26 de mai. de 2010

Não nos Pertencemos – João Calvino


- Somos do Senhor -

1.         A lei divina contém um plano adequado e ordenado para a regulação de nossa vida; porém nosso Pai celestial quer dirigir os homens por meio de um princípio-chave excelente.

É dever de todo crente apresentar seu corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, como indica a Escritura. Nisto consiste a verdadeira adoração.

O princípio da santidade nos leva à seguinte exortação: "Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus."

É muito importante estarmos consagrados e dedicados ao Senhor, pois isso significa que pensamos, falamos, meditamos ou fazemos qual¬quer coisa tendo como motivo principal a glória de Deus.

Recordemos que àquilo que é sagrado não se pode aplicar usos impuros sem cometer séria injustiça e agravo a Deus.

2.         Se não nos pertencemos a nós mesmos, mas pertencemos ao Senhor, devemos fugir daquelas coisas que lhe desagradam e processar nossas obras e nossos feitos como tudo aquilo que Ele aprova.

Baseando-nos no fato de que não nos pertencemos, teríamos que aceitar que nem nossa razão nem nossa vontade deveriam guiar-nos em nossos pensamentos e ações.

Se não nos pertencemos, não temos que buscar a satisfação dos apetites de nossa carne.

Se não nos pertencemos, então, esqueçamos de nós mesmos e de nossos interesses o quanto nos seja possível.

Pertencemos a Deus; portanto, deixemos de lado nossa conveniência e vivamos para Ele, permitindo que Sua sabedoria guie e domine todas as nossas ações.

Se pertencemos ao Senhor, deixemos que cada parte de nossa existência seja dirigida por Ele. Esta deve ser nossa meta suprema.

3.         Quanto tem avançado aquele homem que tem aprendido a não pertencer-se a si mesmo, nem a ser governado por sua própria razão, mas que rende e submete sua mente a Deus!

O veneno mais efetivo que leva os homens à ruína é o fato de jactarem-se em si mesmos, no poder e na sabedoria humana. A única saída para safarem-se deste auto-engano é simplesmente seguir as instruções do Senhor.

Nosso primeiro passo deveria ser o de aplicar toda nossa força a serviço do Senhor.

4.         O serviço do Senhor não só implica uma autêntica obediência, como também a vontade de pôr a parte os desejos pecaminosos e render-se completamente ao governo do Espírito Santo.

A transformação de nossas vidas por meio do Espírito Santo é o que Paulo chama de renovação da mente. Este é o verdadeiro princípio da vida que os filósofos deste mundo desconhecem.

Os filósofos pagãos põem a razão como o única guia da vida, da sabedoria e da conduta, porém a filosofia cristã nos requer que renda¬mos nossa razão ao Espírito Santo, o que significa que já não vivemos para nós mesmos, mas que Cristo vive e reina em nosso ser. 

Ver Rom. 4.23; Gál. 2.20.

Fonte:[O Calvinismo]

ELE é o Tesouro - DWYL - John Piper


Fonte:[Youtube]

