24 de jun de 2011

Verdades difíceis & Amor profundo: Refletindo sobre Soberania, Sofrimento e a Promessa dos Céus - Randy Alcorn


Todas as coisas cooperam para o Bem


    E sabemos que Deus faz que todas as coisas cooperem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. 

Iremos nos concentrar em um dos versículos mais importantes das Escrituras, [Romanos 8:28]. Porém é algo insensível jogar [Romanos 8:28] numa pessoa para que minimize o sofrimento. Jesus chorou sobre o sofrimento e a feiúra da morte. As Escrituras nunca minimizam a dor e o sofrimento enquanto olhamos para a ressurreição. No entanto, Deus faz com que todas as coisas cooperem para o bem daqueles que O amam.

Alguns poderiam dizer que este versículo soa cruel para eles. No entanto, Deus é totalmente soberano e Ele pode cumprir todas as promessas desde versículo. Depois que vemos o que este versículo realmente significa, então veremos Deus tão elevado e em tudo glorioso.

É impressionante a dor que há neste mundo. Mas quanto pior as coisas estão, quanto maior a história da redenção deve ser para fazer as coisas certas. A história da redenção em Cristo tem um final glorioso como mostra [Efésios 2:7], “ para mostrar , nos vindouros séculos, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus.”

O que você saberia da graça de Deus, se o pecado e o mal e o sofrimento não teriam entrado neste mundo? O que você sabe da misericórdia de Deus? O que você saberia da Sua paciência? O que você conheceria da Sua compaixão? Existem atributos de Deus que nunca conheceríamos, celebraríamos e O louvaríamos por toda a eternidade se não houvesse tão grande sofrimento no mundo. Nós nos tornaremos mais parecidos com Cristo, Deus será mais glorificado por toda a eternidade, e nós experimentaremos bem maior do que jamais teríamos se todas as coisas ruins não tivessem acontecido.

Herdeiros com Cristo

Deus nunca retirou sua intenção original de pessoas justas reinarem sobre a terra por toda a eternidade. [Romanos 8:16-17] diz que “o próprio Espírito testificas com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo, se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados.”

Somos herdeiros do rei e nosso empreendimento familiar é reinar. Teremos corpos ressuscitados, em um mundo ressuscitado, em uma cultura ressuscitada na nova terra. Reinaremos na terra para a glória de Deus. [Daniel 7:27] nos dá um retrato desta realidade vindoura: “O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo der todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão.”

[Romanos 8:16-17] fala sobre como precisamos sofrer para reinarmos com ele. A vida de facilidades é um prejuízo para o desenvolvimento de pessoas de caráter e de semelhança com Cristo. Deus nos dá muitas dádivas boas, mas Deus não quer que o mundo por vir seja governado por pessoas a menos que sejam semelhantes a Cristo. Cometemos um grande erro em pensar que Deus está simplesmente preparando um lugar para nós, sem nos preparar para este lugar. Deus está nos preparando para governar com justiça como reis servidores no mundo que ele tem para nós. O sofrimento está diretamente relacionado com o reinar sobre o Seu reino como herdeiros de Deus.

As aflições preparam para a Glória

Cada vez que olhamos para [Romanos 8:18]  “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” deveríamos compará-lo com [2 Coríntios 4:17]  ”Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação.”  Se você quiser saber o que Paulo considerava uma tribulação leve e momentânea, leia [2 Coríntios 11:23-29]  aprisionamentos, espancamentos, à beira da morte, chicotadas, apedrejamento, naufrágios, fadiga, dificuldades, noites sem dormir, etc.

Jesus disse em [Mateus 13:43]  “Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai.” Isto começa aqui e agora e continua por toda a eternidade. Não pense que Deus quer que você espere até que você morra para se tornar semelhante a Jesus. Já nesta vida devemos nos tornar semelhantes a Cristo. Isto acontece através do sofrimento e isto acontece através da adversidade.

É o Espírito de Deus que nos ajuda a crer que a Palavra de Deus é verdadeira em dizer que todas as coisas cooperam para o bem. Nada nos separará do amor de Cristo porque Deus está trabalhando todas as coisas para o nosso bem [Efésios 1:11] e [Romanos 8:28]. O melhor ainda está por vir. Essa é a promessa de Deus paga pelo sangue de Jesus. Quando estiver no meio de um sofrimento e você duvidar que Jesus se importa com você, imagine-o estendendo suas mãos cicatrizadas e mostrando-lhe a prova do seu amor por você. 

tradução: Priscilla Borges
© Desiring God 2010 National Conference

Fonte: [vemver textos]

21 de jun de 2011

A Bíblia é suficiente para você?


