30 de set de 2010

Pastor John Piper - Ajudando Nossos Filhos Amarem o Evangelho


Via: [Vemver Tv blog]
Fonte: [Youtube]

Toda nossa Vida é Arrependimento - Tim Keller


Martinho Lutero abriu a Reforma pregando "As Noventa e Cinco Teses" na porta da Catedral de Wittenberg. A primeira dessas teses era: "Nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse uma de arrependimento". Superficialmente isso parece um pouco lúgubre. Lutero parece estar dizendo que os cristãos nunca farão muito progresso. Mas certamente esse não era o ponto de Lutero. Ele estava dizendo que o arrependimento é o caminho para fazermos progresso na vida cristã. De fato, o arrependimento difundido e duradouro é o melhor sinal de que estamos crescendo profunda e rapidamente no caráter de Jesus.


A transformação do arrependimento.

É importante considerar como o evangelho afeta e transforma o ato do arrependimento. Na 'religião' o propósito do arrependimento é basicamente manter Deus feliz, de forma que ele continuará te abençoando e respondendo suas orações. Isso significa que esse 'arrependimento religioso' é a) egoísta, b) promotor de justiça própria, c) e amargo até o fim. Mas no evangelho o propósito do arrependimento é repetidamente chegar à alegria da nossa união com Cristo para enfraquecer nossa necessidade de fazer algo contrário ao coração de Deus.


O arrependimento 'religioso' é egoísta.

Na religião nos entristecemos com o pecado somente por causa das suas conseqüências para nós. Ele nos trará castigo - e queremos evitar isso. Assim, arrependemos. Mas o evangelho nos diz que o pecado não pode nos levar ultimamente à condenação (Romanos 8:1). Sua atrocidade é, portanto, o que ele causa a Deus - ele o desagrada e desonra. Assim, na religião o arrependimento é centrado no homem; o evangelho o torna centrado em Deus. Na religião nos entristecemos principalmente pelas conseqüências do pecado, ma no evangelho somos entristecemos com o pecado em si.

Além do mais, o arrependimento 'religioso' é uma justiça própria. O arrependimento pode facilmente se tornar uma forma de 'expiação' pelo pecado. O arrependimento religioso frequentemente se torna uma forma de auto-flagelação, na qual convencemos Deus (e nós mesmos) de que estamos tão verdadeiramente miseráveis e pesarosos que merecemos ser perdoados. No evangelho, contudo, sabemos que Jesus sofreu e foi feito miserável por causa do nosso pecado. Não temos que sofrer para merecer o perdão. Simplesmente recebemos o perdão conquistado por Cristo. 1 João 1:8 diz que Deus nos perdoa porque ele é 'justo'. Essa é uma declaração notável. Seria injusto Deus nos negar o perdão, pois Jesus adquiriu nossa aceitação! Na religião adquirimos nosso perdão através do nosso arrependimento, mas no evangelho apenas o recebemos.
Por último, o arrependimento religioso é "amargo até o fim". Na religião nossa única esperança é viver uma vida boa o suficiente para Deus nos abençoar. Portanto, cada ocorrência de pecado e arrependimento é traumática, anormal e horrivelmente ameaçadora. Somente sob grande pressão uma pessoa religiosa admite que pecou, pois sua única esperança é sua bondade moral. Mas no evangelho o conhecimento da nossa aceitação em Cristo torna mais fácil admitir que somos falhos (pois sabemos que não seremos rejeitados se confessarmos as verdadeiras profundezas da nossa pecaminosidade). Nossa esperança está na justiça de Cristo, não na nossa própria; assim, não é traumático admitir nossas fraquezas e deslizes. Na religião nos arrependemos cada vez menos. Mas quanto mais aceitos e amados no evangelho nos sentimos, mais e mais nos arrependeremos. E embora, certamente, sempre haja alguma amargura em todo arrependimento, no evangelho há no final uma doçura. Isso cria uma nova dinâmica radical para o crescimento espiritual. Quanto mais você vê suas faltas e pecados, mais preciosa, eletrizante e maravilha a graça de Deus parecerá ser para você. Por outro lado, quanto mais ciente você estiver da graça de Deus e da aceitação em Cristo, mais você será capaz de abandonar suas justificativas e negações, e admitir as verdadeiras dimensões do seu pecado. O maior de todos os pecados é uma falta de alegria em Cristo.