23 de mai. de 2010

Para que Ninguém se Vanglorie - João Calvino


 “Porque pela graça tendes sido salvos”.(Ef 2.8-10). Essa é, por assim dizer, a inferência das afirmações anteriores. Pois ele tratara da eleição e da vocação gratuita, visando a chegar à conclusão de que haviam obtido a salvação unicamente através da fé. Primeiramente, ele assevera que a salvação dos efésios era inteiramente a obra - e obra gratuita - de Deus; eles, porém, alcançaram essa graça por meio da fé. De um lado, devemos olhar para Deus; de outro, para o homem. Deus declara que não nos deve nada; de modo que a salvação não é um galardão ou recompensa, mas simplesmente graça. Ora, pode-se perguntar: como o homem recebe a salvação que lhe é oferecida pelas mãos divinas? Eis minha resposta: pela instrumentalidade da fé. Daí o apóstolo concluir que aqui nada é propriamente nosso. Da parte de Deus é graça somente, e nada trazemos senão a fé, a qual nos despe de todo louvor, então segue-se que a salvação não procede de nós.
Não seria, pois, aconselhável manter silêncio acerca do livre-arbítrio, das boas intenções, das preparações inventadas, dos méritos e das satisfações? Nenhum desses deixa de reivindicar a participação no louvor da salvação do homem; de modo que o louvor devido à graça, no dizer de Paulo, não seria integral. Quando, por parte do homem, é posto exclusivamente na fé como única forma de se receber a salvação, então o homem rejeita todos os demais meios nos quais o ser humano costuma confiar. A fé, pois, conduz a Deus um homem vazio, para que o mesmo seja plenificado com as bênçãos de Cristo. E assim o apóstolo adiciona: “não vem de” vós; para que, nada reivindicando para si mesmos, reconheçam unicamente a Deus como o Autor de sua salvação.
“É o dom de Deus”. Em vez do que havia dito, que a salvação deles é de graça, ele agora afirma que ela é o dom de Deus. Em vez do que havia dito, "não vem de vós", ele agora diz: “não [vem] de obras”. Daí descobrimos que o apóstolo não deixa ao homem absolutamente nada em sua busca da salvação. Pois nessas três frases o apóstolo envolve a substância de seu longo argumento nas Epístolas aos Romanos e aos Gálatas, ou seja: que a justiça que recebemos procede exclusivamente da misericórdia de Deus, a qual nos é oferecida em Cristo através do evangelho, e a qual é recebida única e exclusivamente por meio da fé, sem a participação do mérito procedente das obras.
A luz desta passagem torna-se fácil refutar os tolos sofismas pelos quais os papistas tentam esquivar-se do argumento. Paulo, nos dizem eles, está falando acerca de cerimônias, ao dizer-nos que somos justificados sem [a participação de] obras [humanas]. Mas é perfeitamente certo que ele aqui não está tratando de algum gênero de obras, senão que rejeita a total justiça do homem, a qual consiste em obras - mais ainda: a totalidade do homem e de tudo o que ele tem de propriamente seu. E mister que observemos o contraste existente entre Deus e o homem, entre graça e obras. Por que, pois, Deus teria que ser contrastado com o homem, se a controvérsia concerne só a cerimônias?
Os papistas são compelidos a reconhecer que Paulo, aqui, atribui à graça de Deus toda a glória de nossa salvação. Mas a seguir engendram outra idéia, a saber: que isso foi dito em razão de Deus conceder "a primeira graça". Mas são na verdade insensatos ao imaginarem que terão sucesso nessa vereda, visto que Paulo exclui o homem e suas faculdades, não só do ponto de partida na obtenção da salvação, mas [o exclui] totalmente da própria salvação.
Mas são ainda mais imprudentes omitindo a conclusão: “para que ninguém se vanglorie”. Algum espaço deve sempre ser reservado à vangloria humana, contanto que os méritos sejam de alguma valia à parte da graça. A afirmação de Paulo não pode vigorar, a menos que todo o louvor seja dedicado somente a Deus e à sua misericórdia. Comumente, porém, torcem o sentido deste texto e restringem a palavra 'dom' exclusivamente à fé. Mas Paulo não faz outra coisa senão reiterar sua afirmação anterior, usando outros termos. Ele não quer dizer que a fé é o dom de Deus, mas que a salvação nos é comunicada por Deus; ou, que tomamos posse dela mediante o dom divino.
“Porque somos obra sua”. Ao excluir o contrário, o apóstolo prova o que diz, ou seja, que somos salvos pela graça, dizendo que nenhuma obra nos é de alguma utilidade para merecermos a salvação, porque todas as boas obras que porventura possuímos são os frutos da regeneração. Daí, segue-se que as próprias obras são uma parte da graça. Ao dizer que somos obra de Deus, sua intenção não é considerar a criação em geral, por meio da qual as pessoas nascem, senão que assevera que somos novas criaturas, as quais são formadas para a justiça pelo poder do Espírito de Cristo, e não pelo nosso próprio. Isso se aplica somente no tocante aos crentes, os quais, ainda que nascidos de Adão, ímpios e perversos, são espiritualmente regenerados pela graça de Cristo, e então começam a ser um novo homem. Portanto, tudo quanto em nós é porventura bom, provém da obra supernatural de Deus. E segue-se uma explicação; pois ele adiciona que somos obra de Deus em razão de sermos criados, não em Adão, mas em Cristo, e não para qualquer tipo de vida, mas para as boas obras.
