29 de jul de 2010

Cristãos Radicais - Paul Washer legendado em português


Fonte:[Youtube]

Paul Washer - A Doutrina Esquecida


Fonte: [Youtube]

Sofrimento e Ousadia – John Piper



- O SOFRIMENTO É O PREÇO PARA TORNAR OUTROS OUSADOS -

Deus usa o sofrimento de seus missionários para estimular outros a sair de sua sonolência de indiferença e torná-los ousados. Quando Paulo foi preso em Roma ele escreveu sobre isso para a Igreja em Filipos. "A maioria dos irmãos, estimulados no Senhor por minhas algemas, ousam falar com mais desassombro a palavra de Deus" (Fp 1.14). Se tiver de fazê-lo, Deus usará o sofrimento de seus devotos mensageiros para fazer uma Igreja sonolenta despertar e assumir riscos por Deus.

Os sofrimentos e a dedicação do jovem David Brainerd exerceram efeitos sobre milhares. Henry Martyn registrou repetidamente o impacto de Brainerd sobre sua vida em seu Journal.

11 de setembro de 1805: Que exemplo de efeito estimulante ele tem
sido freqüentemente para mim, especialmente quanto ao fato de que
tinha uma constituição fraca e doentia!

8 de maio de 1806: Bendita seja a memória daquele santo homem! Considero-me um felizardo porque terei seu livro comigo na Índia, e assim, de certa maneira, gozarei do benefício de sua companhia e de seu exemplo.

12 de maio de 1806: Minha alma foi revitalizada hoje pela incessante
compaixão de Deus, de modo que encontrei o refrigério da presença
de Deus em deveres secretos; em especial fui abundantemente
encorajado ao ler o relato de D. Brainerd sobre as dificuldades em
realizar uma viagem para pregar aos nativos. Oh!, abençoada seja a
memória desse querido santo! Nenhum escritor secular jamais me fez
tanto bem. Eu me senti docemente alegre ao máximo por trabalhar
entre os pobres nativos aqui; e minha disposição foi, penso eu, mais
despida daquelas noções românticas que me haviam por vezes inflado
com falsos Ímpetos.

Cinco esposas inspiradoras

Em nosso próprio tempo é difícil exagerar o impacto que o martírio de Jim Elliot, Nate Saint, Ed McCully, Pete Fleming e Roger Youderian teve sobre gerações de estudantes.

A palavra que aparecia repetidas vezes nos testemunhos dos que ouviram a história de Huaorani6 era "dedicação". Porém, mais do que se tem sabido, foi a força das esposas desses homens que fez muitos de nós sentirem um impulso de dedicação.

Barbara Youderian, esposa de Roger, escreveu em seu diário naquela noite de janeiro de 1956: Esta noite o Capitão nos contou ter achado quatro corpos no rio. Um deles estava de camiseta e calça jeans. Roj era o único a se vestir assim [...] Deus me dera o seguinte versículo dois dias antes: Salmo 48.14: " [...] este é Deus, o nosso Deus para todo o sempre; ele será nosso guia até a morte". Ao me deparar face a face com a notícia da morte de Roj, meu coração se encheu de louvor. Ele era merecedor desta ida para casa. Ajuda-me, Senhor, a ser tanto mãe quanto pai.

Não é difícil perceber o propósito bíblico que Paulo apresentava. O sofrimento dos servos de Deus, uma vez aceito com fé e até com louvor, é uma experiência devastadora para santos apáticos cuja vida está vazia em meio a incontáveis confortos.

O número de voluntários dobrou depois de sua morte

A execução de Chet Bitterman, obreiro da Missão Wycliffe, pelos guerrilheiros colombianos do grupo M-19, em 6 de março de 1981, desen¬cadeou um zelo admirável pela causa de Cristo. Chet estava no cativeiro havia sete semanas, enquanto sua esposa, Brenda, e as filhas pequenas Anna e Esther esperavam em Bogotá. A exigência do M-19 era para que Wycliffe saísse da Colômbia.

Eles o mataram logo antes do amanhecer com uma só bala no peito. A polícia encontrou seu corpo no ônibus em que ele morreu, num estacionamento ao sul da cidade. Ele estava limpo e barbeado, com o rosto calmo. Uma bandeira da guerrilha envolvia seu corpo. Não havia sinais de tortura.

No ano seguinte à morte de Chet, "a lista de voluntários para trabalho internacional da Wycliffe Bible Translators dobrou. Essa tendência permaneceu". Esse não é o tipo de mobilização missionária que qualquer de nós escolheria. Mas é o caminho de Deus. "Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto" (Jo 12.24).

Um povo zeloso de boas obras – John Piper



[Cristo] a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras. Tito 2.14

No cerne do Cristianismo está a verdade de que somos perdoados e aceitos por Deus, não por termos feito boas obras, mas afim de que possamos fazê-las. A Bíblia diz: "[Deus] nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras" (2Tm 1.9). As boas obras não são o fundamento de nossa aceita¬ção, mas fruto dela. Cristo sofreu e morreu não porque nós apre¬sentamos a ele boas obras, mas para "purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras" (Tt 2,14).

É esse o significado de graça. Não podemos obter boa po¬sição diante de Deus por causa de nossas obras. Isso têm de ser presente gratuito. Só podemos recebê-la pela fé, como nosso maior tesouro. É por isso que a Bíblia diz: "... pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie" (Ef 2.8,9). Cristo sofreu e morreu para que as boas obras fossem o efeito, não a causa, de nossa aceitação.

