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28 de jan. de 2011

Incentivo da graça soberana a Evangelizar – John Piper

 
Essa grande confiança do empreendimento missionário é apresentada mais uma vez por Jesus em João 10.16, com palavras diferentes:Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor.

Cristo tem mesmo outras ovelhas fora do atual rebanho! Elas foram "compradas de toda tribo, língua, povo e nação" (Ap 5.9). Os filhos de Deus "andam dispersos" (Jo 11.52). Nenhum missionário jamais poderá alcançar um grupo oculto e dizer que Deus não tem os seus lá.

Foi exatamente assim que o Senhor animou a Paulo quando estava abatido em Corinto, confrontado pela "impossibilidade" de plantar uma igreja naquele solo rochoso:

Teve Paulo durante a noite uma visão em que o Senhor lhe disse: Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; porquanto eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade" (At 18.9, 10).

Em outras palavras, anime-se! Pode parecer impossível, mas Deus tem um povo escolhido (as "outras ovelhas", de João 10.16), e o Bom Pastor conhece as que são suas e as chamará pelo nome, quando você pregar fielmente o evangelho.

Deus sempre usará meios. Jesus deixa isso claro quando diz: "Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra" (Jo 17.20). Mesmo assim, Carey acreditava, como o Senhor ensinara, que ele era incapaz e que na verdade era Cristo quem chama e salva e opera em nós o que lhe agrada (Hb 13.21). Depois de 40 anos de realizações espetaculares (por exemplo, ele traduziu toda a Bíblia para o bengali, oria, marati, hindi, assamês e sânscrito, e partes dela para 29 outras línguas), William Carey morreu; e o epitáfio simples em seu túmulo dizia, a seu pedido:

WILLIAM CAREY
Nascido a 17 de agosto de 1761
Falecido em junho de 1834
Eu, verme miserável, pobre e incapaz,
Caio em teus braços carinhosos.

O grande incentivo de João 10.16 é que o próprio Senhor fará o que é impossível para os "pobres, incapazes vermes" como nós. "Ainda há outras [ovelhas] que me pertencem e não estão neste curral. É preciso trazer também essas (BLH)".

Elas ouvirão a voz dele

O terceiro incentivo desse versículo é que as ovelhas que ele chama virão com certeza. "É preciso trazer também essas, e elas ouvirão a minha voz." O que é impossível aos homens, é possível para Deus! Quando Paulo terminou de pregar na cidade de Antioquia [da Pisídia], Lucas descreve assim os resultados: "Creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna" (At 13.48). Deus tem uma pessoa em cada povo. Ele a chamará com poder criador. E eles crerão!

Que poder há nessas palavras para vencer o desânimo nos lugares difíceis da vanguarda! A história de Peter Cameron Scott é uma boa ilustração do poder de João 10.16.

Ele nasceu em Glasgow em 1867 e foi o fundador da Missão para o Interior da África. Todavia, seu começo na África foi tudo, menos auspicioso. Sua primeira viagem ao continente terminou com um ataque muito sério de malária, que o mandou de volta para casa. Depois de se recuperar, ele resolveu voltar.

Esse retorno foi especialmente gratificante para Scott, porque dessa vez seu irmão John o acompanhou. Não demorou muito, porém, e John foi fulminado pela febre. Totalmente só, Peter enterrou seu irmão e, na agonia daqueles dias, reconsagrou-se à pregação do evangelho na África. Mais uma vez, no entanto, sua saúde cedeu, e ele teve de voltar à Inglaterra.

Como fazer para sair da desolação e depressão daqueles dias? Ele se consagrara a Deus. Todavia, onde encontrar a força para voltar novamente à África? Aos homens era impossível!

Ele encontrou forças na abadia de Westminster. O túmulo de David Livingstone está ali. Scott entrou em silêncio, encontrou o túmulo e ajoelhou-se diante dele para orar. A lápide diz:

TENHO OUTRAS OVELHAS QUE NÃO SÃO DESTE REBANHO; PRECISO TRAZER TAMBÉM ESSAS.

Scott levantou-se com uma nova esperança. Voltou à África, e a missão que ele fundou é uma força vibrante e crescente em prol do evangelho na África hoje.

Se sua maior alegria é experimentar a graça de Deus enchendo você e transbordando para o bem dos outros, então a melhor notícia em todo o mundo é que Deus fará através de você o impossível pela salvação dos povos ocultos. "Para os seres humanos isso não é possível; mas, para Deus, é. Pois, para Deus, tudo é possível" (BLH).

Você receberá de volta cem vezes mais

O segundo grande incentivo em Marcos 10.17-31 para a dedicação à causa missionária de vanguarda está nos versículos 28-30:

Então, Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos. Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna.