E agora, o que fica para o livre-arbítrio, se todas as boas obras que de nós procedem foram comunicadas pelo Espírito de Deus? Que os leitores piedosos avaliem prudentemente as palavras do apóstolo. Ele não diz que somos assistidos por Deus. Ele não diz que a vontade é preparada e que, então, age por sua própria virtude. Ele não diz que o poder de escolher corretamente nos é conferido e que temos, a seguir, de fazer nossa própria escolha. Esse é o procedimento daqueles que tentam enfraquecer a graça de Deus (até onde podem), os quais estão habituados a sofismar. Mas o apóstolodiz que somos obra de Deus, e que tudo quanto de bom exista em nós é criação dele. O que ele pretende dizer é que o homem como um todo, para ser bom, tem de ser moldado pelas mãos divinas. Não a mera virtude de escolher corretamente, nem alguma preparação indefinida, nem assistência, mas é a própria vontade que é feitura divina. De outro modo, o argumento de Paulo seria sem sentido. Ele tenciona provar que o homem de forma alguma busca a salvação por sua própria iniciativa, mas que a adquire gratuitamente da parte de Deus. A prova consiste em que o homem nada é senão pela graça divina. Quem quer, pois, que apresente a mais leve reivindicação em favor do homem, excluindo a graça de Deus, lhe atribui a habilidade de obter a salvação.
“Criados para boas obras”. Os sofistas, desviando-se do pensamento de Paulo, torcem este texto com o propósito de injuriar a justiça [procedente] da fé. Envergonhados de negar honestamente que somos justificados pela fé e cônscios de que fariam isso em vão, buscam guarida no seguinte gênero de subterfúgio: Somos justificados mediante a fé, porque a fé pela qual recebemos á graça de Deus é o ponto de partida da justiça; mas nos tornamos justos por meio da regeneração, porque, sendo renovados pelo Espírito de Cristo, andamos em boas obras. E assim fazem da fé a porta pela qual nos introduzimos na justiça, mas acreditam que a obtemos por meio das obras; ou, ao menos, definem justiça como sendo retidão, quando alguém é reformado para uma vida boa. Não me preocupa quão antigo esse erro venha ser; o fato é que o erro deles consiste em buscar neste texto apoio para tal conceito.
E mister que descubramos o propósito do apóstolo. Sua intenção é mostrar que nada levamos a Deus pelo quê ele fique endividado em relação a nós; mostra ainda que até mesmo as boas obras que praticamos procedem dele. Daí, segue-se que nada somos, senão por sua graciosa liberalidade. Ora, quando esses sofistas inferem que somos meio justificados através das obras, o que tem isso a ver com a intenção de Paulo ou com o tema que ora desenvolve? Uma coisa é discutir em que consiste a justiça, e outra é estudar a doutrina que não procede de nós mesmos, com o argumento de que nas boas obras não há nada procedente de nós, salvo o fato de que fomos moldados pelo Espírito de Deus para tudo o que é bom, e isso através da graça de Cristo. Quando Paulo define a causa da justiça, ele insiste principalmente neste ponto: que nossas consciências jamais desfrutarão de paz até que descansemos no perdão de nossos pecados. Mas aqui ele não trata de nada desse gênero. Todo o seu objetivo é provar que somos o que somos unicamente pela graça de Deus.
As “quais Deus de antemão preparou”. Isto não se aplica ao ensino da lei, como o fazem os pelagianos, como se Paulo quisesse dizer que Deus ordena o que é justo e delineia uma regra apropriada de vida. Ao contrário, ele enfatiza o que começara a ensinar, ou seja, que a salvação não procede de nós mesmos. Diz ele que, antes que nascêssemos, as boas obras haviam sido preparadas por Deus; significando que por nossas próprias forças não somos capazes de viver uma vida santa, mas só até ao ponto em que somos adaptados e moldados pelas mãos divinas. Ora, se a graça de Deus nos antecipou, então toda e qualquer base para vangloria ficou eliminada. Observemos criteriosamente o termo 'preparou'. O apóstolo mostra, à luz da própria seqüência, que, com respeito às boas obras, Deus não nos deve absolutamente nada. Como assim? Porque elas foram extraídas dos tesouros divinos, nos quais haviam sido antes geradas; pois a quem ele chamou, também justifica e regenera. 