Salmo 119.96 – “toda perfeição tem o seu limite; mas o mandamento do Senhor é ilimitado.”


Salmo 19.7 – “a lei do Senhor é perfeita e restaura a alma”


Dizer que algo é suficiente é dizer que não precisa de substitutos, nem complementos. De fato a Bíblia não necessita de substitutos nem de complementos. Tudo o que precisamos saber sobre Deus está na Bíblia. Os textos bíblicos acima declaram esta suficiência usando o adjetivo perfeição. Assim, a Bíblia é suficiente em si mesma, ou seja, por sua própria definição.
Mas a Bíblia é suficiente para você?

Uma boa forma de aferirmos essa suficiência em nossa experiência é refletir sobre como podemos nos aproximar do Livro Sagrado. Citaremos brevemente, a seguir, algumas formas negativas de aproximação e concluiremos com o testemunho da própria Bíblia de sua suficiência, com o intuito de incitar-nos a uma aproximação saudável:

(os títulos que utilizaremos nas descrições são meramente ilustrativos, ou seja, não os usamos aqui em seu sentido etimológico mais profundo)

Intelectuais–são aqueles que lêem de uma forma seca e técnica. Utilizam-se de uma mente arguta e altamente curiosa para “dissecar” o livro, pela sua riqueza histórica e literária. A seguir escrevem livros e mais livros apontando a complexidade das descobertas, e de fato, são importantes em alguma medida. Mas, para estes a Bíblia não é suficiente, pois tanto faz ser a Bíblia ou outra obra literária histórica qualquer. Para estes logicamente a Bíblia não passa de um mero objeto de pesquisa.

Pragmáticos–são aqueles que querem lições para viver bem, ajudar os filhos, vizinhos e colegas. São caçadores da funcionalidade do texto na solução de suas dificuldades diárias. Para estes, a Bíblia também não se mostrará suficiente, pois logo ganhará a preferência o que responder de forma mais prática e imediata às questões inquietantes do dia a dia. Não importa princípios, ética ou verdade, mas se funciona. Aí, tanto faz o Apóstolo Paulo, Içami Tiba, Augusto Cury ou qualquer outro autor. O que “funcionar” primeiro ganha.

Sentimentais–são os que buscam histórias emocionantes e inspiradoras. Poesia, parábolas e provérbios são apreciados. Logo desenvolvem uma teologia marcada pelo humanismo, pelas frases de efeito, pela filosofia barata e pela exaltação da auto-estima. Para estes, os gurus da auto-ajuda convivem no mesmo plano dos autores bíblicos. Para estes também, aqueles que buscam conhecimento de toda verdade de Deus revelada nas Escrituras são chamados de “teólogos, ortodoxos e fundamentalistas” da forma mais pejorativa possível.

Pregadores–procuram na Bíblia apenas mais um sermão, somente uma mensagem, ou um pretexto. Se não acharem... Pregam assim mesmo! Outro dia ouvi falar de um pregador que fez a seguinte confissão na maior cara-de-pau: “preparei uma mensagem tremenda, só me falta achar o texto bíblico que servirá de base”. E outro que introduziu seu sermão com esta pérola: “irmãos folheei a Bíblia pra lá e pra cá e não achei um texto em que pregar, então...” Durma-se com um barulho desses! A Bíblia para estes é mero detalhe.

Os “sem Bíblia”-são os que não lêem de forma alguma. Seguem a falsa premissa de que ler, estudar e meditar é função de pastor e pregador. Há dois tipos desses infelizes auto-enganados, os “sem Bíblia” que têm uma para carregar e fazer tipo, e os “ortodoxos”, aqueles que nem sequer têm uma, ou pelo menos não querem que alguém saiba que têm. Vão aos cultos de “mãos abanando” e mente vazia.

Todos os tipos descritos acima são crentes obviamente, pelo menos é o que dizem. Ou, como dizia certa música vivem da “arte de viver da fé, só não se sabe fé em que”.

