhos convincentes da ressurreição de Cristo
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Fonte: [Voltemos ao Evangelho]

5 Coisas que Você Nunca Deveria Dizer ou Fazer em um Funeral



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Nada me faz querer me afastar mais da santa ambição e da boa luta do ministério como pregar em um funeral. Eu luto por dias e noites a fio não apenas com o que dizer, mas como dizer. Se estou desfrutando de um momento encorajador da vida, eu tenho dificuldade de entrar no sofrimento do luto. Quem sou eu para representar os sentimentos da família enlutada enquanto ela assiste minha tentativa de honrar seu ente querido? Mas muita coisa mudou para mim quando preguei no funeral de meu pai agosto passado. Deus me deu o discernimento não apenas do pregador, mas também do membro da família.
Tal momento nunca é casual ou fácil. Requer muita coragem e ajuda do Espírito Santo. Enquanto pedimos ajuda a Deus em oração, não devemos ser descuidados com nenhuma de nossas palavras. O que dizemos é poderoso em tal situação vulnerável, e devemos pisar com cuidado. Então aqui estão cinco coisas que devemos evitar quando pregamos em um funeral.

1. Não se refira ao santo falecido apenas no tempo pretérito.

Parte do trabalho do pregador é honrar ao Senhor falando sobre como tal filho de Deus amou a Jesus e deu sua vida para a glória dele. Contudo, muitas vezes podemos falar descuidadamente da pessoa no tempo passado. Se cremos que o morto está vivo em Cristo e em sua presença, devemos nos referir a ele também nos tempos presente e futuro. Dessa maneira lembramos a família e outros ouvintes da esperança do evangelho.

2. Não esqueça a perspectiva de Deus.

Somos ensinados no Salmo 116.15: “Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos”. Deus é glorificado quando seus filhos vão para casa. Estar na presença desvelada de Deus é a maior alegria que um crente pode receber. É o fim da longa luta da santificação e o belo início da glorificação.

3. Não ignore os perdidos.

Os perdidos estão sempre à nossa volta. Eles podem não estar deitados no caixão, mas estão mortos em seus pecados. Os perdidos precisam ser lembrados que a morte é uma realidade da vida, uma transição que todos nós faremos um dia. Se há qualquer local para pregar a seriedade do pecado e a graça de Cristo, esse local é sobre o corpo de um santo que está perdido aos olhos deles. Peça que se arrependam e desfrutem de vida eterna com o Salvador. O santo honrado está mais vivo do que qualquer um possa imaginar.

4. Não diga ou insinue que o morto era perfeito.

Pessoas reais são encorajadas ao ouvir sobre a vida real. E a vida real é cheia tanto de alegrias quanto de tristezas. O santo honrado completou a carreira e combateu o bom combate. Nós podemos aprender a partir da vida de qualquer um que foi unido com Cristo.

5. Não abandone a realidade do céu — explique-a.

A igreja precisa continuar ouvindo e estudando a palavra de Deus sobre nosso futuro lar. A falta de falar a respeito do céu revela nossa falta de fé, esperança e alegria nisso. Aquele querido filho de Deus que partiu agora desfruta de Deus e das riquezas de seu reino. Por pelo menos alguns poucos momentos podemos tirar as pessoas de sua perspectiva de “aqui e agora” que diminui a alegria proposta a elas em Cristo. Lembre-as que os cristãos estão sempre cercados pela graça e não têm nada senão o céu à sua frente.
John Pound é pastor de estudantes na West Jackson Baptist Church em Jackson, Tennessee.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Fonte: [Voltemos ao Evangelho]

29/01/2014

Respostas a Argumentos Usados em Favor da Ordenação de Mulheres


Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes

Oferecemos aqui respostas aos argumentos geralmente empregados em favor da ordenação de mulheres para o ministério pastoral.

1. Deus não criou originalmente o homem e a mulher iguais? Qual a base, pois, para impedir que a mulher seja ordenada? 

Resposta: De fato, lemos em Gênesis 1 que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança. Entretanto, lemos no relato mais detalhado de Gênesis 2 que Deus lhes atribuiu papéis diferentes, dando ao homem o papel de liderar e cuidar da mulher e à mulher o papel de ser sua ajudadora, em submissão. Esta diferenciação é percebida por Paulo na ordem em que foram criados (primeiro o homem e depois a mulher, 1Tm 2.13), na forma como foram criados (a mulher foi criada do homem, 1Co 11.8) e no propósito para o que foram criados (a mulher foi criada por causa do homem, 1Co 11.9). A igualdade da criação, portanto, não anula a diferenciação de funções estabelecida na própria criação.

2. A subordinação feminina não é parte da maldição por causa da queda? E Cristo não aboliu a maldição do pecado? Por que, então, as mulheres cristãs não podem exercer o ministério em igualdade com os homens?

Resposta: Sem dúvida um dos castigos impostos por Deus à mulher foi o agravamento da sua condição de submissão. Entretanto, a subordinação feminina tem origem antes da queda, ainda na própria criação. O homem não foi feito da mulher, mas a mulher foi feita do homem. O homem não foi criado por causa da mulher, mas sim a mulher por causa do homem (1Co 11.8-9). Quanto à obra de Cristo, lembremos que seus efeitos não são total e exaustivamente aplicados por Deus aqui e agora. Por exemplo, mesmo que Cristo já tenha vencido o pecado e a morte, ainda pecamos e morremos. Outros efeitos da maldição impostos por Deus após a queda ainda continuam, como a morte, o sofrimento no trabalho e o parto penoso das mulheres. Além do mais, desde que os diferentes papéis do homem e da mulher já haviam sido determinados na criação, antes da queda, segue-se que continuam válidos. O que o Cristianismo faz é reformar esta relação de submissão para que a mesma seja exercida em amor mútuo e reflita assim mais exatamente a relação entre Cristo e a Igreja.

