Mostrando postagens com marcador Redenção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Redenção. Mostrar todas as postagens

16 de mar. de 2012

A Sabedoria do Pai mostrada na Redenção - Jonathan Edwards (1703-1758).


Consideremos a MANEIRA COMO essa Pessoa IRIA NOS Substituir. Após escolher a pessoa para ser o nosso Redentor, o passo seguinte da sabedoria divina seria escolher a maneira pela qual essa pessoa realizaria a obra da redenção.

Se Deus tivesse revelado quem realizaria essa obra e não tivesse revelado nada além disso, nenhuma outra criatura poderia imaginar a maneira pela qual essa pessoa realizaria essa obra. E se Deus tivesse dito a elas que o Seu Filho Unigênito seria o Redentor, e que somente Ele era pessoa adequada e suficientemente competente para essa tarefa, mas tivesse pedido às Suas criaturas que planejassem a maneira como essa Pessoa, adequada e competente, deveria proceder, poderíamos imaginar que toda a sabedoria humana criada seria considerada um esforço inútil para fazer tal suposição.

A primeira coisa que deveria ser feita seria transformar esse Filho de Deus em nosso Representante e Fiador, de modo que Ele fosse um substituto no lugar do pecador. Mas qual das inteligências criadas poderia conceber algo como: o Filho de Deus, eterno e infinitamente amado, sendo o substituto no lugar dos pecadores? O Filho de Deus no lugar de um pecador, de um rebelde, de um objeto da ira de Deus?

Quem poderia pensar numa pessoa que possui glória infinita representando vermes pecadores, os quais se tornaram infinitamente provocadores e abomináveis por causa de seu pecado? Pois se o Filho de Deus fosse o substituto do pecador, conseqüentemente, o pecado do pecador deveria ser lançado sobre Ele.

Ele precisaria levar a culpa do pecador sobre Si. Teria de submeter-Se à mesma Lei à qual o homem estava sujeito, tanto no que se refere aos mandamentos, quanto no se refere às punições. Quem poderia pensar em semelhante coisa com relação ao Filho de Deus? Mas podemos ir além disso.

"Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais" - Efésios 3.10
Fonte: [Josemar Bessa]

18 de nov. de 2010

Três Razões pelas quais Cristo Sofreu e Morreu – John Piper



Romanos 6.1-14

I. Para que morramos para o pecado e vivamos para a justiça

“... carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça" 1 Pedro 2.24

Por mais estranho que pareça, a morte de Cristo em nosso lugar e por nós significa que nós morremos. Talvez alguém pense que ter um substituto para morrer em seu lugar significa que ele escapa da morte. É claro que escapamos da morte. Da morte eterna de miséria sem fim e separação de Deus. Jesus disse: "Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão" ao 10.28). "Todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente" ao 11.26). A morte de Jesus realmente significa que todo o que nele crê não perece, mas tem a vida eterna ao 3.16).

Mas existe outro sentido em que morremos precisamente porque Cristo morreu em nosso lugar e por nossos pecados. "Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados..." (lPe 2.24). Ele morreu para que vivamos; e morreu também para que morrêssemos. Quando Cristo morreu, eu, como crente em Cristo, morri com ele. A Bíblia é clara: "fomos unidos com ele na semelhança da sua morte" (Rm 6.5). "Um morreu por todos; logo, todos morreram" (2Co 5.14).

A fé é a evidência de que estamos unidos em Cristo dessa maneira profunda. Os crentes foram "crucificados com Cristo" (GI 2.20). Olhamos para trás, para sua morte, sabendo que na mente de Deus nós estávamos lá. Nossos pecados estavam sobre ele e a morte que merecíamos acontecia nele. O batismo significa essa morte com Cristo. "Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo" (Rm 6.4). A água é como um túmulo. recebê-la é um retrato da morte. Tê-Ia recebido é retrato de nova vida. E tudo isso é um retrato do que Deus está fazendo "pela fé". "Tendo sido sepultados com ele no batismo, fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos" (Cl 2.12).

Sendo assim, ser cristão significa morte para o pecado. O velho eu que amava o pecado morreu com Jesus. O pecado passa a ser como uma prostituta que não é mais bonita. Ela é quem matou o meu Rei e a mim mesmo. Assim, o crente está morto para o pecado, não é mais dominado por seus atrativos. O pecado, a prostituta que matou meu amigo, não tem mais apelo. Tornou-se meu inimigo.

Agora em novidade de vida sou movido pela justiça. "Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós... vivamos para a justiça" (1 Pe 2.24). A beleza de Cristo, que me amou e se entregou por mim, é o desejo de minha alma. E sua beleza é a justiça perfeita. O mandamento que agora amo obedecer é este (e eu o convido a atender comigo este mandamento): "... oferecei-vos a Deus, como ressuscitados dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça" (Rm 6.13).