A aproximação que faz da Bíblia suficiente é aquela que busca, sobretudo, aproximar-se de Deus, que procura trazer Deus para a realidade da vida, colocando-se sob sua autoridade. O trecho do Salmo 19 (7-10) mostra a suficiência da Bíblia sob muitos aspectos, e o que ela promove aos que a lêem de forma adequada. Segundo este salmo a Bíblia é: Perfeita – completa, única, sem necessidade de remendos; Fiel – digna de confiança; Reta – sempre precisa em seus ensinos; Pura – sem misturas; Limpa – não contamina, nem envenena; Verdadeira – capaz de clarear a visão. Escrevendo a Timóteo, Paulo nos fala da maior qualidade das Escrituras, dando-nos o tom da sua suficiência. Que o Senhor tenha misericórdia de nós e nos dê corações sedentos e famintos das Sagradas Letras, transformando-nos a cada dia em homens e mulheres de Deus que glorificam o Altíssimo em toda maneira de viver.

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. 2Tm.3.16,17


Fonte: [Adoração e Pregação]

Cristãos são atacados e mortos



Uma igreja típica no sul do Sudão
SUDÃO (35º) - As Forças Armadas do Sudão (SAF), da unidade de Inteligência, detiveram Nimeri Kalo Philip, um estudante do seminário Saint Paul, no último dia 8 de junho, perto do portão da Missão das Nações Unidas no Sudão (MINUS) e atiraram nele na frente das pessoas que andavam pela rua. Kalo e outros cristãos estavam fugindo da cidade após as milícias muçulmanas leais à SAF atacarem e saquearem os três edifícios da igreja em Kadugli.

O ataque aos cristãos e igrejas ocorreu no estado de Kordofan, no sul do Sudão.

Agentes da Inteligência da SAF acusaram Kalo de ser cristão e, portanto, de pertencer à oposição ao governo islâmico, segundo o relato de fontes locais. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu.

No mesmo dia, os militantes islâmicos mataram outro cristão no Mercado Kadugli. Adeeb Gismalia Askam, de 33 anos, era motorista de ônibus e filho de um ancião da Igreja Evangélica em Kadugli. Ele foi assassinado pelos extremistas após gritar “Allahu akbar [Deus é maior]”.

As milícias islâmicas ouviram gritos pronunciando “Deus é maior” e começaram a atirar contra o prédio da Igreja Católica Romana, na tarde do mesmo dia 8 de junho, durante uma reunião em que os membros da congregação pediam para que Deus os protegesse.

Líderes da igreja são presos
Ninguém foi atingido pelos tiros disparados contra a igreja, mas os dois líderes da igreja atacada foram presos, acusados de incentivarem as pessoas a irem contra o governo islâmico do país. Os militantes os levaram para um local desconhecido e os torturaram por dois dias. Eles foram soltos no dia seguinte.

Os cristãos entraram em estado de choque, pois eles se tornaram alvo de militantes islâmicos que trabalham para o governo do Sudão.

Outro cristão, que pediu anonimato, disse que foi preso acusado de ser um anti-islã e, portanto, contrário ao governo islâmico. Ele foi levado para uma prisão militar e foi severamente espancado. “Eu pensei que era o meu fim, mas graças a Deus eu fui liberado, mas fui avisado que deveria sair da cidade”, disse ele.

Tradução: Lucas Gregório


Fonte: Compass Direct
Via: [Missão Portas Abertas]


Igreja chinesa sofre grande perseguição

China
CHINA (16º) - No último fim de semana, a polícia chinesa prendeu 16 membros da igreja doméstica de Shouwang, em Pequim, colocando mais alguns sob prisão domiciliar. Isso aconteceu porque as autoridades do governo chinês querem “admoestar” os membros das igrejas domésticas, de acordo com um comunicado emitido ontem pelos líderes da igreja.

A polícia também mantém presos, num porão, três cristãos que tinham ido visitar os membros da igreja detidos, disse o comunicado.

Eles também disseram que os oficiais do governo foram contra a igreja de Shouwang nas últimas duas semanas, com o intuito de “disciplinar” e “admoestar” os membros da igreja e tentar filiar a igreja de Shouwang às igrejas do Estado.

Houve uma série de despejos das instalações alugadas, além de lhes ser negado o acesso às propriedades, compradas há um ano. Por isso a igreja de Shouwang decidiu se reunir na praça pública para suas reuniões semanais.

Confrontos aos domingos têm se tornado constantes, uma vez que os membros da igreja protestam, de forma pacífica, contra o fato de não poderem ter um local fixo para reuniões. Detenções e prisões estão sendo frequentes entre os membros e líderes da igreja de Shouwang.