Este texto não significa que você ficará materialmente rico ao tornar-se um missionário — pelo menos não no sentido de que seus bens particulares aumentarão. Se você se apresentar para o trabalho missionário com esse objetivo, o Senhor o confrontará com estas palavras: 'As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça" (Lc 9.58).

Em vez disso, parece que a idéia é que, se você for privado da sua família terrena no serviço de Cristo, ela será compensada cem vezes por sua família espiritual, a igreja. Mas até isso pode ser limitador demais. O que dizer de missionários solitários que labutam durante anos sem ser cercados de centenas de irmãs, irmãos, mães e filhos na fé? Será que a promessa não é verdadeira para eles?
 

25 de jul. de 2010

16 de jul. de 2010

Tullian Tchividjian - Contextualizar sem Comprometer




Nos dias 26 e 27 de abril de 2010, eu tive o privilégio de me juntar a homens que eu admiro e respeito, na conferência Advance the Church ("Avance a Igreja" N.T.), em Durham, Carolina do Norte. Minha tarefa foi falar sobre “contextualização sem comprometer”. Eu trato dessa questão mais longamente em meu livro “Unfashionable: Making a Difference in the World by Being Different" (“Fora de moda: Fazendo a Diferença no Mundo Sendo Diferente" N.T.). Os organizadores da conferência pediram-me para compartilhar alguns dos meus pensamentos sobre contextualização. Então, feliz ou infelizmente, aqui estão eles (retirados diretamente do capítulo 8 de Unfashionable).

O princípio por trás da exortação de Paulo em 1 Coríntios 9.22, “fiz-me tudo para com todos”, é o que os pensadores cristãos chamam de “contextualização”. Contextualização é a ideia de que nós precisamos estar traduzindo a verdade do Evangelho em uma linguagem compreendida por nossa cultura. Missionários transculturais e tradutores da Bíblia têm feito isso por séculos. Eles pegam a verdade imutável do Evangelho e a colocam em uma linguagem que se encaixa no contexto que eles estão tentando alcançar. Contextualização simplesmente significa traduzir o Evangelho – tanto em palavras quanto em obras – em termos compreensíveis e apropriados à audiência. É a tradução do Evangelho que é sensível ao contexto.

Genna, minha filha de oito anos, ama ir à Escola Dominical por diversos motivos. Ela ama ver seus amigos e cantar suas músicas favoritas. Mas ela também ama aprender de seu professor que é capaz e criativo. Ele trabalha duro para usar linguagem, conceitos e ilustrações que ela e as outras crianças na classe entenderão, ao mesmo tempo em que ensina fielmente a Bíblia. E como resultado, Genna aprende. Ela anda domingo após domingo animada com o que aprendeu. Isso emociona Kim e eu. Nós dois somos gratos pelo fato do professor de Genna compreender a necessidade de contextualização.

De forma similar, toda tradução bíblica para o português é um esforço para contextualizar as Escrituras (originalmente escritas em hebraico e grego por povos antigos) para uma audiência de fala portuguesa nos dias de hoje.

Contextualizar também envolve construir relacionamentos com pessoas que não creem. Nós não esperamos que elas venham até nós; nós vamos até elas. Nós as conhecemos onde elas estão. Nós entramos no mundo delas procurando nos identificar com suas lutas, gostos, desgostos, ideias. Chuck Colson fala disso como entrar nas “histórias” das pessoas:

Nós precisamos entrar nas histórias da cultura que nos cerca, o que envolve dar ouvidos. Nos ligamos com a literatura, a música, o teatro, as artes e com as questões que expressam as esperanças, sonhos e medos existentes na cultura. Isso constrói uma ponte pela qual podemos mostrar como o Evangelho pode entrar e transformar aquelas histórias.

Edith Schaeffer, esposa do antigo Francis Schaeffer, escreveu sobre uma visita que os dois fizeram a São Francisco em 1968. Uma noite eles foram à Fillmore West para sair com os drogados e hippies, e assistir a um espetáculo de luz. Ela registra quão partido estava o coração deles enquanto eles testemunhavam “a perdição da humanidade na busca por paz onde não há paz”. Ela concluiu: “Um tempo para ouvir é preciso – ouvir o que a próxima geração está dizendo, ouvir as palavras da música que eles estão ouvindo, ouvir o significado por trás das palavras. Se a verdadeira comunicação deve continuar, há uma linguagem a ser aprendida”.

A contextualização começa com um coração partido em favor dos perdidos e um desejo dirigido a ajudá-los a compreender a verdade libertadora de Deus. Somente através de um verdadeiro ouvir e aprender nós podemos esperar comunicar persuasivamente a Palavra imutável de Deus para nosso mundo em constante mudança.

