9 de mai. de 2010

Deus tem Inimigos?


Por Jorge Fernandes Isah

É interessante que afirmamos o tempo todo ser satanás e o réprobo inimigos de Deus. Damos tanta atenção a alguns aspectos que existe uma legião de crentes capaz de considerar o diabo como um inimigo de Deus, estando no mesmo pé de igualdade, à Sua altura; quase como se fosse um “Deus”. Mas biblicamente, o que nos é dito? Eles são rivais? De certo modo, é verdade. Mas Deus tem inimigos? Sob qual ponto de vista Ele tem inimigos?

A palavra inimigo quer dizer:

1) Segundo o Priberanadj. s. m. 1. Hostil, contrário a. 2. Que aborrece ou quer mal3. Que milita em facção oposta. 4. Com quem se anda em guerra. s. m. 5. Pop. Diabo.

2) Segundo o Michaelisadj (lat inimicu) 1. Que não é amigo. 2. Adverso, contrário, hostil. 3.Indisposto, malquistado. 4. Adversário. sup abs sint: inimicíssimo. sm 1. Pessoa que tem inimizade a alguém. 2. Nação, tropa, gente com quem se está em guerra. 3. O diabo, o demônio. 4. O que tem aversão a certas coisas.

Definido o termo, há dois aspectos a serem ponderados:
1)  Num sentido, Deus tem inimigos, como a própria Bíblia afirma. Se considerarmos que satanás e os réprobos fazem oposição a Ele, desobedecendo-o, em rebeldia, entendemos que há inimizade entre eles. Como os desejos do diabo e dos ímpios serão sempre contrários aos divinos, podemos declarar que o Senhor tem inimigos. E, na verdade, Deus odeia tudo quanto eles fazem [logo, odeia-os também], porque suas ações são sempre antagônicas à santidade e perfeição divinas.

2) Em outro sentido, não há como sustentar a afirmação. Por que? Tanto o diabo como os réprobos foram criados com um propósito claro e definido. Como criaturas, estão sujeitos à vontade do Criador, e não são seres autônomos que podem fazer o que lhes “der na telha”, mas estão a cumprir rigorosamente todo o plano soberano de Deus, sem que nenhum dos seus atos e vontade estejam alheios a Ele, que os mantém sob o Seu serviço, às Suas ordens, como subordinados e completamente dependentes dEle. Portanto, o Senhor não tem inimigos, mas subalternos.

Parece algo conflituoso, mas não é. Veja bem: do ponto de vista de se oporem a Deus, de trabalharem contra, dando vazão à natureza rebelde, e assim desobedecê-lo, satanás e os réprobos são inimigos. Mas dentro do decreto eterno, onde todas as coisas, inclusive os anjos caídos e os ímpios, encontram-se na categoria de forjados, talhados e moldados pelo Criador para cumprirem Seus santos e perfeitos desígnios... sendo como tudo o mais criação e criaturas; sendo o poder delas proveniente, secundário e ordenado; sendo o Senhor Todo-Poderoso e não havendo“força” que possa confrontá-lo, nem impedi-lo de realizar qualquer dos seus propósitos... Deus não tem inimigos. Deve-se frisar que mesmo os atos pecaminosos e frontalmente contrários a Deus, executados pelas criaturas, foram por Ele determinados e ordenados antes da fundação do mundo.

Qual demônio ou mesmo legiões de demônios, homem ou elemento da natureza pode agir livremente e eficientemente impugná-lo? Quando digo livremente, estou a dizer a possibilidade de uma vontade neutra, sem coerção ou influências, o que, entre as criaturas, é impossível. Todos, sem exceção, até mesmo Adão e Eva no Éden estão sujeitos a algum tipo de constrangimento; quanto aos elementos da natureza, eles não têm vontade, logo, não lhes é possível fazer escolhas.

Deve-se entender que a natureza caída do homem exerce influência nele, e ele se opõe pela força da sua natureza, a qual o leva a escolher se rebelar. Com isso não quero dizer que o homem é escravo de sua natureza, no sentido de dominá-lo à força, mas o intelecto, as vontades e decisões trabalham em comum acordo, em sintonia, cumprindo o intento de se rebelar contra Deus assim como a natureza pecaminosa do homem quer fazê-lo.

Por eficiência, digo que se refere ao fato do homem se rebelar e levar a melhor contra Deus, tendo a mais insignificante e irrisória possibilidade de vitória. Ninguém pode derrotá-lo. Ainda que alguns achem possível, e o diabo especialmente parece disposto e empenhado em infligir-lhe um revés... Como isso aconteceria?

Criaturas não-eternas não podem vencer o Eterno. Criaturas não-infalíveis não podem vencer o Infalível. Criaturas não-soberanas não podem vencer o Soberano. Criaturas não-santas não podem vencer o Santo. Criaturas não-perfeitas não podem vencer o Perfeito. Em todos os aspectos, satanás e os réprobos já estão derrotados, antes mesmo da fundação do mundo; na verdade, foram criados para a perdição eterna, a derrocada inevitável, sem a menor chance de vitória.