Tradução: Lucas Gregório

20 de jun de 2011

Andar em Sabedoria – Sinclair Ferguson


"Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo; porquanto os dias são maus. Pelo que não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor. E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito." -Efésios 5:15-18

Devemos andar, não como cristãos néscios, nem insensatos (Paulo não nega que os cristãos possam ser as duas coisas; insta enfaticamente que não sejam nem uma coisa nem outra). A sabedoria e a vontade de Deus são intimamente relacionadas, como sublinha o livro de Provérbios. Para o conhecimento prático dos propósitos de Deus, nada é mais vital que a sabedoria:

"Adquire a sabedoria, adquire a inteligência, e não te
esqueças nem te apartes das palavras da minha boca.
Não a desampares, e ela te guardará; ama-a, e ela te
conservará.
A sabedoria é a coisa principal: adquire pois a sabedoria;
sim, com tudo o que possuis adquire o conhecimento.
Exalta-a, e ela te exaltará; e, abraçando-a tu, ela te
honrará.
Dará à tua cabeça um diadema de graça, e uma coroa
de glória te entregará." - Provérbios 4:5-9

Mas, o que implica andar em sabedoria? A explicação novamente é de Paulo.

Andar em sabedoria significa andar prudentemente. A palavra grega é akribos, e, como é empregada em Mateus 2:8 e Lucas 1:3, ajuda-nos a apreciar a sua significação aqui. Quando Herodes soube do nascimento doutro rei, exortou os sábios, dizendo: "Ide, e perguntei diligentemente pelo menino". Quando Lucas se dispôs a escrever o Evangelho de sua autoria, já se havia "informado minuciosamente de tudo desde o princípio". Akribos, nessas passagens traduzido por diligentemente e minuciosamente, significa acuradamente, cuidadosamente, indo até os mínimos detalhes.

Será que Paulo pretende que o cristão seja um personagem cansativamente minucioso, sempre se agitando em torno de pormenores insignificantes e argumentando sobre a importância de trivialidades? Não! Ele não deseja que a nossa fidelidade a Cristo leve as coisas secundárias a tomarem o primeiro lugar em nosso pensamento. Antes, o que ele quer dizer é que a fidelidade a Cristo se estende a todos os pormenores das nossas vidas. Parte nenhuma delas ficará sem o toque da influência da sabedoria. Teremos o amoroso cuidado de sermos obedientes ao Senhor.

De fato, Paulo mesmo nos explica o que ele quer dizer com andar prudentemente, cuidadosamente. Diz ele que isso envolve remir "o tempo". Ele emprega a palavra kairos, que significa "oportunidade". O sábio vê que as oportunidades precisam ser redimidas. É preciso adquiri-las à custa de alguma outra coisa. Não quer dizer que o cristão se preocupará com interesses insignificantes. A verdade é o contrário disso. Ele terá o cuidado de fixar os olhos nas questões de grande importância espiritual na vida.
Você diz que deseja ver qual é a vontade de Deus em sua vida. Mas você está andando com sabedoria, no sentido de andar cuidadosamente, prudentemente? Está dando a devida atenção às suas oportunidades? Entre os que se queixam de que a direção na vida se lhes tornou uma grande frustração, poucas coisas são mais comuns que o não uso das oportunidades propícias que Deus lhes dá! Portanto, seja cuidadoso em seu andar. Ande sabiamente!

Andar em sabedoria significa também andar inteligente-mente. Somos exortados a entender "qual seja a vontade do Senhor" (Efésios 5:17). A obediência do cristão à direção de Deus é uma compreensiva e inteligente busca daquilo que Deus revelou. Isso jamais é um exercício infenso à mente (ver 1 Coríntios 14:20). Cabe-nos examinar e aprovar "o que é agradável ao Senhor" (Efésios 5:10).

Se lermos essas declarações com um pouco de cuidado que seja, ficaremos logo livres da errônea idéia de que a direção desejada é algo que vem como uma flecha cruzando o espaço, apanhando-nos de surpresa. Não é. Direção divina é a maneira pela qual Deus nos conduz quando meditamos nas implicações da Sua verdade e procuramos ver a aplicação prática da verdade em nossas vidas. Isto envolve a utilização das nossas mentes, para pensarmos bem no caminho que Deus quer que tomemos para servi-10. Isto requer familiaridade com as Escrituras e comunhão com o Espírito, o qual somente conhece a mente de Deus (1 Coríntios 2:11-13).