II.      Para que morramos para a lei e frutifiquemos para Deus

"... meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus." Romanos 7.4

Quando Cristo morreu por nós, nós morremos com ele. Deus olhou para nós que cremos como quem está unido a Cristo. Sua morte por nossos pecados foi nossa morte nele. Mas o pecado não foi a única realidade que matou a Jesus e a nós. A lei de Deus também o fez. Quando quebramos a lei pelo pecado, a lei nos sentencia à morte. Se não houvesse lei, não haveria castigo. Onde não há lei, também não há transgressão (Rm 4.15). Mas "... tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus" (Rm 3.19).

Não havia como escapar da maldição da lei. Ela era justa e nós éramos culpados. Só havia um modo de nos libertar. Alguém tinha de pagar a pena. Foi para isso que veio Jesus. "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar" (Gl 3.13).

Sendo assim, a lei de Deus não pode nos condenar se estivermos em Cristo. Seu domínio sobre nós é duplamente quebrado. Por um lado, as exigências da lei foram cumpridas por Cristo em nosso favor. Ele guardou perfeitamente a lei e isso foi creditado em nossa conta. Por outro lado, a penalidade da lei foi paga pelo sangue de Cristo.

É por isso que a Bíblia ensina claramente que estar bem com Deus não é questão de guardar a lei. "Ninguém será justificado diante dele por obras da lei" (Rm 3.20). "O homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus" (G12.16). Não existe esperança de estar em paz com Deus por guardar a lei. A única esperança está no sangue e na justiça de Cristo, que é nossa somente pela fé. "Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei" (Rm 3.28).

Como, então, podemos agradar a Deus, se nos encontramos mortos para sua lei e ela não mais nos domina? A lei não é a expressão da boa e santa vontade de Deus? (Rm 7.12). A resposta bíblica é que, em vez de pertencermos à lei, que exige e condena, agora pertencemos a Cristo, que exige e concede. Anteriormente, a justiça nos era exigida do lado de fora, em letras escritas na pedra. Mas agora a justiça surge de dentro de nós como um desejo no nosso relacionamento com Cristo. Ele está presente e é real. Pelo seu Espírito ele nos auxilia em nossa fraqueza. Uma pessoa viva substituiu uma lista letal. "A letra mata, mas o espírito vivifica" (2Co 3.6).

Por essa razão a Bíblia diz que o novo caminho da obediência é frutificador, e não guardador da lei. "... meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus" (Rm 7.4).

III.     Para nos capacitar a viver para Cristo e não para nós mesmos

"Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória." João 17.24

"Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou." 2 Coríntios 5.15

Muitas pessoas se perturbam com a idéia de que Cristo morreu para exaltar a Cristo. Em sua essência, 2 Coríntios 5.15 diz que Cristo morreu para que vivamos por ele. Noutras palavras, ele morreu por nós para que nós o valorizemos muito. Ou seja, Cristo morreu para Cristo.

Ora, isso é verdade. Não é um jogo de palavras. A essência do pecado é que não conseguimos glorificar a Deus. Isso inclui não glorificar ao Filho (Rm 3.23). Mas Cristo morreu para levar sobre si esse pecado e nos livrar do mesmo. Ele carregou a desonra que havíamos amontoado sobre ele com nosso pecado. Ele morreu para dar a virada nisso. Cristo morreu para a glória de Cristo.

Cristo é único. Ninguém mais consegue agir dessa maneira e chamá-la de amor. Cristo é o único ser humano do universo que também é Deus, portanto, de valor infinito. Ele é de beleza infInita em toda a sua perfeição moral. É infinitamente sábio, justo, bom e forte. "Ele ... é o resplendor da glória e a expressão exata do ... Ser [de Deus], sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder" (Hb 1.3). Vê-Io e conhecê-lo satisfaz mais do que possuir todos os bens da terra.

Aqueles que o conheciam melhor disseram o seguinte:

"... o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo" (Fp 3.7,8).

"Cristo morreu para que vivêssemos por ele" não significa "para que o ajudássemos". [Deus] "não é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse" (At 17.25). Nem Cristo. "... pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos" (Mc 10.45). Cristo morreu, não para que pudéssemos ajudá-lo, mas para que o pudéssemos ver e prová-lo como de valor infinito. Morreu para nos desmamar dos prazeres venenosos e nos enlevar com os prazeres de sua beleza. Nisso somos amados e ele é honrado. Não são objetivos que competem entre si. São o mesmo.