Portanto, pode Deus ter inimigos? Sim e não. Não há nenhum paradoxo ou mistério nesta assertiva. Apenas são faces diferentes de uma mesma moeda, na qual Deus usa de uma linguagem antropomórfica para que entendamos a Sua relação como Criador com a obra de Suas mãos: anjos, homens e a natureza. No fundo, tudo se resume em: ainda que Deus tenha inimigos, eles nada podem fazer contra Ele, pois, na condição de servos, resta-lhes obedecê-lo ainda que na desobediência. Se quisesse, o Senhor já tê-los-ia destruído, assim como tudo o que criou e que pode ser chamado e colocado no rol de "inimigo".

Deus não tem inimigos pois não há ninguém, nem força alguma capaz de confrontá-lO; algo que possa, de alguma forma e alheio ao Seu controle, opor-se deliberadamente. Ou seja, nada se resolve sem a aquiescência divina; nenhum ato é possível independente dEle; mesmo o mal, o pecado, a rebeldia, a obstinação pecaminosa, todos foram traçados e estão diante dos Seus olhos eternamente.

E assim, quer por bem ou por mal, o homem, seja natural ou espiritual, glorifica-lo-á,  assentindo ou não, na salvação ou condenação, pois toda a vontade decretiva divina se cumprirá inexorável e infalivelmente. Por que, no fim, toda a criação objetiva a glória de Deus.

E Ele é e será glorificado; ontem, hoje, sempre.



Fonte: [Kálamos]

6 de mai. de 2010

O Novo Nascimento e a Obrigação do Pregador - John Owen





John Owen (1616–1683)

A obra do Espírito de Deus na regeneração da alma dos homens deve ser analisada diligentemente pelos pregadores do evangelho e por todos a quem a Palavra é outorgada.

Quanto aos pregadores, eles têm uma razão peculiar para atentarem a este dever, pois são usados e empregados nesta obra pelo Espírito de Deus, que os utiliza como instrumentos para a realização deste novo nascimento e vida. O apóstolo Paulo se intitulou pai daqueles que foram convertidos a Deus ou regenerados por meio da Palavra de seu ministério: “Porque, ainda que tivésseis milhares de preceptores em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; pois eu, pelo evangelho, vos gerei em Cristo Jesus” (1 Co 4.15). Ele foi usado no ministério da Palavra para a regeneração daqueles crentes e, portanto, era seu pai espiritual; e somente ele o era, embora mais tarde o trabalho tenha sido levado adiante por outros.

E, se homens são, no evangelho, pais de convertidos a Deus por meio do ministério pessoal deles, não há qualquer vantagem para alguém ter assumido, um dia, esse título se não teve qualquer envolvimento nessa obra, nem no seu sucesso. Assim, falando sobre Onésimo, que foi convertido por ele na prisão, Paulo o chama de seu filho, a quem havia gerado entre algemas (Fm 10). E declarou que isso lhe havia sido prescrito como o principal objetivo de seu ministério, que incluía a comissão de pregar o evangelho (At 26.17-18). Cristo disse-lhe: “Eu te envio, para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus”; essas palavras descrevem a obra que estamos considerando. Essa também é a principal finalidade de nosso ministério.

Certamente, é dever dos ministros compreender, tanto quanto puderem, a obra com a qual estão ocupados, para que não trabalhem no escuro nem combatam de forma incerta, como homens que desferem golpes no ar. O que as Escrituras revelam sobre esta obra, a sua natureza e a maneira como se realiza, suas causas, efeitos, frutos, evidências — tudo isso eles devem analisar diligentemente. Ser espiritualmente habilitado nisso é a principal arma de qualquer um para a obra do ministério. Sem esta habilidade, ele nunca estará apto a manejar bem a Palavra nem a apresentar-se como obreiro que não tem de que se envergonhar. Contudo, é raro imaginarmos com que fúria e perversidade de espírito, com que expressões de zombaria toda esta obra é mal interpretada e exposta ao desprezo.

Dizem a respeito daqueles que exercem esta função que eles “prescrevem longas e entediantes conferências de conversão, para declararem precisos e sutis processos de regeneração, visando encher a cabeça das pessoas com inúmeros medos e escrúpulos supersticiosos sobre os devidos graus da contrição piedosa, e os sintomas de uma humilhação completa”.[1] Se algum erro quanto a essas coisas ou a prescrição de regras sobre a conversão a Deus e a regeneração pudesse ser atribuído a certas pessoas específicas que não são asseguradas pela Palavra da verdade; se tudo isso pudesse ser cobrado de pessoas em particular, não seria errado refletir sobre essas regras e refutá-las. Entretanto, a intenção dessas expressões é evidente, e a reprovação contida nelas é lançada na própria obra de Deus. E devo confessar que acredito na degeneração que se aparta da verdade e do poder do cristianismo, na ignorância das principais doutrinas do evangelho e no desprezo lançado, por meio destas e de expressões semelhantes, sobre a graça de nosso Senhor Jesus Cristo por aqueles que não somente se declaram ministros, e também declaram possuir um nível mais elevado que o dos outros, e que serão tristemente agourentos quanto a toda a situação da igreja reformada entre nós, se não forem reprimidos e corrigidos em tempo. Mas, no presente, o que afirmo sobre este assunto é:

1. O dever indispensável de todos os ministros do evangelho é inteirar-se totalmente com a natureza de seu trabalho, para que possam aquiescer à vontade de Deus e à graça do Espírito em sua realização na alma daqueles a quem ministram a Palavra. Também não podem cumprir seu trabalho e obrigação, de maneira correta, sem conhecimento apropriado dele. Se todos que os escutam nasceram mortos em delitos e pecados, se Deus os destinou para serem instrumentos de regeneração dessas pessoas, é uma loucura, da qual será necessário prestar contas um dia, negligenciar uma constante análise da natureza desta obra e dos meios pelos quais ela é realizada. A ignorância e a negligência quanto a esta necessidade, aliadas à carência de uma experiência do poder desta obra na alma deles é uma grande causa da falta de vida e do ministério não aproveitável entre nós.

2. Por semelhante modo, todos a quem a Palavra é pregada têm o dever de investigá-la. É para estes que o apóstolo fala: “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” (2 Co 13.5). A preocupação de todo cristão ou do que professa a religião cristã é provar e examinar em si mesmo a obra que o Espírito de Deus efetuou em seu coração. Ninguém o impedirá de fazer isso, exceto aqueles que desejam enganálos e levá-los à perdição.

(1) A doutrina da obra de pregação nos foi revelada e ensinada: “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Dt 29.29). Não falamos em investigar ou informar-nos, com curiosidade, sobre as coisas ocultas, ou secretas, ou as ações encobertas do Espírito Santo. Falamos apenas sobre um esforço correto para pesquisar e compreender o ensino concernente a esta obra, tendo em vista esta finalidade: que possamos entendê-la.

(2) É muito importante para todos os nossos deveres e confortos que tenhamos um entendimento apropriado da natureza da obra de pregação e de nosso próprio interesse nela. A análise de ambas essas coisas não pode ser negligenciada sem a maior insensatez; a isso podemos acrescentar:

(3) O perigo de que os homens sejam enganados quanto ao assunto da regeneração, ou seja, a base sobre a qual se firmam e dependem o seu estado e condição eternos. É certo que, no mundo, muitos se enganam neste assunto; evidentemente, vivem num destes erros perniciosos: a) que os homens vão para o céu ou que podem “entrar no reino de Deus” sem nascer de novo, o que é contrário ao que nosso Salvador disse (Jo 3.5). b) Outro erro é o pensamento de que os homens podem nascer de novo e continuarem vivendo no pecado, mas isso contradiz 1 João 3.9.

John Owen (1616–1683). Teólogo e pastor congregacional. Seus trabalhos escritos, que totalizam vinte e quatro volumes, estão entre os melhores recursos para estudos teológicos na língua inglesa. Nasceu em Oxfordshire, na vila de Stadham, Inglaterra.
1. ↑ Parker, Samuel. Defense and continuation of the ecclesiastical politie. A. Clark for J. Martyn, 1671. p. 306-307.



Fonte:[Vemver textos]

5 de mai. de 2010

[Doutrinas da Graça] John Piper - Dez Efeitos de Se Crer nos Cinco Pontos do Calvinismo


Dez Efeitos de Se Crer nos Cinco Pontos do Calvinismo

Estes dez pontos são meu testemunho pessoal dos efeitos de se crer nos cinco pontos do Calvinismo. Eu tinha acabado de completar o ensino num seminário sobre este assunto, quando fui solicitado pelos membros da classe para que publicasse essas reflexões, de forma que eles pudessem ter acesso a elas. Estou muito feliz de assim o fazer. Apesar do conteúdo dessas reflexões estar disponível numa fita do Desiring God Ministries, eu o coloquei aqui para um aproveitamento mais amplo, na esperança de que elas possam motivar outros a investigar, como os Bereanos, para ver se a Bíblia ensina o que eu chamo de “Calvinismo”.

1. Estas verdades me fazem permanecer no temor de Deus e me guiam à profundidade da adoração centrada em Deus.

Eu me recordo o tempo quando eu primeiramente observei, enquanto ensinava Efésios no Colégio Betel no final da década de 70, a tripla declaração do objetivo de toda obra de Deus, a saber, “para o louvor da glória de Sua graça” (Efésios 1:6,12,14).

Isto me leva a ver que não podemos enriquecer a Deus e que, portanto, Sua glória brilha mais claramente, não quando tentamos satisfazer Suas necessidades, mas quando estamos satisfeitos nEle, como a essência de nossos feitos. “Porque dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas. Glória pois a Ele eternamente” (Romanos 11:36). A adoração se torna um fim em si mesma.

Isto tem me feito sentir quão fracas e inadequadas são minhas afeições, de forma que os Salmos de desejos tornam-se vivos e fazem a adoração intensa.

2. Essas verdades ajudam a me proteger de brincar com as coisas divinas.

Uma das maldições de nossa cultura é a banalidade, atração, inteligência. A televisão é o principal sustentador de nosso vício à superficialidade e trivialidade.

Deus é varrido nisto. Por conseguinte, a brincadeira com as coisas divinas.

Seriedade não é excessiva em nossos dias. Ela pode alguma vez ter sido. E, sim, há desequilíbrios em certas pessoas hoje, que parecem não ser capazes de relaxar e falar sobre o tempo.