3. Há abundantes provas na Bíblia de que as mulheres desempenharam papéis cruciais, ocupando funções de destaque e sendo instrumento de bênção para o povo de Deus. Isto não prova que elas, hoje, podem ser ordenadas e exercer liderança?

Resposta: Estas provas demonstram apenas a tremenda importância do ministério feminino, mas não a existência do ministério feminino ordenado. Nenhuma destas mulheres era apóstola, pastora, presbítera ou diaconisa. Jesus não chamou nenhuma mulher para ser apóstola. As qualificações dos pastores em 1Timóteo 3 e Tito 1 deixam claro que era função a ser exercida por homens cristãos. O fato de que as mulheres sempre foram extremamente ativas e exerceram muitas e diferentes atividades e serviços na Igreja Cristã não traz como corolário que elas tenham sido, ou tenham que ser, ordenadas para tal.

4. Há evidência na Bíblia de que Hulda, Débora, Priscila e Febe eram líderes e exerciam autoridade. Isto não é prova bíblica suficiente para ordenação de mulheres?

Resposta: Há dois pontos a se ter em mente quanto ao ministério destas mulheres: (1) O fato de que a Bíblia descreve como Deus usou determinadas pessoas em épocas específicas para propósitos especiais não faz disto uma norma. Lembremos da utilíssima distinção entre o descritivo e o normativo na Bíblia. Deus usou o falso profeta Balaão (Nm 22.35). O desobediente rei Saul também profetizou em várias ocasiões (1Sm 10.10; 19.23), bem como os mensageiros que enviou a Samuel (1Sm 19.20,21). A descrição destes casos não estabelece uma norma a ser seguida pelas igrejas na ordenação de oficiais. O fato de que Deus transmitiu sua mensagem através de uma mulher não faz dela um oficial da Igreja. Há outros requisitos no Novo Testamento para o oficialato conforme lemos nas especificações explícitas que temos em 1Timóteo 3 e Tito 1.

(2) Os profetas de Israel não recebiam um ofício mediante imposição de mãos para exercer uma autoridade eclesiástica oficial. Os reis e sacerdotes, ao contrário, eram “ordenados” para aquelas funções e as exerciam com autoridade. Não há sacerdotisas “ordenadas” em Israel, pelo menos nas épocas onde prevalecia o culto verdadeiro. Hulda foi uma profetiza em Israel, recebendo consultas em sua casa (2Re 22.13-15). A mesma coisa pode ser dita de Débora, que foi juíza em Israel numa época em que não havia reis e nem o sacerdócio funcionava, quando todos faziam o que parecia bem aos seus olhos. Seu ministério foi uma denúncia da fraqueza e falta de coragem dos homens daquela época (Jz 4.4-9; compare com Is 3.12). Sobre Priscila, sua liderança parece evidente, porém menos evidente é se ela era pastora ou presbítera. Quanto à Febe, ver a pergunta sobre ela mais adiante.

5. Podemos afirmar que o patriarcado, conforme o encontramos na Bíblia, especialmente no Antigo Testamento, é uma instituição nociva e perversa que denigre, inferioriza e humilha a mulher?


Resposta: O patriarcado, como o encontramos na Bíblia, especialmente no Antigo Testamento, não é simplesmente uma afirmação da masculinidade, não é jamais sinônimo de domínio macho ou um sistema de valores no qual o homem trata a mulher com descaso, desvalorizando-a e super valorizando-se. Muito menos sinônimo de exploração e domínio, como afirma o feminismo. Patriarcado é o sistema no qual os pais cuidam de suas famílias. A imagem do pai no Velho Testamento não é primariamente daquele que exerce autoridade e poder, mas do amor adotivo, dos laços pactuais de bondade e compaixão. Somente nas Escrituras hebraicas podemos encontrar um Deus Pai Todo-Poderoso e Todo-Bondoso. Os patriarcas refletem a paternidade de Deus, ainda que muito pobremente. O Deus dos Hebreus não é como os deuses masculinos irresponsáveis das culturas pagãs das cercanias de Israel, porque ele jamais abandona os filhos que gera, antes, deles cuida. Os patriarcas seguem o exemplo de Deus. Naquela cultura ensinava-se ao homem judeu que ele não era simplesmente um animal, agressivo, assertivo e violento, mas pai, cuja agressividade deveria ser transformada pela responsabilidade, que haveria de manifestar a gentileza e o cuidado pelos filhos e a expressão da completa masculinidade, que haveria de se unir com o ser feminino e o mundo feminino da família, ainda que mantivesse a separação necessária para o exercício da autoridade. O machismo é uma versão deturpada de alguns aspectos do patriarcado, e oprime as mulheres. Devemos lutar contra o machismo, e não deixar de reconhecer a verdade sobre o patriarcado.

6. Febe não era uma diaconisa, conforme Romanos 16.1-2? Isto não prova que as mulheres podem exercer autoridade eclesiástica na Igreja?


Resposta: Temos de considerar os seguintes aspectos.

(1) Não é claro se Febe era realmente uma diaconisa. Muito embora no original grego Paulo empregue o termo “diácono” para se referir a ela, lembremos que este termo no Novo Testamento nem sempre significa o ofício de diácono. Pode ser traduzido como servo, ministro, etc. Portanto, nossa tradução “Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que está servindo à igreja de Cencréia” é perfeitamente possível e não é uma tradução preconceituosa.