Jesus disse aos seus discípulos que tinha de ir para que pudesse enviar o Espírito Santo, o Ajudador (Jo 16.7). Passou então a lhes dizer o que o Consolador faria quando viesse: "Ele me glorificará" (Jo 16.14). Cristo morreu e ressurgiu para que o víssemos e o glorificássemos. É essa a maior ajuda que existe no mundo. É amor. A oração mais repleta de amor feita por Jesus foi: "Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória" (Jo 17.24). Foi para isto que Cristo morreu. Isto é amor. Sofrer para nos conceder prazer eterno, ou seja, ele mesmo.

5 de set. de 2010

A Inaptidão Espiritual do Homem - James Montgomery Boice


Nossa cultura tem nos ensinado que para a humanidade "todas as coisas são possíveis". Assim, a idéia de que precisamos da graça divina para nos acharmos corretos diante de Deus nos parece errada. Consideramos que sempre será possível corrigir nossos relacionamentos com o Todo-poderoso. Se necessário, nós mesmos toma-remos conta disto na hora certa.

Aqueles que pensam assim, não conseguem apreciar outra doutrina bíblica: a inaptidão espiritual do homem ou, como é às vezes dito, a escravidão da vontade humana. Isto é verdade diante da declaração de Paulo de que "não há quem busque a Deus" (Rm 3.11). A razão pela qual ninguém busca a Deus é que, à parte da obra anterior de Deus no coração de um indivíduo, ninguém pode buscar a Deus — porque ninguém quer fazê-lo. Esta questão tem sido amplamente discutida na história da igreja. Era o assunto principal no desacordo entre o grande Agostinho e o monge britânico Pelágio; entre Martinho Lutero e o humanista holandês Erasmus de Rotterdam; e entre Jacob Arminius e os seguidores de João Calvino. Contudo, a mais profunda e mais significante opinião jamais dada sobre o assunto da vontade e sua impotência foi por Jonathan Edwards em um tratado denominado "A Careful and Strict Inquiry into the Prevailing Notions of the Freedom of the Will",[Uma cuidadosa e rigorosa pesquisa sobre as noções prevalecentes quanto à liberdade da vontade].

A primeira coisa que Edwards fez foi definir a vontade. Pensamos em vontade como aquela coisa em nós que faz as escolhas. Edwards viu que isto não era correto e então, definiu a vontade como "aquilo pelo qual a mente escolhe alguma coisa". Isto pode não parecer grande diferença, mas é muito significativo. Pois significa que o que escolhemos não é determinado pela vontade em si (como se fosse um ente próprio) mas pela mente, o que significa que nossas esco¬lhas são determinadas pelo que pensamos ser o curso de ação mais desejável.

A segunda maior contribuição de Edwards foi sua discussão do que ele chamou "motivos". Ele destacou que a mente não é neutra. Ela pensa que algumas coisas são melhores do que outras e porque algumas coisas são melhores do que outras ela escolhe as coisas melhores. Se uma pessoa pensou que um curso de ação era melhor que outro e ainda assim escolheu a alternativa menos desejável, a pessoa seria irracional. Isto significa, falando apropriadamente, que a vontade é sempre livre. E livre para escolher (e sempre escolherá) o que a mente pensa ser melhor.

Mas o que a mente pensa ser o melhor? Aqui chegamos ao coração do problema. Quando confrontada com Deus, a mente de um pecador nunca pensa que seguir ou obedecer a Deus é uma boa escolha. Sua vontade é livre para escolher Deus. Nada a está impedindo. No entanto, ele se vira contra Deus, mesmo quando o evangelho é mais atraentemente apresentado. As pessoas não querem que Deus seja soberano sobre elas. Elas não querem que suas naturezas pecadoras sejam expostas. Suas mentes são erradas neste julgamento, é claro. A maneira como elas escolhem é, naturalmente, uma forma de alienação e miséria, o fim do qual é a morte. Mas os seres humanos pensam que o pecado é melhor, razão pela qual o escolheram. Portanto, a menos que Deus mude a maneira de pensarmos — o que ele faz em alguns pelo milagre do novo nascimento — nossas mentes sempre nos dirão para nos virarmos contra Deus — o que é precisamente o que fazemos.