Robertson Nicole disse de Spurgeon, "O evangelismo do tipo humorístico [poderíamos dizer crescimento de igreja do tipo marketing] pode atrair multidões, mas ele reduz a alma a cinzas e destrói os genuínos germes da religião. O Sr. Spurgeon é freqüentemente considerado por aqueles que não conhecem seus sermões, como tendo sido um pregador humorista. Para dizer a verdade, não houve nenhum pregador cujo tom fosse mais informalmente sério, reverente e solene” (Citado na Supremacia de Deus na Pregação, p. 57).

3. Estas verdades fazem com que me maravilhe com minha própria salvação.

Após expor a grande obra de salvação de Deus em Efésios 1, Paulo ora, na última parte deste capítulo, para que o efeito desta teologia seja a iluminação de nossos corações, para que nos maravilhemos na nossa esperança, e nas riquezas da glória de nossa herança, e no poder de Deus que opera em nós – isto é, o poder para ressuscitar os mortos.

Todo motivo de vanglória é removido. Alegria e gratidão de um coração quebrantado abundam.

A piedade de Jonathan Edwards começa a crescer. Deus nos dá uma prova de Sua própria majestade e nossa própria perversidade e então, a vida Cristã se torna uma coisa muito diferente da piedade convencional. Edwards a descreve belamente quando ele diz,

“Os desejos dos santos, embora sérios, são desejos humildes: sua esperança é uma esperança humilde, e sua alegria, mesmo quando ela é indizível, e cheia de glória, é humilde, uma alegria de um coração quebrantado, e deixa o Cristão mais pobre em espírito, e mais semelhante a uma pequena criança, e mais disposto a uma submissão universal de comportamento (Religious Affections, New Haven: Yale University Press, 1959, pp. 339s).

4. Estas verdades me fazem alerta para os substitutos antropocêntricos que se apresentam como boas novas.

Em meu livro, Os Prazeres de Deus (2000), pp. 144-145, eu mostro que no século XVIII, na Nova Inglaterra, o declínio da crença na soberania de Deus levou ao Arminianismo, e então ao universalismo, e então ao Unitarismo. A mesma coisa aconteceu na Inglaterra no século XIX, após Spurgeon.

O livro de Iain Murray, Jonathan Edwards: Uma Nova Biografia (Edinburgh: Banner of Truth, 1987), p. 454, documenta a mesma coisa: “As convicções calvinistas diminuíram na América do Norte. No progresso do declínio que Edwards tinha com razão alertado de antemão, aquelas igrejas Congregacionais da Nova Inglaterra que tinham abraçado o Arminianismo após o Grande Despertamento, gradualmente se moveram para o Unitarismo e universalismo, guiados por Charles Chauncy”.

Você pode ler também no livro de J.I. Packer, Quest for Godliness [1] (Wheaton, IL: Crossway Books, 1990), p. 160, como Richard Baxter abandonou estes ensinamentos e como as gerações seguintes colheram uma colheita amarga na igreja de Baxter, em Kidderminster.

Estas doutrinas são um baluarte contra os ensinamentos antropocêntricos em muitas formas, que gradualmente corrompem a igreja e a fazem fraca internamente, enquanto tudo parece forte ou popular.

1 Timóteo 3:15, "A igreja do Deus vivo [é] o pilar e o baluarte da verdade”.

5. Estas verdades me fazem gemer diante da indescritível doença de nosso século: uma cultura que faz pouco caso de Deus.

Eu dificilmente posso ler o jornal ou ver um anúncio na TV ou na billboard [2] sem sentir o peso de que Deus está ausente.

Quando Deus é a principal realidade no universo e é tratado como uma não-realidade, eu tremo diante da ira que está sendo entesourada. Eu sou capaz de ficar chocado. Muitos cristãos estão sedados com a mesma droga que o mundo está. Mas estes ensinos são um grande antídoto.

E eu oro por despertamento e avivamento.

E tento pregar para criar um povo que são tão saturados de Deus, que eles mostrarão e falaram sobre Deus em tudo lugar, e em todo tempo.

Nós existimos para reafirmar a realidade de Deus e a supremacia de Deus em tudo da vida.

6. Estas verdades me fazem confiar que a obra que Deus planejou e começou, Ele terminará – tanto globalmente como pessoalmente.

Este é o ponto de Romanos 8:28-39.

E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou. Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica; Quem os condenará? Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós; quem nos separará do amor de Cristo? a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia todo; fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.

7. Estas verdades me fazem ver tudo à luz dos propósitos soberanos de Deus – Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente.

Tudo da vida se relaciona com Deus. Não há compartimento onde Ele não seja todo-importante e Aquele que dá significado à todas as coisas. 1 Coríntios 10:31.

Vendo o soberano propósito de Deus se desenvolvendo na Escritura, e ouvindo Paulo dizer que “Ele faz todas as coisas segundo o conselho de Sua vontade” (Efésios 1:11) me faz ver o mundo desta maneira.

8. Estas verdades me fazem esperançoso de que Deus tem a vontade, o direito e o poder de responder orações para que as pessoas sejam transformadas.