As disciplinas do arrependimento do evangelho

Se você entende essas duas formas diferentes de se arrepender, então (e somente então!) você pode se beneficiar grandemente de uma disciplina regular e exigente de auto-examinação e arrependimento. Eu descobri que as práticas dos líderes metodistas do século XVIII, George Whitefield e John Wesley, são úteis para mim nesse aspecto. Numa carta para um amigo, datada de 9 de Janeiro de 1738, George Whitefield colocou uma ordem para o arrependimento regular. (Ele regularmente fazia seu inventário à noite). Ele escreveu: "Que Deus me dê uma profunda humildade e um amor em chamas, um zelo bem orientado e um olho simples, e então: que os homens e os demônios façam o seu pior!". Aqui está uma forma de usar essa ordem no arrependimento fundamentado no evangelho.


Profunda humildade (vs. orgulho)

Eu olho com desprezo para alguém? Eu tenho sido atormentado pelo criticismo? Eu me sinto desdenhado e ignorado?

- Arrependa-se dessa forma: Considere a graça de Jesus até que sinta (a) o desdém diminuir (visto que sou um pecador também), (b) a dor pelas críticas diminuir (visto que não devemos valorizar a aprovação humana acima do amor de Deus). À luz da sua graça, eu posso abandonar a necessidade de manter uma boa imagem - esse é um peso muito grande e desnecessário. Considere a livre graça e experimente uma alegria agradável e tranqüila.

Amor em chamas (vs. indiferença)

Eu tenho falado ou pensado com maldade de alguém? Eu tenho me justificado ao caricaturar (em minha mente) uma outra pessoa? Eu tenho sido impaciente e iracundo? Eu tenho sido egoísta, indiferente e desatencioso para com as pessoas?

- Arrependa-se dessa forma: Considere a graça de Jesus até que (a) não haja nenhuma frieza ou grosseria (pense no amor sacrificial de Cristo por você), (b) não haja nenhuma impaciência (pense na paciência de Cristo para com você), (c) não haja nenhuma indiferença. Pense na livre graça até que você mostre cordialidade e afeição. Deus foi infinitivamente paciente e atencioso para com você, pela graça somente.


Coragem sábia (vs. ansiedade)

Eu tenho evitado as pessoas ou tarefas que sei que enfrentarei? Tenho sido ansioso e preocupado? Tenho falhado em ser circunspecto ou tenho sido precipitado e impulsivo?

- Arrependa-se dessa forma: Considere a livre graça de Jesus até que (a) não haja nenhuma fuga covarde de coisas difíceis (visto que Jesus enfrentou o mal por mim), (b) não haja comportamento ansioso ou preocupado (visto que a morte de Jesus prova que Deus cuida de mim e se preocupe comigo). É orgulhoso ser ansioso - eu não sou sábio o suficiente para saber [mais do que Deus] como minha vida deveria ser. Considere a livre graça até que experimente uma calma profunda e uma coragem estratégica.


Motivações piedosas (um 'olho simples')

Estou fazendo o que estou fazendo para a glória de Deus e para os bem dos outros, ou estou fazendo motivado por temores, necessidade de aprovações, amor pelo conforto e calma, necessidade de controle, fome por aclamação e poder, ou "temor dos homens"? Tenho olhado para alguém com inveja? Tenho me dado, mesmo que de uma forma pequena, à luxúria e glutonaria? Estou gastando meu tempo com coisas urgentes ao invés de coisas importantes por causa dos meus desejos desordenados?

- Arrependa-se dessa forma: Como Jesus me fornece o que estou procurando nessas outras coisas? Ore: "Ó Senhor Jesus, faça-me feliz o suficiente em ti para evitar o pecado e sábio o suficiente em ti para evitar o perigo, para que possa sempre fazer o que é correto aos seus olhos. É em teu nome que oro, Amém".

Fonte: [O Calvinismo]

22 de set de 2010

Levanta-te dentre os Mortos - John Piper



Reflexões sobre o levantar-se dentre os mortos

Como Você obedece a ordem de nascer de novo?

Como você obedece ao mandamento de nascer de novo? Antes, faça outra pergunta: quando Jesus ordenou a Lázaro que ressuscitasse dos mortos, como ele obedeceu a essa ordem? João 11.43 diz: "[Jesus] clamou em alta voz: Lázaro, vem para fora!" Esta ordem foi dada a um homem morto. O versículo seguinte acres¬centa: "Saiu aquele que estivera morto, tendo os pés e as mãos ligados com ataduras".

Como Lázaro fez isso? Como um homem morto obedece a ordem de viver novamente? A resposta parece ser: a ordem leva consigo o poder de criar uma nova vida. Obedecer à ordem de nascer de novo significa fazer o que pessoas vivas fazem. Isto é extremamente importante. A ordem de Deus: "Levanta-te de entre os mortos!" leva consigo o poder de que necessitamos para obedecer-Lhe. Não obedecemos a esta ordem criando essa vida. Obedecemos a essa ordem fazendo o que pessoas vivas fazem — Lázaro saiu para fora. Ele ressuscitou. Caminhou até Jesus. A chamada de Deus cria vida. Respondemos no poder daquilo que a chamada criou.