  
As pessoas que rejeitam isto podem arguir: "Mas com certeza a Bíblia diz que qualquer que esteja destinado a vir a Cristo virá a ele. Jesus não nos convidou a vir? Jesus não disse, 'o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora'?" (Jo 6.37) Sim, isto foi o que Jesus disse, mas não é a questão aqui. Certamente, qualquer um que queira vir a Cristo pode vir a ele. Esta é a razão pela qual Edwards insistiu que a vontade não é escrava. Mas quem é que quer vir? A resposta é: Ninguém, exceto aqueles nos quais o Espírito Santo já realizou a obra inteiramente irresistível do novo nascimento, de tal forma que, como resultado deste milagre, os olhos espiritualmente cegos do homem natural são abertos para ver a verdade de Deus e a mente totalmente depravada do pecador, que em si mesmo não possui entendimento espiritual, é renovada para abraçar o Senhor Jesus Cristo como Salvador. Esta é a doutrina que pouquíssimos cristãos professos de nossos dias acreditam ou entendem, incluindo a grande maioria de evangélicos, o que é outra razão, talvez a mais séria, porque eles acham a graça entediante.

Fonte:[Josemar Bessa ]

17 de ago. de 2010

Qual é sua reação a cruz? – Lloyd-Jones


Você ouve o clamor do Filho em agonia: "Deus meu! Deus meu! Por que me desamparaste?" (Mateus 27.46). Literalmente, Jesus morreu com o coração quebrantado. João nos relata que quando os soldados perfuraram o seu lado com uma lança "logo saiu sangue e água" (João 19.34). O coração de Jesus havia se rompido e o sangue havia se coagulado, e havia soro e coágulo sanguíneo, porque o coração, literalmente, se rompeu com a agonia da ira de Deus sobre ele, e pela separação da face de seu Pai. Este é o amor de Deus. Meu amigo, este é o amor de Deus por você, um pecador. Ele não olha passivamente e diz: "Eu o perdôo apesar do que fez ao meu Filho". Não! Ele mesmo castigou o Filho. Ele fez ao Filho o que eu e você jamais poderíamos ter feito. Deus derramou sua ira eterna sobre Jesus, e escondeu sua face dele, seu Unigénito e Amado. E Deus assim agiu para que nós não recebêssemos a punição e fôssemos para o inferno, passando lá toda a eternidade em miséria, tormento e infelicidade. Tal é o amor de Deus, e esta é a maravilha e a glória da cruz. Deus punindo o seu próprio Filho para que não precisasse punir a você e a mim.

Isto também foi feito a fim de que a mensagem da cruz pudesse ser pregada desta forma: "Crê no Senhor Jesus, e serás salvo..." (Atos 16.31). Creia que Jesus morreu a sua morte, suportou a sua punição, sofreu em seu lugar, que a punição que lhe traz a paz estava sobre ele. Creia e, imediatamente, será perdoado. Esta é a glória da cruz. A sabedoria de Deus legando o caminho, o amor divino executando o plano, apesar do que isso significava para ele, e seu Filho, voluntária e prontamente, submetendo-se a este plano, a fim de que você e eu pudéssemos ser perdoados, tornando-nos filhos de Deus. Oh:

Ao contemplar a maravilhosa cruz Na qual o Príncipe da glória morreu, - levado à morte por seu próprio Pai -Meu mais rico ganho eu reputo por perda, E desprezo por todo o orgulho meu.

- e por toda a minha autojustiça. "Ao contemplar a maravilhosa cruz" é que vejo estas coisas: O Deus eterno, em toda a glória de seu coração de Pai, entregando o seu próprio Filho para morrer em meu lugar.

Na verdade, vejo lá na cruz a harmonia de todos os atributos divinos. Vejo santidade e amor, contemplo "misericórdia e verdade se unindo. Justiça e paz fundindo-se". Vejo todos os eternos atributos do Deus eterno, todos eles mostrados ao mesmo tempo. Não há contradição entre a retidão, a justiça, o amor, a misericórdia e a compaixão. Todos lá estão, na plenitude da Divindade. Só há uma coisa a dizer quando contemplo coisas assim: "Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo". E lá na cruz que eu vejo a Deus como ele é, e como o meu Pai. Vejo o seu glorioso caráter justificado em todos os mínimos detalhes. Portanto, eu confio a ele a minha alma, descanso na palavra do Deus eterno e imutável.

Esta é a sua reação com respeito à cruz, meu amigo? Já viu estas coisas na cruz - o Filho, com o Pai e o Espírito Santo sustentando o Filho? Jesus se ofereceu por meio do Espírito eterno ao Pai em nosso favor. E a sua reação a isto que decide se você é um cristão ou não. Não me venha falar de suas boas obras, pois não me importa. Não venha me dizer que é membro de igreja, pois não estou nem um pouco interessado. Você está se gloriando na cruz? Ela é tudo para você? É a sua vida? Você está pronto a morrer em vez de negar esta mensagem gloriosa? Isto é ser um cristão e, se não nos gloriarmos na cruz, não a vimos, nem a compreendemos. E, se não a temos visto, na verdade não cremos nela. E, se não cremos na cruz, ainda estamos em nossos pecados e deveríamos ter igual morte. Iremos a julgamento e seremos condenados ao inferno. O seu destino eterno depende apenas disso. Você já compreendeu que Deus providenciou na cruz o único caminho pelo qual você pode ser perdoado e se tornar um filho de Deus, herdando as glórias da eternidade? Possa Deus ter misericórdia de todos nós e, pelo seu Espírito, abrir nossos olhos para vermos a glória da cruz.