Não é de surpreender que a próxima frase diga: "... somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras" (Ef 2.10).

Ou seja, somos salvos para as boas obras, não pelas boas obras. O alvo de Cristo não é apenas que tenhamos capacidade de realizá-las, mas paixão por fazê-las. Devido a isso a Bíblia emprega apalavra"zeloso". Cristo morreu para tomar-nos zelosos, apaixonados por boas obras. Cristo não morreu apenas para tornar possíveis as boas obras ou produzir uma busca de ânimo inconstante. Morreu para produzir em nós uma paixão pelas boas obras. A pureza cristã não é meramente evitar o mal, mas a busca do bem.

Existem razões pelas quais Jesus pagou o preço infinito a fim de produzir nossa paixão pelas boas obras. Ele deu a principal razão nas seguintes palavras: "Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus" (Mt 5.16). Deus é glorificado pelas boas obras dos cristãos. Para essa glória Cristo sofreu e morreu.

Quando o perdão e a aceitação de Deus nos libertam do temor, orgulho e avareza, somos repletos de zelo por amar o próximo da forma como fomos amados. Arriscamos nossas posses e nossa vida, pois estamos seguros em Cristo. Quando amamos assim ao próximo, nosso comportamento é contrário à autovalorização e autopreservação humanas. Dirigimos a atenção a nosso Tesouro e Segurança que transformou nossa vida, ou seja, a Deus.

E o que são essas "boas obras"? Sem limitar o seu escopo, a Bíblia destaca principalmente a ajuda a pessoas com necessida¬des urgentes, especialmente os que menos possuem e mais sofrem. Por exemplo, diz a Bíblia: "Quanto aos nossos, que aprendam também a distinguir-se nas boas obras a favor dos necessitados" (Tt 3.14).Cristo morreu para nos tomar essa espécie de gente - apaixonada por ajudar aos pobres e aos que perecem. E a melhor vida, não importa quanto nos custe neste mundo: Eles recebem ajuda, nós obtemos alegria, Deus recebe a glória.

28 de jul de 2010

Eleição – Deus Escolhe os Seus – J. I. Packer



Pois ele [Deus] diz a Moisés: "Terei misericórdia de quem me aprouver ter miseúcórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. " Assim, pois, não depende de quem quer, ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. (Rm 9.15,16)

0 verbo eleger significa "selecionar ou escolher". A doutrina bíblica da eleição consiste em que, antes da Criação, Deus selecionou da raça humana, antevista como decaída, aqueles a quem Ele redimiria, traria à fé, justificaria e glorificaria em Jesus Cristo e por meio dele (Rm 8.28-39; Ef 1.3-14; 2 Ts 2.13,14; 2 Tm 1.9,10). Esta escolha divina é uma expressão da graça livre e soberana, porque ela é não cons¬trangida e incondicional, não merecida por qualquer coisa naqueles que são seus objetos. Deus não deve aos pecadores nenhuma misericórdia de qualquer espécie, mas somente condenação; por isso, é surpreendente, e razão de sempiterno louvor, que Ele tenha decidido salvar alguns de nós; e louvor duplicado porque sua escolha incluiu o envio de seu próprio Filho para sofrer, como portador do pecado, pelos seus eleitos (Rm 8.32).

A doutrina da eleição, como toda verdade acerca de Deus, envolve mistério e, algumas vezes, incita à controvérsia. Mas na Escritura é uma doutrina pastoral, incluída ali para ajudai-os cristãos a verem quão grande é a graça que os salva, conduzindo-os à humildade, confiança, alegria, louvor, fidelidade e santidade como resposta. E o segredo de família dos filhos de Deus. Não sabemos quem mais Ele escolheu entre aqueles que ainda não crêem, nem tampouco a razão por que nos escolheu em particular. O que de fato sabemos é que, primeiro, se não tivéssemos sido escolhidos para a vida, não seríamos crentes agora (pois somente o eleito é trazido à fé), e, em segundo lugar, como crentes eleitos podemos confiar que Deus completará em nós a boa obra que Ele começou (1 Co 1.8,9; Fp 1.6; 1 Ts 5.23,24; 2 Tm 1.12; 4.18). Assim, o conhecimento da eleição por parte de uma pessoa traz conforto e alegria.



Pedro nos diz que devemos "confirmar a [nossa] vocação e eleição" (2 Pe 1.10) — isto é, certificá-la. A eleição é conhecida por seus frutos. Paulo sabia da eleição dos tessalonicenses por sua fé, esperança e amor, a transformação interna e externa que o evangelho tinha operado em sua vida (1 Ts 1.3-6). Quanto mais as qualidades para as quais Pedro exortou seus leitores aparecerem em nossa vida (virtude, conhecimento, domínio próprio, perseverança, piedade, fraternidade, amor: 2 Pe 1.5-7), mais seguros estaremos da própria eleição que nos foi concedida.

Os eleitos são, de um ponto de vista, a dádiva de Deus ao Filho (Jo 6.39; 10.29; 17.2,24). Jesus testifica que veio a este mundo especificamente para salvá-los (Jo 6.37-40; 10.14-16,26-29; 15.16; 17.6-26; Ef 5.25-27), e qualquer relato de sua missão deve enfatizar isto.