A garantia de oração é que Deus pode interromper e mudar as coisas – incluindo o coração humano. Ele pode mudar a vontade ao redor. “Santificado seja Teu nome” significa: faça com que as pessoas santifiquem Seu nome. “Possa Sua palavra correr e ser glorificada” significa: faça com que os corações sejam abertos para o evangelho.

Devemos tomar as promessas do Novo Concerto e implorar a Deus para que as cumpra em nossas crianças e em nossos vizinhos, e entre todas os campos missionários do mundo.

“Deus, tire o coração de pedra deles e lhes dê um coração de carne” (Ezequiel 11:19).

“Senhor, circuncide os seus corações, para que eles Te amem” (Deuteronômio 30:6).

“Pai, coloque Teu Espírito dentro deles e faça com que eles andem em Teus estatutos” (Ezequiel 36:27).

“Senhor, conceda-lhes arrependimento e o conhecimento da verdade, para que eles possam espaçar das ciladas do diabo” (2 Timóteo 2:25-26).

“Pai, abras os seus corações, para que eles creiam no evangelho” (Atos 16:14).

9. Estas verdades me fazem lembrar que o evangelismo é absolutamente essencial para que as pessoas venham a Cristo e sejam salvas, e que há grande esperança para o sucesso no conduzir as pessoas à fé, mas que a conversão não é, no final das contas, dependente de mim ou limitada pela dureza do incrédulo.

Assim, isto dá esperança ao evangelismo, especialmente nos lugares difíceis e entre povos duros.

João 10:16, " Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; a essas também me importa conduzir, e elas ouvirão a minha voz”

Isto é obra de Deus. Se arremesse nela com abnegação.

10. Estas verdades me asseguram de que Deus triunfará no fim.

Isaías 46:9-10: “Eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antigüidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade;

Resumindo todos estes pontos: Deus recebe a glória e nós a alegria,

NOTAS DO TRADUTOR

[1] - Publicado no Brasil pela Editora Fiel, com o título “Entre os Gigantes de Deus: Uma Visão Puritana da Vida Cristã”.

[2] - Revista semanal americana dedicada à música e às gravadoras (inclui a colocação semanal das músicas mais pedidas e os álbuns mais vendidos).





Por John Piper. © Desiring God. Website: desiringGod.org
Tradução : Felipe Sabino de Araújo Neto. Website: monergismo.com

Especial Doutrinas da Graça

A graça de Deus não encontra homens aptos para a salvação,
mas torna-os aptos a recebê-la. (Agostinho)

3 de mai. de 2010

John Piper - Considere a vossa Vocação.


Fonte: [Youtube]

Não importa o que me Aconteça - John Piper




Meditação sobre João 12.24-25









Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna.

Não importa o que me aconteça — essas são as palavras que permanecem me ocorrendo, quando tento explicar qual era a intenção de Jesus ao falar as palavras de João 12.24-25. Primeiramente, existe uma chamada para morrermos. Se temos de produzir fruto para Deus, precisamos morrer. Ora, quando eu morrer, não me preocuparei com o que acontecerá ao meu corpo. Não fará qualquer diferença para mim. Estarei em casa, com Jesus. Isso também é verdade agora, se eu já morri com Cristo, como os demais crentes. "E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências" (Gl 5.24). Crucificaram significa morreram. Assim, em um sentido profundo, estou morto na terra. Minha vida "está oculta juntamente com Cristo, em Deus" (Cl 3.3). Por isso, não importa o que aconteça comigo na terra.
Em segundo, existe uma coisa estranha chamada "odiar a sua vida neste mundo". "Aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna" (Jo 12.25). O que isso significa? No mínimo, significa que você não se inquieta com sua vida nestemundo. Em outras palavras, não se importa muito com o que acontece à sua vida neste mundo.
Se os homens falam bem de você, isso não tem grande importância. Se o odeiam, você não se incomoda com isso. Se você possui um monte de coisas, isso não importa tanto, se é pobre, tal condição não o inquieta. Se é perseguido ou as pessoas mentem a seu respeito, você não se importa com isso. Se é famoso ou desconhecido, não importa muito. Se está morto, essas coisas simplesmente não importam muito.
No entanto, isto é ainda mais radical. Há algumas escolhas que devemos fazer neste mundo, e não somente experiências passivas. Jesus prosseguiu e disse: "Se alguém me serve, siga-me" (Jo 12.26). Para onde? Ele se dirige ao Getsêmani e à cruz. Ele não está apenas dizendo: "Se as coisas ficarem ruins, não fiquem aflitos, pois já estão mortos". Ele está dizendo: "Escolham morrer comigo. Decidam odiar a própria vida neste mundo, da mesma maneira como Eu escolhi a cruz".
Isto é o que Jesus queria dizer quando falou: "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me" (Mt 16.24). Ele nos chama a escolher a cruz. As pessoas faziam apenas uma coisa na cruz. Elas morriam na cruz. "Tome a sua cruz" significa como "o grão de trigo" que cai na terra e morre. Escolham a cruz. Odeiem a vida de vocês neste mundo.
Qual é o principal ensino de tudo isso? É um masoquismo sem objetivo? Não. Esse é o caminho do verdadeiro amor, da verdadeira vida e da verdadeira adoração. Nosso alvo em morrer é produzir fruto: "Mas, se morrer, produz muito fruto" (Jo 12.24). Nosso alvo em morrer é a vida: "Aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna" (Jo 12.25). Nosso alvo em morrer é exaltar a dignidade de Cristo: "Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas" (Fp 3.8).
Paulo é o grande exemplo do que significa morrer. "Levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo" (2 Co 4.10) e "pela qual [cruz] o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo" (Gl 6.14).
Mas, por quê? Por amor ao comprometimento radical com o ministério: "Em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus" (At 20.24). Penso que ouvi Paulo dizer: "Não importo o que aconteça comigo, se eu puder apenas viver para a glória de sua graça".
Você pode falar as palavras de Paulo como as suas próprias palavras? Pode desejar isso? Com fervor, peça a Deus que seja assim mais e mais.