A Soberana Liberdade de Deus - James Montgomery Boice


Nestes dias de múltiplos "direitos" humanos, a maioria das pessoas considera erroneamente que Deus nos deve algo — a salvação ou pelo menos uma oportunidade de salvação. Mas na argumentação de Packer sobre a graça, à qual nos referimos no início deste capítulo, o autor aponta corretamente que Deus não nos deve coisa alguma. Ele mostra um surpreendente favor a muitos — isto é o que graça significa — mas ele não tem de fazê-lo. Se ele fosse obrigado a ser gracioso, a graça não seria mais graça e a salvação seria baseada nos méritos humanos ao invés de ser sola gratia.

Quando dizemos que Deus não é obrigado a ser gracioso estamos falando a respeito de graça soberana e quando falamos a respeito de graça soberana não há melhor passagem bíblica para estudar do que Efésios 1. A maior parte dos cristãos está ciente do ensino de Paulo sobre a graça em Efésios 2. Na verdade, muitos memorizaram Efésios 2.8,9, que descreve a graça. O que a maioria não percebe é que o significado de graça naqueles versículos já havia sido definido através do que foi dito a respeito de graça no capítulo 1. O capítulo 1 é, do começo ao fim, sobre a soberana graça de Deus.

Qual é a diferença entre Efésios 1 e 2? Ambos usam a palavra graça três vezes. Mas o capítulo 1 olha para o assunto sob o ponto de vista de Deus, mostrando que nós somos salvos por causa do que Deus quis, enquanto que o capítulo 2 olha para o assunto pela nossa perspectiva, mostrando como estes decretos anteriores de Deus impactam o crente individual. A coisa mais importante é que Paulo começa com Deus. E ainda mais, começando com Deus, ele destaca o papel de cada pessoa da Trindade em seu trabalho.

1. O papel de Deus o Pai: eleição, "assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado" (Ef 1.4-6). Estes versos são uma das mais fortes expressões da graça soberana na Escritura, pois ensinam que as bênçãos da salvação vêm para algumas pessoas porque Deus deter-minou desde antes da criação do mundo dar estas bênçãos àquelas pessoas — e somente por esta razão.

Muitas pessoas hoje não gostam desta doutrina porque pensam que não é justa. Alguns a negam francamente. Alguns a admitem mas negam seus efeitos dizendo que a escolha é baseada no pré-conhecimento de Deus — como se houvesse qualquer coisa boa em nós para Deus prever, à parte dele ter previamente determinado colocar isto em nós. Alguns ignoram a doutrina. Mas é difícil ignorar a eleição, pois ela tem seus alicerces do começo ao fim da Bíblia e em muitas passagens decisivas. Sem a prévia eleição divina dos pecadores para a salvação, a graça é esvaziada de seu significado.

2. O papel de Deus o Filho: redenção. A eleição não é a única coisa que Deus fez como expressão de sua graça na salvação. Seguindo o padrão trinitariano deste capítulo, vamos para a doutrina da redenção. O que Deus fez por meio de Jesus Cristo foi redimir seu povo eleito ou escolhido, o que também flui de graça imerecida ou total-mente soberana. "No qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência" (Ef 1.7,8).

A razão pela qual a redenção é particularmente associada a Jesus Cristo é que redenção é um termo comercial que significa "comprar no mercado para que o objeto ou pessoa comprada possa ser libertada" e Jesus fez esta compra e obra libertadora por nós através de sua morte em nosso lugar. Para levar a efeito a ilustração, somos descritos como escravos do pecado, incapazes de nos libertar a nós mesmos da escravidão do pecado e das garras do mundo. Na verdade, em vez de nos libertar, o mundo brinca alegremente com nossos corpos e almas. E oferece seu sedutor pagamento — fama, sexo, prazer, poder, riqueza. Por estas coisas milhões vendem suas almas eternas e perecem. Mas Jesus entra no mercado como nosso Redentor. Jesus oferece o preço de seu sangue. Deus diz: "Vendido para Jesus, pelo preço de seu sangue!" Não há lance mais alto que este. Assim nos tornamos sua posse para sempre.