Reprovação é o nome dado à eterna decisão de Deus a respeito dos pecadores que Ele não escolheu para a vida. Sua decisão é, em essência, não para mudá-los, como os eleitos são destinados a ser mudados, mas deixá-los ao pecado, como em seus corações eles já desejam fazer, e finalmente para julgá-los como merecem pelo que têm feito. Quando em casos particulares Deus os entrega a seus pecados (isto é, remove as restrições à prática de coisas desobedientes que desejam fazer), isto já é o começo do julgamento. Ele se chama "endu¬recimento" (Rm 9.18; 11.25; cf. SI 81.12; Rm 1.24,26,28), que leva inevitavelmente culpa maior.

A reprovação é uma realidade bíblica (Rm 9.14-24; 1 Pe 2.8), mas não a que se relaciona diretamente com a conduta cristã. Até onde os cristãos saibam, os reprovados não têm face, não nos cabendo tentar identificá-los. Devemos, antes, viver à luz da certeza de que qualquer um pode ser salvo, se ele ou ela arrepender-se e colocar sua fé em Cristo.

Devemos ver todas as pessoas que encontramos como possivelmente incluídas entre os eleitos.

26 de jul de 2010

Graça no sofrimento – John MacArthur


Se examinarmos a vida de Estêvão do ponto de vista do seu lugar estratégico no plano de Deus, verificaremos que sua importância não foi menor que a de Moisés. Estêvão desempenhou um papel decisivo durante um importante período de transição para a Igreja na terra. Foi sua morte que levou os crentes em Jerusalém a se espalharem como testemunhas para as outras partes do mundo (At 8.1). Mas o ministério de Estêvão em Atos 6-7, anterior ao seu martírio, também foi crucial. Devido ao fato de haver pregado aos judeus de fala grega em Jerusalém, tornou-se ele a ponte de ligação da Igreja Primitiva - de Pedro, o apóstolo dos judeus, a Paulo, o apóstolo dos gentios. Estêvão, na verdade, foi o elo de transição entre a evangelização de Jerusalém e a evangelização do mundo.

Estêvão não foi apenas um poderoso evangelista - foi também um dos mais eloqüentes defensores da fé cristã que já serviu a Igreja em todos os tempos. É assim que Lucas descreve o ministério de Estêvão:
E Estêvão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. E levantaram-se alguns que eram da sinagoga chamada dos libertinos, e dos cireneus e dos alexandrinos; e dos que eram da Cilicia e da Asia, e disputavam com Estêvão. E não podiam resistir à sabedoria, e ao espírito com que falava (At 6.8-10).

Aqueles judeus de fala grega estavam transtornados com Estêvão, porque de forma tão convincente e inflexível, ele apresentava a Jesus e a Nova Aliança como o substituto do sistema religioso da Antiga Aliança dos judeus. A oposição dos judeus rapidamente atingiu o nível da fúria cega, que somente poderia ser satisfeita com sangue - o sangue de Estêvão como o primeiro crente a morrer martirizado (At 7.57-60).

O relativamente curto ministério de Estêvão é, por si só, uma inspiração para os crentes dos dias de hoje. Todavia, sua excelência como exemplo é demonstrada principalmente através de sua morte. Muito podemos aprender de seu caráter ao examinarmos a maneira como ele reagiu quando confrontado pela perseguição e morte violenta. Altruísta e corajosamente Estêvão fez a coisa certa, proclamando a verdade, a despeito das conseqüências.

Graça no sofrimento

Ao descrever a escolha dos primeiros diáconos, Atos 6.5 qualifica Estêvão como "homem cheio de fé e do Espírito Santo". Implícito no termo "fé" está a idéia de graça ou favor de Deus. De fato, Atos 6.8 desenvolve mais esta frase, e diz que Estêvão estava "cheio de graça e de poder".3 Os que têm fé e o Espírito Santo - ou seja, todos os crentes - também contam com uma completa medida de graça e poder. Estêvão certamente estava cheio de toda a graça necessária para enfrentar qualquer tipo de situação (vide 2 Co 12.9; Tg 4.6; 1 Pe 2.20; 3.14; 4.14).

O tipo de graça de que estamos falando é a da bondade amorosa dirigida às pessoas. E, Estêvão, pela fé, definitivamente a possuía. Esta pode ser parte da razão de a igreja em Jerusalém tê-lo escolhido como um dos primeiros diáconos, com a responsabilidade inicial de ajudar as desprezadas viúvas no ministério quotidiano.

Estêvão demonstrou ter esta graça em relação às outras pessoas duma forma muitíssimo clara justamente no momento da morte. Em Atos 7.60, enquanto os judeus atiravam-lhes pedras, ele ajoelhou-se, olhou para o céu, e exclamou: "Senhor, não lhes imputes este pecado". Tal benevolência somente pode vir da parte do Senhor. Como poderia um ser humano proferir tais palavras àqueles que lhe estavam tirando a vida? Este tipo de reação, cheio de confiança e de graça, era o resultado de sua fé no sentido de que Deus estava, soberanamente, no controle de sua vida e morte. E por isso que Estêvão não se preocupou em se proteger. Ele morreu alegre e pacificamente na vontade de Deus. Tudo o que fez foi confiar no plano global de Deus para sua vida, sem lutar para se salvar (compare Gn 50.20; Jr 29.11).

