29 de abr de 2010

Cristo no Barco


por Paulo Fagundes


Meditação em Marcos 4.35-41

Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem (V. 35).

Podemos nos imaginar naquele barco com Jesus e seus discípulos em direção a terra dos gadarenos, onde o Mestre seria rejeitado antes de seguir para Cafarnaum. Nessa travessia o episódio em que vamos meditar, Jesus e os discípulos estão no barco enquanto outros barcos o seguia. Mas quem realmente o está seguindo? Pois diante das situações de dificuldades e perigos sentimentos de: desespero, angustia, aflição e incredulidade, acompanham o cristão como uma praga, e o homem teima em confiar na sua própria força e olhar para as circunstâncias como se dependesse dele mesmo, e fica procurando o que fazer ou onde encontrar a saída, mesmo pessoas que tem a convicção de que o Senhor está do seu lado ou no mesmo barco.

“Ora levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água”(V. 37).


A igreja desde o início teve muitos momentos em que seguia Jesus e ouvia suas palavras de salvação, mas se comportava como se a vida cristã fosse algo para ser vivido apenas e somente na teoria e nunca na prática, já que em determinados momentos da vida sentimos o cheiro da morte, e a morte nos assombra, é algo que não queremos enfrentar. A morte nos atormenta e nos coloca em cheque e somos tragados pela incredulidade, um pecado tão enraizado no homem e que nestes momentos quase sempre não consegue se livrar. Momento terrível no confronto da carne com o Espírito, em que a carne sai vitoriosa onde deveríamos deixar o Espírito prevalecer, mas somos vencidos pelas nossas próprias fraquezas e teimamos em não obedecer a ordem que foi dada ao salmista:“Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus;”(Sl 46.10).

A traiçoeira influência do mundo nas igrejas: “A Igreja deve estar no mundo como um navio no oceano; todavia, quando o oceano inunda o navio, este passa por gran des dificuldades, tendendo a afundar. Temo que o navio evan gélico esteja afundando. O mundo está se infiltrando tão rapidamente na Igreja, que ficamos imaginando por quanto tempo a embarcação poderá ficar flutuando. A Igreja, que é chamada para influenciar o mundo, encontra-se influencia da por ele.” (W. Lutzer) 

A Igreja já foi comparada muitas vezes como sendo um barco ou um navio e o mundo como o oceano. Aquele barco estava se enchendo de água, e os homens se comportavam como se não seguissem Jesus. Assim como as igrejas de hoje que como barcos estão cheias da água do oceano que é a influência do mundo, se entrar muita água no barco corre o perigo do barco afundar, e se uma igreja se deixa influenciar demais pelo mundo também afunda e o povo abandona a fé, se prostituindo e se tornando então meretriz, em vez de noiva.

Quem é que estava dormindo mesmo? “E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: mestre, não te importas que pereçamos?”(V. 38) 

Sabemos que embora o Senhor Jesus estivesse deitado pois o seu corpo precisava de descanso, o seu Espírito porém jamais dorme pois Ele tem o pleno conhecimento e poder sobre todas as coisas, no seu maravilhoso domínio e na sua infinita supremacia sobre todo o Universo. “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.” (Mt 28.18) Na verdade quem dorme somos nós, quem dorme é o homem, quem dorme é a igreja com as novas e modernas teologias e metodologias quando deixa de lado o verdadeiro evangelho, quem dorme é quem não luta contra o pecado, e quem é vencido pela incredulidade, quem dorme é o mundo enquanto perece nas mãos de Satanás. Diante dos problemas ou das tempestades perdemos o controle do barco, remamos mas não saímos do lugar, tiramos a água e o barco se enche de água novamente, ficamos molhados e angustiados, depressivos,  com medo, nervosos e desesperados.

Enquanto o Salmista diz“Mas por amor de ti, somos entregues à morte continuamente, somos considerados como ovelhas para o matadouro. Desperta! Porque dormes Senhor? Desperta não nos rejeites para sempre!"(Sl 44.22-23).

Aqui vemos no clamor do salmista uma atmosfera diferente, que como cheiro do incenso sobe agradável ao Senhor, uma expressão de fé verdadeira, pois o salmista confiava plenamente na providência divina, diferentemente do que aconteceu no barco da travessia de Jesus com os discípulos.
Ele é quem governa todas as coisas no Universo: “E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. Então lhes disse: Por que sois assim tão tímidos?! Como é que não tendes fé? E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem? (V.39-41)

Esta foi uma pequena demonstração da supremacia e da providência que está em Cristo Jesus, onde devemos colocar toda a nossa esperança e confiança, deixando de lado a nossa arrogância que insiste em confiar na carne e entregar tudo nas mãos dEle. Que nosso Senhor mude nossas atitudes em momentos de pequenas ou grandes dificuldades, que mesmo na bonança e até nas grandes tempestades sejamos guiados pelo Espírito num testemunho que assim como o clamor do salmista seja agradável ao nosso Deus. 

“Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. Portanto, não temeremos ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares; ainda que as águas tumultuem e espumejem e na sua fúria os montes estremeçam. (Sl 46.1-3)


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