(2) Mesmo que houvesse diaconisas na Igreja apostólica, é certo que elas não exerceriam qualquer autoridade sobre as igrejas e sobre os homens – a presidência era dos presbíteros, cf. 1Tm 5.17; o trabalho delas seria provavelmente com outras mulheres (Tt 2.3-4) e relacionado com assistência aos pobres. É interessante que a primeira referência que existe na história da Igreja sobre o trabalho de mulheres, diz assim: “A mulher deve servir às mulheres” (Didascalia Apostolorum). Isto queria dizer que elas instruíam as outras que iam se batizar, ajudavam no enterro de mulheres, cuidavam das pobres e doentes. Não há qualquer indício de que tais mulheres eram ordenadas para o exercício da autoridade eclesiástica.

7. O que fazer quando mulheres possuem visão pastoral, liderança, habilidades para o ensino ou capacidade administrativa, dons de evangelismo ou profecia?

Resposta: Que exerçam estas habilidades e dons dentro das possibilidades existentes nas Igrejas. Elas não precisam ser ordenadas para desenvolver seus ministérios e manifestar seus dons.

8. A resistência em ordenar mulheres hoje não decorre da reafirmação através dos séculos da inferioridade da mulher, feita por importantes teólogos e líderes da Igreja?

Resposta: A Igreja deve andar pelo ensino das Escrituras Sagradas. Se teólogos e líderes antigos defenderam idéias erradas sobre a inferioridade da mulher, cabe à Igreja corrigi-las à luz das Escrituras, que mostram que Deus criou o homem e a mulher iguais. Porém, corrigir os erros dos antigos neste ponto não significa ordenar mulheres, pois aí estaríamos cometendo um outro erro. Certamente as mulheres não são e nunca foram inferiores aos homens, mas daí a abolirmos os papéis distintos que lhes foram determinados por Deus na criação vai uma grande distância.

9. Existe algum texto na Bíblia que diga claramente “é proibido que as mulheres sejam ordenadas ao ministério”?

Resposta: Nenhuma das passagens usadas contra a ordenação feminina diz explicitamente que mulheres não podem ser ordenadas ao ministério. Entretanto, todas elas impõem restrições ao ministério feminino, e exigem que as mulheres cristãs estejam submissas à liderança cristã masculina. Essas restrições têm a ver primariamente com o ensino por parte de mulheres nas igrejas. Já que o governo das igrejas e o ensino público oficial nas mesmas são funções de presbíteros e pastores (cf. 1Tm 3.2,4-5; 5.17; Tt 1.9), infere-se que tais funções não fazem parte do chamado cristão das mulheres. Ainda, se o argumento do silêncio for usado, ele se vira contra a ordenação feminina, pois não há texto algum que diga que as mulheres devem ser ordenadas ao ministério da Palavra e ao governo eclesiástico, enquanto que as Escrituras atribuem ao homem cristão o exercício da autoridade eclesiástica e na família.

10. Se as mulheres recebem os mesmos dons espirituais que os homens, não é uma prova de que Deus deseja que elas sejam ordenadas ao ministério?

Resposta: Não. As condições para o oficialato na Igreja apostólica estão prescritas em 1Timóteo e Tito 1. Percebe-se que o dom do ensino é apenas um dos requisitos. Há outros, como por exemplo, governar a própria casa e ser marido de uma só mulher, que não podem ser preenchidos por mulheres cristãs, por mais dons que tenham.

11. O ensino de Paulo sobre as mulheres na Igreja se aplica hoje? Não estava ele influenciado pela cultura daquela época, que era muito diferente da nossa?

Resposta: É necessário fazer a distinção entre o princípio teológico supra cultural e a expressão cultural deste princípio. Há coisas no ensino de Paulo que são claramente culturais, como a determinação para o uso do véu em 1Coríntios 11. Porém, enquanto que o uso do véu é claramente um costume cultural, ao mesmo tempo expressa um princípio que não está condicionado a nenhuma cultura em particular, que é o da diferença funcional entre o homem e a mulher. O que Paulo está defendendo naquela passagem é a vigência desta diferença no culto público — o véu é apenas a forma pela qual isto ocorreria normalmente em cidades gregas do século I. Notemos ainda que Paulo defende a participação diferenciada da mulher no culto usando argumentos permanentes, que transcendem cultura, tempo e sociedade, como a distribuição ou economia da Trindade (1Co 11.3) e o modo pelo qual Deus criou o homem (1Co 11.8-9).

12. Paulo escreveu suas cartas para atender a problemas locais e específicos. Como podemos aplicar hoje o que Paulo escreveu, se a situação e o contexto são diferentes?

Resposta: Quase todos os livros do Novo Testamento foram escritos em resposta a uma situação específica de uma ou mais comunidades cristãs do século I, e nem por isto os que querem a ordenação feminina defendem que nada do Novo Testamento se aplica às igrejas cristãs de hoje. A carta aos Gálatas, por exemplo, onde Paulo expõe a doutrina da justificação pela fé somente, foi escrita para combater o legalismo dos judaizantes que procuravam minar as igrejas gentílicas da Galácia, em meados do século I. Ousaríamos dizer que o ensino de Paulo sobre a justificação pela fé não tem mais relevância para as igrejas do final do século XX, por ter sido exposto em reação a uma heresia que afligia igrejas locais no século I? O ponto é que existem princípios e verdades permanentes que foram expressos para atender a questões locais, culturais e passageiras. Passam as circunstâncias históricas, mas o princípio teológico permanece. Assim, o comportamento inadequado das mulheres das igrejas de Corinto e de Éfeso, às quais Paulo escreveu determinando que ficassem caladas na Igreja, foi um momento histórico definido, mas osprincípios aplicados por Paulo para resolver os problemas causados por estas atitudes permanecem válidos. Ou seja, o ensino de que as mulheres devem estar submissas à liderança masculina nas igrejas e na família, sem ocupar posições de liderança e governo, é o princípio permanente e válido para todas as épocas e culturas.