Tranqüilidade no sofrimento

Próximo do início de sua perseguição fatal nas mãos dos judeus incrédulos, Estêvão demonstrou outra evidência clara e extraordinária de que o episódio não era corriqueiro. Atos 6.15 diz: "Então todos os que estavam assentados no conselho, fixando os olhos nele, viram o seu rosto como o rosto de um anjo". Sua expressão facial deve ter se constituído numa das mais incompreensíveis e maravilhosas repreensões jamais vista numa intimidação e perseguição tão perversas. Certamente os oponentes de Estêvão ficaram atônitos e confundidos diante de uma reação tão atípica. A mera reação, que muitos crentes poderiam haver demonstrado numa situação como esta, incluiria com certeza ansiedade, estresse e talvez raiva.

A extraordinária e piedosa reação de Estêvão a essa injustiça ("e, investindo com ele, o arrebataram", At 6.12) e as distorcidas e falsas acusações armadas contra ele (At 6.11), oferecem-nos o melhor exemplo de como devemos portar-nos em meio a mais difícil das circunstâncias. A expressão de serenidade e tranqüilidade na face de Estêvão dá-nos mais uma prova de que ele estava cheio do Espírito Santo, e tinha um íntimo relacionamento com Deus.

Não sabemos exatamente qual seria a aparência do rosto de Estêvão, mas creio que manifestava uma tranqüilidade e um gozo sobrenaturais, por encontrar-se ele impregnado da glória e da presença divinas. O apóstolo Pedro afiançou: "Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória de Deus" (1 Pe 4.14). Do rosto de Estêvão irradiava a glória divina, constituindo-se esta numa incrível reprimenda àqueles incrédulos que reivindicavam conhecer a Deus.

Outro homem que teve o rosto irradiado pela glória de Deus foi Moisés (Êx 33.7-11,17-23; 34.29-35). Para os inimigos de Estêvão, a ironia disso tudo era que assim como falsamente o haviam acusado de blasfemar contra Moisés, Deus imediatamente passou a refletir sua glória no rosto de Estêvão (At 6.11-15). Isto efetivamente colocou-o em termos de igualdade com Moisés (já fizemos alusão a isso neste capítulo) e revelou que Deus aprovava Estêvão como mensageiro da Nova Aliança. No tempo certo, Deus aprovara Moisés como o representante da Antiga Aliança, mas agora era a vez de Estêvão ser o representante de Cristo (vide 2 Co 3.7-11).

Fonte: [Josemar bessa]

É crucial ser direcionado pela Verdade – John Piper


Amando a Deus por amar a Verdade

Nosso interesse pela verdade é uma expressão inevitável de nosso interesse por Deus. Se Deus existe, Ele é a medida de todas as coisas, e o que Deus pensa é a medida de tudo o que devemos pensar. Não se interessar pela verdade é o mesmo que não se interessar por Deus. Amar a Deus intensamente implica amar a verdade na mesma proporção. Ter a vida centralizada em Deus significa ser direcionado pela verdade no ministério. Aquilo que não é verdadeiro não procede de Deus. O que é falso é contrário a Deus. Indiferença para com a verdade equivale à indiferença para com a mente de Deus. A pretensão é rebeldia contra a realidade, e quem faz a realidade é Deus. Nosso interesse pela verdade é apenas um eco de nosso interesse por Deus.

Biblicamente, a urgência de sermos direcionados pela verdade é vista pelo menos de três maneiras. Primeiramente, Deus é verdade. Toda a Trindade é a verdade. Deus Pai é verdadeiro, e nada pode anular a completa fidelidade e confiabilidade em todas as suas promessas e afirmações. "E daí? Se alguns não creram, a incredulidade deles virá desfazer a fidelidade de Deus? De maneira nenhuma! Seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem" (Rm 3.3-4).

Deus Filho, que é a própria imagem do Pai, é verdadeiro. Jesus disse: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14.6). Em Apocalipse 19.11, João viu a Jesus glorificado como fiel e verdadeiro: "Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça".

Deus Espírito, que pessoalmente, no seu ministério em nós, vive a vida do Pai e do Filho, é o Espírito da verdade. Jesus disse: "Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim... quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade" (Jo 15.26; 16.13).

Amar a Deus, o Pai, o Filho e o Espírito, significa amar a verdade. Buscá-los é buscar a verdade. Paixão pela vindicação dEles no mundo envolve uma paixão pela verdade. Não há qualquer separação entre Deus e a verdade. A expressão "Deus é" precede "Deus é amor"; e "Deus é" tem um conteúdo e significado. Deus é uma coisa e não outra coisa. Ele tem caráter. Sua natureza possui características que O definem. O interesse pelo verdadeiro Deus, que não é criado à nossa imagem, é o fundamento de uma vida direcionada pela verdade.

A segunda maneira em que podemos perceber a urgência bíblica de sermos direcionados pela verdade é a terrível advertência de que não amar a verdade equivale a suicídio eterno. Paulo falou sobre um iníquo que, no final dos tempos, virá "com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos" (2 Ts 2.9-10). Amar a verdade é uma questão de perecer ou ser salvo. Indiferença para com a verdade é a característica peculiar da morte espiritual.

Paulo foi mais além, contrastando o crer na verdade com o ter prazer na impiedade — "A fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça" (2 Ts 2.12). Isto mostra que o crer na verdade envolve as afeições, visto que a sua alternativa é "deleitar-se" em outra coisa. Isto também mostra que a verdade é moral e não apenas cognitiva, pois a sua alternativa é a impiedade e não apenas a falsidade. O convincente impacto desta passagem bíblica é que amar a verdade — crer na verdade com todo o coração — é uma questão de vida ou morte eterna.