O apóstolo Pedro escreveu: "sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo" (1 Pe 1.18,19). Charles Wesley expressou isto poeticamente:

Há muito meu aprisionado espírito jaz
Prisioneiro do pecado e da noite da natureza;
Teu olho difundiu um rápido raio;
Acordei, a masmorra brilhou com luz;
Minhas cadeias caíram, meu coração foi liberto;
Levantei, prossegui e te segui.


3. O papel de Deus Espírito Santo: chamada eficaz. A terceira expressão da graça soberana de Deus em nossa salvação enfatizada em Efésios 1 é a obra do Espírito Santo, que aplica ao indivíduo a salvção planejada por Deus Pai e alcançada por Deus Filho. "Nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo; em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória" (Ef 1.11-14).

Ao primeiro relance a palavra "herança" no verso 11 parece estar descrevendo a mesma coisa que as palavras de Paulo a respeito da escolha do Pai no verso 4, ou seja, eleição. Mas na verdade a idéia é diferente. No verso 4 a escolha predestinadora do Pai está antes de tudo. No verso 11, "herança" se refere ao que os teólogos denominam o chamado eficaz do Espírito Santo, o qual flui e é determinado pelo exercício da soberana vontade de Deus na eleição.

Provavelmente a maior ilustração da graça de Deus chamando um pecador morto para a vida seja a de Jesus ressuscitando Lázaro, registrado em João 11. Quando Jesus retornou a Betânia a pedido das irmãs do homem morto, foi dito a ele que Lázaro havia morrido há quatro dias e que ele já estava em decomposição: "Disse-lhe Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal, porque já é de quatro dias" (v.39). Que descrição gráfica do estado de nossa decadência moral e espiritual por causa do pecado! Morto, decompondo, com mal cheiro, sem esperança. Não havia nada que alguém pudesse fazer por Lázaro nesta condição de morte. Sua situação não era meramente séria ou severa; era impossível.

Mas não para Deus! "Para Deus tudo é possível" (Mt 19.26). Por-tanto, havendo orado, Jesus chamou: "Lázaro, vem para fora" (Jo 11.43), e o chamado de Jesus trouxe vida ao homem morto, assim como a voz de Deus trouxe do nada o inteiro universo à existência.

Isto é o que o Espírito Santo faz a pecadores moribundos hoje. O Espírito Santo trabalha por meio da pregação da Bíblia para chamar à fé aqueles que ele previamente escolheu para a salvação e por quem especificamente Jesus morreu. A parte destas três graciosas ações — o ato de Deus em eleger, a obra de Cristo em morrer, e a operação do Espírito Santo em chamar — não haveria salvação para nin¬guém. Mas devido a estas ações — por causa da graça soberana de Deus — mesmo o pior dos rebeldes blasfemos pode ser mudado de sua insensatez e pode encontrar Cristo.

Fonte: [Josemar Bessa]

11 de ago. de 2010

A Cruz como Satisfação – J. Montgomery Boice



Começo com satisfação porque satisfação tem a ver com o caráter de Deus o qual temos ofendido. Tem a ver com pecado. Satisfazer significa fazer uma reparação pelo dano feito, fazer emendas, ou providenciar compensação. Neste caso o dano é à lei e honra de Deus. Não podemos entender a cruz até que levemos a sério a honra de Deus.

Anselmo de Canterbury era um italiano que se estabeleceu na França mas foi apontado arcebispo da Inglaterra em 1093, vinte e sete anos depois da conquista normanda. Sua maior contribuição à teologia foi à doutrina da Expiação num trabalho intitulado Cur Deus Homo? Que significa "Por que o Deus-Homem?" ou, para colocar em linguagem mais coloquial, "Por que Deus se tornou homem?" O livro explica a Encarnação pela Cruz, argumentando que Deus se tornou homem para fazer uma expiação pelo pecado como o único funda-mento possível para nossa salvação.

Anselmo começou com uma definição de pecado, a qual explicou como uma ofensa infinita do homem contra a honra de Deus. E "não atribuir a Deus o que lhe é devido" (i, xi). Sendo uma desobediência indesculpável da conhecida vontade de Deus, o pecado o insulta. "Nada é menos tolerável, na ordem das coisas, do que a criatura tirar a honra devida ao Criador e não retribuir o que tirou" (i, xiii). Deus deve agir justamente e, "se não cabe a Deus fazer qualquer coisa injustamente ou fora de ordem, não pertence à sua liberdade ou amor ou vontade perdoar sem punição ao pecador que não retribui a Deus o que tomou" (i, xii); "Deus não mantém nada mais justo do que a honra de sua dignidade" (i, xiii), escreveu Anselmo.
Mais tarde escritores chamaram a atenção para os perigos em tal linguagem — imaginar um padrão fora de Deus que deva ser satisfeito ou restringir o significado da Cruz a uma simples transação de débito. Mas Anselmo não era tão simplista assim. Ele sabia que o padrão que precisava ser satisfeito é o próprio caráter de Deus, o que ele é em si mesmo mas expressa externamente em sua lei. Ele também sabia que a linguagem a respeito de pagar um débito é somente metafórica. O que é importante é que no início de seu trabalho Anselmo chamava a atenção para um ponto absolutamente indispensável — que para entender a Cruz devemos começar considerando a seriedade do pecado. Se não entendemos a seriedade do pecado, consideraremos que tudo o que Deus precisa fazer é nos perdoar e, na verdade, que ele nos deve o perdão. "Nós perdoamos outras pessoas," pensamos. "Por que Deus não deveria apenas nos perdoar?"