Estamos Preparando Pessoas para o Céu? J.Piper


Você Seria Feliz no Céu, se Cristo Não Estivesse Lá?
A pergunta crucial para nossa geração — e para cada geração — é esta: se você pudesse ter o céu, sem doenças, com todos os amigos que tinha na terra, com toda a comida que gostava, com todas as atividades relaxantes que já desfrutou, todas as belezas naturais que já contemplou, todos os prazeres físicos que já experimentou, nenhum conflito humano ou desastres naturais, ficaria satisfeito com o céu, se Cristo não estivesse lá?
E a pergunta para os líderes de igrejas é: pregamos, ensinamos e orientamos de tal modo que os crentes estejam preparados para ouvir esta pergunta e responder com um ressoante "Não"? Como entendemos o evangelho e o amor de Deus? Será que, juntamentecom o mundo, temos deixado de ver o amor de Deus como a dádiva dEle mesmo para considerar este amor como um espelho que reflete aquilo que gostamos de ver? Temos apresentado o evangelho de maneira tal que o dom da glória de Deus na face de Cristo é secundário,em vez de central e essencial? Se temos feito isso, espero que este livro seja um instrumento de Deus para nos despertar, a fim de vermos o supremo valor e importância da "luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus". Espero que nossos ministérios tenham o mesmo ponto focai do ministério de John Owen, o grande escritor puritano do século XVII. Richard Daniels disse a respeito dele:
Havia um tema sobremodo importante para John Owen, o qual ele citava ampla e freqüentemente; e ao qual nos referimos como o ponto focai da teologia de Owen... ou seja, a doutrina que vemos no evangelho, por meio do Espírito Santo outorgado por Cristo, é a glória de Deus "na face de Cristo", e por meio dessadoutrina somos transformados na imagem dEle.3
Estamos Preparando Pessoas Para o Céu?
Podemos realmente dizer que as pessoas de nossa igreja estão sendo preparadas para o céu, onde Cristo mesmo, e não os seus dons, será o deleite supremo? Se estão despreparadas para isso, elas realmente irão ao céu? Não é a fé que nos leva ao céu a antecipação do banquete de Cristo? Em certa ocasião, J. C. Ryle pregou um sermão intitulado "Cristo é Tudo", baseado em Colossenses 3.11. Ele disse em seu sermão:

Infelizmente, porém, quão pouco preparados para o céu estão muitos que falam em "ir para o céu" quando morrerem, ao mesmo tempo em que não manifestam qualquer fé salvífica, nem verdadeira familiaridade com Cristo. Esses não honram a Cristo neste mundo; não têm comunhão com Ele; não O amam. O que poderiam fazer no céu? O céu não seria lugar apropriado para eles. 
As alegrias celestiais não alegrariam essas pessoas. 
felicidade celeste não poderia ser compartilhada por elas. As atividades que caracterizam o céu seriam canseira e enfado para o coração dessas pessoas. Se você está entre esses, arrependa-se e mude a sua atitude antes que seja tarde demais!

Nada torna uma pessoa mais útil na terra do que o estar preparada para o céu. Isto é verdade porque estar pronto para o céu significa ter prazer em contemplar o Senhor Jesus, e contemplar a glória do Senhor significa ser transformado na glória da sua imagem (2 Co 3.18). Nada poderia abençoar tanto a este mundo como mais pessoas semelhantes a Cristo. Pois, nesta semelhança, o mundo veria a Cristo.
Aquilo de que o Mundo Mais Necessita
Quando celebramos o evangelho de Cristo e o amor de Deus, e enaltecemos o dom da salvação, devemos fazê-lo de um modo que as pessoas vejam, por meio disso, o próprio Deus. Que os que ouvem, de nossos lábios, o evangelho, saibam que a salvação é o dom de ver e experimentar a glória de Cristo; e esse dom foi comprado com sangue. Creiam eles e digam: "Cristo é tudo!" Ou, usando as palavras do salmista: "Os que amam a tua salvação digam sempre: Deus sejamagnificado!" (SI 70.4). Não digam: "Magnificada seja a salvação!", e sim: "Deus seja magnificado!"
Que a igreja do Senhor Jesus confesse com intensidade crescente: "O Senhor é a porção da minha herança e o meu cálice" (SI 16.5); "Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo" (SI 42.1,2); "Estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor" (2 Co 5.8); "De um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor" (Fp 1.23).
De nada mais o mundo necessita além de ver a dignidade de Cristo através de obras e palavras de seu povo, o qual foi atraído por Deus. Isso acontecerá quando a igreja despertar para a verdade de que o amor salvífico de Deus é o dom de Si mesmo e de que Deus mesmo é o evangelho. 


