13 de jan de 2011

A tirania das coisas – M. Lloyd-Jones


Jesus nos adverte. . . do terrível poder, sobre nós, dessas coisas terrenas que nos agarram. . . Diz Ele: «Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração». Depois, no versículo 24 (Mateus 6), Ele fala a respeito da mente. «Ninguém pôde servir a dois. senhores» — e devemos notar a palavra «servir». São esses os termos significativos que Ele emprega para fazer calar em nós a percepção do terrível controle que essas coisas tendem a exercer sobre nós. Quando nos detemos a pensar, não ficamos todos cientes delas — a tirania de pessoas, a tirania do mundo? . . . Estamos todos envolvidos nisso; estamos todos presos a este terrível poder do mundanismo que realmente nos dominará, a menos que tomemos consciência do seu perigo.

Mas ele não é apenas poderoso; é deveras sutil. É aquilo que de fato controla a vida da maioria dos homens. Você já notou a mudança, a mudança sutil, que tende a ocorrer na vida dos homens, à medida em que vão tendo sucesso e vão prosperando neste mundo? Isso não acontece com os que são verdadeiramente espirituais; mas aos que não são espirituais, é o que invariavelmente sucede. Por que será que geralmente o idealismo se associa à mocidade e não à meia idade e à velhice? Por que as pessoas tendem a tornar-se cínicas conforme vão envelhecendo? Por que tende a desaparecer uma atitude nobre para com a vida? É porque nos tornamos todos vítimas dos «tesouros sobre a terra»; e se você se puser a observar, verá isso na vida dos homens. Leia biografias.

Muitos jovens começam com uma brilhante visão, mas. . . talvez em escolas univesitárias são influenciados por uma perspectiva essencialmente mundana. . .Continuam sendo homens sim¬páticos, retos e prudentes; mas já não são os homens que eram no princípio. Algo se perdeu. Sim; isso é um fenômeno familiar: «As sombras do cárcere começam a adensar-se em torno do rapaz que cresce». Não temos todos nós experiência de algo dessa natureza? Aí está; é um cárcere, e depressa se apoderará de nós, se não nos dermos conta disso.

Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 91,2.

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