13. Onde está na Bíblia que somente homens podem ser pastores, presbíteros e diáconos?

Resposta: Os textos mais explícitos da Bíblia são Atos 6.1-7; 1Timóteo 2.11-15; 1Coríntios 14.34-36 e 1Coríntios 11. 2-16. Algumas destas passagens foram analisadas com mais profundidade em outra parte deste caderno. Além disto, a relação intrínseca entre a família e a Igreja mostra que aquele que é cabeça na família (Efésios 5.21-33) também deve exercer a liderança na Igreja.

14. Onde está na Bíblia que os homens devem ser o cabeça da família?

Resposta: Há diversas passagens no Novo Testamento onde se trata dos papéis do homem e da mulher na família: Efésios 5.21-33; Colossenses 3.18-19; 1 Pedro 3.1-7; Tito 2.5. Em todos eles, a liderança da família é atribuída ao homem.

15. Os argumentos usados hoje para defender a submissão da mulher não são os mesmos usados no século passado por muitos cristãos para defender a escravidão?

Resposta: O fato de que no passado a Bíblia foi usada de forma errada para defender a escravidão não significa que a defesa da subordinação feminina seja igualmente feita de forma errada. Não devemos pensar que a relação entre o homem e a mulher na família e na igreja está no mesmo pé de igualdade que a escravidão. Primeiro, os papéis distintos do homem e da mulher estão enraizados na própria criação, enquanto que a escravidão não está. Segundo, o fato de que Paulo faz recomendações aos escravos cristãos para que sejam bons escravos não significa que ele aprovava a escravidão. Na verdade, as recomendações que ele dá aos cristãos que eram donos de escravos já traziam embutidas a idéia da dissolução do sistema de escravidão (Fm 16; Ef 6.9; Cl 4.1; 1Tm 6.1-2).

16. Havia uma mulher chamada Júnias que Paulo considera como apóstola, em Romanos 16.7. Se havia apóstolas, por que não pastoras, presbíteras e diaconisas? 

Resposta: A passagem diz o seguinte: “Saudai a Andrônico e a Júnias, meus parentes e companheiros de prisão, os quais são notáveis entre os apóstolos, e estavam em Cristo antes de mim” (Rm 16.7). Não é tão simples assim deduzir que Júnias era uma apóstola. Há várias questões relacionadas com a interpretação deste texto. Júnias é um nome masculino ou feminino? Existe muita disputa sobre isto, embora a evidência aponte para um nome masculino. Outra coisa, a expressão “notável entre os apóstolos” significa que Júnias era um dos apóstolos, já antes de Paulo, e um apóstolo notável, ou apenas que os apóstolos, antes de Paulo, tinham Júnias em alta conta? A última possibilidade é a mais provável. Em última análise, só podemos afirmar com certeza, a partir de Romanos 16.7, que, quem quer que tenha sido, Júnias era uma pessoa tida em alta conta por Paulo, e que ajudou o apóstolo em seu ministério. Não se pode afirmar com segurança que era uma mulher, nem que era uma “apóstola”, e muito menos uma como os Doze ou Paulo. A passagem não serve como evidência bíblica para a ordenação feminina no período apostólico. E essa conclusão está em harmonia com o fato de que Jesus não escolheu mulheres para serem apóstolos. Não há nenhuma referência indisputável a uma “apóstola” no Novo Testamento.

17. O Novo Testamento diz que, em Cristo, não há homem nem mulher, todos são iguais diante de Deus (Gl 3.28). Proibir as mulheres de serem oficiais da Igreja não é fazer uma distinção baseada em sexo?

Resposta: Não se pode discordar de que o Evangelho é o poder de Deus para abolir as injustiças, o preconceito, a opressão, o racismo, a discriminação social, bem como a exploração machista. E nem se pode discordar de que Cristo veio nos resgatar da maldição imposta pela queda. A pergunta é se Paulo está falando da abolição da subordinação feminina e de igualdade de funções nesta passagem. Está o apóstolo dizendo que as mulheres podem exercer os mesmos cargos e funções que os homens na Igreja, já que são todos aceitos sem distinção por Deus através de Cristo, pela fé? Entendemos que a resposta é não. Gálatas 3.28 não está ensinando a igualdade para o exercício de funções, mas a unidade de todos os cristãos em Cristo. Veja a análise desta passagem acima.

18. O conceito da submissão feminina ensinado na Bíblia não acarreta inevitavelmente o conceito de que o homem é melhor e superior à mulher?

Resposta: Infelizmente muitos têm chegado a esta conclusão, mas ela certamente é equivocada. O ensino bíblico é que Deus criou homem e mulher iguais porém com diferentes atribuições e funções. A Bíblia ensina que Deus tem autoridade sobre Cristo, Cristo tem autoridade sobre o homem, e o homem tem autoridade sobre a mulher. É uma cadeia hierárquica que começa na Trindade e continua na igreja e na família. Podemos inferir (guardadas as devidas proporções) que, da mesma forma como a subordinação de Cristo ao Pai não o torna inferior — como afirma a fé reformada em sua doutrina da Trindade — a subordinação da mulher ao homem não a torna inferior. Assim como Pai e Filho, que são iguais em poder, honra e glória, desempenham papéis diferentes na economia da salvação (o Filho submete-se ao Pai), homem e mulher se complementam no exercício de diferentes funções, sem que nisto haja qualquer desvalorização ou inferiorização da mulher. Em várias ocasiões o Novo Testamento determina que os crentes se sujeitem às autoridades civis (Rm 13.1-5; 1 Pe 2.13-17). Em nenhum momento, entretanto, este mandamento implica que os crentes são inferiores ou têm menos valor que os governantes. Igualmente, os filhos não são inferiores aos seus pais, simplesmente porque devem submeter-se à liderança deles (Ef 6.1). O conceito de subordinação de uns a outros tem a ver apenas com a maneira pela qual Deus estruturou e ordenou a sociedade, a família e a igreja.