Em Efésios 5.14, Paulo disse: "Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará". Como você obedece à ordem de acordar do seu sono? Se a casa estivesse cheia de monóxido de carbono, e alguém gritasse: "Acorde! Salve-se! Saia!", você não obedeceria esta ordem acordando a si próprio. A altissonante e poderosa ordem, por si mesma, o desperta. Você obedece por fazer aquilo que pessoas acordadas fazem diante do perigo. Você se levanta e sai da casa. A chamada cria o despertar. Você reage no poder do que a chamada criou.

Creio que isto explica por que a Bíblia diz coisas paradoxais a respeito do novo nascimento, ou seja, que temos nós mesmos de ob¬ter um novo coração, mas é Deus quem cria o novo coração. Por exemplo:

Deuteronômio 10.16: Circuncidai... o vosso coração. Deuteronômio 30.6: O SENHOR, teu Deus, circuncidará o teu coração.

Ezequiel 18.31: Criai em vós coração novo e espírito novo. Ezequiel 36.26: Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo.

João 3.7: Importa-vos nascer de novo.

1 Pedro 1.3: "Deus... nos regenerou [fez nascer de novo].

"Circuncidar o coração" significa fazer o que fazem as pessoas que têm o coração circuncidado. Seja cuidadoso para com Deus e abandone todo o mal. Separe a sua vida para Deus e seja diferente do mundo. Tudo isto é possível somente por causa da promessa: "O SENHOR, teu Deus, circuncidará o teu coração". Como diz Filipenses 2.12-13: "Desenvolvei a vossa salvação... porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade". "Desenvolvei a vossa salvação" corresponde a "circuncidai... o vosso coração". "Deus é quem efetua em vós" corresponde a "o SENHOR, teu Deus, circuncidará o teu coração". A conexão é que o nosso fazer depende de Deus fazê-lo primeiro. Ele inicia e capacita.

De modo semelhante, "criai em vós coração novo" significa que devemos agir em novidade de coração e dar passos de acordo com essa novidade. A promessa "dar-vos-ei coração novo" significa que Deus é o criador decisivo do novo coração. Deus nos dá o novo coração, e agimos de acordo com ele.

Igualmente, o modo de obedecermos à ordem de nascer de novo é, primeiramente, experimentar a dom divino da vida espiritual e fazer o que pessoas vivas fazem — invocar a Deus com fé, gratidão e amor. Quando a ordem de Deus nos alcança com o poder de criar e converter do Espírito Santo, essa ordem nos dá vida. A evidência de que a ordem divina nos alcançou criando vida é que reagimos com vida, fé, esperança e alegria. Se essa resposta está em nós, somos nascidos de Deus e temos obedecido à ordem.

Você já nasceu de novo? Tem um novo coração? Ressuscitou espiritualmente de entre os mortos? Esta é a obra de Deus em e por trás de sua resposta de fé. Portanto, responda com humilde confiança, reconhecendo no próprio ato o toque soberano de Deus.

Você tem sede de Deus? M. Lloyd-Jones


Eu tenho fome e sede;
és meu maná, Jesus;
águas vivas brotai
da rocha para mim


Que significa («ter fome e sede»)?. . . significa ter consciência de nossa necessidade, de nossa profunda necessidade . . .consciência de nossa desesperada necessidade; significa ter profunda consciência de nossa grande necessidade, a ponto de sentirmos dor. Significa algo que persiste enquanto não for atendido. Não se trata de sentimento passageiro, de desejo passageiro. Você se lembra de como Oséias diz à nação de Israel que ela, por assim dizer, está sempre vindo à frente, em atitude de arrependimento, para logo voltar ao pecado. Sua justiça, diz ele, é como «nuvem matinal» — está aqui num minuto e, no seguinte, já se foi. . . «Fome» e «sede» não são sentimentos passageiros. Fome é coisa séria e profunda que dura enquanto não for saciada. Ela machuca, é dolorosa, mais ou menos como a fome e a sede físicas propriamente ditas. É algo que continua e vai crescendo, até levar-nos ao desespero. É uma coisa que causa sofrimento e agonia. . .