Fonte:[O Cristão Hedonista]

O Que Significa Ser Cheio Do Espirito | John MacArthur


Fonte: [Youtube]

2 de mai. de 2010

O Que Jesus Quer?


O que Jesus quer? Encontramos a resposta em suas orações. O que Ele pediu a Deus? A sua oração mais extensa pode ser lida em João 17, verso 24. Este é o clímax de seu desejo:

Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste .

Entre todos os pecadores indignos no mundo, existem alguns que o Pai deu a Jesus. Estes são os que Deus trouxe ao Filho (Jo 6.44,65). Eles são crentes — pessoas que “receberam” a Jesus como o Salvador e Senhor, crucificado e ressuscitado, o Tesouro de suas vidas (Jo 1.12; 3.17; 6.35; 10.11,17-18; 20.28). Jesus disse que deseja que seus discípulos estejam com Ele.

Às vezes, ouvimos as pessoas dizerem que Deus criou o homem porque Ele estava sozinho. Elas dizem: “Deus nos criou para que estivéssemos com Ele”. Jesus concorda com isto? Bem, de fato, Ele disse que queria que estivéssemos com Ele! Sim; mas por quê? Considere o restante do versículo. Por que Jesus quer que estejamos com Ele?

Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo.

Essa seria uma maneira estranha de expressar a sua solidão. “A minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória.” De fato, estas palavras não expressam a solidão de Jesus. Expressam o interesse dEle pela satisfação de nosso anelo, e não de sua solidão. Jesus não está sozinho. Ele, o Pai e o Espírito Santo estão plenamente satisfeitos na comunhão da Trindade. Nós, e não Ele, estamos famintos por algo. E o que Jesus deseja para nós é que experimentemos aquilo para o que realmente fomos criados — ver e provar a glória de Deus.

Oh! que Deus faça isto aprofundar-se em nossa alma! Jesus nos fez (Jo 1.3) para vermos sua glória. Pouco antes de ir para a cruz, Ele suplica ao Pai os seus desejos mais profundos — “Pai, a minha vontade [meu desejo] é que... estejam comigo... para que vejam a minha glória”.

Mas isto é somente a metade do que Jesus deseja nestas palavras finais de sua oração. Já afirmamos que fomos criados para ver e provar a glória dEle. Isto é o que Ele quer — não somente que vejamos, mas também que provemos a sua glória, que tenhamos deleite e prazer nela, que a entesouremos e amemos? Considere o versículo 26:

Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja.

Este é o final da oração. Qual é o objetivo final de Jesus para nós? Não é apenas que vejamos a sua glória, mas que O amemos com o mesmo amor que o Pai tem por Ele — “a fim de que o amor com que me amaste esteja neles”. O anelo e objetivo de Jesus é que vejamos a sua glória e sejamos capazes de amar o que vemos com o mesmo amor que o Pai tem pelo Filho. Ele não queria dizer que devemos apenas imitar o amor do Pai para com o Filho. Ele estava dizendo que o próprio amor do Pai se torna nosso amor pelo Filho — que amemos o Filho com o amor do Pai para com o Filho. Isto é o que o Espírito Santo se torna e concede em nossa vida: amor pelo Filho, por meio do Pai, pela operação do Espírito.

O que Jesus mais deseja é que seus eleitos sejam reunidos (Jo 10.16, 11.52) e tenham o que eles mais querem — ver a glória de Cristo e prová-la com o amor do Pai pelo Filho.

O que eu mais quero é estar reunido com vocês (e muitos outros) e VER a Cristo em toda a sua plenitude e que, juntos, amemos o que vemos com um amor que excede as nossas capacidades humanas.

Foi isto que Jesus pediu por nós: “Pai, mostra-lhes a minha glória e dá-lhes que se deleitem em mim com o mesmo deleite que tens em mim”. Oh! que vejamos a Cristo com os olhos de Deus e provemos a Cristo com o coração de Deus. Isto é a essência do céu. Este foi o dom que Cristo veio comprar para os pecadores, ao preço de sua própria morte, em nosso lugar.


Extraído do livro:
Penetrado pela Palavra, de John Piper
Copyright: © Editora FIEL 2009.
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

1 de mai. de 2010

O Discipulado é União com o Cristo Sofredor – Dietrich Bonhoeffer


O sofrimento é, pois, a característica dos seguidores de Cristo. O discípulo não está acima de seu mestre. O discipulado é passio passiva, é sofrimento obrigatório. Por isso, Lutero incluiu o sofrimento no rol dos sinais da verdadeira Igreja. Um anteprojeto da Confessio Augustanadefiniu a Igreja como comunidade dos que são"perseguidos e martirizados por causa do Evangelho".Quem não quiser tomar sobre si a cruz, quem não quiser expor sua vida ao sofrimento e à rejeição por parte dos seres humanos, perde a comunhão com Cristo e não é seu discípulo. Quem, porém, perder sua vida no discipulado, no carregar da cruz, tornará a encontrá-la no próprio discipulado, na comunhão da cruz com Cristo. O oposto do discipulado é envergonhar-se de Cristo,envergonhar-se da cruz, escandalizar-se por causa da cruz.