19. Em 1Timóteo 3.11, ao descrever as qualificações do diácono, Paulo se refere às mulheres: “Da mesma sorte, quanto a mulheres, é necessário que sejam elas respeitáveis, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo”. Este versículo não prova que havia diaconisas nas igrejas apostólicas?

Resposta: Não necessariamente. Esta passagem tem sido entendida de diferentes modos: (1) Paulo pode estar se referindo às mulheres dos diáconos (Calvino). Porém, ele emprega para elas a expressão “é necessário” (1Tm 3.11), que foi a mesma que empregou para os presbíteros (3.2) e os diáconos (3.8), ao descrever suas qualificações. Logo, não nos parece que o apóstolo se refira às mulheres dos diáconos. (2) Paulo pode estar se referindo à todas as mulheres da igreja; entretanto, é bastante estranho que ele tenha colocado instruções para todas as mulheres bem no meio das instruções aos diáconos! (3) Paulo pode estar se referindo às assistentes dos diáconos, mulheres piedosas, que prestavam assistência em obras de misericórdia aos necessitados das igrejas (Hendriksen). (4) Paulo se referia à diaconisas. Porém, é no mínimo estranho que Paulo não empregou o termo apropriado para descrever a função delas (diaconisas), já que ele vinha falando de presbíteros e diáconos. A opção 3 nos parece a melhor e mais provável: havia mulheres piedosas nas igrejas apostólicas, não ordenadas como “diaconisas”, que ajudavam os diáconos nas obras de misericórdia, trabalhando diretamente com as mulheres carentes e necessitadas. É a estas que Paulo aqui se refere.


30/12/2013

Retrospectiva 2013: posts mais visitados - (iPródigo)






O ano está acabando e é hora de lembrar coisas boas que aconteceram. Como já é tradição, listamos os 10 posts mais visitados do ano. Mais uma vez, os textos mais populares envolvem temas relacionados a casamento e sexo. Outros assuntos importantes como a Igreja Romana e o ministério com jovens também ganharam atenção este ano.
Confira o nosso top10!
10) 26 razões para parar de ver pornografia, Craig Gross e Jay Dennis. – Abrindo nossa lista, um post frequente em nosso top 10. Os autores compilam uma lista de 26 problemas que surgem na vida daqueles que veem pornografia e das pessoas ao redor delas. Mesmo sem desenvolver muito cada ponto, os leitores puderam perceber quão grave é esse vício. Muita gente comentou e agradeceu por tratarmos desse delicado assunto.
9) 5 sinais de maturidade espiritual, Clint Archer. – O autor propõe um autodiagnóstico para todos os cristãos. Será que temos os indicadores de uma vida espiritual madura?
8) Como destruir seu casamento antes de começar, Garret Kell. - Uma das estratégias mais efetivas de Satanás para corromper a união do casamento, ilustração do evangelho, é atacar os casais por meio do pecado sexual antes que eles digam “sim”.  Esse texto popular lista as quatro estratégias mais comuns que o inimigo utiliza para atacar casamentos antes mesmo de começarem.
7) Desintoxicação Sexual, Tim Challies. - Campeão de 2010 e de 2011, e sempre presente no nosso top 10!  Challies nos fala sobre os efeitos nocivos da pornografia na vida do jovem solteiro e em sua futura vida conjugal. Sempre recebemos muitos testemunhos de como Deus usou essa série na vida de jovens e em igrejas, e estamos felizes por vê-lo sempre nessa lista. Além disso, no ano passado, a  editora Vida Nova publicou a versão impressa e revista de Desintoxicação Sexual. Vale a pena comprar e abençoar a igreja com esse livro.
6) Uma carta aberta à minha filha,  Byron Yawn. – Esse emocionante texto relata os anseios e a oração de um pai piedoso por sua filha. São conselhos e instruções que também servem de exortação a pais cristãos e a jovens adultos cristãos em todos os lugares.
5) 18 coisas que não em arrependerei de fazer com minha esposa, Tim Challies. – A beleza do relacionamento conjugal é retratada nessa lista que expressa o amor de Challies por sua esposa. Uma inspiração para homens e jovens que anseiam um casamento abençoado pelo Senhor.
4) O Papa não me representa, Equipe Reforma21. – Nesse episódio do Prodcast, aproveitamos a visita do Papa ao Brasil para nos reunimos com o Rev. Emilio Garofalo Neto e discutirmos o relacionamento dos cristãos protestantes e evangélicos com o Papa e a Igreja Católica. A Reforma já acabou e nossa separação é apenas fruto de um passado distante e irrelevante? Por que os reformadores diziam que o Papa é o anticristo? Como, afinal, o “santo padre” usurpa o trono do Salvador? Vale a pena ouvir essa aula de teologia do Pr. Emilio.
3) Rapazes, com quem você se casará também é importante, William VanDoodewaard. - Para os rapazes que pensam em casar-se, William VanDoodewaard oferece importantes alertas sobre a pessoa com quem desejamos unir-nos em matrimônio. Como a escolha de uma esposa pode afetar toda a vida de um homem? Esse texto é a segunda parte de uma dupla de posts que fez bastante sucesso em 2013. A primeira parte também aparece nesta lista…
2) 10 razões pelas quais nossos jovens deixam a igreja, Marc Yoder. – A substituição pragmática do evangelho da cruz pelo evangelho da glória americanizado é a razão para tantos jovens abandonarem a igreja. Mesmo no Brasil, muitas igrejas tentam copiar o modelo de entretenimento que promove igrejas inchadas e crentes superficiais. Para pastores e líderes, é essencial examinar as razões propostas pelo autor e voltar à mensagem bíblica.