Andar em sabedoria, conseqüentemente, significa andar espiritualmente, sob o domínio e a direção do Espírito Santo. E por isso que, neste contexto, Paulo nos concita a encher-nos do

Espírito. A passagem paralela de Colossenses 3:16 substitui essa exortação por esta outra: "A palavra de Cristo habite em vós abundantemente". Isso dá a idéia de que existe uma estreita relação entre expor-nos ao governo do Espírito e expor-nos à obediência à Palavra de Deus. Onde quer que busquemos, nas Escrituras, ensinamentos sobre a direção de Deus, invariavelmente encontraremos essa combinação. A orientação é sobrenatural; a vontade de Deus nos é dada a conhecer espiritualmente. Aí está por que temos necessidade de andar no Espírito. Mas também nos é dada a conhecer pela Palavra. Aí está por que precisamos andar inteligentemente no Espírito.

O contrastante distintivo do andar cristão, nesta porção dos ensinos de Paulo, é a gratidão. Devemos estar "dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo" (Efésios 5:20). A ação de graças toma o lugar do pecado (Efésios 5:4). Sempre! Por tudo!

Por que deve ser assim? Porque os que andam em amor, na luz e em sabedoria desenvolvem a certeza de que, sejam quais forem os seus fracassos, estão sempre andando no caminho em que todas as promessas de Deus podem estar à sua espera. Sabem eles que, por mais escuro e perigoso que este caminho seja, eles não poderiam ser mais felizes nem estar mais seguros em nenhum outro lugar. Conscientes de que estão vivendo na obediência a Deus, todas as circunstâncias e providências da vida poderão ser aceitas alegremente, como provindas das mãos do seu Pai celeste. Para o Pai, eles podem ir com seus temores e ansiedades que a Sua vontade parece ter lançado sobre as suas vidas. Eles sabem que Ele usa todas estas experiências para transformá-los à imagem de Cristo.   Pois isso Ele predestinou para eles. Portanto, eles experimentam uma certeza de que todas as coisas cooperam para o seu bem, e de que nada os pode separar jamais do amor de Deus no Senhor Jesus Cristo! Por isso podem ser agradecidos ao Senhor pelos caminhos nos quais Ele os conduz.
O cristão que anda em amor, na luz e em sabedoria será um cristão agradecido. Isso o fará marcantemente diferente. Ele conhece em certa medida agora o que conhecerá plenamente mais tarde:

Com Sua misericórdia e Sua justeza,
a teia do meu tempo Ele teceu,
e o certo é que no orvalho da tristeza
o Seu amor divino resplendeu;
bendirei, pois, a mão que me guiou
e o coração que tudo planejou,
quando à plena glória eu for exaltado,
à terra de Emanuel, meu Deus amado.
Anne Ross Cousin

Fonte: [Josemar Bessa]

17 de jun de 2011

SALVAÇÕES E SALVAÇÃO


Mt.22.29 – “Jesus, porém, lhes respondeu: Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus”Vivemos hoje o esvaziamento do significado das palavras, e a palavra SALVAÇÃO é uma das vítimas ! Há muitas pessoas se convertendo a ofertas de salvação, sem amparo na bíblia... É salvação do desemprego; das dívidas; da enfermidade; dos conflitos relacionais...tudo isso é salvação com “s” minúsculo, no vale-tudo para encher igreja. A igreja precisa se voltar para a Palavra e pregar a única Salvação que realmente importa. (At.16) É esta Salvação que justifica a existência da Igreja, e é por esta Salvação que nos reunimos:
(1)Para celebrar o Deus da Salvação (Sl.95.1)
(2)Para anunciar a Salvação (Sl.96.1,2).
A advertência de Jesus neste texto (Mt.22.29) é essencialmente sobre a Salvação; sobre a necessidade de uma correta compreensão e suas implicações na vida prática...e é disso que vamos tratar aqui: Qual o teor da advertência de Jesus e quais sua implicações para a vida:

1. ENTENDER A SALVAÇÃO É FUNDAMENTAL

“Errais...” - Jesus fala isso num contexto em que a Salvação, tal como é apresentada na Bíblia é questionada, pois questionar a Ressurreição, como os saduceus estavam fazendo no contexto, era questionar a própria realidade da Salvação. Paulo nos diz que se não há ressurreição também não salvação (1Co.15.1-19ss) Todo erro começa em não compreender o fundamental ! Compreender a Salvação é ponto de partida para entender outras realidades importantes. - Por exemplo, qualquer noção de Adoração parte de uma compreensão da natureza da Salvação. (Jo.4.22 – “Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos; porque a salvação vem dos judeus.”) - Também não há expressão de espiritualidade sadia sem entendimento básico da verdade da Salvação. (Jo.3.6;I Co.2.12-16) A Salvação precisa nortear o nosso pensamento !! Em tudo: nos negócios; no trabalho; nos estudos; nas relações...precisa transparecer nas nossas ações !! A Salvação confere ao homem uma nova cosmovisão (visão do mundo) !!! Será que alguém em sã consciência ainda pode dizer que pouco importa o que se sabe sobre Salvação ? Será que podemos viver como cristão completamente alheios a idéia bíblica de Salvação ?