A terceira razão por que digo que ser dirigido pela verdade é tão urgente se encontra no fato de que o Novo Testamento retrata o viver cristão como o fruto do conhecer a verdade. Por exemplo, quando Paulo disse: "Não sabeis?", como uma repreensão ou um incentivo, em relação a algum comportamento, estava mostrando que o verdadeiro conhecimento mudaria o comportamento. "Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? E eu, porventura, tomaria os membros de Cristo e os faria membros de meretriz? Absolutamente, não" (1 Co 6.15). Isto significa que conhecer a verdade a respeito do corpo redimido de um crente é uma poderosa fonte de castidade.

"Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela? Porque, como se diz, serão os dois uma só carne... Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?" (1 Co 6.16,19). Não conhecer a verdade é uma grande causa de irreverência e imoralidade. A verdade é uma fonte de viver cristão santo. Você conhece a verdade, e a verdade o torna livre — do pecado para Deus.

Amar a verdade é uma marca de uma visão de mundo centralizada em Deus; é obediência ao primeiro e grande mandamento.

Por que o homem não é capaz de voltar para Deus?


.                                                                              Por: Clovis Gonçalves

"Suas ações não lhes permitem voltar para o seu Deus. Um espírito de prostituição está no coração deles; não reconhecem o Senhor”. Os 5:4

As duras palavras ditas por Deus através do profeta era dirigida aos religiosos, ao povo em geral e à família real, sem deixar ninguém de fora: “Ouçam isto, sacerdotes! Atenção, israelitas! Escute, ó família real! Esta sentença é contra vocês” (Os 5:1). As terríveis consequências da Queda não desviam de nenhum filho de Adão. “Todos pecaram e separados estão da glória de Deus” (Rm 3:23). Mas o texto nos mostra que o problema com o pecado não é apenas sua extensão, atingindo a todos os homens, mas também a profundidade em que penetra em cada ser humano, afetando todas as suas faculdades.

As obras impedem de voltar para Deus, Is 59:2

O proceder do homem natural é corrompido de tal forma que ele só faz pecar e pecar. Nem mesmo uma reforma exterior ele pode apresentar de forma consistente, pois “suas ações não lhes permitem voltar para o seu Deus” (Os 5:4a). A prática do pecado se torna um hábito tão natural que o homem quase nunca percebe que sua natureza está dominada pelo pecado. Não raro as pessoas consideram seus pecados como sendo falhas desculpáveis, e as vezes os defendem como uma virtude. Na verdade, estão tão acostumados aos seus pecados quanto se acostumaram à cor da pele. “Será que o etíope pode mudar a sua pele? Ou o leopardo as suas pintas? Assim também vocês são incapazes de fazer o bem, vocês que estão acostumados a praticar o mal” Jr 13:23.

Contrariando os profetas citados, os homens acreditam que é tudo uma questão de escolha, que basta ao homem preferir o bem que é capaz de fazê-lo. Chamam a essa capacidade de livre-arbítrio. Porém, a Escritura não oferece nenhum respaldo a essa filosofia humanista, quando diz que “todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3:12). Isto é corroborado pela observação e a experiência de cada um, que não consegue encontrar um só homem na história que tenha superado sua inclinação para o mal e vivido sem pecar. E quando olhamos para nós, temos que confessar que o “porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm 7:19).

O coração é dominado pelo pecado, Mc 7:21-23

Num nível mais profundo, o pecado domina o coração das pessoas, “um espírito de prostituição está no coração deles” (Os 5:4b), diz o mensageiro do Senhor. No Gênesis o diagnóstico divino sobre o coração humano era de que “toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gn 6:5) e que tal condição não exclui nem as crianças, pois “a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice” (Gn 8:21). As palavras de Salomão sobre o ímpio de que “há no seu coração perversidade, todo o tempo maquina mal” (Pv 6:14) não se aplica apenas a Hitler e a quem esquarteja namoradas, mas também a pais de famílias honestos, pois “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso” (Jr 17:9).

Não é o homem que determina como seu coração deve ser, mas o coração é que determina como o homem é, “porque, como imaginou no seu coração, assim é ele” (Pv 23:7). Um homem sempre procederá de acordo com a natureza de seu coração. Se este for endurecido e mau, então tal pessoa resistirá ao Espírito e procederá de forma contrária à lei de Deus. Por isso que as pessoas dos dias de Oséias não podiam voltar para Deus, pois seus coração estavam dominados por um espírito de prostituição e dominavam o comportamento deles. E é por isso que o homem moderno não pode converter-se a Deus, pois a natureza de seu coração é má e o incapacita para o bem.

O pecado cega o entendimento, 1Co 2:14

O pecado afeta também a mente do homem, cegando-o para as coisas de Deus. “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1Co 2:14). Ao invés de se voltar para Deus “o povo que não tem entendimento corre para a sua perdição” (Os 4:14), ainda mais que “por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes” (Rm 1:28). Outro profeta descreve a cegueira do povo como sendo pior que a dos animais, pois “o boi conhece o seu possuidor, e o jumento, o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende” (Is 1:3).