1) Com quem você se casará é importante, Rebecca VanDoodewaard. – O primeiro texto dessa série sobre com quem nos casaremos é o post mais popular do ano. Num artigo franco, Rebecca VanDoodewaard apresenta uma mensagem sóbria que desafia mulheres solteiras a pensarem melhor sobre as pessoas com quem elas desejam unir-se em matrimônio. Como a escolha de um marido pode afetar toda a vida de uma garota? Somos gratos pelo sucesso dessa série, pois os conselhos dos Vandoodewaards são preciosíssimos para os crentes de hoje.


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Fonte: [iPródigo]

A Cruz de Cristo - Michael Haykin


Quem, na opinião de Charles Haddon Spurgeon, foi o maior teólogo do seu século? Bem, ninguém mais do que Andrew Fuller, o pastor batista e teólogo missionário que pastoreou durante a maior parte da sua vida, em Kettering, Northamptonshire, na antiga Inglaterra. Se alguém perguntasse a Spurgeon as razões de sua admiração por Fuller, uma razão que ele poderia dar seria a ênfase de Fuller sobre a centralidade na cruz.
Em toda sua vida cristã, Fuller foi convencido de que a cruz de Cristo era a essência do Cristianismo. Em 1802, ele defendeu que “ela é o ponto central no qual se encontram e são unidas as linhas da verdade do evangelho”. Assim como o sol é absolutamente vital para a manutenção do sistema solar, assim “a doutrina da cruz é para o sistema do evangelho; é a sua vida”. Outras observações semelhantes aparecem em uma série de obras de Fuller. Em um sermão pregado em 1801, Fuller traz à memória de seus ouvintes: “Cristo crucificado é o ponto central no qual se encontram e são unidas todas as linhas da verdade do evangelho. Não há outra doutrina nas Escrituras que tenha uma relação tão importante”. A morte redentora de Cristo, Fuller declarou em 1814, nada mais é do que “o sangue vital do sistema do evangelho”. Em resumo, a cruz é “a magnífica peculiaridade e a principal glória do cristianismo”, e tudo o que for equivalente ao próprio evangelho: “A doutrina da salvação através de Cristo... é, por sua primazia, chamada de evangelho”.
Diante dessa visão sobre a morte de Cristo, não ficamos surpresos em encontrar Fuller afirmando a respeito da doutrina da cruz, que “Deus, em todas as eras, se deleitou em honrar”. Qualquer que seja o lugar onde a igreja tenha experimentado tempos de vitalidade e vigor espiritual – “tempos de grande avivamento”, como Fuller os denominou – ali a obra expiatória de Cristo obteve um lugar de exaltação. Fuller observou que essa foi a doutrina central da Reforma, e à qual os Reformadores deram proeminência. Foi o tema principal dos puritanos e dos antepassados espirituais de Fuller, não conformistas do século XVII. Em seus dias, os triunfos missionários dos morávios nas Índias Ocidentais, entre os esquimós, e na Groelândia, foram triunfos da cruz: a “doutrina da expiação pela morte de Cristo (...) forma o grande assunto de seu ministério”. Quando Fuller olhou além da realidade histórica para a eternidade e o céu, ele foi convencido de que ali, também, a cruz era o “tema preferido” de seus habitantes.
Assim sendo, se uma igreja ou denominação rejeita a doutrina da cruz, ela não é nem um pouco melhor do que uma “massa morta e pútrida”. Acabar com “a obra expiatória de Cristo e todo o [sistema] cerimonial do Antigo Testamento nos parece um pouco mais do que uma massa morta de matéria desinteressante: a profecia perde tudo o que tem de interessante e cativante; o evangelho é aniquilado ou deixa de ser aquela boa nova aos pecadores perdidos que ela professa ser; a religião prática é despojada de seus motivos mais poderosos, a dispensação do evangelho, de sua glória peculiar, e o próprio céu, de suas alegrias condutoras”. Por que, por exemplo, muitas igrejas anglicanas nos dias de Fuller eram tão pouco frequentadas? Para Fuller, a resposta estava evidentemente clara: por causa, ele respondeu, “da generalidade do clero em não pregar a doutrina da cruz (...). Não há nada em sua pregação que interesse aos corações, ou alcance a consciência do povo”.
A perspectiva assumida na cruz era, portanto, uma grande linha divisória entre o cristianismo genuinamente bíblico e o nominal. Como Fuller declarou: “Enquanto temos uma mente segundo os apóstolos, determinada a conhecer nada além de Cristo, e ele crucificado, não correremos perigo de nos desviarmos totalmente da verdade, em qualquer de seus âmbitos; mas se perdermos de vista essa estrela-guia, logo tropeçaremos nas pedras do erro”.
Então foi assim que Fuller, quando estava falecendo em 1815, em sua última carta para seu grande amigo e mais tarde biógrafo, John Ryland Jr., reafirmou a centralidade da cruz. Depois de citar 2 Timóteo 1:12, Fuller disse: “Eu sou uma criatura pobre e culpada, mas Cristo é meu Salvador poderoso. Eu preguei e escrevi muito contra o abuso da doutrina da graça, mas toda essa doutrina é o que me salva e o que desejo. Não tenho nenhuma outra esperança fora dessa salvação por meio da simples graça soberana e eficaz, através da expiação de meu Senhor e Salvador. Com essa esperança, eu posso entrar na eternidade com tranquilidade”.
Dr. Michael Haykin é professor de história da igreja e espiritualidade bíblica noSouthern Theological Baptist Seminary em Louisville, Kentucky. Ele é autor dos livros “Palavras de Amor” e “Redescobrindo os pais da igreja: Quem eles eram e como moldaram a igreja” (Editora Fiel).
Fonte: [Ministério Fiel]