Isto é o que está por trás das bem conhecidas palavras do filósofo francês Voltaire, que expressou a visão superficial de Deus que a maioria dos modernos têm, quando gracejou: "Dieu pardonnera, c'est son métier!" ("Deus perdoará; este é o trabalho dele!"). Mas Deus não pode "apenas perdoar", e só pensar assim já é uma ofensa. Emil Brunner compreendeu bem quando disse a respeito da observação de Voltaire que nunca houve "um comentário tão ímpio". Por que? Porque "não existem condições humanas nas quais tenhamos o direito de querer que Deus nos perdoe como era de se esperar". Anselmo disse que se qualquer um imagina que Deus pode simplesmente nos perdoar, aquela pessoa "não tem ainda considerado que peso pesado o pecado é" (nondum considerasti quanti ponderis sit peccatum, i, xxi).

O que pode ser feito? Obviamente Deus deve nos salvar. Não podemos conseguir salvação por nós mesmos, porque nós mesmos fomos quem procuramos o problema em primeiro lugar. E nós o fizemos por causa de nossa rebelião contra os decretos de Deus. Além do mais, sofremos pelas conseqüências do pecado em tal nível que até nossa vontade é limitada; portanto, não podemos nem querer agradar a Deus, muito menos agradá-lo. Por outro lado, disse Anselmo — aparentemente contradizendo-se neste primeiro ponto —, a sal¬vação deve ser conseguida pelo homem, pois o homem é o que tem errado com Deus e quem então deve fazer o errado certo. Dada esta situação, a salvação pode somente ser alcançada por aquele que é ambos: Deus e homem, isto é, por Jesus Cristo:

Não seria correto para a restauração da natureza humana ser deixada arruinada e... isto não poderia ter sido feito a menos que o homem pagasse o que devia a Deus pelo pecado. Mas o débito era tão grande que, enquanto o homem sozinho o devia, somente Deus poderia pagá-lo, de forma que a mesma pessoa devia ser homem e Deus. Assim era necessário a Deus assumir a humanidade na unidade de sua pessoa, de forma que quem em sua própria natureza tinha que pagar e não era capaz, pôde estar em uma pessoa que era... A vida deste homem foi tão sublime, tão preciosa, que foi suficiente para pagar o que era devido pelos pecados do mundo todo, e infinitamente mais.

A doutrina de Anselmo não deve ser mal entendida, como muitos teólogos a tem mal interpretado, em alguns casos intencionalmente. Se pudermos manter em nossas mentes a questão da satisfação, devemos nos lembrar de que é Deus quem inicia e leva a cabo esta ação. Se esquecermos disto, podemos nos achar pensando em Deus de alguma forma remota com relação à Expiação e então somente requerendo-a de alguma pobre vítima como um preço arbitrário pago para satisfazer sua honra ferida ou um conceito abstrato de justiça. Deus não é rígido, severo e cruel. Pelo contrário, é pelo imenso mas inexplicável amor de Deus que ele projetou e então executou a Expiação. Entretanto, a doutrina de uma satisfação feita por Deus Filho para Deus Pai em favor dos pecadores é o ponto inicial essencial para o entendimento do significado da cruz, porque é somente o conceito de satisfação que leva o pecado a sério. Pecado é uma ofensa infinita contra o caráter absolutamente justo de Deus, e qualquer plano adequado de salvação deve satisfazer a Deus antes de tudo. Os melhores teólogos sempre viram isto.

Martinho Lutero expressou isto quando escreveu: "Desde que todos nós, nascidos em pecado e inimigos de Deus, nada merecemos a não ser a ira eterna e o inferno de tal forma que tudo o que somos e podemos fazer é detestável, e não há maneira de sair deste apuro... portanto outro homem teve de entrar em nosso lugar, a saber Jesus Cristo, Deus e homem, e teve de satisfazer e fazer pagamento pelo pecado através de seu sofrimento e morte."