Ter fome e sede é ser como o homem que quer alcançar uma posição. Não repousa, não pode ficar quieto; trabalha e labuta sem cessar; pensa nisso, sonha com isso; aquilo que ambiciona torna-se a paixão dominante de sua vida. . . «Famintos e sedentos» . . . O salmista resumiu o ponto em foco magistralmente, numa frase clássica: «Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. . .» Tomo a liberdade de citar algumas palavras do grande J. N. Darby, que penso haver descrito muito bem a situação. Diz ele: «Ter fome não basta; é preciso que eu esteja morrendo de fome para saber o que está no Seu coração para comigo».

Em seguida vem esta afirmação perfeita, que define o assunto inteiro: «Quando o filho pródigo sentiu fome, foi atrás de bolotas para alimentar-se, mas, quando ficou morrendo de fome, voltou ao pai». Pois bem, a situação toda é essa. Ter fome e sede significa estar, de fato, desespe¬rado, estar morrendo à míngua, sentir esvair-se a vida, reconhecer minha urgente necessidade de socorro.

Studies in the Sermon on the Mount, i, p. 80,1.

20 de set de 2010

A Única coisa que Importa na vida – M. Lloyd-Jones


Não posso imaginar melhor, mais animadora e mais consoladora afirmação, com a qual enfrentar todas as incertezas e todos os riscos da nossa vida neste mundo limitado pelo tempo, do que a contida em Mateus 7, versículos 7-11. É uma daquelas promessas compreensivas e plenas de graça que só se encontram na Bíblia. . . esta é a promessa que nos alcança: «Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á» . . . Não há dúvida sobre ela; é certa; é uma promessa absoluta. . . feita pessoalmente pelo Filho de Deus, falando com toda a plenitude e autoridade do Pai.

De começo a fim a Bíblia nos ensina que essa é a única coisa que importa na vida. . . ela salienta que o que realmente importa na vida não é tanto a variedade de acontecimentos que nos sobrevêm. . . mas a nossa disposição para enfrentá-las. Em seu conjunto geral, o ensino bíblico quanto a como devemos viver é resumido naquele homem particular, que foi Abraão, de quem se nos diz: «Saiu, sem saber para onde ia». Não obstante, sentia-se perfeitamente feliz, em paz e re¬pouso. Não tinha medo. Por que? Um velho puritano, que viveu há trezentos anos, responde por nós a pergunta: «Abraão saiu sem saber para onde ia; mas sabia com quem ia». É o que importa. . .

Não estava só; tinha junto de si Aquele que lhe dissera que nunca o deixaria nem o desampararia. E, embora não tivesse certeza quantos aos eventos que haveriam de vir a seu encontro, e quanto aos problemas que surgiriam, sentia-se perfeitamente feliz, porque sabia quem era seu Companheiro de viagem. O Senhor não promete mudar a vida para nós; não promete remover as dificuldades, problemas e tribulações; não afirma que extrairá todos os espinhos e deixar as rosas com seu inebriante perfume.
Não. Ele encara a vida realisticamente, e nos adverte de que estamos sujeitos a essas coisas. Garante-nos, porém, que podemos conhecê-lO de tal modo que, haja o que houver, jamais precisaremos afligir-nos, nem ficar alarmados.

Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 195,6.

Acorde!! - C. H. Spurgeon


Por que estais dormindo? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação. (Lc 22.46)


Quando é que o crente provavelmente está dormindo? Não é quando as suas circunstâncias temporais se mostram prósperas? Quando havia problemas diários que o impulsionavam a buscar o trono da graça, você estava espiritualmente mais alerta do que está agora? Estradas excelentes fazem o motorista dormir. Cristão não dormiu quando os leões estavam no meio do caminho ou quando estava lutando contra o inimigo de sua alma. Mas, depois que subiu metade do caminho do Monte da Dificuldade, encontrou um arbusto agradável sob o qual ele se assentou.

 Imediatamente, começou a dormir, incorrendo em grande tristeza e perda. Recordemos a descrição de Bunyan: "Na metade do caminho para o topo, havia uma árvore agradável, plantada pelo Senhor da montanha, para revigoramento dos viajantes cansados. Ali chegou Cristão e sentou-se para descansar. Tirou do peito o seu rolo, lendo-o para seu consolo. Também começou a meditar na capa ou veste que recebera quando estava de pé junto à cruz. Assim, deleitando-se um pouco, finalmente começou a cochilar e caiu em sono profundo, que o deteve naquele lugar quase até ao anoitecer" (Peregrino — John Bunyan).