Como “tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas” (Tt 1:5), não são capazes de compreender a mensagem do evangelho. Precisam, antes, ter “iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos” (Ef 1:18), do contrário sua mente irá das trevas presente para as trevas exteriores, sem conhecer a luz do Senhor.

Conclusão

O livre-arbítrio como capacidade do homem se voltar para Deus é uma mentira de Satanás, que assim perverte o evangelho, levando homens a torná-lo persuasivo a defuntos. Pois os pecadores não experimentam outra realidade senão o pecar, tornando a rebelião a Deus um hábito que não podem mudar. Além disso, seu coração que determina suas ações é fonte de toda sorte de males, sendo enganoso e perverso, portanto desinclinado às coisas de Deus. E sua mente é corrompida de tal forma pelo pecado que o evangelho lhe parece loucura indigna de crédito, só aceitando naturalmente se a mensagem for modificada de tal maneira que não se pareça em nada com o evangelho da glória de Deus. Diante disso, eles até “voltam, mas não para o Altíssimo” (Os 7:16). Igrejas lotam, mas corações continuam vazios de Deus, ocupados somente com a prostituição espiritual “porque um espírito de prostituição os enganou, eles, prostituindo-se, abandonaram o seu Deus” (Os 4:12).

Soli Deo Gloria

Clóvis Gonçalves é blogueiro do Cinco Solas e escreve no 5 Calvinistas às segundas-feiras.


Fonte: [ [5 Calvinistas ]
Via:[Bereianos]

25 de jul de 2010

19 de jul de 2010

A Verdadeira Fé gera Compromisso – A. W. Tozer



Para muitos cristãos, Cristo é um pouco mais que uma idéia. Ele não é um fato. Milhões de cristãos professos falam como se Ele fosse real e agem como se Ele não fosse. E sempre nossa verdadeira posição se faz manifesta pelo modo como agimos, não pelo que falamos.

Podemos provar nossa fé por meio de nosso compromisso com ela, e não de outra forma. Qualquer fé que não conduz aquele que a sustenta não é verdadeira; não passa de uma pseudo fé e pode abalar profundamente alguns de nós se formos subitamente colocados frente a frente com I nossas convicções e forçados a testá-las nas labaredas da vida prática.
Muitos de nós, cristãos, tornamo-nos extremamente habilidosos  em organizar nossa vida de forma a admitir a verdade do Cristianismo sem ficarmos envergonhados com suas implicações. Dispomos as coisas ; de modo que possamos nos dar bem o bastante sem a ajuda divina, ao mesmo tempo em que, ostensivamente, a buscamos. Vangloriamo-nos ; no Senhor, mas vigiamos atentamente para que nunca nos encontremos em uma situação de dependência dele. "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? (Jr 17.9).



A pseudo fé sempre arruma uma saída no caso de Deus falhar. A verdadeira fé conhece apenas um caminho e se dá o prazer de ser desprovida de um segundo caminho ou de substitutos paliativos. Para a verdadeira fé, ou é Deus ou é a queda total. E não faz sentido Adão ter primeiro aparecido na terra tivesse Deus falhado com um único homem ou mulher que Nele confiou.

O homem que tem uma pseudo fé lutará por sua crença em termos verbais, mas se recusará terminantemente a permitir que seja colocada em uma situação difícil onde seu futuro deverá depender dessa fé como sendo algo verdadeiro. Ele sempre se mune de formas secundárias de fugi para que tenha uma saída caso o teto venha a desabar.

O que precisamos urgentemente nesses dias é de um grupo de cristãos que estejam preparados a confiar totalmente em Deus tanto agora  como no último dia. Para cada um de nós certamente está prestes a chegar o tempo em que não teremos outra coisa senão Deus. Saúde, riqueza amigos, esconderijos desaparecerão e teremos apenas Deus. Para o homem que tem a pseudo fé. esta é uma idéia apavorante, mas para o que tem a verdadeira é uma das idéias mais confortantes que o coração pode nutrir.


Seria uma tragédia, de fato, chegar ao lugar onde não temos outra coisa senão Deus e descobrir que não confiamos realmente Nele durante i nossa passagem pela terra. Seria melhor convidar Deus agora para pôr fim a toda confiança falsa, libertar nosso coração de todos os recônditos secretos; nos levar a um lugar exposto para que possamos descobrir, por nós mesmos se realmente confiamos Nele ou não. Este é um remédio terrível, porém infalível, para nossas dificuldades. Remédios menos fortes podem ser muito fracos para a realização desta obra. E o tempo está passando diante de nós.

17 de jul de 2010

A Cruz de Cristo - J.C. Ryle (1816-1900)


O que você pensa acerca da cruz de Cristo? Talvez você considere esta questão como algo de somenos importância; não obstante, dela depende intensamente o bem-estar eterno de sua alma.

Há mil e oitocentos anos atrás, houve um homem que disse gloriar-se na cruz de Cristo. Foi alguém que revirou o mundo de cabeça para baixo pelas doutrinas que pregava. De todos os homens que já viveram neste mundo, foi ele quem mais contribuiu para o estabelecimento do Cristianismo. E mesmo assim, foi este homem quem disse aos Gálatas:

“Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”, Epístola de Paulo Aos Gálatas 6.14

Leitor, a “cruz de Cristo” deve ser um assunto verdadeiramente importante para que um apóstolo inspirado fale de tal forma sobre ela. Deixe-me tentar demonstrá-lo o verdadeiro significado desta expressão. Uma vez reconhecendo o que significa a cruz de Cristo, com a ajuda de Deus você se tornará capaz de perceber a importância dela para a sua alma.