Infelizmente, alguns cristãos bem intencionados concluem o contrário. Para esses cristãos, contextualização significa a mesma coisa que comprometer. Eles crêem que isso significa dar às pessoas o que elas querem e falar a elas o que elas querem ouvir. O que eles não entendem, porém, é que contextualização significa dar às pessoas as respostas de Deus (que elas podem não querer) para as questões que elas estão realmente perguntando, em formas que elas podem entender.

Essa má compreensão da contextualização tem levado essas pessoas a argumentarem que reflexão cultural e contextualização são, na melhor das hipóteses, distrações, e na pior, pecaminosas. Eles nos admoestam a abandonar essas coisas e focar simplesmente na Bíblia. Apesar disso soar virtuoso, acaba sendo tolo por duas razões. Primeira, como já vimos, a própria Bíblia nos exorta a entender nossos tempos de modo que possamos alcançar nosso mundo mutável com a verdade eterna de Deus. Não contextualizar, portanto, é um pecado. E segunda, todos nós vivemos inescapavelmente em um quadro cultural particular, que molda a forma como nós pensamos sobre tudo. Então, se não trabalharmos duro para entendermos nosso contexto, não iremos apenas falhar em nossa tarefa de comunicar eficazmente o Evangelho, mas também acharemos impossível evitar sermos negativamente moldados por um mundo que não entendemos.

Em uma entrevista recente, o pastor Tim Keller disse isso da seguinte forma:

"contextualizar demais para uma nova geração significa que você pode acabar idolatrando a cultura deles, mas contextualizar de menos significa que você pode acabar idolatrando a sua própria cultura. Então, não há como evitar isso”.

Quer traduzindo a Bíblia ou desenvolvendo relacionamentos com não cristãos, nós devemos ter uma mente missionária em tudo o que fazemos. Isso dá trabalho – o duro esforço de manter a grande fotografia e comunicar compreensivelmente e convincentemente àqueles que não compartilham nossas convicções e cosmovisão. Portanto, todo dia e em toda circunstância, precisamos estar conscientemente e rigorosamente traduzindo nossa fé na linguagem da cultura que estamos tentando alcançar.

Este é o desafio: se você não contextualizar o suficiente, a vida de ninguém será transformada porque eles não lhe entenderão. Mas se você contextualizar demais, a vida de ninguém será transformada porque você não estará desafiando seus pressupostos mais profundos e chamando-os à mudança.

Ser “tudo para com todos”, portanto, não significa se encaixar nos padrões caídos deste mundo de modo que não há mais diferença distinguível entre cristãos e não cristãos. Apesar de vivermos “no mundo”, nós precisamos evitar o extremo da acomodação: ser “do mundo”. Isso acontece quando cristãos, em sua tentativa de fazer um contato apropriado com o mundo, saem do seu caminho para adotar estilos, normas e estratégias mundanas.

Quando cristãos tentam eliminar as características contra-culturais e antiquadas da mensagem bíblica porque aquelas características são impopulares na cultura mais ampla – por exemplo, quando nós reduzimos o pecado a uma falta de auto-estima, negamos a exclusividade de Cristo ou ignoramos a realidade da verdade absoluta e cognoscível – nós nos movemos da contextualização para o comprometimento. Quando nos acomodamos à nossa cultura, abandonando temas chaves do Evangelho, tais como sofrimento, humildade, perseguição, serviço e auto-sacrifício, nós, na verdade, fazemos nosso mundo mais mal do que bem. Por causa do amor, o compromisso deve ser evitado a todo custo.

Como a Bíblia ensina, o Senhorio de Cristo tem um sentido de totalidade: a verdade de Cristo cobre todas as coisas, não apenas coisas “espirituais” ou “religiosas”. Mas ele também tem um sentido de tensão. Como Senhor, Jesus não apenas nos chama para Si mesmo, Ele também nos chama para romper com tudo o que entra em conflito com Seu Senhorio.

Contextualizar sem comprometer é o objetivo!

Por Tullian Tchividjian © The Gospel Coalition. Website: thegospelcoalition.org
Original: Contextualization Without Compromise. Website: thegospelcoalition.org/blogs/tullian
Tradução: voltemosaoevangelho.com
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que adicione as informações supracitadas, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Fonte: [Voltemos ao evangelho]

23 de jun. de 2010

Paul Washer - Conheça Cristo, Conheça o Evangelho





Por Paul Washer. © HeartCry Missionary Society Inc. Website: heartcrymissionary.com
Original: Know Christ, Know the Gospel - Paul Washer. Website: illbehonest.com
Tradução e Legenda: voltemosaoevangelho.com
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