Em lugares tranqüilos, os homens fecham seus olhos e vagueiam pela utópica Terra do Esquecimento. O falecido Erskine observou com sabedoria: "Eu gosto mais de um diabo que rosna do que de um diabo sonolento". Não existe tentação tão perigosa quanto o não ser tentado. As almas atribuladas não dormem. Depois que entramos na confiança tranqüila e na plena segurança, estamos em perigo de cochilar. Os discípulos dormiram depois que viram Jesus transfigurado no topo do monte. Tenha cuidado, crente: circunstâncias agradáveis são vizinhos achegados das tentações. Seja tão feliz quanto você deseja, mas seja vigilante.

19 de set de 2010

Não Seja Inútil na Batalha – Martyn Lloyd-Jones


Muitos de nós simplesmente seguem uma rotina, sem pensar, sem inteligência. Soa estranho dizer isso num período como este na história da Igreja Cristã, mas na Igreja há muitos que não têm idéia da razão pela qual estão ali, exceto pelo fato de que foram habituados a freqüentar os cultos. Não fosse isso, não estariam ali. Nunca pensaram nessas coisas o bastante para romper o hábito; seguem uma rotina. Há pessoas que não pensam, pessoas sem entendimento, que não têm a mínima idéia do conflito espiritual, não têm a mínima idéia da crucial importância da Igreja Cristã numa hora como esta. Seguem o mesmo itinerário e fazem a mesmíssima coisa domingo após domingo, simplesmente como parte da rotina da vida. Entretanto lhes falta entendimento. E esse o tipo da coisa que o apóstolo tem em mente. Tais cristãos, é claro, já estão derrotados; são inúteis na batalha. Não têm valor nenhum no exército. Os cristãos ativos têm que carregá-los porque eles não conseguem mover-se; não estão prontos para alguma súbita mudança de tática. Eles são passageiros que temos que levar, e sempre são um grande empecilho para um exército. Eles têm sido um grande problema em toda a história das guerras.

Por outro lado, há também muitos que vivem em função das suas próprias atividades e que não têm ciência de que há um conflito espiritual. Para eles, o cristianismo é o que eles fazem. Isso faz parte do perigo de amoldar-se a um tipo. E triste ver pessoas que recentemente entraram na vida cristã dentro de um curto período de tempo repetindo frases e chavões. Não têm idéia do que significam; estão apenas imitando os outros; estão pegando o linguajar, as expressões e as atividades. E isso continua indefinidamente. Pode-se perceber que elas não estão vivamente conscientes da verdadeira situação.

Permitam-me admitir com sinceridade que estas exigências estritas se aplicam a todas as partes da Igreja, tanto aos pregadores como aos membros e freqüentadores. Não há nada que eu saiba que seja tão completamente oposto ao que o apóstolo está ensinando aqui como o pregador profissional, o homem que adota certo maneirismo e certo tom de voz, o chamado tom de voz clerical, e todas as outras características da"veste" sacral. O profissional no púlpito é uma grande maldição. Esse homem está realmente combatendo a favor do inimigo. É um traidor no exército do Deus vivo!

Tenhamos os nossos pés calçados com a preparação do evangelho da paz. Tratemos de saber o que estamos fazendo. O referido profissionalismo acha-se entre os liberais, e também entre os evangélicos. Alguns fingem, apresentando um artificial brilho e entusiasmo, uma espécie de "cristianismo muscular". Os que procedem assim estão se amoldando a um modelo. Não estão tendo entendimento, e revelam uma incapacidade de entender o profundo caráter da vida cristã. E há outros, às vezes jovens, que tentam parecer puritanos, como se vivessem há trezentos anos, e que falam na linguagem dos puritanos. Isso é igualmente mau. Vestir um casaco ou uma máscara ou agir por puro profissional ismo, é exatamente o oposto do que o apóstolo nos exorta a fazer.

Todas essas coisas são apenas manifestações daquele "estar em paz em Sião" enquanto uma tremenda batalha está sendo travada. Um cristianismo respeitável ou formal num tempo como este é inútil. É por isso que a Igreja está decaindo e exibindo nada mais do que um cristianismo respeitável, "Moralidade com um toque de emoção", como Matthew Arnold o descreveu, sem nenhum valor. Não me surpreende o fato de que o estado em que se acha a Igreja é o que é. Falta entendimento espiritual, ou, para usar a figura do apostolo, os pés estão pesadamente calçados com meras tradições e culto formal. Não há nada daquela mobilidade e agilidade que são essenciais numa época como esta.