A palavra cruz, na Bíblia, algumas vezes faz referência à cruz de madeira na qual o Senhor Jesus foi cravado e posto para morrer, no Calvário. Isto é precisamente o que São Paulo tinha em sua mente quando falou aos Filipenses que Cristo “foi obediente até a morte, e morte de cruz” (Fp 2.8). Contudo, esta não era a cruz na qual São Paulo se gloriava. Ele esquivar-se-ia com horror da idéia de gloriar-se em um mero pedaço de madeira. Eu não tenho quaisquer dúvidas de que ele denunciaria a adoração católica romana do crucifixo como profana, blasfema e idolátrica.

A cruz, em outras vezes, é atinente às aflições e provações que os crentes atravessam pela causa da religião que professam, quando seguem a Cristo fielmente. Este é o sentido no qual nosso Senhor usa a palavra, quando diz: “Aquele que não toma a sua cruz, e segue-me, não é digno de mim” (Mt 10.38). Este também é o sentido no qual Paulo usa a palavra quando escreve aos Gálatas. Ele conhecia bem esta cruz. Deveras, ele a carregava pacientemente; no entanto, também não é sobre isto que ele está falando aqui.

Mas a palavra cruz também se refere, em alguns outros lugares da Escritura, à doutrina de que Cristo morreu pelos pecadores sobre a cruz, - a expiação que Ele fez pelos pecadores, por Seus sofrimentos em favor deles sobre a cruz – o completo e perfeito sacrifício pelo pecado que Jesus ofereceu quando deu Seu próprio corpo para ser crucificado. Em suma, este termo, “a cruz”, aponta para Cristo crucificado, o único Salvador. Este é o significado no qual Paulo usa a expressão, quando fala aos coríntios: “A pregação da cruz é loucura para os que perecem” (1 Co 1.18). E este também é o significado do que ele escreveu aos Gálatas: “Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”. Ele está dizendo simplesmente isto: “Eu não me glorio em nada mais, exceto em Cristo crucificado, como a salvação de minha alma”.

Leitor, Jesus Cristo crucificado era a alegria e o deleite, o conforto e a paz, a esperança e a confiança, a fundação e o lugar de descanso, a arca e o refúgio, o alimento e o remédio da alma de Paulo. Ele não considerava que teria de executar algo por si mesmo ou padecer por si mesmo. Ele não era mediado por sua própria bondade e nem por sua própria retidão. Ele amava pensar naquilo que Cristo havia feito, e naquilo que Cristo havia sofrido - a morte de Cristo, a justiça de Cristo, a expiação de Cristo, o sangue de Cristo, a obra finalizada de Cristo. Nisto, sim, ele se gloriava. Este era o sol de sua alma.

Este era o assunto que sobre o qual ele amava pregar. O apóstolo Paulo foi um homem que percorreu a terra proclamando aos pecadores que o Filho de Deus havia derramado o sangue de Seu próprio coração para salvar-lhes. Ele caminhou por todos os lugares neste mundo falando às pessoas que Jesus Cristo as amava, a ponto de morrer pelos seus pecados sobre a cruz. Observe como ele diz aos coríntios: “Eu vos entreguei o que primeiro recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados” (1 Co 15.3); “eu me determinei a não saber de qualquer coisa entre vós, a não ser Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Co 2.2). Ele – um blasfemo, fariseu perseguidor – havia sido lavado no sangue de Cristo; de tal modo a não poder deixar de sustentar sua paz sobre este sangue. Por isso ele nunca se cansava de falar da história da cruz.

Este foi o tema sobre o qual ele amava alongar-se quando escrevia aos crentes. É maravilhoso observar como suas epístolas geralmente são repletas dos sofrimentos e da morte de Cristo - como elas discorrem sobre "pensamentos que inspiram e palavras que ardem" sobre o amor e o poder das agonias de Cristo. Seu coração parece cheio deste assunto: ele discorre sobre isto constantemente e retoma o tema continuamente. É o fio de ouro que perpassa todo seu ensino doutrinário, e todas as exortações práticas. Ele parece pensar que mesmo para o cristão mais maduro nunca é demais ouvir sobre a cruz.

Foi sobre isto que ele viveu toda sua vida, desde o tempo de sua conversão. Ele diz aos gálatas: “A vida que agora eu vivo na carne, vivo-a pela fé no Filho de Deus, o qual me amou, e a si mesmo se deu por mim” (Gl 2.20). O que o faz tão forte para o labor? O que o faz tão disposto para a obra? O que o faz tão incansável em esforçar-se para salvar alguns? O que o faz tão perseverante e paciente? Eu vou dizê-lo, qual o segredo disto tudo. Ele sempre se alimentava pela fé do corpo de Cristo e do sangue de Cristo. Jesus Cristo foi a comida e a bebida de sua alma.