Este é o significado essencial de textos tais como:

...o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (Mc 10.45).

Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (Gl 3.13).

...sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo (IPe 1.18,19).

Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra (Ap 5.9,10).

Cada um destes versos fala de pagar um preço necessário, satisfazendo uma exigência apropriada, ou fazendo uma compra. Assim, cada um tem a ver com providenciar satisfação a Deus pelo débito que temos com ele.

Fonte: [Josemar Bessa]

6 de ago. de 2010

Morrendo por nossa Liberdade - John Piper



Algumas passagens das Escrituras são tão cheias de verdades cruciais que merecem mais atenção do que outras no sentido de serem memorizadas, consideradas e proclamadas.Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida. (Hb 2.14,15).
Estes dois versículos de Hebreus colocam diante de nós uma seqüência das maiores realidades do mundo. Sabê-los de cor, e saber o que eles significam é um benefício maior do que a maior prosperidade da terra. Demore-se por um momento em cada frase.
Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue...

O vocábulo filhos é tomado do versículo anterior e se refere à descendência espiritual de Cristo, o Messias (ver Is 8.18; 53.10). São também os filhos de Deus. Ao enviar Cristo ao mundo, Deus tinha especialmente em vista a salvação de seus filhos. É verdade que "Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito" (Jo 3.16). Mas também é verdade que Deus estava reunindo "os filhos de Deus, que andam dispersos" (Jo 11.52) e que Jesus deu sua vida pelas ovelhas (Jo 10.15). O desígnio de Deus era oferecer Cristo ao mundo para realizar a salvação dos seus filhos (1 Tm 4.10). Você pode experimentar a adoção como filho de Deus por receber a Cristo (Jo 1.12).
Destes [carne e sangue] também ele, igualmente, participou...
Cristo existia antes da encarnação. Ele era espírito. Era a Palavra eterna. Estava com Deus e era Deus (Jo 1.1; Cl 2.9), mas assumiu a carne e o sangue, vestindo a sua divindade de humanidade. Cristo se tornou completamente homem e permaneceu totalmente Deus. De muitas maneiras, isto é um grande mistério, mas está no âmago de nossa fé, e é o ensino das Escrituras.
Para que, por sua morte...
A morte foi a razão por que Cristo se tornou homem. Como Deus, Cristo não podia morrer pelos pecadores. Mas, como ho mem, Ele poderia. Seu alvo era morrer. Por conseguinte, Ele teve de nascer como homem. Nasceu para morrer. A Sexta-Feira da Paixão é a razão de ser do Natal. Cristo aceitou espontaneamente a morte. Era a intenção dEle. A morte não O pegou de surpresa. O sofrimento e a morte de Cristo estavam planejados pelo Pai desde a antigüidade. Isaías 53 os descreveu, com alguns detalhes, centenas de anos antes de acontecerem. Jesus escolheu tornar-se homem para que morresse.
Destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo...
Ao morrer, Cristo tornou ineficaz o poder do diabo. Como? Por cobrir todo o nosso pecado. Isto significa que Satanás não tem fundamentos legítimos para nos acusar diante de Deus. "Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? E Deus quem os justifica" (Rm 8.33). Com que base Ele nos justifica? Por meio do sangue de Jesus (Rm 5.9). A arma fundamental de Satanás contra nós é o nosso próprio pecado. Mas, o que aconteceu na cruz anula o poder condenador de nosso pecado. "[Deus] tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz" (Cl 2.14). Se a morte de Jesus remove o poder condenador de nosso pecado, a principal arma de Satanás é tirada de suas mãos. Ele não pode mais argumentar em favor de nossa penalidade de morte, porque o Juiz nos inocentou por meio da morte de seu Filho! O aguilhão da morte foi destruído: nossos pecados foram perdoados, e a Lei, satisfeita (1 Co 15.56-57).
E livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida.
Portanto, estamos livres do pavor da morte. Deus nos justificou. Satanás não pode reverter esse decreto. E Deus quer que a nossa segurança tenha um efeito imediato em nossa vida. Ele tenciona que a felicidade final remova a escravidão e o temor do presente. Se nãoprecisamos temer nosso último e maior inimigo, a morte, não precisamos temer coisa alguma. Podemos ser livres. Livres para o gozo. Livres para os outros.
Cristo morreu — considere este preço — para que você não tema. Avaliada pelo tamanho do sacrifício, a intensidade do compromisso de Deus com a nossa ausência de temor — a nossa liberdade — é imensurável. Aproprie-se dela. Desfrute-a. O poder libertador de Deus resplandecerá à medida que você experimentar a liberdade de vida.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...