O discipulado é união com o Cristo sofredor. Por isso, nada há de estranho no sofrimento do cristão; antes, é graça, é alegria. Os relatos sobre os primeiros mártires da Igreja testemunham que Cristo transfigura para os seus o momento extremo do suplício com a certeza indescritível de sua proximidade e comunhão. Assim, nos tormentos mais atrozes sofridos por amor a Cristo, os mártires experimentaram a máxima alegria e bem-aventurança da comunhão com seu Senhor. Suportar a cruz se lhes revelou como a única maneira de triunfar sobre o sofrimento. Isto, porém, aplica-se a todos quantos seguem a Cristo, porque foi igualmente válido para ele.

Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim esse cálice! Todavia, não como eu quero, e, sim, como tu queres... Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim esse cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade. (Mt 26.39 e 42).

Jesus pede ao Pai que faça passar aquele cálice; e o Pai ouviu a prece do Filho. O cálice do sofrimento passaria - porém, unicamente ao ser bebido. Jesus sabe isso perfeitamente ao se ajoelhar pela segunda vez no Getsêmani; sabe que o sofrimento passará ao ser suportado. Somente suportando-o é que ele o vencerá e derrotará. A cruz é sua vitória.

Sofrimento é afastamento de Deus. Por isso é que quem se encontra na comunhão de Deus não pode sofrer. Jesus confirmou esta lição do Antigo Testamento. Justamente por essa razão é que ele toma sobre si o sofrimento de todo o mundo, vencendo-o assim. Ele sofre toda a separação de Deus. O cálice passa se for esvaziado. Jesus quer vencer o sofrimento do mundo; por isso, tem que prová-lo até ao extremo. O sofrimento continua a ser afastamento de Deus; porém, na comunhão do sofrimento de Jesus Cristo, o sofrimento é vencido pelo sofrimento, e justamente no sofrimento se experimenta a comunhão com Deus.

O sofrimento precisa ser suportado para que passe. Ou o mundo tem que suportá-lo e sucumbir sob seu peso, ou ele recai sobre Cristo e é vencido por ele. Dessa maneira é que Cristo sofre em lugar do mundo. Exclusivamente o sofrimento de Cristo é sofrimento expiatório. Mas também a Igreja sabe agora que o sofrimento do mundo está à procura de alguém que o tome sobre si. No discipulado de Cristo, tal sofrimento recai sobre a Igreja, e esta o suporta sabendo-se, por sua vez, suportada por Cristo. Ao seguir a Cristo, sob a cruz, a Igreja de Jesus Cristo representa o mundo perante Deus.

Deus é um Deus carregador. O Filho de Deus tomou sobre si nossa carne e, por isso, suportou a cruz, suportou todos os nossos pecados e, por seu carregar, trouxe a reconciliação. Da mesma forma, o discípulo está chamado a levar fardos. Ser cristão consiste em levar fardos. Como Cristo manteve a comunhão do Pai levando fardos, assim também carregar fardos é, para o discípulo, comunhão com Cristo. O ser humano pode livrar-se do fardo que lhe é imposto. Mas, assim procedendo, ele não se liberta propriamente do fardo; antes, passa a levar um fardo ainda mais pesado, mais insuportável. Leva, por livre escolha, o jugo de si mesmo. Jesus convidou a todos os oprimidos por toda sorte de sofrimentos e fardos para os lançarem fora e tomarem sobre si seu jugo, que é suave, e seu fardo, que é leve. Seu jugo e fardo são a cruz. Colocar-se sob essa cruz não significa miséria e desespero, mas é refrigério e descanso para as almas, é a suprema alegria. Aí, então, não andamos mais sob o peso de leis e fardos de feitura própria, mas sob o jugo daquele que nos conhece e caminha a nosso lado sob o mesmo jugo, onde temos a certeza e a proximidade de sua comunhão. É a Cristo que o seguidor encontra ao tomar sobre si sua cruz.

“Isso deve ir não de acordo com teu entendimento, mas acima dele; mergulha na insensatez e dar-te-ei meu entendimento; não saber para onde vais é saber exatamente para onde vais. Meu entendimento torna-te insensato. Assim saiu Abraão de sua pátria sem saber para onde ir. Confiou em minha sabedoria e desistiu de sua própria, e encontrou o caminho certo e o destino certo. Eis o caminho da cruz: tu não o podes achar; eu tenho que guiar-te como a um cego; por isso nem tu, nenhum ser humano, nenhuma criatura, mas eu, eu em pessoa te ensinarei, através de meu Espírito e Palavra, o caminho que deves trilhar. Não a obra que tu escolhes, não o sofrimento que tu imaginas, mas sim o caminho que te é preparado contra tua escolha, contra teu pensamento e desejo - a esse segue, a esse te chamo, nele sê discípulo; é tempo oportuno, teu Mestre chegou”. (Lutero).

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