AutorMichael HaykinMichael Haykin
Michael Haykin é professor de história da igreja e espiritualidade bíblica no Southern Theological Baptist Seminary, em Louisville, Kentucky,...

Como fazer contato com a Igreja Perseguida?

No site ou na revista Portas Abertas, você lê uma história que toca o seu coração. O testemunho daquele irmão perseguido edifica sua vida, e você deseja entrar em contato com ele para consolar, agradecer, encorajar. A dúvida é: como você poderá contatá-lo?
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Situações como essa não são raras. O Espírito Santo gera, em muitos cristãos brasileiros, empatia e compaixão para com a Igreja Perseguida. Entretanto, entrar em contato com o cristão perseguido nem sempre é possível.

Contato benéfico
O contato que o escritório brasileiro da Portas Abertas tem com a Igreja Perseguida é intermediado pelos colaboradores estrangeiros que vivem ou trabalham nos países em que atuamos. Toma-se esse cuidado para proteger a integridade do cristão perseguido, bem como a de nossos colaboradores, pois seu contato com o exterior nem sempre é benéfico. Em muitos casos, a sociedade em que vivem vê com maus olhos quem recebe ajuda de outros países — essas pessoas acabam sendo julgadas como espiões internacionais ou traidores de seu país.

A situação varia de pessoa para pessoa, de país para país; leva-se em consideração o estado emocional do cristão perseguido, o contexto atual de sua nação. Quando é declarado que o contato com cristãos de países livres é benéfico, a Portas Abertas organiza campanha de cartas ou outras atividades. Por se tratar de situações delicadas, o contato direto e pessoal é evitado.

Cara a cara
Existem duas formas de se ter contato pessoal com a Igreja Perseguida. A primeira é com a visita dos correspondentes internacionais, que vêm periodicamente ao Brasil, provenientes de diversas partes do mundo. Durante suas pregações você pode ouvir relatos do campo, e após a mensagem, é possível conversar com eles e tirar algumas dúvidas.

Outra forma é por meio das viagens de campo organizadas por nosso ministério de viagens, o Sem Fronteiras. Essa experiência única possibilita o viajante a ter contato com a Igreja Perseguida e vivenciar um pouco do dia a dia dos cristãos naquele país.

Texto retirado da seção “Sua vez”, da revista Portas Abertas, edição de junho de 2013. Você pode participar enviando sua sugestão para o e-mail falecom@portasabertas.org.br.
FonteRevista Portas Abertas

24/12/2013

Não Sou Totalmente contra o Natal

Como todos os cristãos em geral, eu sou contra a secularização do Natal, o comércio que se faz em torno da data, as festas e bebedeiras que ocorrem na época. Todos sabemos que Papai Noel, árvores de Natal, guirlandas, bolinhas brilhantes e coloridas, bengalinhas de açúcar e anjinhos pendurados nas árvores, nada disso faz parte do Natal. São acréscimos culturais e pagãos feitos ao longo dos séculos e certamente não pelos verdadeiros cristãos.

Por isto, acho que não deveríamos ter nos cultos de Natal qualquer desses símbolos, desde Papai Noel até a árvore. Há quem pense diferente. Ellen White, profetiza mor do Adventismo, ensinava que se deveria ter uma árvore de Natal no culto e que a mesma poderia ser enfeitada durante a celebração.
"Deus muito Se alegraria se no Natal cada igreja tivesse uma árvore de Natal sobre a qual pendurar ofertas, grandes e pequenas, para essas casas de culto”. [1] 
Sou veementemente contra essa idéia.

Também sou contra fazer de 25 de dezembro uma espécie de dia “santo”. Para nós, há somente um dia “santo”, por assim dizer, que é o dia do Senhor, o domingo. A maioria dos cristãos esclarecidos sabe que a data 25 de dezembro foi escolhida depois do período dos apóstolos, por três razões: para substituir as celebrações pagãs da Saturnália, substituir as celebrações do solstício do inverno, quando era adorado o Sol Invicto e por ser a data de aniversário do imperador Constantino. Todos estão conscientes de que Jesus pode não ter nascido – e provavelmente não nasceu – nessa data. Ela é uma convenção apenas, aceita pela Cristandade desde tempos antigos.

Por causa dos abusos, dos acréscimos pagãos e do desvirtuamento do sentido, muitos têm se posicionado contra as celebrações natalinas no decorrer dos séculos. Posso entender perfeitamente seus argumentos. Um bom número de seitas, por exemplo, insiste que o Natal é uma festa pagã e que todos os verdadeiros cristãos deveriam afastar-se dela.