2. A SALVAÇÃO É CENTRAL NAS ESCRITURAS

“Errais, não compreendendo as Escrituras...” - Se compreender a salvação é fundamental então estudar a Bíblia é fundamental (Jo.5.39 – “examinai as escrituras pois cuidas ter nela a vida eterna”, conf. Tm.3.15). A Bíblia deve ser lida com esta verdade em mente – a Bíblia fala de Salvação do inicio ao fim – o relato da queda traz uma promessa de Salvação o Apocalipse termina com uma promessa de Salvação em cores vívidas! A bíblia, portanto, não é pretexto para contar minhas historinhas, nem coadjuvante das minhas experienciazinhas...não é livro de historinhas, nem se presta a dizer o que queremos que ela diga ou atender os nossos caprichos, mas trazer a mente a realidade: - nos fala da nossa real condição (pecadores) - da regeneração (ação exclusiva de Deus) - da fé e conversão (só possível depois da regeneração) - da santificação (ação mais do Espírito, mas também nossa) - da glorificação (só concebida com consciência de misericórdia e graça) “tudo quanto outrora foi escrito, para o nosso ensino foi escrito, afim de que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança” Rm.15.4

3. A SALVAÇÃO É GRANDIOSA, ACIMA DE TODA COMPARAÇÃO

“Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus...” -Os saduceus vem até Jesus com um raciocínio puramente humano e terreno sobre a Ressurreição (Salvação) O grande erro deles nesse ponto, está em comparar algo tão grandioso com algo tão pequeno... Existe um conceito de ressurreição na vida presente, que apesar de sua subjetividade é importantíssimo e não devemos nos esquecer - fomos ressuscitados para uma NOVA VIDA ! Mas, também fomos chamados para viver um dia de cada vez (intensamente, é bom que se diga) com os olhos lá na frente!!! Tendo ciência de que mesmo as bençãos que recebemos hoje são efêmeras sombras da Salvação que se confirmará quando Cristo voltar ! - Não rejeitamos nada, pois sabemos que tudo vem das mão de um Deus que efetivamente controla - Não vivemos sob a tirania do resultado exterior... Mas...celebramos a Graça e vivemos de cabeça erguida, pois nada nesta vida se pode comparar com a TÃO GRANDE SALVAÇÃO !! Ela maior que qualquer milagre...maior que qualquer busca ou realização pessoal!! (II Co.4.8ss)

4. A SALVAÇÃO É A MANIFESTAÇÃO DO PODER DE DEUS

“Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus...” -Não existe maior expressão do poder de Deus do que a salvação de um homem. Paulo nos diz em Rm.1.16 que é o "poder de Deus para salvação de todo aquele que crê"; Diz ainda em 1Co.1.18 que "é loucura para os que se perdem, mas para nós é poder de Deus". É portanto, a manifestação por excelência...por isso é difícil entender por que tantas pessoas na Igreja vivem correndo atrás de milagres...ou mesmo precisam de algum acontecimento que autentique a fé...Enquanto a palavra de Deus estiver sendo pregada continuaremos vendo a mais sublime manifestação do poder de Deus entre os homens....SALVAÇÃO !



GLÓRIA, POIS A ELE ETERNAMENTE !

13 de jun de 2011

A FÉ COM “OBRAS” É MORTA


No livro de Tiago lemos que “a fé sem obras é morta”. Estranho e contraditório título então para um artigo evangélico, onde a Palavra de Deus é afirmada e reafirmada a tempo e fora de tempo.