A Igreja atual tem muita semelhança com Davi vestido com a armadura de Saul. Golias desafia Israel com sua armadura, sua lança e sua espada; e Israel se abala e treme, e não sabe o que fazer. Todos estão morrendo de medo deste homem que matou tantos. Então Davi, jovem, simples pastor, chega ao acampamento israelita, e, movido pelo Espírito de Deus, apresenta-se para responder ao desafio de Golias. Saul e os seus companheiros, sem os pés "calçados com a preparação do evangelho da paz", e pensando na velha terminologia em vez de pensarem espiritualmente, dizem: "Ele parece convencido de que poderá fazê-lo; vamos buscar a armadura de Saul e colocá-la nele". Acreditavam que a única maneira pela qual alguém poderia pelejar com Golias era com a armadura de Saul. Por isso a colocaram nele. Mas Davi percebeu logo que se fosse vestindo aquela armadura, seria morto. Mal podia mover-se, a armadura era pesada demais e grande demais para ele. E assim livrou-se dela. "Não vou conseguir lutar usando a armadura de Saul", disse ele; "tenho que usar o meu método de combate e, em nome do Deus vivo, é o que vou fazer." Pode-se dizer que Davi percebeu a importância de estar "calça¬do com a preparação do evangelho da paz". Ele queria ter mobilidade, e ser capaz de mover-se rapidamente e responder e reagir a cada movimento de Golias.

O que quero dizer é que os cristãos muitas vezes entram em dificuldade porque tentam lutar nesta batalha de um modo do qual não são capazes. Por exemplo, com freqüência encontro cristãos em dificuldade e dizendo: "Fiz um péssimo papel outro dia, numa discussão com algumas pessoas acerca de religião; realmente sinto que causei mais mal do que bem". "Bem", eu dizia, "que é que vocês estavam discutindo?" Eles me contavam que estavam discutindo o evolucionismo ou alguma outra questão de natureza científica. "Digam-me", dizia eu, "vocês receberam instrução e treinamento científicos?" "Ah, não", respondiam. "Muito bem", eu perguntava, "por que vocês entraram nesse tipo de discussão?" Não deviam fazer isso. Davi recusou-se a lutar usando a armadura de Saul. Se vocês não conhecem o assunto, não digam nada; ou digam: "Não sei". Guardem a batalha para aquilo que vocês conhecem. Insistam sempre em ter o controle sobre o lugar onde a batalha será travada. Não permitam que os seus amigos vistam vocês com a armadura de Saul. O dever de vocês é fazer aquilo de que são capazes. Tirem a sua funda e as suas pedras, e use essas coisas. Não tentem fazer algo que está além das suas forças.

17 de set de 2010

A cessação da ofensa da cruz - Thomas Scott


Deixe de fora o caráter santo de Deus, a excelência santa de Sua lei, a santa condenação a que os transgressores estão condenados, a amorosa santidade do caráter do Salvador, a doutrina, a temperança e a conduta santa que todos os verdadeiros crentes devem ter. Depois, vista-se de um esquema [um mix] de religião deste ímpio tipo:

– Represente a humanidade como em uma condição lamentável e digna de piedade, muito mais por causa de infortúnio do que por causa do [seu próprio] crime;
– Fale muito a respeito do amor e do sangue derramado de Cristo, de Suas agonias no jardim e na cruz sem apresentar a necessidade ou a natureza da expiação necessária por causa do [nosso] pecado;
– Fale de Sua glória atual, e de Sua compaixão para com os pobres pecadores; da liberdade com que se deve dispensar perdão; dos privilégios que os crentes gozam aqui, e da felicidade e glória reservadas para eles daqui por diante;
– Não obstrua isto com nada que fale sobre a [necessidade de] regeneração e santificação; ou [se tiver de falar sobre santidade] represente santidade como qualquer coisa outra que não a [perfeita] conformidade aos santos caráter e lei de Deus;
– E fabrique um evangelho que causa boa impressão, calculado para tornar o orgulhoso bem humorado, para suavizar as consciências, arregimentar os corações, e erguer as afeições dos homens naturais, que não amam ninguém a não ser eles mesmos.
E agora não se maravilhe se este evangelho (que não tem nada de afrontador, ofensivo, ou desagradável, mas está servindo perfeitamente ao não humilhado pecador carnal, e lhe ajuda a silenciar sua consciência, o livra de seus medos, e incentiva suas esperanças) não incorrer em nenhuma oposição entre as pessoas ignorantes, que não inquirem a respeito da razão das coisas. Encontrem-se com uma forte [e mútuo] boas-vindas, e façam-se grandes números de supostos convertidos, que vivem e morrem tão completamente cheios de alegria e de confiança quanto podem abraçar, sem nenhum medo ou conflito…
Que surpresa e espanto haverá se, quando toda a parte ofensiva for deixada de lado, então tal evangelho não causar nenhuma ofensa? Que surpresa e espanto haverá se, quando o evangelho for adequado às mentes carnais, então estas mentes carnais se apaixonarem por este evangelho? Que surpresa e espanto haverá se, quando tal evangelho for evidentemente calculado para encher as mentes não-redimidas com as falsas confiança e alegria, ele tiver efeito? Que surpresa e espanto haverá se, quando o verdadeiro caráter de Deus for desconhecido, e um caráter falso Dele for moldado pela [galopante] imaginação — um Deus todo amor e sem nenhuma justiça, muito afeiçoado a tais crentes, como seu favoritos –, eles tiverem afeições muito calorosas para com Ele?