Fonte:[O Calvinista]

20 de mai. de 2010

Motivo para levarmos a Cruz - João Calvino


1. Nosso Senhor não foi obrigado a levar a cruz exceto para provar a obediência a Seu Pai. Porém há muitas razões pelas quais nós devemos viver sob a contínua influência da cruz.

Primeiro, posto que somos inclinados por natureza a depositar total confiança em nossas próprias capacidades, a menos que aprendamos lições de nossa própria estupidez, formaríamos uma noção exagerada de nossa força, dando por certo que, passemos o que passarmos, seguiremos permanecendo invencíveis.

Com este tipo de atitude, nos encheríamos, como estúpidos, de uma confiança carnal e vã insuflando-nos de orgulho contra Deus, como se nosso poder fosse suficiente e pudéssemos prescindir de Sua graça.

Não há nenhuma maneira melhor de reprimir esta vaidade do que provando o quanto somos estúpidos e o quanto é frágil e vulnerável nossa natureza humana. Neste caso, é necessário passar pela experiência da aflição. Portanto, Ele nos aflige com humilhação, pobreza, perda de entes queridos, enfermidades ou outras provações.

2. Os mais santos, sabendo que somente podem ser fortes na graça do Senhor, têm um conhecimento mais profundo de si mesmos uma vez que têm passado por muitas provas e dificuldades na vida. O mesmo Davi teve que dizer: "Eu dizia na minha prosperidade: não vacilarei jamais." ( Sal. 30.6.)

Davi afirma que a prosperidade havia obnubilado de tal forma seus sentidos, que deixou de pôr seus olhos na graça de Deus, da qual deveria depender continuamente. Em vez disso, creu que poderia andar por suas próprias forças e imaginou que não cairia jamais.

3. Se isto ocorreu a este grande profeta, qual de nós não deveria ser cuidadoso e temeroso?

Se em meio à prosperidade muitos santos foram congratulados com perseverança e paciência, quando a adversidade quebrou suas resistências, viram que se enganaram a si mesmos.

Advertidos de tais debilidades por tantas evidências, os crentes recebem uma grande bênção por meio da humilhação.

Despojados assim de sua estúpida confiança na carne, se refugiam em Deus, e uma vez que o têm feito, experimentam a presença e a comunhão da divina proteção, que lhes é uma fortaleza inexpugnável.

Fonte:[O Calvinismo]

Nosso Dinheiro e a Credibilidade de Cristo - John Piper


- A credibilidade de Cristo depende de como nós usamos nosso dinheiro -

A questão de dinheiro e estilo de vida não é um assunto secundário na Bíblia. A credibilidade de Cristo no mundo depende dela. "Quinze por cento de tudo que Cristo disse está relacionado a esse tópico - mais do que seus ensinos sobre o céu e o inferno juntos".' Ouça esse refrão que perpassa todos seus ensinos:

          "Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então vem e segue-me" (Mc 10.21).

          "Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus ... Mas ai de vós, os ricos! Porque tendes a vossa consolação" (Lc 6.20,24).

          "Todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo" (Lc 14.33).

          "... é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus" (Lc 18.25).

          "A vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui" (Lc 12.15).

          "Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Mt 6.33).

          "Vendei os vossos bens e dai esmola; fazei para vós bolsas que não desgastem... nos céus" (Lc 12.33).

          "Zaqueu... disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens ... E Jesus lhe disse: 'Hoje houve salvação nesta casa'" (Lc 19.8,9).

          "O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e a compra" (Mt 13.44).

          "... [Jesus] viu certa viúva pobre lançar ali duas pequenas moedas. E disse: 'Verdadeiramente vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos"'(Lc 21.2,3).

          "... Deus lhe disse: 'Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?' Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus" (Lc 12.20,21).

          "As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça... Segue-me" (Lc 9.58,59).


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