E leitor, você pode estar convicto de que Paulo estava correto. Confiar nela, isto é, na cruz de Cristo, - a morte de Cristo sobre a cruz para fazer a expiação pelos pecadores – é a verdade central ao longo de toda a Bíblia. Esta é a verdade que encontramos logo ao abrirmos no livro do Gênesis. A semente da mulher que esmagaria a cabeça da serpente - isto não é outra coisa senão uma profecia de Cristo crucificado. Deveras, esta é a verdade que brilha, por trás do véu, em toda a lei de Moisés e na história dos judeus. Os sacrifícios diários, o cordeiro pascal, o contínuo derramamento de sangue no tabernáculo e no templo - tudo isto são sombras do Cristo crucificado. E esta é a verdade que também vemos ser honrada na visão do céu, antes do fechamento do livro das Revelações: “Então, vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tendo sido morto”(Ap 5.6). De fato, mesmo em meio à glória celestial nós encontramos uma visão de Cristo crucificado. Tire a cruz de Cristo, e a Bíblia será um livro obscuro. Ela seria como os hieróglifos egípcios, sem a chave que interpreta o seu significado – curiosa e maravilhosa, mas sem qualquer serventia real.

Leitor, observe bem o que eu lhe digo. Você pode conhecer uma boa porção da Bíblia. Pode conhecer os contornos das histórias nela contidas, e até a data dos eventos que a Bíblia descreve, assim como alguém pode conhecer a história da Inglaterra. Você pode conhecer os nomes dos homens e mulheres nela mencionados, assim como um homem conhece César, Alexandre o Grande, ou Napoleão. Você pode conhecer vários preceitos da Bíblia, e os admirar, assim como um homem admira Platão, Aristóteles, ou Sêneca. Mas se você ainda não descobriu que Cristo crucificado é o fundamento de cada livro, você tem lido a Bíblia até agora de modo muito pouco proveitoso. Sua religião é um céu sem um sol, um arco sem um fecho, um compasso sem uma agulha, um relógio sem molas ou valores, um candeeiro sem óleo. Ela não o confortará. Ela não livrará a sua alma do inferno.

Leitor, observe mais uma vez o que eu lhe digo. Você pode conhecer bastante acerca de Cristo, tendo alguma espécie de conhecimento intelectual. Você pode conhecer bem quem Ele foi, e onde Ele nasceu, e o que Ele fez. Você pode conhecer Seus milagres, Suas falas, Suas profecias, e Suas ordenanças. Você pode saber como Ele viveu, como Ele sofreu, e como Ele morreu. Contudo, pode-se conhecer o poder da cruz de Cristo experimentando-o; deveras - a menos que você saiba e reconheça que aquele sangue derramado sobre a cruz lavou seus próprios pecados particulares, e a menos que você esteja disposto a confessar que sua salvação depende inteiramente da obra que Cristo realizou sobre a cruz -, se não for esse o seu caso, Cristo não lhe será em nada proveitoso. Sim, o mero conhecimento do nome de Cristo jamais o salvará. Você deve conhecer a Sua cruz e o Seu sangue, ou então acabará morrendo em seus próprios pecados.

Leitor, enquanto você viver, tome cuidado com uma religião na qual não se ouve muito da cruz. Você vive em tempos nos quais a cautela, lamentavelmente, é necessária. Cuidado, eu repito, com uma religião sem a cruz.

Há centenas de lugares de adoração nestes dias, nos quais se encontram quase todas as coisas, exceto a cruz. Há carvalhos gravados, e pedras esculpidas; há vidros coloridos, e pinturas esplêndidas; há serviços solenes, e uma constante série de ordenanças; mas a cruz real de Cristo não há. Jesus crucificado não é proclamado no púlpito. O Cordeiro de Deus não é exaltado, e a salvação mediante a fé n’Ele não é livremente proclamada. E, por conseguinte, todos estes lugares estão em erro. Leitor, acautele-se de tais lugares de adoração. Eles não são apostólicos. Eles não haveriam de satisfazer a São Paulo.

Há milhares de livros religiosos publicados hodiernamente, nos quais se acham quase todas as coisas, exceto a cruz. Eles são plenos de direcionamentos sobre os sacramentos, e louvores da Igreja; eles abundam em exortações para uma vida santa, e em regras para a consecução da perfeição; eles apresentam fartura de fontes e cruzes, tanto interna quanto externamente; mas a cruz real de Cristo é deixada de fora. O Salvador e Seu amor agonizante tampouco são mencionados, ou o são de um modo anti-escriturístico. E, por conseguinte, todos estes livros são piores do que imprestáveis. Eles são não apostólicos. Eles jamais satisfariam a São Paulo.

Leitor, São Paulo não se gloriava em nada mais, a não ser na cruz. Esforce-se para também ser assim. Coloque Jesus crucificado sempre diante dos olhos de sua alma. Não ouça qualquer ensino que interponha algo entre você e Ele. Não caia no antigo erro dos gálatas. Não pense que alguém nestes dias seja melhor guia do que os apóstolos. Não se envergonhe das antigas veredas, nas quais percorreram homens que foram inspirados pelo Espírito Santo. Não deixe que a conversa vazia de homens que proferem grandes palavras dilatadas sobre a catolicidade, e a igreja, e o ministério, perturbem a sua paz, e o façam despreender-se da cruz. As igrejas, os ministros e os sacramentos são todos importantes a seu próprio modo, mas eles não são Cristo crucificado. Não dê a glória de Cristo a nenhum outro. “Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor”.

Leitor, pus tais pensamentos diante de sua mente. O que você pensa agora sobre a cruz de Cristo? Eu não posso dizer; mas não posso desejar a você algo melhor do que isto – que você possa ser capaz de dizer com o apóstolo Paulo, antes de você morrer ou apresentar-se ao Senhor, “Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”. Amém.
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