[Sei que este escrito ofenderá alguns, mas] Eu não ofenderia a ninguém se não fosse necessário. Seja este problema ponderado de acordo com sua importância. Seja a palavra de Deus examinada imparcialmente. Eu não posso evitar meus medos de que Satanás propagou muita desta falsa religião, entre muitas classes extensamente diferentes de professores religiosos; e isto brilha tão claramente nos olhos de multidões que pensam que “tudo que brilha é ouro”, que, a menos que a fraude seja detectada, parece muito provável que ela será a religião que prevalecerá em muitos lugares.

(Thomas Scott, Letters and Papers, editados por John Stott (Londres: Seeley, 1824, pp. 441-444)

Fonte: [Ortopraxia]

15 de set de 2010

8 de set de 2010

Quando se Ora Erradamente – A. W. tozer


Algumas vezes ora-se não só em vão, mas também errado. Vejamos o exemplo: Israel fora derrotado em Ai, e “Josué rasgou as suas vestes, e se prostrou em terra sobre o seu rosto perante a arca do Senhor até à tarde, ele e os anciãos de Israel; e deitaram pó sobre as suas cabeças” (Josué 7:6).

De acordo com a nossa atual filosofia do reavivamento, isso era o que devia ser feito e, uma vez que isso se fizesse continuamente, é certo que convenceria a Deus e Ele acabaria concedendo aquela bênção. Mas, “disse o Senhor a Josué: Levanta-te; por que estás prostrado assim sobre o teu rosto? Israel pecou, e violaram a minha aliança, aquilo que eu lhes ordenara... Dispõe-te, santifica o povo, e dize: Santificai-vos para amanhã, porque assim diz o Senhor Deus de Israel: ...aos vossos inimigos não podereis resistir enquanto não eliminardes do vosso meio as cousas condenadas” (Josué 7:10-13).

Precisamos de uma reforma dentro da Igreja. Pedir que um dilúvio de bênçãos caia sobre uma igreja desobediente e decaída é desperdiçar tempo e energias. Nova onda de interesse religioso apenas conseguirá adicionar números às igrejas que não tencionam submeter-se à soberania de Jesus e nem buscam obedecer aos mandamentos dEle. Deus não está interessado tan¬to em aumentar a freqüência às igrejas, mas em fazer com que tais pessoas emendem seus caminhos e comecem a viver santamente.

Certa vez o Senhor pela boca do profeta Isaías disse palavras que aclaram este assunto de uma vez por todas: “De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiro, e da gordura de animais cevados, e não me agrado do sangue dos novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem vos requereu o só pisardes os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as luas novas, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene... Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vos¬sos atos de diante dos meus olhos: cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas... Se quiserdes, e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra.” (Isaías 1:11-17,19.

Os rogos, pedindo reavivamento, só serão ouvidos quando acompanhados de uma radical emenda ou reforma de vida; nunca antes. Reuniões de oração que atravessam a noite mas não são precedidas de verdadeiro arrependimento só podem desagradar a Deus. “O obedecer é melhor do que o sacrificar.” (1 Samuel 15:22.)

Urge voltarmos ao cristianismo do Novo Testamento, não apenas no que respeita ao credo mas também na maneira completa de viver. Separação, obediência, humildade, naturalidade, seriedade, autodomínio, modéstia, longanimidade: tudo isso precisa ser novamente parte vivificante do conceito total do cristianismo e aparecer no viver cotidiano. Precisamos purificar o templo, tirando de dentro dele os mercenários e os cambiadores, e ficarmos outra vez inteiramente sob a autoridade do Senhor ressurreto. E isto que aqui agora dizemos aplica-se a quem escreve estas linhas, bem como a cada um dos que invocam o nome de Jesus. Daí, sim, poderemos orar em plena confiança, e aguardar o verdadeiro reavivamento que certo virá.