Que fé e de que “obras” estamos nos referindo então? Certamente não as mesmas citadas por Tiago, que incentiva a nossa fé gerar frutos espirituais chamados de obras. Hoje, estamos vivendo um tsunami espiritual do fazer e acontecer. Grandes “mestres-de-obras espirituais”, verdadeiros mercenários da fé têm se levantado em nome de uma dita fé para proclamar “obras” a serem realizadas em nome de Deus e de sua Palavra. Não economizam nas suas “obras” de chavões, números cabalísticos, ameaças espirituais aos que não aderirem às supostas “obras”. “Obras” de um reino próprio, onde “prosperidade financeira e numérica” é a chave do sucesso e o prumo usado para medir a fé e as suas obras. Deus fala diretamente com estes e os incumbem de distribuírem unções especiais, revelações jamais imagináveis, até o apóstolo João na Ilha de Patmos, certamente, acharia o livro do Apocalipse café pequeno perto destas revelações e poder de distribuir unções. Trazem de volta o véu que foi rasgado e o livre acesso a Deus pelo povo e por sua Palavra, se colocam como véu entre Deus e o povo. Fé que fede e obra que cobra. Nunca a igreja, dita evangélica, sofreu tanta afronta espiritual em nome de uma suposta fé. Resta-nos analisar à luz da Palavra que fé e que obras não serão palha no dia do juízo final.

Certamente, a fé é a fé em Cristo Jesus, sua obra redentora e seu poder transformador e as obras, simplesmente, o fruto que revela esta fé. Sem fé é impossível agradar a Deus e, certamente, com esta fé frutos ou obras realmente espirituais são geradas para a honra e glória do Reino de Deus aqui na terra. Que o Espírito Santo de Deus encha sua igreja de discernimento, força, unção e poder para não se calar diante de tais acontecimentos. Diga não, na unção do Espírito Santo, a tudo que vem distorcer, torcer, reverter, intrometer-se na obra que Deus quer fazer através de um povo lavado e remido por seu sangue. Maranata, ora vem Senhor Jesus!

Cláudia Castor Figueira



Fonte: [Ministério Batista Beréia]

10 de jun de 2011

Amor e Aflição – C. H. Spurgeon


Eis o homem! João 19.5

Nosso Senhor Jesus Cristo se tornou a completa alegria e consolação de seu povo, quando submergiu nas profundezas do sofrimento. Vejam o homem no jardim do Getsêmani. Contemplem o coração dEle, tão repleto de amor, que Ele mesmo não podia retê-lo, e tão repleto de aflição, que Ele tinha de encontrar uma forma de desabafo. Vejam o suor sangrento, enquanto ele cai no chão. Contemplem o homem, enquanto os soldados pregam os cravos nas mãos e nos pés dEle.

Olhem, pecadores arrependidos, e vejam a triste imagem do Salvador em sofrimento. As gotas de sangue permanecem na coroa de espinhos e adornam o diadema do Rei com jóias de valor incalculável. Vejam o homem, quando todos os seus ossos estão desarticulados e Ele está se derramando, como água, e sendo trazido à morte. Deus O abandonou, e o inferno O cercou.

Contemplem e verifiquem: jamais houve alguma aflição semelhante à dEle? Aproximem-se e admirem o espetáculo — singular, sem igual, uma maravilha para os homens e para os anjos. Fixem os olhos nEle, pois, se não existe consolação no Cristo crucificado, não existe nenhum regozijo na terra ou no céu. Se o preço de resgate do sangue de Cristo não oferece qualquer esperança, não pode haver qualquer gozo em seu coração. Quando nos assentamos aos pés da cruz, ficamos menos perturbados com nossas dúvidas e temores.

Quando vemos os sofrimentos do Senhor Jesus, nos sentimos envergonhados de mencionar os nossos próprios sofrimentos. Precisamos tão-somente fixar nossos olhos em suas feridas, para que as nossas sejam curadas. Se vivermos em retidão, isso acontecerá por meio da contemplação da morte de Cristo. Se formos elevados à dignidade, isso ocorrerá por considerarmos a humilhação e as aflições de Cristo. 


Fonte: [C. H. Spurgeon]

8 de jun de 2011

Deus espera com a mão estendida? – João Calvino (1509-1564)



Em Jeremias (32:39-40) Deus diz: "Dar-lhes-ei um só coração e um só caminho, para que me temam todos os dias"; "Porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim." E logo no princípio da profecia de Ezequiel (11:19): "Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne." Deus considera nossa conversão como criação de um novo espírito e um novo coração. Como então poderia Ele reivindicar mais claramente para Si mesmo tudo o que é bom e reto na vontade do homem?

Com isso estão de acordo as orações dos santos. Salomão disse: "O Senhor nosso Deus seja conosco... a fim de que a si incline os nossos corações para andarmos em todos os seus caminhos e guardarmos os seus mandamentos."(1 Rs. 8:57-58). E no Salmo 119 achamos a oração: "Inclina o meu coração a teus testemunhos, e não à cobiça" (v. 36). Davi pede a Deus que crie nele um coração puro, e renove nele um espírito reto, reconhecendo que seu coração está cheio de impureza e seu espírito de perversidade, e reconhecendo que a pureza que pede em oração é criação de Deus.