As Testemunhas de Jeová estão entre as que atacam de maneira mais ferrenha as festividades natalinas. Num artigo intitulado "Crenças e Costumes que Desagradam a Deus" as Testemunhas de Jeová argumentam:
"Jesus não nasceu em 25 de dezembro. Ele nasceu por volta de 1° de outubro, época do ano em que os pastores mantinham seus rebanhos ao ar livre, à noite (Lucas 2:8-12). Jesus nunca ordenou que os cristãos celebrassem seu nascimento. Antes, mandou que comemorassem ou recordassem sua morte (Lucas 22.19,20)".[2] 
Todavia, considerando a rejeição aberta e agressiva que as Testemunhas de Jeová mantém contra a Encarnação e a divindade de Jesus Cristo, não se poderia esperar outra atitude deles.

Mais recentemente, igrejas e pregadores neopentecostais passaram a atacar duramente os cultos natalinos. Os argumentos são similares aos das seitas contra o Natal, só que com mais ênfase no caráter pagão-satânico do "bom velhinho". O ataque é resultado da visão dicotomizada de mundo que caracteriza muitos neopentecostais (não a todos, obviamente) e faz parte das críticas que fazem aos programas de Disney, às cartas de baralho, às mensagens satânicas subliminares em músicas de rock, etc., o que enfraquece bastante a força dos seus ataques ao Natal.

Os abusos e distorções também têm provocado reação contrária ao Natal de pastores e estudiosos reformados. Os argumentos são basicamente os mesmos empregados pelas seitas e pelos neopentecostais, sem que com isso queiramos comparar ou assemelhar esses grupos: falta de prescrição bíblica, incerteza da data exata do nascimento, origem pagã da festa e introdução de elementos pagãos ao longo do tempo.

Estou de acordo com as críticas feitas aos abusos e distorções. Todavia, acredito que precisamos jogar fora somente a água suja da banheirinha, e não o bebê. Penso que a realização de um culto a Deus em gratidão pelo nascimento de Jesus Cristo nessa época do ano, como parte do calendário de ocasiões especiais da Cristandade, se encaixa no espírito cristão reformado.

Além do que, alguns dos argumentos usados para a cessação total da realização de cultos dessa ordem não me parecem persuasivos.
       
Por exemplo, o argumento do silêncio da Bíblia, usado quanto às prescrições de comemorar o nascimento de Jesus, para mim não é definitivo. A Bíblia silencia quanto a muita coisa que é praticada nos cultos das seitas, dos neopentecostais e mesmo dos reformados. Eu sei que a celebração dos anjos e pastores na noite do nascimento de Jesus, bem como a atitude dos magos posteriormente, não são argumentos suficientes para estabelecermos cultos natalinos, mas pelo menos mostra que não é errado nos alegrarmos com o nascimento do Salvador.

Os argumentos de que os Reformadores, puritanos e presbiterianos antigos eram contra o Natal também não é final. A começar pela falibilidade das opiniões deles, especialmente em áreas onde as Escrituras não tinham muita coisa a dizer. Há muita manipulação das opiniões desses antigos heróis da fé pelos seus seguidores hoje (entre os quais me incluo, mas não na categoria de seguidor cego). Quando eles concordam, são citados. Quando discordam, são esquecidos. Aliás, não tenho certeza que Calvino era contra cultos em ocasiões especiais do calendário cristão. Ao que parece, ele era favorável.

A questão toda, ao final, é quanto ao calendário litúrgico, isto é, a validade ou não das igrejas reformadas realizarem cultos temáticos alusivos às datas tradicionais da Cristandade, como o nascimento de Jesus, sua paixão, morte e ressurreição, Pentecostes, etc. Nenhum Reformado realmente coloca 25 de dezembro como um dia santo, em mesmo pé de igualdade com o domingo. Trata-se de uma data do calendário litúrgico cristão, que pode ou não ser usado como uma ocasião propícia.

As grandes confissões reformadas consentem com o uso dessas datas. A Confissão de Fé de Westminster diz que
"... são partes do ordinário culto de Deus, além dos juramentos religiosos; votos, jejuns solenes e ações de graças em ocasiões especiais, tudo o que, em seus vários tempos e ocasiões próprias, deve ser usado de um modo santo e religioso." [3] 
Segunda Confissão Helvética de 1566, produzida sob supervisão de Bullinger, discípulo de Calvino, declara (XXIV): "Ademais, se na liberdade cristã, as igrejas celebram de modo religioso a lembrança do nascimento do Senhor, a circuncisão, a paixão, a ressurreição e Sua ascensão ao céu, bem como o envio do Espírito Santo sobre os discípulos, damos-lhes plena aprovação".

A velha Igreja Reformada Holandesa, no famoso Sínodo de Dort (1618-1619), adotou uma ordem para a igreja que incluía a observância de vários dias do calendário cristão, inclusive o nascimento de Jesus (art. 67). Isso mostra que, no mínimo, muitos Reformados eram favoráveis à celebração de datas especiais do calendário litúrgico cristão.

Por fim, creio, também, que a celebração do Natal no calendário cristão encaixa-se perfeitamente com a celebração dos grandes eventos da redenção pela oportunidade de esclarecer a doutrina da Encarnação (João 1.1-4,14). Afinal, o que deve ser celebrado não é simplesmente o nascimento de Jesus, mas a encarnação do Verbo de Deus, a vinda do Emanuel para a libertação do seu povo. Pode-se argumentar que esta doutrina (e outras quaisquer), podem ser ensinadas e celebradas regularmente pelo povo Deus, em qualquer domingo. Mas o argumento contrário também poderia ser usado: deveríamos parar de celebrar qualquer culto que não seja no domingo?

NOTAS

[1] Review and Herald, 11 de dezembro de 1879. Citado em http://www.cacp.org.br/Natal_e_os_adventistas.htm

[2] http://www.watchtower.org/t/rq/article_11.htm

[3] Confissão de Fé de Westminster, XXI, 5.

Fonte: [O Tempora, O Mores
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