Fonte: [Ortopraxia]

5 de set de 2010

A Inaptidão Espiritual do Homem - James Montgomery Boice


Nossa cultura tem nos ensinado que para a humanidade "todas as coisas são possíveis". Assim, a idéia de que precisamos da graça divina para nos acharmos corretos diante de Deus nos parece errada. Consideramos que sempre será possível corrigir nossos relacionamentos com o Todo-poderoso. Se necessário, nós mesmos toma-remos conta disto na hora certa.

Aqueles que pensam assim, não conseguem apreciar outra doutrina bíblica: a inaptidão espiritual do homem ou, como é às vezes dito, a escravidão da vontade humana. Isto é verdade diante da declaração de Paulo de que "não há quem busque a Deus" (Rm 3.11). A razão pela qual ninguém busca a Deus é que, à parte da obra anterior de Deus no coração de um indivíduo, ninguém pode buscar a Deus — porque ninguém quer fazê-lo. Esta questão tem sido amplamente discutida na história da igreja. Era o assunto principal no desacordo entre o grande Agostinho e o monge britânico Pelágio; entre Martinho Lutero e o humanista holandês Erasmus de Rotterdam; e entre Jacob Arminius e os seguidores de João Calvino. Contudo, a mais profunda e mais significante opinião jamais dada sobre o assunto da vontade e sua impotência foi por Jonathan Edwards em um tratado denominado "A Careful and Strict Inquiry into the Prevailing Notions of the Freedom of the Will",[Uma cuidadosa e rigorosa pesquisa sobre as noções prevalecentes quanto à liberdade da vontade].

A primeira coisa que Edwards fez foi definir a vontade. Pensamos em vontade como aquela coisa em nós que faz as escolhas. Edwards viu que isto não era correto e então, definiu a vontade como "aquilo pelo qual a mente escolhe alguma coisa". Isto pode não parecer grande diferença, mas é muito significativo. Pois significa que o que escolhemos não é determinado pela vontade em si (como se fosse um ente próprio) mas pela mente, o que significa que nossas esco¬lhas são determinadas pelo que pensamos ser o curso de ação mais desejável.

A segunda maior contribuição de Edwards foi sua discussão do que ele chamou "motivos". Ele destacou que a mente não é neutra. Ela pensa que algumas coisas são melhores do que outras e porque algumas coisas são melhores do que outras ela escolhe as coisas melhores. Se uma pessoa pensou que um curso de ação era melhor que outro e ainda assim escolheu a alternativa menos desejável, a pessoa seria irracional. Isto significa, falando apropriadamente, que a vontade é sempre livre. E livre para escolher (e sempre escolherá) o que a mente pensa ser melhor.

Mas o que a mente pensa ser o melhor? Aqui chegamos ao coração do problema. Quando confrontada com Deus, a mente de um pecador nunca pensa que seguir ou obedecer a Deus é uma boa escolha. Sua vontade é livre para escolher Deus. Nada a está impedindo. No entanto, ele se vira contra Deus, mesmo quando o evangelho é mais atraentemente apresentado. As pessoas não querem que Deus seja soberano sobre elas. Elas não querem que suas naturezas pecadoras sejam expostas. Suas mentes são erradas neste julgamento, é claro. A maneira como elas escolhem é, naturalmente, uma forma de alienação e miséria, o fim do qual é a morte. Mas os seres humanos pensam que o pecado é melhor, razão pela qual o escolheram. Portanto, a menos que Deus mude a maneira de pensarmos — o que ele faz em alguns pelo milagre do novo nascimento — nossas mentes sempre nos dirão para nos virarmos contra Deus — o que é precisamente o que fazemos.

  
As pessoas que rejeitam isto podem arguir: "Mas com certeza a Bíblia diz que qualquer que esteja destinado a vir a Cristo virá a ele. Jesus não nos convidou a vir? Jesus não disse, 'o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora'?" (Jo 6.37) Sim, isto foi o que Jesus disse, mas não é a questão aqui. Certamente, qualquer um que queira vir a Cristo pode vir a ele. Esta é a razão pela qual Edwards insistiu que a vontade não é escrava. Mas quem é que quer vir? A resposta é: Ninguém, exceto aqueles nos quais o Espírito Santo já realizou a obra inteiramente irresistível do novo nascimento, de tal forma que, como resultado deste milagre, os olhos espiritualmente cegos do homem natural são abertos para ver a verdade de Deus e a mente totalmente depravada do pecador, que em si mesmo não possui entendimento espiritual, é renovada para abraçar o Senhor Jesus Cristo como Salvador. Esta é a doutrina que pouquíssimos cristãos professos de nossos dias acreditam ou entendem, incluindo a grande maioria de evangélicos, o que é outra razão, talvez a mais séria, porque eles acham a graça entediante.

Fonte:[Josemar Bessa ]
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