O testemunho de Cristo a respeito deste ponto fica claro para todos aqueles que não fecham seus olhos deliberadamente: "Eu sou a videira; vós os ramos; meu Pai é o agricultor. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira; assim nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim." (Jo. 15:1, 4-5). Se não podemos produzir mais frutos por nós mesmos do que um ramo de videira arrancado do seu tronco e privado de seiva, então não precisamos ir mais longe em busca da nossa capacidade natural para o bem. Igualmente decisiva é a conclusão de Cristo: "Sem mim nada podeis fazer."

O apóstolo Paulo, numa passagem que já citei, atribui a Deus todas as boas obras: "porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade" (Fil. 2:13). A primeira parte de uma boa obra é a vontade de praticá-la; a segunda é um esforço eficaz para realizá-la; o autor de ambas é Deus. Portanto, furtamos a

Deus tudo quanto arrogamos a nós mesmos, seja com respeito ao querer ou ao fazer. Deus tanto inicia como completa. Vem da parte dEle que nossa vontade conceba o amor daquilo que é certo, seja inclinada a desejá-lo, e seja despertada para procurá-lo; que nossa escolha, nosso desejo e nosso esforço não fracassem, mas sim sejam realizados; que continuemos nas boas obras e perseveremos nelas até o fim.

Deus move a vontade do homem na conversão, de modo eficaz, não deixando à escolha do pecador se ele obedecerá ou desobedecerá. Devemos rejeitar, portanto, uma declaração de Crisóstomo, freqüentemente citada:"Aquele que é atraído por Deus é atraído voluntariamente", pela qual subentende que Deus espera com a mão estendida para ver se queremos aceitar Sua ajuda, ou não. O apóstolo não nos diz que a graça de uma vontade renovada nos é oferecida na condição de a aceitarmos, mas que a própria vontade é gerada por Deus em nós; ou seja, que o Senhor pelo Seu Espírito dirige, molda, regula nosso coração e reina nele como no Seu próprio reino.

Teria ficado igualmente certo que a perseverança deva ser considerada o dom gratuito de Deus, se não fosse a prevalência do erro grave de que a perseverança é a recompensa do mérito humano, e é dada àqueles que foram devidamente gratos pela graça recebida. Mas visto que este erro brotou de um outro que já refutei, a saber, que depende do homem aceitar ou rejeitar a graça que Deus oferece, o erro originador tendo sido refutado, o segundo cai por terra.

E agora, escutemos Agostinho. Suas palavras mostrarão que não somos, conforme alegam nossos adversários, contraditos pela voz unânime dos pais antigos. Farei um esboço breve da opinião de Agostinho, usando suas próprias palavras.

"Foi concedido a Adão ficar firme se fosse da sua vontade assim fazer; a nós é dado querer e a vencer o mal pela vontade. Ele teria o poder, se apenas tivesse a vontade; Deus nos dá tanto a vontade quanto o poder. Sua liberdade era esta: ser capaz de não pecar; a nossa é maior, a saber: não ser capaz de pecar (1 Jo. 3:9). Se naquela fraqueza, em que o poder de Deus se aperfeiçoa, os santos

fossem deixados a exercerem sua própria vontade, e se Deus não operasse neles para querer e para realizar, a vontade deles falharia devido à própria fraqueza em meio às suas muitas tentações, e não seriam capazes de perseverar. Deus atrai os homens pela própria vontade deles, mas Ele mesmo opera naquelas vontades."

Noutro lugar, Agostinho diz que a graça não priva o homem da sua vontade, e sim transforma-a de uma má vontade para uma boa vontade, e depois passa a assisti-la; com isso quer dizer que o homem não é forçado, por assim dizer, por algum impulso externo, e sim está tão afetado interiormente que obedece de coração. Diz também, numa das suas cartas: "Sabemos que a graça de Deus não é dada a todos os homens; e que, onde é dada, não o é na base dos méritos das obras do homem nem da vontade do homem, mas pela livre graça; e sabemos que onde não é dada, é retida pelo justo julgamento de Deus." E em certo lugar resume admiravelmente a questão inteira desta forma: "Humana voluntas non libertate gratiam, sed gratia consequitur libertatem, isto é, a vontade humana não obtém a graça mediante a liberdade, e sim a liberdade mediante a graça."

Fonte: [Josemar Bessa]
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