18 de nov de 2010

Explodindo o mito da segurança - J. Piper


Arriscar é certo - melhor perder a vida do que jogá-la fora

Se nossa única e abrangente paixão é magnificar a Cristo na vida e na morte, e se a vida que mais o engrandece é a vida de amor que nos custa caro, então a vida é risco, e arriscar é certo. Correr disso é jogar fora a vida.
O que é risco?

Eu defino risco muito simplesmente como sendo uma ação que o expõe à possibilidade de perda ou dano. Se você arriscar, pode perder dinheiro, pode perder prestígio, pode perder sua saúde ou mesmo sua vida. E, o que é pior, se arriscar, você poderá pôr em perigo outras pessoas e não só você mesmo. A vida delas pode estar em jogo. Será que uma pessoa sábia e amorosa, então, arriscará algum dia? E sábio expor-se a perdas? É amoroso pôr outros em perigo? Perder a vida é a mesma coisa que jogá-la fora?
Depende. E claro que você pode jogar a vida fora de uma centena de modos pecaminosos e morrer como resultado. Nesse caso, perder a vida e desperdiçá-la dariam na mesma. Mas perder a vida nem sempre é o mesmo que jogá-la fora. E se as circunstâncias são tais que não arriscar resulte em perda e dano? Pode trazer prejuízo não arriscar. E se arriscar com êxito traria grande benefício a muitas pessoas, e, no caso de fracassar, traria dano somente a você? Escolher o sossego ou segurança não demonstra amor quando algo grande pode ser alcançado para a causa de Cristo e pelo bem dos outros.

O risco é um fio que faz parte do tecido de nossa vida  finita
Por que existe algo como arriscar? Porque existe algo como ignorar. Se não houvesse o desconhecimento não haveria risco nenhum. O risco é possível, porque nós desconhecemos como as coisas vão sair no fim. Isso quer dizer que Deus não pode arriscar.' Ele sabe o resultado de todas as suas opções antes que aconteçam. É isso que significa ser Deus em oposição a todos os deuses das nações (Is 41.23; 42.8,9; 44.6-8; 45.21; 46.8-11; 48.3). E visto que ele conhece o resultado de todas as suas ações antes de acontecerem, ele planeja de acordo com isso. Sua onisciência exclui a própria possibilidade de arriscar.2
Mas não é assim conosco. Nós não somos Deus; nós somos ignorantes. Não sabemos o que há de acontecer amanhã. Deus não nos conta em detalhe o que ele pretende fazer amanhã ou daqui a cinco anos. Evidentemente Deus pretende que vivamos e atuemos em desconhecimento e incerteza sobre o resultado de nossas ações.
Ele nos diz, por exemplo, em Tiago 4.13-15:
Atendei, agora, vós que dizeis: "hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros". Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logose dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: "se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo".
Você não sabe se seu coração vai parar antes de você acabar de ler esta página. Você não sabe se algum motorista vindo em sua direção vai sair da pista de repente e bater de frente com você na próxima semana, ou se a comida do restaurante vai conter algum vírus fatal, se um derrame vai paralisá-lo antes da semana acabar, ou se algum homem vai atirar em você no supermercado. Não somos Deus. Não sabemos do amanhã.
Explodindo o mito da segurança

O risco, portanto, está entretecido em nossa vida finita. Não podemos evitar risco ainda que o queiramos. Desconhecimento e incerteza sobre o dia de amanhã é o próprio ar que respiramos. Todos os nossos planos para as atividades do amanhã podem ser estilhaçados por mil coisas desconhecidas quer fiquemos em casa debaixo das cobertas ou saiamos a andar nas rodovias. Um de meus alvos é destruir os mitos de segurança e de alguma forma livrá-lo do mito de estar seguro. Porque isso é uma miragem. Não existe. Em toda direção, para onde você se voltar, há coisas desconhecidas e coisas além de seu controle.
A trágica hipocrisia é que o encantamento da segurança nos deixa arriscar por nós mesmos todos os dias, mas nos paralisa de arriscar pelos outros na estrada do amor do Calvário. Nós nos iludimos e achamos que isso poria em perigo uma segurança que nem existe de fato. O modo em que eu espero explodir o mito da segurança e desencantá-lo da miragem da segurança é simplesmente ir à Bíblia e mostrar-lhe que é certo arriscar pela causa de Cristo, e assim não desperdiçar sua vida.

Ar

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